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segunda-feira, 20 de agosto de 2012

GUAIPUAN VIEIRA E A POSSE NA ABLC

Guaipuan Vieira
Da esquerda para direita: Guaipuan Vieira e Gonçalo Ferreira
Da esquerda para direita: Rosário Pinto, Guaipuan Vieira, Dalinha Catunda
Guaipuan Vieira e Madrinha Mena


GUAIPUAN VIEIRA NA ABLC
Tomou posse na ABLC – Academia Brasileira de Literatura de Cordel o distinto poeta Guaipuan Vieira, que a todos encantou com seu discurso elegante onde discorreu sobre a literatura de cordel com a naturalidade de quem conhece profundamente o assunto.
Este poeta piauiense radicado no Ceará, filho do também poeta Hermes Vieira, que é totalmente envolvido com a cultura popular, com certeza é uma grande aquisição da Academia Brasileira de Literatura de Cordel.
Dalinha Catunda

quarta-feira, 15 de agosto de 2012

MULHERES CANTANDO QUADRÃO À BEIRA-MAR



MULHERES CANTANDO QUADRÃO À BEIRA-MAR

1-Dalinha Catunda
O sol empalidecendo
Ondas subindo e descendo
Nossa paixão acendendo
E o barco a sacolejar.
No balanço do veleiro
Um amor aventureiro
Vivi com meu timoneiro
No quadrão à beira-mar.
“Beira mar, beira mar,
O quadrão só é bonito
Quando é feito a beira mar”

2-Rosário Pinto
Lá no Planalto Central
Em Brasília a capital
Numa noite magistral
A lua a desmaiar
Uma paixão, de repente
Na vida se fez presente
Na cidade reluzente
No quadrão à beira-mar
“Beira mar, beira mar,
O quadrão só é bonito
Quando é feito a beira mar”
*
3-Creusa Meira
Queria por um momento
Falar de contentamento
Esquecer o sofrimento
Neste breve versejar
Sorrir para não chorar
Ao lembrar o triste dia
Que perdi minha alegria
No quadrão à beira mar
“Beira mar, beira mar,
O quadrão só é bonito
Quando é feito a beira mar”

4-Nezite Alencar
Pelo mar, entre os abrolhos,
Lembro o verde dos seus olhos,
As lágrimas me descem aos molhos,
Pois é grande o meu penar:
Um dia um barco ligeiro
Levou meu amor primeiro
Vestido de marinheiro
No quadrão à beira mar.
“Beira mar, beira mar,
O quadrão só é bonito
Quando é feito à beira mar”.
*
5-Williana Brito

Sentindo a brisa cheirosa
Naquela hora saudosa
Ouvi uma voz bondosa
Dentro de mim declarar:
A vida é dom, é presente,
Amor é o que move a gente,
Cante e viva bem contente
No quadrão à beira-mar.
“Beira mar, beira mar,
O quadrão só é bonito
Quando é feito a beira mar”

6-Francy Freire
Meu amor vai na garoa
Remando em sua canoa
Cantando uma rima boa
Pra solidão espantar.
E eu fico aqui tão sozinha,
Levando a mesma vidinha,
Da sala para a cozinha
No quadrão a beira-mar.
“Beira mar, beira mar,
O quadrão só é bonito
Quando é feito a beira mar”

7-Bastinha Job
A natureza tão bela
A gente sente e ver nela
A mão de deus que nos vela
No céu, na terra , no ar;
No dia quando amanhece
Na noite quando escurece,
Nossa mão se eleva em prece
No quadrão a beira mar
beira mar, beira mar
o quadrão só é bonito
quando feito à beira mar!

8-Josenir Lacerda
A onda beijando a praia
No poente o sol desmaia
E o céu perene atalaia
Dia e noite a vigiar.
Assim também é meu sonho
Ora alegre, ora tristonho.
Em versos traduzo e ponho
No quadrão a beira mar.
 beira mar, beira mar
o quadrão só é bonito
quando feito à beira mar!

9 – Anilda Figueiredo
No luar do meu sertão,
Entreguei meu coração,
Ao fogo de uma paixão,
Hoje resta recordar:
Fecho os olhos, sinto o cheiro
Daquele belo vaqueiro,
Que me abraçou no terreiro,
No quadrão à beira-mar.
 beira mar, beira mar
o quadrão só é bonito
quando feito à beira mar!

10-Dalinha Catunda
Este canto feminino
É um canto nordestino
Canto sem desatino
De quem sabe mergulhar.
Não é um canto qualquer
Mas um canto de mulher
Que navega como quer
No quadrão à beira mar.
 beira mar, beira mar
o quadrão só é bonito
quando feito à beira mar!

 A MULHER EM TRÊS TEMPOS NO CORDEL
1º - a mulher teve grande importância no ofício de repassar a cultura popular. Foi mestre em difundir suas tradições, contando histórias, lendas, causos, cantando cantigas de ninar, fazendo advinhas, cantando cantigas de roda, repassando as superstições, pois tudo isso é parte da andante cultura oral. O cordel parente próximo do repente não ficou de fora, era lido contado ou cantado, também, por mulheres. E era assim as pessoas tempos atrás, se reuniam em alpendres terreiros e calçadas.
2º - a mulher foi tema dos folhetos nas mais diversas formas: a musa, louvada por seus poetas, escrachada por outros, conforme o olhar de cada bardo sobre a figura feminina.
3º - finalmente, chegou a vez da mulher marcar espaço e ocupar seu lugar ao lado do homem de igual para igual. Não, apostando numa competição, e sim numa parceria. E assim, aconteceu. A mulher hoje escreve cordel, ocupa as academias de literatura popular, onde antes era apenas um clube do bolinha, enfim, a mulher ganhou voz e começa a ser respeitada como poeta cordelista.
 Mais uma vez, consegue reunir, aglomerar, não em alpendres, calçadas e terreiros, na debulha do feijão, mas num espaço mais amplo, a internet! Onde navega com garra desbravando novos caminhos e fincando sua bandeira.
Estas mulheres, que juntei para cantar um QUADRÃO A BEIRA MAR, todas engajadas e comprometidas em escrever literatura de cordel e explorar novos espaços, inclusive os das mídias contemporâneas.
.
Dalinha Catunda/ABLC e /AILCA
Rosário Pinto/ABLC
Creusa Meira/Bancária
Nizete Alencar/ACC
Williana Brito/ACC
Francy Freire/professora
Josenir Lacerda/ABLC e /ACC
Anilda Figueirêdo/ACC
Bastinha Job/ ACC 
ABLC - Academia Brasileira de Literatura de Cordel
ACC - Academia dos Cordelistas do Crato 
AILCA - Academia Ipuense de Letras Ciências e Artes

*
Texto e ilustração de Dalinha Catunda 
Versos de poetas convidadas

terça-feira, 14 de agosto de 2012

FRUTAS DA MINHA TERRA

SIRIGUELA

ATA

CAMBUCÁ




















FRUTAS DA MINHA TERRA
 
Eu sou que nem passarinho
Por uma fruta madura
E já comi com fartura
Neste meu longo caminho
Queria mais um tiquinho
Para alegrar a goela:
Pitomba e siriguela,
Cajá, ata e cambucá
Frutas do meu Ceará
Da minha terra singela.
*
Texto e fotos de Dalinha Catunda

segunda-feira, 13 de agosto de 2012

CURTINDO A FARINHADA


CURTINDO A FARINHADA
*
No sítio cedro de dentro
Fui ver uma farinhada
Era tanta mandioca,
Que fui ficando animada
Peguei logo uma peixeira
Pra descascar macaxeira
Num cantinho acocorada.
*
Na hora de tirar goma
Corri atrás das peneiras
E naquele vai-e-vem
Eu rebolava as cadeiras
O povo se divertia,
Batia palma e sorria
Gostando das brincadeiras.
*
Um cheirinho de café
Tomou conta do lugar
Logo saiu tapioca,
E beijú pra acompanhar
Eu me servi à vontade
Matando a grande saudade,
Que estava a me matar.
*
Dona Francisca parteira,
Mulher de seu Benedito
Contava velhas histórias
Que jamais eu vi escrito
Uma roda se formava
Enquanto ela contava
No seu linguajar bonito.
*
E num forno arredondado
A lenha queimando ardia,
Um caboclo sem camisa
Sua farinha mexia.
Eu totalmente enlevada
Revivia a farinhada
Que meu velho pai fazia.
*
Texto e fotos de Dalinha Catunda.
As fotos foram feitas na serra, perto da Lagoa dos Távares, município de Ipueiras - Ceará

quarta-feira, 8 de agosto de 2012

A VOVÓ E O SEU TEMPO

A VOVÓ E O SEU TEMPO
*
Aquela avó de ontem
E que guardo na memória
Ficou mesmo no passado
Registrado na história.
Agora atualizada
Sem ser marginalizada
Vive seu tempo de glória.
*
A vovó hoje é moderna
E assim sendo se completa.
Faz ginástica e corre,
Inda anda de bicicleta,
A vovó tá diferente
Esqueceu cocó e pente
 Se transformou em atleta.
*
Vovó faz aula de dança,
E viaja em excursão,
Fazendo sempre turnê
Repleta de animação,
E tem vovó competente
Corajosa e tão valente,
Que matou até ladrão!
*
Tem vovó de todo jeito,
Tem vovó bem assanhada!
Se esquecendo da idade,
Vive sempre enamorada,
Atua em televisão
E gosta d’ um garotão
É a vovó modernizada!
*
Ilustração e texto de Dalinha Catunda

domingo, 5 de agosto de 2012

SINA DE MARIA II

Flor da espirradeira
SINA DE MARIA II
*
Maria era tão bonita
Mimosa flor do lugar,
Com o filho d’um coronel
Começou a namorar
Mas todo mundo sabia,
Que o ricaço só queria
A Maria engambelar.
*
Como já estava escrito
Romance pouco durou
Maria crendo em promessas
Ao tal rapaz se entregou
Seguindo seu coração
Que explodia de paixão
Bem depressa engravidou.
*
Maria viu sua sina
Mudar da noite pro dia.
Era grande seu tormento,
Mas ninguém lhe acudia.
Sua barriga aumentava,
Seu vestido encurtava
E o desespero crescia.
*
Maria desesperada
Foi embora do sertão,
Estava desnorteada
Não suportou a pressão.
Foi triste sua partida
Mas parti era saída
Em busca de solução.
*
Distante da terra amada
Até chorou de saudade
Porém engoliu o choro
Encarando a realidade
Desdobrando-se Maria,
Plantou e colheu alegria
Longe de sua cidade.
*
A renomada Maria
Não voltou mais ao sertão.
Quando aparece por lá
É via televisão,
Às vezes também ela é vista
Em jornal ou em revista
Porém renega seu chão.
*
Foto e Texto de Dalinha Catunda

quarta-feira, 1 de agosto de 2012

NA TELA DA SAUDADE

Esta é uma tela de Demócrito Borges que sempre me repassa suas criações por e-mail e eu fico muito feliz em contar com este privilégio.
 Contato: Demócrito Borges democritoartistaplastico@gmail.com


NA TELA DA SAUDADE

Toda casinha singela
Mexe com meu coração,
Nela revejo o sertão.
Na mão de quem pinta a tela
Uma porta e uma janela
Retrata bem o pintor,
Demonstrando com vigor
A paisagem nordestina
Que por certo me fascina
Por eu ser do interior.
Dalinha Catunda
*
Uma porta uma Janela
Casinha do interior.
Seu moço, faço o favor!
Não fique mangando dela...
A simplicidade é bela,
No amor está a riqueza
Dele provém a beleza
A graça e a formosura
Onde qualquer criatura
Descobre sua nobreza.
Dalinha Catunda

Uma porta, duas janelas
o amor mora lá dentro
(é nele que eu me concentro)
O vento entrando por elas
(pra vento não há tramelas)
denuncia: há gente lá
um casal a se amar !
a rede também gemendo
num coral a três, fazendo
um momento lindo e santo
sem ter hora pra acabar

Fred Monteiro