
Saudades de Ipueiras
Ipueiras dos meus tempos,
Como posso não lembrar.
Do Cristo de braços abertos,
Dos banhos no Jatobá.
Dos passeios na avenida,
Dos namoros ao luar.
Da bandinha anunciando,
Os festejos do lugar.
Das mensagens que eu ouvia,
Na rádio Vale do Jatobá.
Quase sempre oferecida,
Por quem dizia me amar.
Das quermesses, das novenas,
Como posso me esquecer.
Do toque da alvorada,
Embalando o amanhecer.
A procissão que passava,
Levando a santa no andor.
E o povo compenetrado,
Cantando em seu louvor.
Ecoa em meus ouvidos,
Saudoso aquele grito.
Do menino que passava,
Com a tábua de pirulitos.
Olha o pirulito! Gritava,
Com sua tábua na mão,
E assim adoçava a infância,
Daqueles tempos de então.
Cadê o seu Zeca Bento,
Com sua calçada cheia?
Cuspindo numa latinha,
Toda forrada de areia.
Era a roda mais famosa,
Que existia em nossa aldeia.
Debatia-se qualquer assunto,
De política a vida alheia.
E o seu Idálio? Era tido
Como o doutor do lugar.
Remédio para o corpo e a alma,
Só ele sabia passar.
Figura saudosa e marcante,
Era o velho Camaral.
Mestre em puxar cordões,
Nos bailes de carnaval.
O carnaval de Ipueiras,
Tinha a sua tradição.
De dia brincavam na rua,
De noite era no salão.
O testamento do Judas,
As fogueiras de São João,
São saudades permanentes,
Juntamente com o chitão.
Quem não chorou ou sorriu,
Na praça da estação,
Esperando o trem que passava,
Levando e trazendo paixão.
Os banhos de açude!
Meu Deus! Que animação.
Às vezes no Pai Mane,
Outras no Lamarão.
Ah! Tempos maravilhosos.
Oh! Doces recordações.
Tempos de seresteiros,
De donzelas, de canções.