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sexta-feira, 29 de abril de 2011

ARAGEM

ARAGEM

O desnublado do dia
Enchia-me de alegria
E eu me entregava ao prazer.
De ver o dia surgindo,
Nos braços de um vento menino
Que vinha minha pele lamber.
A Brisa que me acaricia
Meu corpo todo arrepia,
E eu invoco você,
A participar desta dança,
De vento e mulher criança,
Antes do anoitecer.
 *
Texto Dalinha Catunda
Foto:.photobucket.com/.../Marota/tentaodoMar.jpg post

quarta-feira, 27 de abril de 2011

BALAIO DE SOGRAS

BALAIO DE SOGRAS
*
Aqui neste meu balaio
Amigo, muita atenção.
Tem sogra pra todo gosto,
Tem muita reclamação!
Não é minha a grosseria
Apenas faço poesia,
Com a voz da população.
*
Mas também tem elogios
E boa declaração,
De quem adora a sogra
E por ela tem afeição.
Porque tem sogra querida
Sendo também exibida
Nesta minha explanação.
*
Eu ainda não sou sogra
Porém um dia vou ser.
Vou tratar minha nora,
Do jeito que merecer.
Se for pessoa educada,
Serei sogra camarada
E confesso, com prazer!
*
Agora quero falar,
Da sogra de muita gente.
Dos que detestam a sogra
E de quem está contente.
Há sogra que ninguém quer,
Mas tem a boa mulher
Que não é sogra é presente.
*
Ao olhar pra minha sogra
Bate-me uma aflição,
Vejo que minha mulher,
Tem dela a mesma feição.
A velha era ajeitada
Mas agora pregueada
Está o retrato do cão.
*
Se ter sogra fosse bom,
Uma teria Jesus.
Mas antes de se casar
Morreu pregado na cruz.
E deixou para os terrenos
As sogras e seus Venenos
Coisa que não me seduz.
*
Pra sogra do meu marido,
Faço versos, faço loa.
Neste mundo nunca vi,
Uma sogra assim tão boa.
É um poço de ternura,
Essa gentil criatura
Maravilhosa pessoa.
*
Minha sogra diz que é boa,
Mas na verdade é cruel.
Sua palavra mais doce,
Amarga mais do que fel.
Estou vivendo um tormento,
Conflito no casamento,
Por causa da cascavel.
*
Vou pagando meus pecados
Desde quando me casei.
Uma sogra como a minha,
Ter eu nunca imaginei.
É sebosa, fuxiqueira,
Metida a presepeira,
Da velha já me cansei.
*
Minha sogra é divina!
A coroa é um mulherão.
Não vou dizer que é um Boeing,
Contudo é um avião.
É uma coroa sarada
Já foi recauchutada,
Porém dá um bom pirão.
*
De sogra quero distância.
Ela não vem no pacote.
Se ela mora no Sul,
Eu volto para meu Norte.
Pois sogra não é parente
É apenas aderente,
Praga ou falta de sorte.
*
Minha sogra é ignorante,
Minha mulher diz te arreda.
A sogra mandei pro diabo,
A mulher mandei a merda.
E nas duas baixei a lenha,
Tem lei Maria da Penha,
Mas a justiça é lerda.
*
Minha sogra é bondosa,
Comparo a virgem Maria.
Mãe de uma santa Mulher,
Que só me trouxe alegria.
Quando resolvi casar,
E subir naquele altar,
Acertei na loteria.
*
Coitado do meu sogro
Sofre com a mulher que tem,
Eu, aqui na minha casa,
Sofro com a minha também.
Tanto a mulher como a sogra
São da família de cobra,
Das que mais veneno tem.
*
Minha sogra quando ri
Parece que faz careta.
Totalmente desdentada
Tem a cara do capeta.
Pernas, só vendo a finura
Parece uma saracura,
Inda por cima é zambeta.
*
De cobra bem venenosa,
Também de bruxa malvada,
A coitadinha da sogra,
Muitas vezes é chamada.
Mas às vezes é tão boa
Tão gentil como pessoa
Que pela nora é amada
*
Sogra boa eu lhe digo,
É igualzinha a macaxeira,
Só presta bem enterrada
Não estou dizendo besteira
A que lá em casa tenho,
E que até hoje mantenho
Já puxou até peixeira.
*
28 de abril é o dia da sogra, aqui tem sogra para todos os gostos


Texto:Dalinha Catunda
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terça-feira, 26 de abril de 2011

UM RIO DE ÀGUA


UM RIO DE ÀGUA
*
O Céu todo escureceu
A chuva grossa caiu
O transito paralisado
Meu olhar atento viu
Nosso Rio de Janeiro
Em água se consumiu.
*
A correnteza nas ruas
Atraiam a atenção.
O relâmpago riscava
E pipocava o trovão
Desligando num estalo,
Computador, televisão.
*
E num engarrafamento,
Parte da população,
Ficou mesmo à deriva
Que sinistra situação,
Boiando dentro de carros
Sem chance de reação.
*
Duas horas da manhã
Em cima do elevado,
A chuva ainda caia
E no transito parado
Sofria o trabalhador
Encurralado e cansado.
*
Nosso Rio de Janeiro,
Padece com temporais.
E na hora do aperto
É o povão quem sofre mais
Mas não vejo solução,
Só manchetes em jornais.
*
As olimpíadas vêm aí
E eu só queria saber
Se cair um temporal
O que vai acontecer!
Pois sei que o maracanã,
Com certeza vai encher.
*
Texto e foto de Dalinha Catunda
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domingo, 24 de abril de 2011

FORRÓ SEM ZECA


 Esta é uma pequena homenagem que presto ao meu amigo Zeca Frauzino que nos deixou dia 23 de abril de 2010.  Um ano sem Zeca e sem o seu tradicional forró que tanto alegrava a cidade de Ipueiras.

FORRÓ SEM ZECA
*
Zeca caboclo festeiro,
Gostava de animação
E fazia seus forrós
Pautado na tradição
Por um forró pé-de-serra
Batia seu coração.
*
A sanfona gemeu triste
Quando Zeca foi embora.
A quadra do Corte Branco
Não é a mesma d’outrora
O povo que lá dançava
De tristeza hoje chora.
*
Zeca estou com você
Até debaixo do chão.
Pois você trouxe alegria
Para o povo do sertão
Por mais de cinqüenta anos
Fazendo o seu chitão.
*
Com um chapéu na cabeça,
Com sorriso de menino
Cheirando a perfume bom
Via-se Zeca Frauzino,
Que cumpriu sua missão,
E foi cumprir seu destino.
*
Texto e foto de Dalinha Catunda
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quarta-feira, 20 de abril de 2011

ABRAÇO DE PÁSCOA

 ABRAÇO DE PÁSCOA
*
A páscoa se aproxima,
E no lar de cada cristão
Está na hora de plantar
Mais amor no coração.
Abrir os braços com gosto
Para abraçar cada irmão.
*
Um abraço verdadeiro
Feito o abraço de Maria
Que abraçou o seu filho
No momento que sofria.
Viu Jesus Crucificado,
Mas ao seu lado resistia.
*
Maria trazia no peito
O mais sublime amor
Enquanto Jesus sofria
Era grande a sua dor
Mas viu cristo ressuscitar
E amenizou seu temor.
*
Texto: Dalinha Catunda
Foto: colegiodasneves.com.br
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segunda-feira, 18 de abril de 2011

O PICÃO ROXO

 
O PICÃO ROXO
*
Andei com uma dor nos quartos
Vejam que situação.
Aí me recomendaram
Tomar um chá de picão,
Saí me maldizendo
E fui logo dizendo:
Esse diabo tomo não!
*
Mas o doutor raizeiro
Correu atrás de mim
Me chamou lá num cantinho
E já foi dizendo assim:
Experimente o tal picão
Que  a sua situação
De dor vai chegar ao fim.
*
Olhei bem desconfiada
Pro vendedor de raiz
Foi quando senti de novo
Aquela dor infeliz
Era uma dor bem profunda
Subindo o rego da bunda
Se espalhando pelos quadris.
*
Eu tinha que me render
A tal fitoterapia
Mas uma dúvida atroz
De verdade me afligia
Será que o tal picão
É cipó ou solução?
A gente toma, ou enfia?
*
Era a dor me consumindo
Era bem grande a aflição
E tinha que ser do roxo
Pra fazer efeito o picão
Resolvi entrar no cipó
Se a dor de mim não tem dó
Não vejo outra solução.

 Texto: Dalinha Catunda
Foto pescada no: flordocamponatural.com.br
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terça-feira, 12 de abril de 2011

Forró é bom e eu gosto

Grupo de forró pé-de-serra na Feira de São Cristovão

FORRÓ É BOM E EU GOSTO!
*
O legítimo forró,
Tem balanço tem magia
No arrastar do chinelo,
Forrozeiro se arrepia
Tira poeira do chão
Rodopia pelo salão
Dançando com alegria.
*
Eu já dancei em terreiro
E debaixo de latada.
Com triângulo e Zabumba
Uma sanfona e mais nada.
Já arrastei muito xote,
Nos dois passos, no pinote!
Sem me cansar na jornada.
*
Quem fala mal de forró
Sem conhecer Gonzagão,
Sem nunca ter arrastado
O seu chinelo no chão
Sem entender do riscado,
É melhor ficar calado
E aprender sobre sertão.
*
Foto e texto de Dalinha Catunda
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segunda-feira, 11 de abril de 2011

PÁSSARO VOADOR


PÁSSARO VOADOR
*
Arrumei minha gaiola
Esperando você pousar.
Armei meu alçapão,
E você não quis entrar.
Não nasceu para prisão
Seu destino é voar.
*
Salta de galho em galho,
É uma ave de arribação.
Por onde passa faz ninho,
Paradeiro não tem não.
Quando vê uma gaiola
Logo muda a direção.
*
Canto de pássaro preso,
É apenas lamentação.
De passarinho liberto,
Tem outra entonação.
São gorjeios e suspiros
Que brotam do coração.
*
Ser pássaro de gaiola
Nunca foi sua vocação.
Nasceu pra bater asas,
E acho que tem razão,
Não se pode ser feliz,
Trancafiado em prisão.
*
Foto e texto de Dalinha Catunda
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quinta-feira, 7 de abril de 2011

VILMAR


A PARTIDA DO MEU AMIGO VILMAR
Hoje, eu que sempre gostei de escrever, tenho a difícil missão de registrar aqui a passagem de um querido amigo que foi mais cedo morar com Deus.
É o ipueirense, Vilmar, filho de seu Zeca Frausino, (que também já está na casa de nosso pai maior) e de dona Maria.
Vilmar era uma pessoa alegre, sabia receber muito bem as pessoas em sua casa, pai cuidadoso, filho amoroso que certamente fará muita falta e deixará muitas saudades.
Aqui deixo meus sinceros sentimentos de pesar e meu abraço de conforto para dona Maria, para Daniele, Camila e para toda família enlutada.

Em homenagem ao meu amigo Vilmar vou postar uma crônica que fiz no passado em sua homenagem.

Era uma Vez uma Timbaubeira

Hoje quem sai de Ipueiras e pega a estrada da Floresta rumo aos lugarejos: Chico Pereira e Arroz, não encontra mais a exuberante timbaubeira que encantava os olhos daqueles que por ali passavam.

Bem na encruzilhada, exibindo seu viço, seu verde e seu imenso tronco, o pé de timbaúba viveu por mais de trinta anos até que a fome de um machado inclemente a transformasse em reles troncos jogados ao chão.

Quantas vezes no alpendre da casa grande, que ficava ao lado, deitada numa rede, presenciei o espetáculo divino da lua nascendo por detrás de suas folhagens. Quantas vezes o canto dos pássaros que ali pousavam fazendo seus ninhos, encantaram-me os ouvidos e quantas vezes vi montarias amarradas ao seu tronco, daqueles que por ali passavam para um cafezinho ou um copo d’água.

Só que essa timbaubeira, não nasceu do nada. Não eclodiu, não brotou sozinha. Não. Essa timbaubeira foi uma mudinha, plantada por um menino chamado Vilmar, num chão duro, seco, terra de barro vermelho onde a difícil brotação é uma verdade.

Esse mesmo menino, muito jovem mudou-se para Brasília. Entre trancos e barrancos, na dureza de um chão vermelho, também plantou sua vida. E, apesar dos golpes do destino, consegui colher frutos maravilhosos que hoje dão sabor e sentido a sua existência.

Cada vez que ele voltava a sua terra sentia orgulho de sua façanha. Aquela árvore ali plantada, era a prova viva da resistência do nordestino, que sobrevive a calamidade das secas e consegue fazer ninhos em outras paragens sem esquecer suas raízes. Ali, ele, estava plantado, ali, ele escrevera sua história, que hoje contará picotada aos seus filhos.

No último janeiro Vilmar viu sua árvore alegre e fagueira brincando ao vento, outros janeiros certamente virão, mas o pé de Timbaúba, marco em sua vida, virá apenas na lembrança.

 Texto Dalinha - foto do acervo de JeanKleber
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terça-feira, 5 de abril de 2011

PIAUÍ, CAJUINA E BURITI


PIAUÍ, CAJUÍNA E BURITI
*
Quando fui para o Nordeste,
E passei no Piauí.
Numa bodega de estrada
Eu parei para um xixi.
Em cima do balcão
Pra minha satisfação
Vi doce de buriti.
*
Tanta foi minha alegria
Que não pude me conter
Eu comprei cinco pacotes
E já comecei a comer.
Para matar a vontade
Lambuzei-me de verdade
Até me satisfazer.
*
Iguaria do Nordeste
É coisa que me fascina
Na tal bodega comprei
Garrafas de cajuína
Depois da compra feita
De lá saí satisfeita
Parecendo uma menina.
*
E saí lambendo os beiços
Com dentes amarelados.
Sentindo o gostinho azedo
Dos velhos tempos passados
Da sembereba e farinha
Que na minha terra tinha,
Sabores apreciados!
*
Foto do blog do meu amigo João Alberto Ananias
Texto de Dalinha Catunda
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sexta-feira, 1 de abril de 2011

A MAJESTOSA IPU

Bica - o maravilhoso véu de noiva

A BICA DO IPU E SEU LAJEDO

A MAJESTOSA IPU
*
O tempo passa, é Certo,
Porém a lembrança fica
Dos velhos passeios no Ipu
Regados a banho de bica.
Comendo paçoca na lata
No meio daquela mata,
De natureza tão rica.
*
Meus pés trilharam com gosto,
As pedras daquele chão,
Nos inesquecíveis banhos
Aonde escorria o Gangão.
Onde fluíam os amores,
Ímpetos, desejos, ardores,
Nas primícias da paixão.
*
Ipu das santas festas,
Das novenas, procissão,
Do santo mártir Guerreiro,
Que do Ipu é guardião.
Em todo mês de janeiro
Dou vivas ao padroeiro,
Que é São Sebastião.
*
Ipu hoje está diferente,
Sem perder a majestade.
A natureza foi pródiga
Ao criar esta cidade,
Onde o verde faz festa
E sempre se manifesta
Em várias tonalidades.
*
Se a bica não cai como antes,
Porém o lajedo encanta.
A água bate na pedra,
Forte ou fraca, mas canta!
E para minha alegria
Ressoa feito sinfonia
A música que acalanta.
*

Texto e fotos de Dalinha Catunda
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