Seguidores

quarta-feira, 13 de junho de 2007

Festas de São João

Foto: Carlos Moreira, Dalinha Catunda e Zeca Frausino
Festas de São João

Com é gostoso se ver
No sertão das Ipueiras,
O sorriso das meninas,
Remexendo as cadeiras,
O forró correndo solto,
No faiscar das fogueiras.

É milho, é pamonha,
Caldo quente e canjica,
Rapaz tomando chegada,
Atrás de moça bonita.
Muita trança, muito laço,
No colorido das fitas.

O gritador toma fôlego
P’ra gritar sua quadrilha,
Pares dançam animados,
Sob aplausos da família,
É o são João do Nordeste
Sinônimo de maravilha.

Um grita: olha a chuva!
Outro: agora é o trancelim
Um rapazinho galante,
Acena e pisca p’ra mim.
E eu fico feliz da vida,
Vendo meu sertão assim.

É fogueira, é folia,
É forró e animação
Menino soltando traque
Rapaz soltando rojão,
É a cultura nordestina
Incendiando o sertão.

terça-feira, 12 de junho de 2007

Quadrilha

Foto: Dalinha Catunda

Maria bonita
vestida de chita
dançava São João.
Em meio a quadrilha,
seguia a trilha
do seu coração.
Coração aventureiro
gostava de Pedro,
e queria João.
João tava difícil,
não foi sacrifício
pegar noutra mão
Viva S. Pedro!
Viva S. João!
Maria era bonita!
E com laço de fita
virou perdição.
Com cabelos trançados,
e seu requebrado,
chamava atenção.
Dançando faceira
esqueceu-se de Pedro,
e também de João.
Nos braços de Antônio
perdeu-se nos sonhos,
ardeu-se em paixão.
Foi aí que Maria
perdeu sua fita
rolando no chão.
Maria aflita
sem laço de fita
engrossou a cintura
e fugiu do sertão

segunda-feira, 4 de junho de 2007

A Panela Remendada

Foto: O casal, Lúcia e Antônio Félix
A PANELA REMENDADA

Lá pras bandas do Corte Branco,
Pertinho da linha do trem,
Moram Lúcia e Toínho,
Um casal que quero bem.
O causo que conto agora,
É deles e de mais ninguém.

Antonio Felix aperreado,
Andava com pouco dinheiro.
Vendeu uma cabra parida,
As galinhas do terreiro
Vendeu até os ovos!!!
Pinto e pai-de-chiqueiro.

Queria vender o relógio,
E Lucia deu permissão
pensou em vender o anel,
mas Lúcia não deixou não.
Se tu fizer essa loucura
Eu vou te largar de mão.


Toím tomou consciência,
da besteira que ia fazendo.
Mulher tu tem mesmo razão,
O meu anel eu não vendo,
Eu sei que a coisa ta feia,
Mas ainda não ta fedendo

Por favor não levem a mal,
A história desse anel,
Foi presente do seu pai
Que hoje está lá no céu.
Tem uma pedra preciosa,
Dourada da cor de mel.

Lúcia Mulher católica,
Pediu a Deus proteção.
Toinho desesperado,
Não via uma solução
Era uma peleja danada
Pobreza e precisão.



A vida foi passando,
Do jeito que Deus queria,
Eram muitas as dificuldades,
Poucas eram as alegrias
Mas, se estava escrito assim,
Assim mesmo é que seria.

Neto, tinha um em casa,
Outro no bucho da fia
Se Lúcia não fecha as pernas,
Ele aumentava a família.
Lascado, lascado e mei,
Era assim, que Toím dizia.

Até que enfim o casal,
Teve um dia de alegria,
Vilmar filho de Zeca,
Chegou vindo de Brasília,
Na intenção de ver o pai,
rever amigos e família.

A viagem era rápida,
Mas tempo ainda deu,
Para aceitar o almoço,
Que Lúcia lhe ofereceu
Pois Vilmar como se sabe
É primo legitimo seu.

Almoço em casa de pobre,
É galinha ou baião.
O casal fez logo os dois,
Pois pedia a ocasião.
Vilmar era considerado,
Mais que primo, um irmão.

O que estava na panela,
Era o galo de estimação.
Quando botaram na mesa,
Vi crista, pé e esporão,
E dois caroços miudinhos,
Salvo engano era os culhões.

Um cogumelo solitário,
Boiava no meio do caldo,
Era o feofó do galo,
Que Lúcia não havia tirado.
Foi pro prato de Toím
E logo foi mastigado.

Do galo ela aproveitou tudo,
E a comida tava uma beleza.
Quente cheirosa e gostosa,
Fartura tinha na mesa.
Toím contava contente,
Piadas e safadezas.

O visitante satisfeito,
Acabando de almoçar.
Olhou a panela vazia
Chegou a se espantar.
Uma panela remendada???
Não podia acreditar.

Me diga meu caro Toím
Quem remendou essa panela?
Fui eu mesmo mais a Lúcia.
Com a ajuda duma suvela.
Depois de fazer os buraco,
Enfiemo arame nela

De tudo já vi nesta vida,
Meu amigo pode apostar.
Meia, calça e cueca,
eu mesmo sei consertar
Mas, panela remendada
Só mesmo no Ceará.

Além de causar pena,
espanto e admiração.
a panela remendada
mexeu com seu coração,
Vilmar sem pensar muito
Fez logo uma doação

Deu de presente ao casal
Uma panela de pressão.
Uma panela pro o arroz ,
E outrazinha pro feijão.
Resolvendo uma de vez
A triste situação.

Toím muito sabido,
Aprendeu bem a lição.
chegando alguém de fora
Faz a mesma arrumação.
Bota a panela velha
Pra ganhar uma coleção.

O negócio foi dando certo,
Pra sua felicidade,
Atualmente é o paneleiro,
Mais famoso da cidade,
Consertar e vender panelas,
É sua especialidade

Na casa de Lúcia e toím,
Não existe mais mazela.
A salvação da lavoura,
Foi a surrada panela.
Depois do primo Vilmar,
Todos caem na esparrela.

Só que Vilmar agora ,
Quer uma participação.
Vendo Toím lascado,
Foi ele quem deu a mão.
Nada mais justo que ele,
Pague agora uma comissão.

Toím hoje é empresário,
Vive em boa situação.
Vende panela a vista,
E também a prestação.
Ainda sobra panela
Pra rifa, bingo e leilão.

Ele abriu seu próprio negócio
Na intenção de faturar.
vendo a coisa crescendo
não tem medo de melar.
assim faz qualquer negócio,
Vende, troca, empresta e dá

Já vendeu panela pro Claudio
Pra Sandra e pro Edmar.
Ofereceu ao Gilson Oliveira
Mas ele não quis comprar.
Carlão comprou um monte,
Mas se esqueceu de pagar.

Dona Maria comprou duas,
Elenita comprou três.
Dona Zuila ganhou uma,
presente de seu Juarez.
O cabra é bom de negócio
E tá cheiiinho de freguês.

Depois da vida boa,
Toím deu pra versejar.
Falando de sua panela,
E da mulher que tem no lar.
Quem passa naquelas bandas
Sempre escuta ele cantar:

Duas coisas neste mundo,
Eu não vou perder à-toa,
É minha panela velha,
E também minha coroa,
Pois juntinho delas duas
Minha vida é muito boa.

Agradeço a deus no céu,
E meu amigo Vilmar,
Que veio lá de Brasília
E acabou por me ajudar,
Como vendedor de panela
A égua eu vou lavar

Sou Dalinha Aragão,
Gosto de escrever cordel,
O causo de Antonio Felix,
Eu já passei pro papel.
Quem gostar do meu relato,
Por favor, tire o chapéu.


.
Este terceiro cordel é uma homenagem ao casal Antônio Felix e Lucia, e ao pessoal do Corte Branco, gente boa, simples e amiga da minha querida Ipueiras

terça-feira, 29 de maio de 2007

Em Nome do Jatotobá

Foto: de Carlos Moreira
Em Nome do Jatobá

Em Tempos de Meio Ambiente nada melhor me ocorre do que falar do meu velho e querido Jatobá. Rio de minha infância, de minha mocidade e de minha eternidade, pois mesmo quando eu estiver em outro plano minhas palavras permanecerão a enaltecer esse rio que ficou tatuado em meu coração.

O Jatobá rio que serpenteia a cidade de Ipueiras mora nos versos de Costa Matos, de Kideniro Teixeira, de Maurício Moreira, nos versos de Jeremias, nos contos de Frota Neto, nas crônicas de Bérgson Frota, Marcondes Rosa e no coração de cada um, que deu bundacanasca, jogou cangapé e feliz timbungou em suas águas.

Hoje o Jatobá, inspiração de poetas e escritores da terra, mais do que nunca carece da palavra dos que tem voz ativa. Pois o Jatobá dos “álacres banhos” da alegria da criançada se restringe a meras lembranças. A poluição, o desmatamento, a retirada insensata da areia vem degradando nosso rio que hoje não é mais nem sombra do que fora passado.,

Ainda temos oiticicas, ingazeiras, carnaubeiras, pau-d’arco, babaçu, angico, jurema, sabiá e muitas outras árvores que margeiam o rio, e ainda podem ser salvas. Cabe a cada um de nós fazer o que tiver a nosso alcance para que não se destrua o que restou de nossa fauna e flora. Combater as caçadas, esporte apreciado por muitos, e preserva a natureza para o bem de nosso futuro.



Jatobá Pede Socorro

Eu sou um pobre Rio,
Chamado Jatobá.
Aquele, que na infância,
Costumava lhe banhar.

Veja o meu estado.
Repare como estou.
Com águas tão poluídas,
Perdi o meu esplendor.

Já fui um dia um rio,
De águas claras e transparentes,
Onde peixes de muitas espécies,
Nadavam alegremente.

Já matei a fome de muitos,
Que pescavam em meu leito.
Acho que em minha vida,
Sempre fui um bom sujeito.

Já fui água corrente.
Também água de cacimba.
Por tudo que fui um dia,
Mereço uma melhor sina.

Preservem as minhas margens,
Para que eu possa viver contente.
Com poluição e desmatamento,
Serei apenas um rio doente.


Jatobá

Jatobá ainda menina,
Em tuas águas me banhei.
Sentada às tuas margens,
Mocinha eu namorei.

Quando o rio dava enchentes,
Dá saudades de lembrar.
Dos galhos da oiticica,
Pulava no Jatobá.

Menino pulava da ponte,
Fazendo pirueta no ar.
Caindo de braços abertos,
No fundo do Jatobá.

Jatobá quantas saudades,
Vaga dentro do meu ser.
Quantas vezes tu lavastes,
A seiva do meu prazer.

À sombra de tuas árvores,
Deitava-me a desfrutar,
O sopro de um vento lascivo,
Gostoso a me acariciar.

Aquilo era um paraíso,
Perdeu quem não esteve lá.
Lavando o corpo e a alma,
Nas águas do Jatobá.


S.O.S JATOBÁ

Esta é uma lenda antiga,
Que corre no meu lugar.
Gira de boca em boca,
mas vale a pena lembrar:

Quem nasce em Ipueiras,
E bebe do Jatobá,
Pode dar voltas no mundo.
Mas sempre retornará.

Meu barquinho de papel,
Jogado na correnteza,
Aos meus olhos de menina,
Não havia maior beleza.

Menino pescava de litro,
Outras vezes de landuá,
Escondido atrás das moitas,
Ficava a me espiar.

Nunca perco a esperança,
Nem deixo de me encantar.
Com tudo que me fez feliz,
E pra todo o sempre fará.

Tomar banho lá na volta.
Tomar banho no Angelim.
Nas crôas do seu Esmeraldo,
Ou nas crôas do Matim.

Tudo isso é sonho distante,
E eu peço a população.
Não deixe que o Jatobá,
Seja apenas recordação.

Não matem nosso rio,
Com tanta poluição.
Não privem nossos filhos,
de viver a mesma emoção.





sexta-feira, 25 de maio de 2007

Saudades do Interior

foto: Carlos Moreira


Sair do interior e enfrentar a cidade grande é uma missão quase impossível. Foi uma peleja danada.Acenos e apitos de trem ainda martelam em minha cabeça num eterno revirar de saudadesCidade grande, vida nova, novos e estranhos costumes.Cama de solteiro afugentando-me o sono. A lembrança saudosa da rede, o pé na parede e o balançado a me embalar noite à dentro. A labareda da lamparina acesa atentando minha memória, ardendo em meu pensamento. Faltava a cantiga de grilo, o zum-zum-zum da muriçoca e o cantar repetido do galo.Um pão diferente que em nada lembrava o pão do Vicente. (O Vicente, que era mudo, e depois falou, quando Nossa senhora em sua peregrinação passou por Ipueiras fazendo seus milagres.)Se bem que, lá, o próprio pão, era artigo de luxo, pois muitas vezes escapei, com jerimum com leite, batata doce com leite, cuscuz com leite ou tapioca com manteiga da terra. Escapei no modo de dizer, pois eu achava mesmo era bom.De vez em quando alguém mangava de mim. A nordestinidade denunciada na voz, era o motivo da mangação. Derramar, frouxo, acochado, bulir, eu tive que tirar do meu repertório. O Vixe eu tentei, mas era só me assustar que saia , Vixe Maria!!!!! Desisti...Ainda bem que não fiz como uma amiga que perguntou onde era o monturo pra rebolar o lixo no mato.Mas certamente dei outras mancadas.A única coisa que realmente me deixou feliz foi deixar o penico pra trás. Aquilo era uma esculhambação, eu nuca acertava uma, e foi assim cheguei a conclusão que mijar fora do penico era minha sina.E a Sentina? pense!!! Era ao mesmo tempo sentina e banheiro. No final do muro, ou seja, nos fundos do quintal. No meio aquele bojo quadrado com um buraco no meio. Vamos ser sinceros, até que a posição facilitava o serviço. Num canto, reservado ao banho, uma tacha, que era um grande depósito de água, feito de barro, com uma cuia boiando, cuia esta, que servia para rebolar água no corpo, um sabão feito em casa e uma bucha de pepino, e o kit banho tava completo.Lembro-me como se fosse hoje dos remédios: Pra catarro nos peito, mastruz com leite. Pra inflamação de mulher, garrafada de malva ou casca de aroeira. Quando as crianças tinham febre era um chazinho de folhas de laranja com melhoral e sempre tinha um bolachinha para adular. O que eu não me conformava era com os purgantes que de tempos em tempos éramos obrigados a tomar, Chá de cidreira eu gostava, e também de erva-doce que era feito para os bebês.E os carões? Meninos deixem de chafurdo! Olha esse furdunço aí! Essas tampas não deixam de me atentar, depois partiam para os bofetes e puxões de orelhas, e muitas vezes terminava em pisas.Hoje eu posso dizer que aprendi muito na cidade grande, principalmente a sentir saudades do meu interior.

terça-feira, 22 de maio de 2007

Aconteceu Na Academia Brasileira De Literatura De Cordel

Foto:Mestre Azulão com a palavraAconteceu Na Academia Brasileira De Literatura De Cordel

Segunda feira dia 21 de maio, o arquiteto, cantor, compositor e cordelista Chico Salles ocupou a cadeira 10 de Catulo Da Paixão Cearense, na Academia Brasileira De Literatura De Cordel.
No evento, além do escritor Antonio Olinto, que ocupa a cadeira 8 da Academia Brasileira de Letras, cujo patrono é o poeta Claudio Manuel da Costa,destaco a apresentação de mestre Azulão, que além de apresentar seu mais novo folheto, saudou o homenageado num belo repente ao som de sua viola. Também fez bonito o cordelista Campinense dizendo versos em homenagem ao mais novo acadêmico.
Entre as figuras notáveis, destaco Ivanberto, um estudioso e incentivador de nossas tradições. Marcus Lucena, radialista, cantor, compositor cordelista, entre tantas outras atividades, O grande benemérito, professor Aragão, que tomará posse no dia 18 de junho, e Dr William J. G, Pinto que também gosta de versejar.
Para louvar Chico Salles fiz um poema popular contando um pouca de sua caminhada:"Nordestino Carioca.”
Meus agradecimentos ao poeta presidente, Gonçalo Ferreira da Silva e sua dedicada esposa, Mena, que abriram as portas para minha entrada neste espaço aconchegante onde a cultura nordestina é revivida e reverenciada amplamente na voz de nossa gente.
Dalinha Catunda




Nordestino Carioca

De Sousa na Paraíba,
No Rio ele aportou.
A cidade maravilhosa,
Chico Salles encantou.
Deu, ela, chance ao poeta,
De seguir a sua meta,
Em tudo que projetou.

Cordelista de mão cheia,
Cantor e compositor,
A cadeira de Catulo
Por merecimento herdou.
Não é só um oportunista,
Seu talento salta as vistas,
Só cego não enxergou.

“Matuto Apaixonado”
“Tigre que virou doutor”
são cordéis interessantes,
que Chico já publicou,
Mas foi com “O Pai do Vento”
Que ele cheio de talento,
Narrando me conquistou.

Chico Salles fará jus
Afirmo e tenho razão
Ao mestre que nos brindou,
Com a mais bela canção.
Catulo da Paixão Cearense,
Esse nobre maranhense,
Pai do “Luar do Sertão”

Parabéns a Chico Salles,
Pela sua caminhada.
Nordestino destemido,
Que botou o pé na estrada.
Tão bonita é sua história
Que guardarei na memória,
Como exemplo de jornada.

Nordestino de nascimento,
Carioca de coração
Entrou nas rodas de samba,
Sem esquecer xote e baião,
Se diz carioca da clara,
Mas eu lavo a minha alma
Pois é gema do sertão.



quinta-feira, 10 de maio de 2007

É ISSO AÍ TIA !

Isa Catunda, Vavá Mourão e Gerardo Mello Mourão

É ISSO AÍ TIA!!!!!

Isa Catunda de Pinho, nascida em 13 de maio de 1911, faz pouco caso do tempo, e com uma lucidez impressionante festeja mais um aniversário.
Aqui minha homenagem a essa querida tia que soube enfrentar a vida com dignidade, sem queixas, e sempre agradecendo a Deus por mais um dia.
Na foto que ilustra esse texto Tia Isa aparece almoçando com Gerardo Mello Mourão. Entre os dois Vavá irmão da nossa amiga Tereza Mourão


FADA MADRINHA

Tenho um mundo encantado
Guardado em minha lembrança.
Fruto de contos e lendas,
Que ouvi quando criança.

As cantigas de ninar,
Que ainda hoje recordo,
Foram contadas por ela
Ao embalar-me em seu colo.

Ela encantou gerações
Com sua sabedoria,
Professora e catequista,
Também filha de Maria.

Assim se resume a histórias,
Da fada que é minha tia.
Sua longa existência,
É meu motivo de alegria.

quinta-feira, 3 de maio de 2007

Flor de maio

FLOR DE MAIO

Flor de encanto e ternura,
Coragem da mãe de Jesus
Pelo bem de cada filho
Suporta o peso da cruz.

Flor que vira fera,
P’ra defender sua cria,
Muitas vezes desesperada,
Se apega a Virgem Maria.

Flor de palavras sábias,
Que minha vida conduz,
Do teu ventre abençoado
Vim ao mundo ver a luz.

Flor da qual eu sou fruto,
E que um dia me viu crescer,
Só depois de ter meus filhos,
Eu passei a lhe entender.

quarta-feira, 25 de abril de 2007

O jumento do Maurício


Maurício você que gosta,
Tanto de prosear,
Vou contar uma história,
Não sei se vai gostar.
Foi o nego de Maria,
Que contou pra eu escutar.

Só sei que esse episódio,
Num instante se espalhou.
Do dono envergonhado,
E do jumento vingador.
Eu só estou relatando,
O que o nego me contou.

Este caso que eu conto,
Em Ipueiras se deu.
Lá pras banda da floresta,
A tragédia aconteceu.
Com o jumento de Maurício,
Velho conhecido meu.

Maurício andava aperreado,
Com as andanças do seu jumento.
Foi quando lhe veio a cabeça,
Um maldito pensamento.
Só capando este animal,
Vai ter fim o meu tormento.

Os vizinhos reclamavam,
Daquele jumento vadio.
Que quebrava todas as cercas,
Ao ver uma fêmea no cio.
Vender, Maurício não queria.
Seu bicho, não negocia.

Seu Juarez e Cristiano,
Fizeram reclamação,
Do bicho lá no roçado,
Comendo milho e feijão.
O jumento era uma peste,
Era o capeta, era cão.

Dona Maria Prevenida,
Arranjou uma baladeira.
Quando via o bicho viçando,
Sua pedrada era certeira.
Ele encolhia o que esticou.
E desembestava na carreira.

Manoel Ota certo dia,
Chegou a passar mal,
Quando viu o tal jegue,
Rondando o seu curral
Pra proteger suas vacas,
Tangeu o tarado com um pau.

O jumento continuava
em sua peregrinação,
atrás das bestas nos matos,
nas andanças pelo sertão.
Nem um dia de serviço,
Dava mais ao seu patrão.

O jegue endoideceu,
Perdeu de vez o respeito.
Pegou a égua de Zeca,
Sem pena passou nos peito.
A coitada escambichada,
Anda agora com defeito.
.

Esse bicho não tem jeito,
Isto é caso de polícia.
Ou capo esse jumento,
Ou vou acabar na justiça.
Quem chama isso de jegue,
Não sabe o que é mundiça.

Com o pensamento na cabeça,
danou-se a matutar:
_capo hoje ou amanhã,
ele não vai me escapar,
e o que eu tirar do seu saco,
pros cachorros vou jogar.


Maurício pegou a estrada,
Cheio de indignação
Foi laçar seu animal,
Perto do bar do Carlão,
Aproveitou e tomou uma,
Pra aturar seu garanhão.

O jegue voltou triste,
Sabendo o que lhe esperava.
Não demorou meia hora,
Mauricio o bicho capava.
Com dor no pissuidos
O jumento relinchava.


Só sei que o bicho sarou.
Mas, sempre jurando vingança.
Engordou ficou vistoso,
Criou peito,criou pança,
Quando anda se requebra,
Até parece que dança.

A revolta do capado,
Cada dia ficava maior.
Sua tristeza era grande,
Dava pena, dava dó.
E a situação de Mauricio,
Não sei se ficou melhor.

Pra vergonha de Mauricio,
Que era feliz outrora,
O jumento que era macho,
De repente virou boiola,
E é na porta de casa,
Que ele dá, relincha e chora.

O bicho perdeu os bagos,
Mas não perdeu o tesão.
Vive a castigar seu dono,
Depois da judiação,
O terreiro de Maurício,
Virou uma esculhambação.

Dizem que dona Toinha.
Depois da infelicidade.
Vive com as portas trancadas,
E pensa em mudar pra cidade.
Se Maurício não der um jeito
Ela muda de verdade.

Aninha pegou o beco,
Nino correu atrás.
Dizendo que aquele jegue,
Tinha parte com o satanás.
Com aquela sem-vergonhice
Ali não voltava mais.

Mas, parece que Maurício
Acostumou-se com a situação.
Há quem diga que ele gosta,
Daquela esculhambação.
E pretende cobrar ingresso,
Por cada exibição.

Maurício eu lhe dedico
A história que contei.
Sou sua amiga Dalinha.
Das suas graças eu sei.
Perdão se nesses versos,
Eu fui um tanto sem lei.

quinta-feira, 19 de abril de 2007

Histórias De Tia Isa


Hoje dia nacional do livro infantil bateu forte em meu peito, as saudades, do interior, das calçadas, dos alpendres, e da maior contadora de história, patrimônio cultural, da cidade de Ipueiras, minha tia: Isa Catunda de Pinho
Nascida e criada na Cidade de Ipueiras, em 13 de maio de 1911, carrega hoje, uma imensa bagagem, de quem nas páginas dos livros viajou o mundo inteiro.
Essa viagem cultural, era pouco para ela, queria muito mais, e feito uma fada com seus pozinhos mágicos ela conseguia repassar esse mundo encantado, das lendas, dos contos de fadas, a meninada, que hipnotizada com as mágicas palavras, faziam rodas e mais rodas para escutarem as fantásticas histórias da Tia Isa.
Se Hans Christian Andersen encantou o mundo com suas maravilhosas histórias como: “O Patinho Feio”, “A Pequena Sereia” e “O Soldadinho de Chumbo”, seguindo o mesmo exemplo, nos encantou Monteiro Lobato, criador da literatura infantil no Brasil com suas histórias genuinamente brasileiras, entre elas “O Pica-Pau Amarelo”, “O Saci”, “Reinações de Narizinho”, “O Marquês de Rabicó”, Minha tia Isa não deixou por menos, encantando gerações e mais gerações com a magia de suas histórias. Como: “O Gato De Botas”, “Moura Torta”, “Gata Borralheira” e tantas outras
Nunca pude esquecer a história da madrasta que enterrou duas crianças vivas, num jardim. Tinha uma parte que era contada em versos e dizia assim: Jardineiro do meu pai/ não me corte meus cabelos/ minha mãe me penteou/ minha madrasta me enterrou/ pelo figo da figueira/ que o passarinho beliscou.
Hoje tia Isa tem seus 96 anos, de uma lucidez, invejável, ainda lê, e ainda conta velhas histórias. Adora ampliar seus conhecimentos lendo novas histórias. Seu presente preferido é um bom livro.
Sempre tive o sonho de ter uma biblioteca em Ipueiras, há anos guardo livros, e se um dia eu chegar a realizar esse sonho. A biblioteca receberá o nome De minha tia. Muito dos livros que tenho, são repassados por ela.
Além de ter uma profunda admiração, por essa mulher, tenho uma imensa gratidão pois um bom leitor se faz em criança. O professor por vocação, traz em sua bagagem o dom de encantar, mas esse encantamento é uma conquista de poucos, e minha tia não ocupou apenas uma cadeira, ocupa até hoje, o coração de seus alunos, que para ela não eram apenas um número tinham nome e endereço.