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terça-feira, 10 de março de 2009

LEI DA SOBREVIVÊNCIA



LEI DA SOBREVIVÊNCIA

Dalinha Catunda

Brigo com meus demônios,
Rezo para os meus santos,
Aborto o que seria
O nascimento de um pranto.

A prendi a desatar,
O nó preso na garganta.
Com astúcia ou ironia,
Encaro qualquer afronta.

Calar não é consentir,
No meu modo de pensar,
É espreitar a presa com calma,
Para o bote não falhar.

Sou cobra que não ataca,
Mas aprendi a me defender.
Se não pisar no meu calo,
Não pico também você.

Oferecer a outra face?
Nem em outra encarnação!
Pago na mesma moeda,
Só aguardo a ocasião.


Imagem:arcanjo_rafael.zip.net/images/solidao.jpg

segunda-feira, 9 de março de 2009

MINHA HOMENAGEM A "ZECA FROSINO"


Na foto o cantor e sanfoneiro Edilson Vieira e "Zeca Frosino"

Hoje é o aniversário de "Zeca Frosino" que já passou dos 80 anos e continua alegrando a cidade de Ipueiras com o Forró do Zeca que acontece todo mês de julho há mais de 50 anos.
Parabéns "Zeca Frosino" pelo seu aniversário, pela sua alegria e por manter a tradição do forró pé-de-serra em nossa Ipueiras.

O SONHO DE ZECA


Um dia, um homem do povo,
Resolveu alegrar o sertão.
Teve uma idéia singela,
Que transformou em ação.
Com pouco recurso montou,
O plano do seu coração.

Com sua sabedoria,
Começou a matutar...
Tem que ser na lua cheia,
P’ra aproveitar o luar.
Assim ficará mais fácil,
P’ro povo se deslocar.

Com uma garrafa vazia,
O candeeiro montou.
Um pavio improvisado,
Na garrafa enfiou.
E foi só colocar gás,
Que o terreiro iluminou.

Contratou um sanfoneiro,
Bom de fole amigo seu.
Assim o primeiro forró,
Na Floresta então se deu.
Até hoje só falhou um,
Foi quando seu pai morreu.

Primeiro sábado de lua cheia,
Em julho p’ro nossos lados.
Dá-se a confirmação,
do forró mais animado.
Cinqüenta anos de forró,
Zeca tem em seu reinado.

É um forró sem frescura,
Onde toda criatura,
Elegante ou pé no chão,
Dança a noite inteira,
Relembrando o Zé pereira,
Unidos puxando cordão.

Na hora da saideira
O povo de Ipueiras,
Em coro começa a cantar.
É hora de ir embora,
Por que o sol não demora,
Está começando a raiar.

E assim é à volta p’ra casa,
Após uma boa noitada,
Curtida no interior.
E Zeca sorri feliz,
Mais uma vez fez o que quis,
Com a graça de nosso Senhor.

Os olhos de Zeca brilham,
Chegam quase a marear.
É a emoção brotando,
Lá dentro do seu olhar.
Seu orgulho é tão grande,
Que o peito chega a estufar.

Com sua camisa estampada,
Completamente molhada,
Feliz ele volta p’ro lar.
Sabendo que nesta trilha,
Conta com o amor da família,
Que se une para ajudar

sexta-feira, 6 de março de 2009

MULHER, INVENÇÃO DE DEUS



Mulher Invenção de Deus

Pregam aos quatros cantos que a mulher foi feita da costela de Adão.Não sei se para diminuí-la ou ridicularizá-la, o que dá no mesmo, corre por aí uma versão jocosa que a mulher, na realidade, foi feita do rabo do cachorro.

Dizem que Deus de posse da costela elaborava seu trabalho, tão entretido estava em sua missão, que nem notou a aproximação de um cachorro que velozmente arrancou de suas mãos a costela manuseada. Sem perda de tempo o todo poderoso correu atrás do cachorro chegando a pegá-lo, mas o mesmo já havia comido o que seria a matéria prima na elaboração da mulher. Para não voltar de mãos abanando, cortou o rabo do cachorro e com seu infinito poder deu continuidade ao seu trabalho criando assim esse ser de importância suprema, a mulher.

Há quem diga que nada disso procede, que na verdade Deus fez duas criaturas de barro e botou ao sol para secar, depois de alguns dias voltou ao local para verificar sua obra... qual não foi sua surpresa... uma brotou e a outra rachou, e assim foi definido o sexo: feminino e masculino. Era tudo tão perfeito que Deus maravilhado, com um sopro divino deu vida àquelas duas imagens.

De qual matéria fomos feitas exatamente, não importa, o importante é que a fórmula deu certo. Se não somos uma pequena fração do homem, muito menos seriamos o rabo de um cachorro. Acredito sinceramente que somos resultado das mãos de Deus e do sopro divino.

FOTO:400 x 327 - 14k - jpg - br.geocities.com/.../lisieux/ceu_mulher.jpg

HOMENAGEM EM VERSO E PROSA AS MULHERES


Foto retirada do: orkupido.ning.com
AMIGOS, EM HOMENAGEM AO DIA INTERNACIONAL DA MULHER, 08 de MARÇO, ESTOU REPRISANDO DOIS TEXTOS, DE MINHA AUTORIA, QUE GOSTO MUITO.

Retrato do Passado

Namorou e ficou noiva.
Casou no padre e no civil.
Disse amém a sociedade
Que suas podres leis pariu,
E o que foi feito de sua vida
Não foi ela quem decidiu.

Casamento arranjado
Aos moldes tradicionais.
Um negócio ajustado
Aos interesses dos pais.
Que vedavam os ouvidos
A sua angustia e seus ais.

Filhos ela teve tantos
Nem pôde nos dedos contar.
Quando esvaziava o bucho,
Voltava a emprenhar.
Fez filhos e não amor,
Não aprendeu a gozar.

È uma boa parideira,
Dizia sempre o marido.
Pelas mãos da parteira
Eram os filhos recebidos.
Quando arriava a bexiga,
Com o médico era resolvido.

Empregada ela tinha,
Pois tinha “boa” situação.
Era uma cabocla prendada.
Era de forno e de fogão.
E nas quebradas da noite
Também servia ao patrão.

O marido era bom partido,
Criado nos dogmas da fé.
Aos domingos ia à missa,
Mas freqüentava o cabaré,
As taras eram com as putas,
E os filhos com a mulher.

“Até que a morte os separe”
Assim era feita a negociata.
O marido era um bom emprego,
A mulher deveria ser grata.
“O que Deus une ninguém separa”
Dai, a submissão era farta.


Uma fotografia na parede,
Retrata esse triste passado.
Que visando a posteridade.
Sempre fora bem focado
Entre paletós e bigodes
Vestidos bem comportados.

Lá se foi o velho tempo,
Do império patriarcal.
A mulher, hoje, evoluída
Não necessita de aval,
Desbrava o seu futuro
Encara o bem e o mal.

quinta-feira, 5 de março de 2009

SAUDADES DO INTERIOR


Banco de pote que fica em minha Chácara em Ipueiras no interior do Ceará.

LEMBRANÇAS DO INTERIOR

Boina na boca do pote.
Água fresca naturalmente.
O pote por fora suado,
Matava a sede da gente.

Era água de cacimba,
Que a natureza servia.
No copo de alumínio
No interior se bebia.

No ranchinho que possuo
Lá pras bandas do sertão.
Tem lá um banco de pote
Preservando a tradição.

Texto e foto de Dalinha Catunda
Este texto foi publicado dia 21/03/09
No jornal O Povo em Fortaleza-Ceará.

segunda-feira, 2 de março de 2009

A ARTE DE APANHAR



A ARTE DE APANHAR

Fui menina levada
Aprontando pelo sertão.
Apanhei de corda e relho,
E bainha de facão.

Tomei benção à palmatória,
Não escapei de cipó,
De cinturão com fivela,
Apanhei de fazer dó.

Já era eu diplomada,
Na arte de apanhar,
Antes que o pau comesse
Já começava a gritar.

Era assim que chamava,
Dos vizinhos a atenção,
E as surras do dia-a-dia
Tinham menor duração.

O certo é que eu apanhava,
Dia sim, outro também,
Mas fazia o que queria
Sem me importar com ninguém.

E foi debaixo de peia,
Que construí meu caminho,
Não se pode colher rosa,
Sem esbarrar em espinhos

Foto do: bp0.blogger.com/.../s400/Palmatória.gif

quarta-feira, 25 de fevereiro de 2009

CABRITO ROUBADO E LADRÃO LASCADO


Texto e Foto De Dalinha Catunda

CABRITO ROUBADO E LADRÃO LASCADO

Meu cabrito foi roubado
Tenho pena é do ladrão.
Em cima dele joguei
Muita praga e maldição.
Pois pena desta raça,
Confesso não tenho não.

Deixar nas mãos de Deus
Não me agradava a solução.
Por isso entreguei o traste,
Foi direto na mão do cão.
Pois é no fogo do inferno,
Que se acaba com ladrão.

Meu cabrito era bonito,
Do pasto era a sensação.
Sua cor bem amarelada,
Seu porte chamava atenção.
Todo mundo se encantava,
Com o famoso amarelão.

Dinheiro de todo jeito,
Nele eu tinha enjeitado.
Naquele mimoso cabrito
No mais gracioso capado.
Era a criação mais linda,
Que havia em meu cercado.

Muitas vezes eu dizia,
Sem nenhuma intenção.
Que ia botá-lo num bingo,
Ou vendê-lo em um leilão.
Na verdade nunca pensei,
Em vender meu amarelão.

Do tamanho de um bezerro,
Era amarelo bem queimado,
Orelhas arreadas e grandes,
Chifres muito empinados.
Tinha uma rara elegância
Por isso era tão destacado.

Recusei vender ao Chagas,
Não quis vender ao João.
Pois aquele cabrito era
Do sitio a maior atração,
E já tinha até se tornado
Um animal de estimação,

Foi no final de dezembro,
Que a tragédia aconteceu,
O cabrito dormiu no pasto,
Porém não amanheceu.
Seu rastro ficou na cerca,
Onde o pelo dele prendeu.

Uma pista bem certeira,
Tenho mais não vou atrás.
A alma deste mau sujeito,
Entreguei foi ao Satanás,
Juro que daqui pra frente,
Ele nunca mais terá paz.

O nome do traste escrevi,
Num pedaço de papel,
Enfiei num cupinzeiro,
Antes lambuzei de mel.
Se ele soube ser ladrão,
Eu também sei ser cruel.

Dentro da boca do sapo
Seu nome ganhou lugar.
Costurado e alinhavado,
Pra não poder escapar.
Pois todo castigo é pouco,
Pra quem gosta de roubar.

O bode preto sacrifiquei,
E foi na sua intenção.
Ofertei a um preto velho,
Para ele entrar em ação
E trazer toda desgraça
Pra vida deste ladrão.

O espírito do bode preto,
Em breve ele vai receber.
Chifre nos lados da testa,
Ele tem e mais vai nascer
E toda vez que ele espirrar,
Seu peido não vai conter.

Tudo que mais desejo
Do fundo do coração.
É que este rato safado
Perca a fala e a visão,
O movimento das pernas,
E por ultimo perca a mão.

Desejo que ele conserve,
A mais perfeita audição.
Quando ouvir um berro,
Ele tenha recordação,
Do cabrito amarelado
Que foi a sua perdição.

Eu sou Dalinha Catunda,
Filha de seu Espedito,
Se a justiça anda fraca,
E se eu não posso no grito
Apelo pras minhas pragas,
E a força dos maus espíritos

segunda-feira, 16 de fevereiro de 2009

PURO-SANGUE


Puro-Sangue

Era um puro-sangue.
Ímpar em sua beleza.
Porte altivo e elegante,
Trazia um ar de nobreza.

Foi paixão a primeira vista.
Não tive como escapar.
Garboso me farejava,
Fui seduzida a montar.

Conduziu-me com maestria,
De quem domina o oficio.
Montar aquele alazão,
Confesso, não foi sacrifício.

Tinha narinas acessas.
Tinha sede de galope.
Me agarrei ao seu pescoço,
Deixei-me levar por seu trote.

Galopamos feito louco,
Até quase sair do chão,
Daí a pouco o paraíso,
Era a mais bela visão.

Estrelas intermitentes,
Sinos a badalar.
O prazer feito cascata,
Coroava o cavalgar



Foto: farm4.static.flickr.com/3234/2940098323_49f57...

terça-feira, 10 de fevereiro de 2009

VOU SAIR NO BOLA PRETA



VOU SAIR NO BOLA PRETA

Foi no carnaval passado,
Que você embriagado
Rasgou minha fantasia.
Eu fiquei amargurada,
Ressentida e chateada
Com mais essa covardia.

Jurei que no próximo ano
Sozinha sem desenganos
Noutro bloco eu sairia.
Durante um ano inteiro
Eu juntei o meu dinheiro
E fiz uma nova fantasia.

Cansei das suas tretas
Aliei-me ao Bola Preta
Bloco que tem tradição.
Agora cheia de encanto,
Vestida de preto e branco
Vou sair em seu cordão.

Fique com sua cachaça
Aposte em suas arruaças
Que vou cuidar de mim.
Vá tocar o seu pandeiro
No bloco dos cachaceiros
Na porta de um botequim.

Dê asas a sua loucura,
No bloco da pinga pura,
Beba em minha intenção.
Pois vou sair bem contente
Arreganhando os dentes,
E atrás de nova paixão.

Foto retirada do:cordaodobolapreta.com.br

segunda-feira, 9 de fevereiro de 2009

CHICO PARNAIBANO


CHICO PARNAIBANO

Uma cuia de ciriguela,
Enviada em fotografia,
Acordou velhas saudades
Dos tempos de alegria,
Quando Chico Parnaibano
Visitava sua avó Maria.

Assim relembrava Chico,
Transbordando de emoção,
Falando do seu pé-de-serra,
Do seu encantado chão,
Daquele tempo passado
Que ficou em seu coração.

__Amiga eu não esqueci
Gosto muito de lembrar.
Dos velhos finais de tarde
Quando eu saia pra visitar
A minha vó Mariazinha
E bem feliz voltava de lá.

Bolsos cheios de ciriguelas
Eu saia estrada a fora,
Comendo a gostosa frutinha
E os caroços jogando fora.
Eita saudades danada
Que bate em meu peito agora.

Ainda sinto saudades,
Que o tempo não apagou.
Da serra grande fumando,
Do trem que não mais passou
Do menino que fui um dia
Vivendo no interior.

Hoje Chico não é apenas,
O menino Francisco Cordeiro
É o Chico Parnaibano,
Para os amigos e parceiros
E das lembranças d’outrora
É um bom e fiel escudeiro.

Foto retirada do AFAI( SITE DO IPU)