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quinta-feira, 9 de abril de 2009

PÁSCOA E PAZ


Foto e texto de Dalinha Catunda.

Optei por usar este arbusto espinhento que tem como uma de suas denominações: COROA-DE-CRISTO para compor o texto, pois acho que ele traduz simbolicamente a nossa caminhada. Flores e espinhos. A sabedoria da vida está em saber conviver com os dois.
Aos meus amigos do blog, UMA FELIZ PÁSCOA!!!!

PÁSCOA E PAZ

Vamos adubar nosso chão,
Plantar justiça, colher a paz.
Ressuscitar sentimentos
Que tanta falta nos faz.
Repudiar a violência
Pois cada um é capaz.

Chega de tanta violência,
Chega de tanta matança.
Chega de tanta maldade
Envolvendo até crianças.
Vamos semear justiça,
E tentar colher esperança.

Cristo foi crucificado,
Para nossa salvação.
Vamos abraçar o próximo,
Como se fosse um irmão.
Vamos ressuscitar a paz,
E abrandar o coração.

quarta-feira, 8 de abril de 2009

FLOR DA PAIXÃO


Texto e foto de Dalinha Catunda

A FLOR DA PAIXÃO

A Flor do maracujá
Conhecida flor da paixão.
Um dia já foi branca,
Contou-me um cidadão.
E que foi o sangue de Cristo,
Que deu nova coloração.

No pé da cruz se avistava
Algumas flores de maracujá.
Com sua coroa de espinho,
Jesus Cristo pôs-se a sangrar
E as brancas flores tingidas
Bem roxas passaram a ficar.

Essa flor carrega consigo
Os pregos da crucificação.
As cinco chagas de Cristo,
Depois da transformação.
Até a coroa de espinhos
De sua árdua coroação.

Se é verdade ou é lenda
Eu não posso afirmar.
Só sei que é misteriosa,
A bela flor do maracujá.
E essa história que ouvi,
Estou somente a repassar.

segunda-feira, 6 de abril de 2009

O FAMOSO CAPITÃO


Foto: viagemesabor.com.br
Texto: Dalinha Catunda

O Famoso Capitão


Muito cedo descobri que na terra de “coroné” se comia Capitão.
Eu das Ipueiras, terra de coronè Zé Bento e tantos outros, confesso que muitas vezes participei desse ritual que muito me agradava.

Alguns falam que aquilo era coisa de escravos, já outros afirmam ser uma herança dos portugueses colonizadores. O que sei, é que, o que eu julguei ser uma exclusividade minha e de meus irmãos, era na realidade, um costume antigo, comum, no interior do Ceará e em tantos outros estados do Brasil.

Conversando com Lou, uma amiga nordestina, das bandas da Serra Grande, ela me falou que os capitães da avó dela eram imbatíveis. E eu, retruquei:--- É que você não conheceu os da minha tia Isa. Quando eles chegavam a mesa as crianças entravam em prontidão a espera do tão esperado e solene momento.

O certo, é que por trás de cada capitão, havia o comando de uma mão mágica e dedicada a nos enfiar goela abaixo aquela distinta autoridade do mais alto escalão. Eram nossas mães, avós e tias que se esmeravam na confecção daquela apetitosa iguaria com o intuito de agradar o paladar dos seus entes queridos.

Pois, na verdade, o inesquecível e famoso capitão, meu, de Lou e de tantas outras crianças, nada mais era que um simples bolinho de feijão amassado com farinha, bem modelado e servido por mãos especiais com carinho e com afeto, o que o transformava simplesmente num manjar dos Deuses.

Era assim que nosso feijão de cada dia passava de um simples soldado raso ao mais famoso capitão. E eu, que sou agarrada às lembranças, fico feliz em fazer parte deste passado, onde batalhões de crianças faziam continência a seu amado capitão.

sexta-feira, 3 de abril de 2009

MANHÃ DE ABRIL


Foto e texto de Dalinha Catunda

Manhã de Abril

Manhã radiante,
Brisa refrescante,
Entrando pela Janela.

A Brisa eriça meus pelos,
Desmancha meus cabelos,
E leva embora as mazelas.

Carinhos da natureza
Chegam com singeleza
Dizendo que a vida é bela.

Por isso sigo em frente,
Se tenho porção carente,
Esqueço, e não dou trelas.

quarta-feira, 1 de abril de 2009

PRIMEIRO DE ABRIL!


Imagem: google texto Dalinha Catunda

PRIMEIRO DE ABRIL

Se você chegasse agora
Dizendo que ia embora
Tuas malas eu até faria.

Acenderia mil velas
Voltava a ver novelas
Dava pulos de alegria.

Deixava de ser morena
E minha boca pequena,
De vermelho eu pintaria.

Caprichava no decote
No cabelo dava um corte
E muito mais me exibiria.

Mas, nem pense na proposta.
Não saia por esta porta.
Porque eu jamais deixaria.

Isto é só uma brincadeira,
Eu não faria essa besteira.
Hoje é primeiro de abril!

terça-feira, 31 de março de 2009

NOTA DE FALECIMENTO


Foto e texto de Dalinha Catunda

NOTA DE FALECIMENTO

Era boquinha da noite
Esmaecia a paixão.
Dava seu ultima bocejo,
Libertando-me o coração.

Morreu de morte natural,
Como tudo que é cíclico.
Nem sei se era mesmo paixão,
Ou simplesmente um vício.

domingo, 29 de março de 2009

FURDUNÇO NO GALINHEIRO


Foto.baixaki.com.br

FURDUNÇO NO GALINHEIRO

Certo dia o galinheiro
Acordou em polvorosa,
O galo acordou tarado
Foi uma coisa horrorosa
E as galinhas apavoradas
Com essa situação odiosa.

Era pintinho correndo,
Era pato se cagando,
Capote voando alto,
Ganso mergulhando,
E o galo velho tarado,
A todos apavorando.

Pegou a galinha preta,
Que era uma franguinha.
Subiu bem em cima dela
Deixou a ave tontinha
Depois saiu bem ligeiro,
Atrás de outras galinhas.

Correu atrás de muitas,
Pegou a galinha amarela.
Nesta o estrago foi feio,
Ela acabou na panela.
Tamanha foi sua fúria,
Que ela esticou a canela.

O frango que era capado
E bem fino vivia a cantar,
Nesse dia foi estreado
Não conseguiu escapar.
Este, sim, não saiu triste,
Mas faceiro a cacarejar.

O galo velho viçando,
E com o espírito do cão.
Pegou a galinha d’angola
O capote não gostou não.
Pra completar a desgraça
Pegou a mulher do pavão.

Para o lado das galinhas,
Debandou-se outra vez.
Pude contar nos dedos
Ele pegou mais de três.
As mais belas do terreiro,
Pois eram de raça pedrês.

Depois que pegou a azul
Correu atrás da nanica,
A branquinha apavorada:
O diabo é que se arrisca!
E voou para o telhado.
Aqui ele não me trisca!

Quem escapou fedendo
Foi a danada da carijó.
Sem pensar duas vezes
Escondeu-se num urinó
E o galo passou batido
E essa levou a melhor.

Pobre das outras galinhas,
Não tiveram sorte igual.
Debaixo do galo ficaram.
Ficaram e passaram mal.
O Galo estava achando,
Que no momento era o tal.

O peru que era orgulhoso,
Tomou logo uma decisão.
Eu vou é fechar meu rabo
E encostar o reto no chão,
Deus me livre deste galo,
Que tem nos coro um cão.

Sei que a coisa ficou feia,
E foram chamar o doutor.
Tudo foi uma experiência,
Que o pobre galo passou.
Explicava o veterinário,
Que o galo diagnosticou.

O galo não é o culpado,
Desta grande confusão.
Este estardalhaço todo,
Foi uma idéia do patrão,
Que deu milho modificado
Pra aumentar a produção.

O milho que ele comeu,
Tinha nova coloração.
Geneticamente modificado
De amarelo virou azulão.
Escrito na embalagem:
Aveiagra é sua solução.

No finalzinho da tarde
O galo velho desmaiou.
A maratona foi puxada,
E o doutor recomendou,
Que ele tivesse repouso
Mas de nada adiantou.


Quando passou o efeito
Deste famoso azulão.
O galo apanhou tanto,
Que caiu roxo no chão.
A crista era puro sangue
Quase perdeu o esporão.

Nele bateu um ganso
Pato, peru e o capote.
Ele quis se levantar,
E foi pego no pinote.
A coisa ficou foi feia,
Vi a hora era dar morte.

O galo gemia e ciscava
A porrada firme comia.
O frango que deu pra ele
Também deu uma agonia.
E galinhas cacarejando
Por toda parte se ouvia.

O galo que por um dia,
Tornou-se um garanhão.
De uma hora para outra,
Viu o seu posto no chão.
As galinhas reunidas,
Pediram substituição

Dizem que o galo velho
Depois que se aposentou,
Com o tal frango capado
Realmente se amancebou.
Dando lugar ao novo galo
Que no galinheiro reinou.

quarta-feira, 25 de março de 2009

NUNCA FUI VIRGEM


NUNCA FUI VIRGEM

Apesar de ter nascido e me criado no interior e eu achava aquele mundo muito pequeno para mim. Era meu ninho, não tenho dúvidas! Porém minhas asas eram imensas e essa desproporção dificultava meus vôos. Mesmo assim arriscava uns rasantes.

Sempre tive respostas na ponta da língua e a palavra fácil. E não poderia ser diferente, pois desde criança nutri grande paixão pelos livros, paixão essa, que carrego até hoje.
Se não dominava todos os assuntos, posso dizer sem modéstia alguma, que eu era à frente de minha geração para uma menina do interior.

Como nunca tive cara de remédio, abdiquei daquela bula que a sociedade impõe e determinei, eu mesma, minha posologia sem medo dos efeitos colaterais.

Reconheço que muitas vezes eu gostava de deixar as pessoas numa saia justa. De chocar mesmo. Até porque a grande sociedade apenas representava o papel a ela destinado e não vivia deveras a realidade.

Lembro-me como se fosse hoje... Eu fazia o colegial e nas salas, entre alunas, rolava um “disparate”. E o que era um disparate? Era um caderno com uma capa bonita, cheio de perguntas tolas ou absurdas que era passado de mão em mão para ser respondido. Coisa de meninas... Pois nunca vi o sexo masculino respondendo, quando muito roubando para ler.

Eu adorava responder disparate, e ler o que as outras colegiais respondiam. E todas elas tinham a mesma curiosidade, pois ali de certa forma estava a ficha pregressa de cada uma.

Certa vez, respondendo um “disparate” deparei-me com a seguinte pergunta:
- Você é Virgem? E eu logo respondi:- Nunca fui virgem!!!
A resposta da outras meninas era: sim, ou então, claaaaro! E não poderia ser diferente, a sociedade, na época, não admitia que uma moça fosse estreada antes do casamento.

Elas ficavam tão chocadas ao lerem minha resposta que não prosseguiam com a leitura. Saiam correndo direto para fuxicar. Lá mais na frente, aparecia a pergunta reveladora:
Qual é o seu signo? Escorpião.... por iiiiiiiisso... É que, não sou virgem, nem nunca fui.

Texto de Dalinha Catunda
Imagem:br.geocities.com

segunda-feira, 23 de março de 2009

LEMBRANÇA DO INTERIOR


Texto e foto de Dalinha Catunda

FERRO A BRASA

Hoje você é somente
Um objeto de decoração,
Mas já foi muito importante
Em seu tempo de utilização.
Na mão das engomadeiras
Que eu via em meu sertão.

O carvão dentro do ferro
Virava brasa e esquentava,
Aos assopros da passadeira,
Que fazendo bico soprava.
Ficando o ferro no ponto
Trouxa de roupas passava.

quinta-feira, 19 de março de 2009

FLORESCER DE OUTONO



Foto e texto de Dalinha Catunda

Florescer de Outono

Hoje sou folha caída
Naturalmente ao chão.

Despida das folhas podres
Aguardo nova brotação.

Abraçarei o outono
Pois já se foi o verão

Para colher felicidade
Não escolho estação

As folhas velhas caídas
Servem-me de adubação.

As águas de março lavaram
As mágoas do meu coração.

O outono que me aguarde!
Pra ver só minha floração.