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terça-feira, 7 de agosto de 2007

A Pipa do Pepeu

Foto: João Pedro, o Pepeu

A Pipa do Pepeu

João Pedro, é um garotinho muito esperto para sua idade. É um pedacinho de gente, de olhos e cabelos escuros, carinha de levado, não deve ter mais do que cinco anos, é conhecido como Pepeu.
Criado no interior com toda liberdade que um lugarejo onde todos se conhecem proporciona, ele vive feliz e solto curtindo sua infância.

Safira de Maraporã , esse lugarejo de nome belíssimo, que fica no estado do Rio de Janeiro, é o reino encantado de Pepeu. Lá ele anda a cavalo, anda de bicicleta, gosta de comer churrasquinho, adora brincar no pula-pula, corre pelas ruas e becos, e é apaixonada por Lili.Sendo que, Lili, é uma amiga de seus pais e tem idade para ser mãe de Pepeu. Muitas vezes ao ser embalado, adormece nos braços de sua paixão.

Certo dia, Pepeu cismou que queria uma pipa. Vendo a meninada maior,correndo pra lá e pra cá arrastando suas linhas e latas, passando cerol, não sossegou enquanto o pai não providenciou o objeto de seu desejo.

Pipa pronta, linha enrolada na lata de refrigerante para facilitar o desenrolar da brincadeira, lá vai Pepeu, com sua pipa colorida, alegre a correr. Sobe rua, desce rua, vento a favor e a pipa no alto fazendo sua felicidade.

Mas, a alegria de Pepeu durou pouco... de repente, um redemoinho afunilou em cima da pipa do garoto e a latinha escapuliu de suas mãos, a pipa começou a voar, voar, como se fosse um balão. Voou com lata e tudo, até perder-se no céu ante o olhar admirado e incrédulo de Pepeu, que só deixou de olhar para o infinito quando a pipa desapareceu por completo.

Para quem pensa que Pepeu, foi chorar e ficar triste com o sumiço de sua pipa. Ledo engano . Ele adora contar para todos a história de sua pipa especial que voou com lata e tudo.

E foi assim. Que Pepeu perdeu sua pipa e ganhou uma história: “A Pipa do Pepeu”

domingo, 5 de agosto de 2007

Consagração do pé-de-serra

Na foto de Kennedy Mota da esquerda para direita aparecem: "Corrinha" do Guarani, Mimozinha, Zeca Frosino, Dalinha e Cesar Lourindo.
A consagração do pé-de-serra

Ipueiras viveu no dia sete se julho de 2007 a maior festa popular organizada por Zeca Frosino em todos os tempos. A quadra do Corte Branco foi palco deste espetáculo que certamente ficará na história.
Há 52 anos realizando forró, nem mesmo Zeca, imaginou, que o Chitão de 2007 superasse todas as expectativas, deixando no chinelo, outras festas de maior porte, com bandas do momento em lugares mais chiques.
O forró do Corte Branco tem uma legião de fiéis seguidores que acompanham Zeca nessa alegre caminhada. Mas, o que se viu nessa última festa foi a invasão da sociedade Ipueirense que em grande numero prestigiou esse forró de matuto, que prima pela tradição e a simplicidade dos que habitam o interior.
Os Sanfoneiros de renome: Bento Raimundo e Edílson Vieira, oriundos de Crateús, se revezaram tocando pé-de-serra, consagrando de vez esse tipo de forró animando e arrastando o povão para o meio do salão. A festa começou as 20:00 hrs e terminou com o sol, sob protesto dos mais exaltados. E como não poderia deixar de ser com o discurso de despedida de Zeca que já anunciava para 05 de julho o chitão seguinte.
No forró, feliz e animada, Mimozinha do Simão, acompanhada por César Laurindo e “Corrinha” do Guarani, realizava o sonho de ir ao forró e dançar com Zeca Frosino. Ilca do seu Camaral, freqüentadora, se divertia junto com Madú e dr Enéas. Silvia Catunda animava a mesa onde Aparecida, Bateia e Dorisnei bebericavam.
Antônio Eliseu exímio dançador, Raimundo Nelson figura Marcante, Manoel Aprígio freqüentador das antigas, todos marcaram presença enriquecendo o evento. Também presentes: Ronaldo Costa e esposa, Chico Coité e esposa sendo esse último também organizador de forrós.
A cozinha de dona Maria com churrasco, paçoca, caldo de carne moída, creme de galinha, café, bolo, esvaziou foi cedo. O bar? Nem se fala!! Sobrou festa e faltou comida e bebida. Se tivesse mais uma quadra do mesmo tamanho da quadra existente, ela ficaria lotada do povo que ficou do lado de fora.
Eu fico feliz por ter presenciado, a consagração do forró-pé-de-serra, mais uma vez a confraternização do povo do interior com as gentes da cidade, a tradição encarando o modismo e definitivamente fincando pé em nossa terra.

quarta-feira, 13 de junho de 2007

Festas de São João

Foto: Carlos Moreira, Dalinha Catunda e Zeca Frausino
Festas de São João

Com é gostoso se ver
No sertão das Ipueiras,
O sorriso das meninas,
Remexendo as cadeiras,
O forró correndo solto,
No faiscar das fogueiras.

É milho, é pamonha,
Caldo quente e canjica,
Rapaz tomando chegada,
Atrás de moça bonita.
Muita trança, muito laço,
No colorido das fitas.

O gritador toma fôlego
P’ra gritar sua quadrilha,
Pares dançam animados,
Sob aplausos da família,
É o são João do Nordeste
Sinônimo de maravilha.

Um grita: olha a chuva!
Outro: agora é o trancelim
Um rapazinho galante,
Acena e pisca p’ra mim.
E eu fico feliz da vida,
Vendo meu sertão assim.

É fogueira, é folia,
É forró e animação
Menino soltando traque
Rapaz soltando rojão,
É a cultura nordestina
Incendiando o sertão.

terça-feira, 12 de junho de 2007

Quadrilha

Foto: Dalinha Catunda

Maria bonita
vestida de chita
dançava São João.
Em meio a quadrilha,
seguia a trilha
do seu coração.
Coração aventureiro
gostava de Pedro,
e queria João.
João tava difícil,
não foi sacrifício
pegar noutra mão
Viva S. Pedro!
Viva S. João!
Maria era bonita!
E com laço de fita
virou perdição.
Com cabelos trançados,
e seu requebrado,
chamava atenção.
Dançando faceira
esqueceu-se de Pedro,
e também de João.
Nos braços de Antônio
perdeu-se nos sonhos,
ardeu-se em paixão.
Foi aí que Maria
perdeu sua fita
rolando no chão.
Maria aflita
sem laço de fita
engrossou a cintura
e fugiu do sertão

segunda-feira, 4 de junho de 2007

A Panela Remendada

Foto: O casal, Lúcia e Antônio Félix
A PANELA REMENDADA

Lá pras bandas do Corte Branco,
Pertinho da linha do trem,
Moram Lúcia e Toínho,
Um casal que quero bem.
O causo que conto agora,
É deles e de mais ninguém.

Antonio Felix aperreado,
Andava com pouco dinheiro.
Vendeu uma cabra parida,
As galinhas do terreiro
Vendeu até os ovos!!!
Pinto e pai-de-chiqueiro.

Queria vender o relógio,
E Lucia deu permissão
pensou em vender o anel,
mas Lúcia não deixou não.
Se tu fizer essa loucura
Eu vou te largar de mão.


Toím tomou consciência,
da besteira que ia fazendo.
Mulher tu tem mesmo razão,
O meu anel eu não vendo,
Eu sei que a coisa ta feia,
Mas ainda não ta fedendo

Por favor não levem a mal,
A história desse anel,
Foi presente do seu pai
Que hoje está lá no céu.
Tem uma pedra preciosa,
Dourada da cor de mel.

Lúcia Mulher católica,
Pediu a Deus proteção.
Toinho desesperado,
Não via uma solução
Era uma peleja danada
Pobreza e precisão.



A vida foi passando,
Do jeito que Deus queria,
Eram muitas as dificuldades,
Poucas eram as alegrias
Mas, se estava escrito assim,
Assim mesmo é que seria.

Neto, tinha um em casa,
Outro no bucho da fia
Se Lúcia não fecha as pernas,
Ele aumentava a família.
Lascado, lascado e mei,
Era assim, que Toím dizia.

Até que enfim o casal,
Teve um dia de alegria,
Vilmar filho de Zeca,
Chegou vindo de Brasília,
Na intenção de ver o pai,
rever amigos e família.

A viagem era rápida,
Mas tempo ainda deu,
Para aceitar o almoço,
Que Lúcia lhe ofereceu
Pois Vilmar como se sabe
É primo legitimo seu.

Almoço em casa de pobre,
É galinha ou baião.
O casal fez logo os dois,
Pois pedia a ocasião.
Vilmar era considerado,
Mais que primo, um irmão.

O que estava na panela,
Era o galo de estimação.
Quando botaram na mesa,
Vi crista, pé e esporão,
E dois caroços miudinhos,
Salvo engano era os culhões.

Um cogumelo solitário,
Boiava no meio do caldo,
Era o feofó do galo,
Que Lúcia não havia tirado.
Foi pro prato de Toím
E logo foi mastigado.

Do galo ela aproveitou tudo,
E a comida tava uma beleza.
Quente cheirosa e gostosa,
Fartura tinha na mesa.
Toím contava contente,
Piadas e safadezas.

O visitante satisfeito,
Acabando de almoçar.
Olhou a panela vazia
Chegou a se espantar.
Uma panela remendada???
Não podia acreditar.

Me diga meu caro Toím
Quem remendou essa panela?
Fui eu mesmo mais a Lúcia.
Com a ajuda duma suvela.
Depois de fazer os buraco,
Enfiemo arame nela

De tudo já vi nesta vida,
Meu amigo pode apostar.
Meia, calça e cueca,
eu mesmo sei consertar
Mas, panela remendada
Só mesmo no Ceará.

Além de causar pena,
espanto e admiração.
a panela remendada
mexeu com seu coração,
Vilmar sem pensar muito
Fez logo uma doação

Deu de presente ao casal
Uma panela de pressão.
Uma panela pro o arroz ,
E outrazinha pro feijão.
Resolvendo uma de vez
A triste situação.

Toím muito sabido,
Aprendeu bem a lição.
chegando alguém de fora
Faz a mesma arrumação.
Bota a panela velha
Pra ganhar uma coleção.

O negócio foi dando certo,
Pra sua felicidade,
Atualmente é o paneleiro,
Mais famoso da cidade,
Consertar e vender panelas,
É sua especialidade

Na casa de Lúcia e toím,
Não existe mais mazela.
A salvação da lavoura,
Foi a surrada panela.
Depois do primo Vilmar,
Todos caem na esparrela.

Só que Vilmar agora ,
Quer uma participação.
Vendo Toím lascado,
Foi ele quem deu a mão.
Nada mais justo que ele,
Pague agora uma comissão.

Toím hoje é empresário,
Vive em boa situação.
Vende panela a vista,
E também a prestação.
Ainda sobra panela
Pra rifa, bingo e leilão.

Ele abriu seu próprio negócio
Na intenção de faturar.
vendo a coisa crescendo
não tem medo de melar.
assim faz qualquer negócio,
Vende, troca, empresta e dá

Já vendeu panela pro Claudio
Pra Sandra e pro Edmar.
Ofereceu ao Gilson Oliveira
Mas ele não quis comprar.
Carlão comprou um monte,
Mas se esqueceu de pagar.

Dona Maria comprou duas,
Elenita comprou três.
Dona Zuila ganhou uma,
presente de seu Juarez.
O cabra é bom de negócio
E tá cheiiinho de freguês.

Depois da vida boa,
Toím deu pra versejar.
Falando de sua panela,
E da mulher que tem no lar.
Quem passa naquelas bandas
Sempre escuta ele cantar:

Duas coisas neste mundo,
Eu não vou perder à-toa,
É minha panela velha,
E também minha coroa,
Pois juntinho delas duas
Minha vida é muito boa.

Agradeço a deus no céu,
E meu amigo Vilmar,
Que veio lá de Brasília
E acabou por me ajudar,
Como vendedor de panela
A égua eu vou lavar

Sou Dalinha Aragão,
Gosto de escrever cordel,
O causo de Antonio Felix,
Eu já passei pro papel.
Quem gostar do meu relato,
Por favor, tire o chapéu.


.
Este terceiro cordel é uma homenagem ao casal Antônio Felix e Lucia, e ao pessoal do Corte Branco, gente boa, simples e amiga da minha querida Ipueiras

terça-feira, 29 de maio de 2007

Em Nome do Jatotobá

Foto: de Carlos Moreira
Em Nome do Jatobá

Em Tempos de Meio Ambiente nada melhor me ocorre do que falar do meu velho e querido Jatobá. Rio de minha infância, de minha mocidade e de minha eternidade, pois mesmo quando eu estiver em outro plano minhas palavras permanecerão a enaltecer esse rio que ficou tatuado em meu coração.

O Jatobá rio que serpenteia a cidade de Ipueiras mora nos versos de Costa Matos, de Kideniro Teixeira, de Maurício Moreira, nos versos de Jeremias, nos contos de Frota Neto, nas crônicas de Bérgson Frota, Marcondes Rosa e no coração de cada um, que deu bundacanasca, jogou cangapé e feliz timbungou em suas águas.

Hoje o Jatobá, inspiração de poetas e escritores da terra, mais do que nunca carece da palavra dos que tem voz ativa. Pois o Jatobá dos “álacres banhos” da alegria da criançada se restringe a meras lembranças. A poluição, o desmatamento, a retirada insensata da areia vem degradando nosso rio que hoje não é mais nem sombra do que fora passado.,

Ainda temos oiticicas, ingazeiras, carnaubeiras, pau-d’arco, babaçu, angico, jurema, sabiá e muitas outras árvores que margeiam o rio, e ainda podem ser salvas. Cabe a cada um de nós fazer o que tiver a nosso alcance para que não se destrua o que restou de nossa fauna e flora. Combater as caçadas, esporte apreciado por muitos, e preserva a natureza para o bem de nosso futuro.



Jatobá Pede Socorro

Eu sou um pobre Rio,
Chamado Jatobá.
Aquele, que na infância,
Costumava lhe banhar.

Veja o meu estado.
Repare como estou.
Com águas tão poluídas,
Perdi o meu esplendor.

Já fui um dia um rio,
De águas claras e transparentes,
Onde peixes de muitas espécies,
Nadavam alegremente.

Já matei a fome de muitos,
Que pescavam em meu leito.
Acho que em minha vida,
Sempre fui um bom sujeito.

Já fui água corrente.
Também água de cacimba.
Por tudo que fui um dia,
Mereço uma melhor sina.

Preservem as minhas margens,
Para que eu possa viver contente.
Com poluição e desmatamento,
Serei apenas um rio doente.


Jatobá

Jatobá ainda menina,
Em tuas águas me banhei.
Sentada às tuas margens,
Mocinha eu namorei.

Quando o rio dava enchentes,
Dá saudades de lembrar.
Dos galhos da oiticica,
Pulava no Jatobá.

Menino pulava da ponte,
Fazendo pirueta no ar.
Caindo de braços abertos,
No fundo do Jatobá.

Jatobá quantas saudades,
Vaga dentro do meu ser.
Quantas vezes tu lavastes,
A seiva do meu prazer.

À sombra de tuas árvores,
Deitava-me a desfrutar,
O sopro de um vento lascivo,
Gostoso a me acariciar.

Aquilo era um paraíso,
Perdeu quem não esteve lá.
Lavando o corpo e a alma,
Nas águas do Jatobá.


S.O.S JATOBÁ

Esta é uma lenda antiga,
Que corre no meu lugar.
Gira de boca em boca,
mas vale a pena lembrar:

Quem nasce em Ipueiras,
E bebe do Jatobá,
Pode dar voltas no mundo.
Mas sempre retornará.

Meu barquinho de papel,
Jogado na correnteza,
Aos meus olhos de menina,
Não havia maior beleza.

Menino pescava de litro,
Outras vezes de landuá,
Escondido atrás das moitas,
Ficava a me espiar.

Nunca perco a esperança,
Nem deixo de me encantar.
Com tudo que me fez feliz,
E pra todo o sempre fará.

Tomar banho lá na volta.
Tomar banho no Angelim.
Nas crôas do seu Esmeraldo,
Ou nas crôas do Matim.

Tudo isso é sonho distante,
E eu peço a população.
Não deixe que o Jatobá,
Seja apenas recordação.

Não matem nosso rio,
Com tanta poluição.
Não privem nossos filhos,
de viver a mesma emoção.





sexta-feira, 25 de maio de 2007

Saudades do Interior

foto: Carlos Moreira


Sair do interior e enfrentar a cidade grande é uma missão quase impossível. Foi uma peleja danada.Acenos e apitos de trem ainda martelam em minha cabeça num eterno revirar de saudadesCidade grande, vida nova, novos e estranhos costumes.Cama de solteiro afugentando-me o sono. A lembrança saudosa da rede, o pé na parede e o balançado a me embalar noite à dentro. A labareda da lamparina acesa atentando minha memória, ardendo em meu pensamento. Faltava a cantiga de grilo, o zum-zum-zum da muriçoca e o cantar repetido do galo.Um pão diferente que em nada lembrava o pão do Vicente. (O Vicente, que era mudo, e depois falou, quando Nossa senhora em sua peregrinação passou por Ipueiras fazendo seus milagres.)Se bem que, lá, o próprio pão, era artigo de luxo, pois muitas vezes escapei, com jerimum com leite, batata doce com leite, cuscuz com leite ou tapioca com manteiga da terra. Escapei no modo de dizer, pois eu achava mesmo era bom.De vez em quando alguém mangava de mim. A nordestinidade denunciada na voz, era o motivo da mangação. Derramar, frouxo, acochado, bulir, eu tive que tirar do meu repertório. O Vixe eu tentei, mas era só me assustar que saia , Vixe Maria!!!!! Desisti...Ainda bem que não fiz como uma amiga que perguntou onde era o monturo pra rebolar o lixo no mato.Mas certamente dei outras mancadas.A única coisa que realmente me deixou feliz foi deixar o penico pra trás. Aquilo era uma esculhambação, eu nuca acertava uma, e foi assim cheguei a conclusão que mijar fora do penico era minha sina.E a Sentina? pense!!! Era ao mesmo tempo sentina e banheiro. No final do muro, ou seja, nos fundos do quintal. No meio aquele bojo quadrado com um buraco no meio. Vamos ser sinceros, até que a posição facilitava o serviço. Num canto, reservado ao banho, uma tacha, que era um grande depósito de água, feito de barro, com uma cuia boiando, cuia esta, que servia para rebolar água no corpo, um sabão feito em casa e uma bucha de pepino, e o kit banho tava completo.Lembro-me como se fosse hoje dos remédios: Pra catarro nos peito, mastruz com leite. Pra inflamação de mulher, garrafada de malva ou casca de aroeira. Quando as crianças tinham febre era um chazinho de folhas de laranja com melhoral e sempre tinha um bolachinha para adular. O que eu não me conformava era com os purgantes que de tempos em tempos éramos obrigados a tomar, Chá de cidreira eu gostava, e também de erva-doce que era feito para os bebês.E os carões? Meninos deixem de chafurdo! Olha esse furdunço aí! Essas tampas não deixam de me atentar, depois partiam para os bofetes e puxões de orelhas, e muitas vezes terminava em pisas.Hoje eu posso dizer que aprendi muito na cidade grande, principalmente a sentir saudades do meu interior.

terça-feira, 22 de maio de 2007

Aconteceu Na Academia Brasileira De Literatura De Cordel

Foto:Mestre Azulão com a palavraAconteceu Na Academia Brasileira De Literatura De Cordel

Segunda feira dia 21 de maio, o arquiteto, cantor, compositor e cordelista Chico Salles ocupou a cadeira 10 de Catulo Da Paixão Cearense, na Academia Brasileira De Literatura De Cordel.
No evento, além do escritor Antonio Olinto, que ocupa a cadeira 8 da Academia Brasileira de Letras, cujo patrono é o poeta Claudio Manuel da Costa,destaco a apresentação de mestre Azulão, que além de apresentar seu mais novo folheto, saudou o homenageado num belo repente ao som de sua viola. Também fez bonito o cordelista Campinense dizendo versos em homenagem ao mais novo acadêmico.
Entre as figuras notáveis, destaco Ivanberto, um estudioso e incentivador de nossas tradições. Marcus Lucena, radialista, cantor, compositor cordelista, entre tantas outras atividades, O grande benemérito, professor Aragão, que tomará posse no dia 18 de junho, e Dr William J. G, Pinto que também gosta de versejar.
Para louvar Chico Salles fiz um poema popular contando um pouca de sua caminhada:"Nordestino Carioca.”
Meus agradecimentos ao poeta presidente, Gonçalo Ferreira da Silva e sua dedicada esposa, Mena, que abriram as portas para minha entrada neste espaço aconchegante onde a cultura nordestina é revivida e reverenciada amplamente na voz de nossa gente.
Dalinha Catunda




Nordestino Carioca

De Sousa na Paraíba,
No Rio ele aportou.
A cidade maravilhosa,
Chico Salles encantou.
Deu, ela, chance ao poeta,
De seguir a sua meta,
Em tudo que projetou.

Cordelista de mão cheia,
Cantor e compositor,
A cadeira de Catulo
Por merecimento herdou.
Não é só um oportunista,
Seu talento salta as vistas,
Só cego não enxergou.

“Matuto Apaixonado”
“Tigre que virou doutor”
são cordéis interessantes,
que Chico já publicou,
Mas foi com “O Pai do Vento”
Que ele cheio de talento,
Narrando me conquistou.

Chico Salles fará jus
Afirmo e tenho razão
Ao mestre que nos brindou,
Com a mais bela canção.
Catulo da Paixão Cearense,
Esse nobre maranhense,
Pai do “Luar do Sertão”

Parabéns a Chico Salles,
Pela sua caminhada.
Nordestino destemido,
Que botou o pé na estrada.
Tão bonita é sua história
Que guardarei na memória,
Como exemplo de jornada.

Nordestino de nascimento,
Carioca de coração
Entrou nas rodas de samba,
Sem esquecer xote e baião,
Se diz carioca da clara,
Mas eu lavo a minha alma
Pois é gema do sertão.



quinta-feira, 10 de maio de 2007

É ISSO AÍ TIA !

Isa Catunda, Vavá Mourão e Gerardo Mello Mourão

É ISSO AÍ TIA!!!!!

Isa Catunda de Pinho, nascida em 13 de maio de 1911, faz pouco caso do tempo, e com uma lucidez impressionante festeja mais um aniversário.
Aqui minha homenagem a essa querida tia que soube enfrentar a vida com dignidade, sem queixas, e sempre agradecendo a Deus por mais um dia.
Na foto que ilustra esse texto Tia Isa aparece almoçando com Gerardo Mello Mourão. Entre os dois Vavá irmão da nossa amiga Tereza Mourão


FADA MADRINHA

Tenho um mundo encantado
Guardado em minha lembrança.
Fruto de contos e lendas,
Que ouvi quando criança.

As cantigas de ninar,
Que ainda hoje recordo,
Foram contadas por ela
Ao embalar-me em seu colo.

Ela encantou gerações
Com sua sabedoria,
Professora e catequista,
Também filha de Maria.

Assim se resume a histórias,
Da fada que é minha tia.
Sua longa existência,
É meu motivo de alegria.

quinta-feira, 3 de maio de 2007

Flor de maio

FLOR DE MAIO

Flor de encanto e ternura,
Coragem da mãe de Jesus
Pelo bem de cada filho
Suporta o peso da cruz.

Flor que vira fera,
P’ra defender sua cria,
Muitas vezes desesperada,
Se apega a Virgem Maria.

Flor de palavras sábias,
Que minha vida conduz,
Do teu ventre abençoado
Vim ao mundo ver a luz.

Flor da qual eu sou fruto,
E que um dia me viu crescer,
Só depois de ter meus filhos,
Eu passei a lhe entender.