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terça-feira, 27 de abril de 2010

PERDI MEU TREM!



PERDI MEU TREM!
*
Às vezes bate saudades
Das coisas do meu sertão.
Do tempo que já passou
Ficando a recordação.
O velho trem que passava
E eu sempre me encantava
Com sua movimentação.
*
E seu Gonçalo Ximenes,
Dos Ximenes Aragão.
Chegava uniformizado,
Era o chefe da estação.
Agente ferroviário,
Que cuidava do horário,
Meu avô do coração.
*
Inda hoje está de pé,
A estação de Ipueiras.
Porém já não se encontra
As famosas cafezeiras.
Já foram para o além
Mas ainda lembro bem,
É da Maria Capoeira.
*
Era no velho quiosque
Que hoje está diferente,
Que da chuva e do sol forte ,
Abrigava muita gente.
Quando o trem aparecia
Quem lá estava corria.
Numa alegria inocente.
*
Os trilhos inda estão lá,
Recortando o meu sertão,
Os dormentes espalhados,
Nas linhas da região.
Mas só passa o trem cargueiro,
Pois o trem de passageiro,
Hoje é só recordação.
*
Minha saudade é tamanha,
Que não sei nem calcular.
E quando o cargueiro apita,
Eu chego a me transportar.
Lembrando os tempos de então
Recordo minha estação!
Sem ver o meu trem passar...
*

Versos e fotos de: Dalinha Catunda

domingo, 25 de abril de 2010

MEU ÍDOLO, ZECA FROSINO


Foto do acervo do blog

MEU ÍDOLO, ZECA FRoSINO

Hoje estou aqui, na difícil missão de falar de um amigo muito querido, que me deixou órfã.
Não era meu pai, mas me chamava de filha, seu abraço era tão sincero que era até difícil não me sentir um pouco sua filha mesmo. Dele eu recebia: Carinho e carão.

Eu que sempre tive uma grande admiração por este homem conhecido como “Zeca Frosino” e muito escrevi a respeito do mesmo, hoje não acho as palavras certas para expressar o tamanho da minha dor, da minha tristeza e do meu abatimento diante dessa grande perda.

Quero deixar aqui meu pesar e dizer que mesmo distante, minha dor incalculável, quero deixar meus sentimentos e o quanto lastimo a partida deste velho amigo.

A dona Maria, esposa de Seu Zeca, aos filhos e filhas do casal e toda família, minhas mais sinceras condolências, minha solidariedade e meu carinho.
Dalinha Catunda.
Nestes versos conto um pouco da caminhada de Zeca Frosino.

O Sonho de Zeca

Um dia, um homem do povo,
Resolveu alegrar o sertão.
Teve uma idéia singela,
Que transformou em ação.
Com pouco recurso montou,
O plano do seu coração.

Com sua sabedoria,
Começou a matutar...
Tem que ser na lua cheia,
P’ra aproveitar o luar.
Assim ficará mais fácil,
P’ro povo se deslocar.

Com uma garrafa vazia,
O candeeiro montou.
Um pavio improvisado,
Na garrafa enfiou.
E foi só colocar gás,
Que o terreiro iluminou.

Contratou um sanfoneiro,
Bom de fole amigo seu.
Assim o primeiro forró,
Na Floresta então se deu.
Até hoje só falhou um,
Foi quando seu pai morreu.

Primeiro sábado de lua cheia,
Em julho p’ro nossos lados.
Dá-se a confirmação,
Do forró mais animado.
Cinqüenta anos de forró,
Zeca tem em seu reinado.

É um forró sem frescura,
Onde toda criatura,
Elegante ou pé no chão,
Dança a noite inteira,
Relembrando o Zé pereira,
Unidos puxando cordão.

Na hora da saideira
O povo de Ipueiras,
Em coro começa a cantar.
É hora de ir embora,
Por que o sol não demora,
Está começando a raiar.

E assim é à volta p’ra casa,
Após uma boa noitada,
Curtida no interior.
E Zeca sorri feliz,
Mais uma vez fez o que quis,
Com a graça de nosso Senhor.

Os olhos de Zeca brilham,
Chegam quase a marear.
É a emoção brotando,
Lá dentro do seu olhar.
Seu orgulho é tão grande,
Que o peito chega a estufar.

Com sua camisa estampada,
Completamente molhada,
Feliz ele volta p’ro lar.
Sabendo que nesta trilha,
Conta com o amor da família,
Que se une para ajudar

quarta-feira, 21 de abril de 2010

BRASÍLIA ( Uma cinquentona que me conquistou)


Foto: Um brinde em Brasília com amigos.

BRASÍLIA
(UMA CINQUENTONA QUE ME CONQUISTOU)

Sou do Ceará, acostumada com muito céu e muito chão, tudo isso encontrei em Brasília para encanto dos meus olhos.

Bem instalada, no apartamento de Tereza Mourão, uma lua imensa, cheia de magia, transpassava a vidraça iluminando o ambiente, numa penumbra natural.

As Paineiras floridas desabrocharam salpicando o chão de pétalas para que eu embevecida pudesse passar, as nuvens se esconderam e a cidade me presenteou com o céu azul mais maravilhoso que eu já pude ver em toda minha vida.

A falta de umidade respeitosamente não apareceu, para meu conforto. Eu não teria palavras para traduzir a beleza do que é um passeio de veleiro ao cair da tarde no Lago Paranoá. Ver o sol se esconder, a beleza do escarlate em suas nuances até sumir de vez preparando o espaço para o brilho soberano de uma lua cheia de encanto cercada de intermitentes estrelas.

O Verde das árvores, o azul do céu em contraste com a arquitetura dessa cidade planejada é simplesmente majestoso. Nem me fez falta a falta de esquinas! Os monumentos realmente me encantaram.

Estou falando de uma Brasília que vi e senti por mais de uma vez e me encantei. Não daquela Brasília que aparece sendo covardemente ridicularizada na televisão.

Hoje gostaria de parabenizar essa bela cinquentona que me conquistou e parabenizar também meus amigos nordestinos que fizeram de Brasília seu segundo lar e que me acolhem com tanto carinho.

Não deixem de visitar: www.cordeldesaia.blogspot.com

terça-feira, 20 de abril de 2010

FORTALEZA-CEARÁ


FORTALEZA-CEARÁ

Um mar uma jangada,
Que encanto! Que Beleza!
Um sol tão majestoso,
Oferenda da natureza.
Tudo isso é o Ceará,
Terra melhor não há
O exemplo é Fortaleza.

O azul do nosso céu,
As verdes ondas do mar.
As carnaubeiras virentes,
Que o vento vem beijar.
O vento que sopra fagueiro,
Na palma de cada coqueiro,
Faz meu peito acelerar.

Em cada praia que vou,
Vislumbro uma aquarela.
Essa loura é um encanto!
O rei sol casou com ela.
E para a nossa alegria
A terra da luz tem magia
E está cada dia mais bela.

Texto:Dalinha Catunda
Foto: retirada do site do Júnior Bonfim
VISITE: www.cordeldesaia.blogspot.com

terça-feira, 13 de abril de 2010


MEU JEITO AGRESTE
.
Não nasci de sete meses,
Não sou mulher assustada.
Nunca fui guia de cego
Mas sou bem desaforada.
O meu nome é Dalinha,
Outro melhor não tinha
Para eu ser retratada.
.
Não sou de dizer amém
Cabeça não sei baixar.
Tenho nariz empinado
Não sou de me rebaixar.
Tenho cabelos na venta
Meu pirão é com pimenta
Que arde de transpirar.
.
Nasci no meu Ceará
O meu chão é Ipueiras.
Adoro o meu Nordeste.
Sou da ala das guerreiras.
Preservo meu ar agreste,
Já peguei cabra da peste,
E nele botei coleiras.
.
Quem quiser me seguir
Que acompanhe meu passo.
Nem devagar nem ligeiro,
Pois tenho o meu compasso.
Aprendi lá no sertão,
A pisar em qualquer chão
Nem fico nem ultrapasso.
.
Sou abelha Dalinha,
Doce e de amargar.
Se hoje oferto mel
Também posso ferroar.
Meu mel e meu ferrão,
Conforme a situação
Sou obrigada a usar.
.
Gosto de ser instintiva
Não queira me adestrar.
Este meu jeito agreste
Trouxe do meu Ceará.
Tenho lá minha doçura
Mas só mostro ternura
Se de fato me encantar.

.
Texto de Dalinha Catunda
Foto de Dalinha Catunda na sua casa em Ipueiras-Ce

quinta-feira, 8 de abril de 2010

DE MARAVILHOSA A CALAMITOSA


DE MARAVILHOSA A CALAMITOSA
.
As nuvens desabaram
Inundando todo chão
A cidade maravilhosa
Virou caos e confusão
Nunca vi tanta enchente
Levando casa e gente,
E causando destruição.
.
O caos invade a cidade,
Trazendo a devastação.
A tragédia assola o Rio,
Cidade de São Sebastião.
E a cidade maravilhosa
Tornou-se calamitosa,
Quem padece é a população.
.
E triste ver a desgraça
Massacrando tanta gente.
No Sudeste tanta água
E no Nordeste diferente.
Falta chuva no Nordeste,
Água no Rio virou peste,
Devastação e enchente.
.
“Desgraça pouca é bobagem,”
Ainda temos que padecer.
Com políticos oportunistas,
Que só querem aparecer:
-“Com minha casa minha vida
“A problemática tá resolvida,”
Ouvi um maioral dizer.
.
Muitos já não precisam,
De casas para morar.
Sete palmos é o suficiente.
Para os mortos enterrar,
Chorar e abraçar família,
Isso é pura demagogia,
Mas de político é peculiar.
.
Nas manchetes dos jornais,
Ou mesmo na televisão,
Cada imagem mostrada,
É de enternecer coração.
Que Deus tenha piedade,
Do povo desta cidade,
Cidade de São Sebastião.
.
Texto:Dalinha Catunda
Foto:www.vooz.com.br/imagem/noticias/globo_98e906c...

segunda-feira, 5 de abril de 2010

A LENDA DO LAGO ENCANTADO



A LENDA DO LAGO ENCANTADO

Contam que um belo rapaz um tanto misterioso passava horas e horas, às margens de um lago que para ele era encantado.

Este lago tinha uma singularidade. Sempre que suas águas iam diminuindo ele ia se transformando num imenso coração. Todo final de tarde o belo jovem aparecia para cumprir seu ritual.

Seu semblante ficava totalmente modificado mirando aquelas águas.
Pegava pequenas pedrinhas e jogava no meio do lago. Ali se formavam anéis de ondinhas que cresciam... Cresciam... Atééé sumir. Aí ele jogava outra pedrinha, assim iam aparecendo novas ondas e sumindo... Ele passava horas naquela brincadeira.

Contam que no porão daquele lago morava uma linda mãe-d’água e que toda tarde vinha cantar e dançar para o tal jovem apaixonado.
As pedrinhas jogadas ao lago era o sinal que ele estava presente esperando seu canto.
Durante muito tempo viu-se o rapaz do lago encantado em sua contemplação.

Para o desgosto dos que estavam acostumados a apreciar aquela sena o belo rapaz, como se por encanto, sumiu.

Reza a lenda, que numa noite de lua cheia, quando o grande lago transformou-se num imenso coração, a mãe-d’água apareceu no meio das águas, estendeu os braços e cantou maravilhosamente para o jovem rapaz que atraído pelo belo canto foi ao encontro de sua amada.

Há quem diga que ele passou a viver num castelo encantado no reino das águas cristalinas. E os que conhecem a historia, afirmam que quando o grande lago se transforma em coração e coincide com a lua cheia, vê-se nitidamente o lindo casal no centro do coração espelhado.

Texto:Dalinha Catunda
Imagem: www2.uepa.br/webquest/iara5.jpg

quinta-feira, 1 de abril de 2010

A MENTIRA


A MENTIRA

Quem traz a verdade plena
Registrada em sua vida?
Se o que hoje é verdade
Amanhã será mentira.

Quem diz que nunca mentiu,
Eu digo que é pura mentira!
Até para praticar o bem
Pregamos boas mentiras.

A mentira não é a vilã
Que muita gente apregoa.
Muitas vezes nos faz feliz,
Nem sempre ela magoa.

A verdade é uma mentira
Pois perde sua validade.
A mentira certamente
É a mais pura verdade.

Texto:Dalinha Catunda
Imagem: Internet