
Foto: viagemesabor.com.br
Texto: Dalinha Catunda
O Famoso Capitão
Muito cedo descobri que na terra de “coroné” se comia Capitão.
Eu das Ipueiras, terra de coronè Zé Bento e tantos outros, confesso que muitas vezes participei desse ritual que muito me agradava.
Alguns falam que aquilo era coisa de escravos, já outros afirmam ser uma herança dos portugueses colonizadores. O que sei, é que, o que eu julguei ser uma exclusividade minha e de meus irmãos, era na realidade, um costume antigo, comum, no interior do Ceará e em tantos outros estados do Brasil.
Conversando com Lou, uma amiga nordestina, das bandas da Serra Grande, ela me falou que os capitães da avó dela eram imbatíveis. E eu, retruquei:--- É que você não conheceu os da minha tia Isa. Quando eles chegavam a mesa as crianças entravam em prontidão a espera do tão esperado e solene momento.
O certo, é que por trás de cada capitão, havia o comando de uma mão mágica e dedicada a nos enfiar goela abaixo aquela distinta autoridade do mais alto escalão. Eram nossas mães, avós e tias que se esmeravam na confecção daquela apetitosa iguaria com o intuito de agradar o paladar dos seus entes queridos.
Pois, na verdade, o inesquecível e famoso capitão, meu, de Lou e de tantas outras crianças, nada mais era que um simples bolinho de feijão amassado com farinha, bem modelado e servido por mãos especiais com carinho e com afeto, o que o transformava simplesmente num manjar dos Deuses.
Era assim que nosso feijão de cada dia passava de um simples soldado raso ao mais famoso capitão. E eu, que sou agarrada às lembranças, fico feliz em fazer parte deste passado, onde batalhões de crianças faziam continência a seu amado capitão.