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quarta-feira, 6 de maio de 2009

DE MÃE PARA FILHO


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DE MÃE PARA FILHO

Meu filho quando nasceste,
Vieste num facho de luz.
Parecia um anjo encarnado
Com ar de menino Jesus.

Abriguei-te em meus braços.
Amamentei-te com emoção.
Lágrimas de amor brotaram,
Fez festa meu coração.

És um presente divino,
Ou mesmo uma loteria.
Ao embalar-te em meus braços,
Embalo também a alegria.

Fico triste quando choras.
Alegro-me quando sorris.
Ah! Às vezes me aborreço,
Quando fazes cocô ou xixi.

Mas sou uma mãe encantada,
Com este fruto do amor,
Que veio trazendo magia,
E encheu minha vida de cor.

À MINHA MÃE



Estas rosas foram roubadas do jardim de Tereza Mourão. Eu ofereço com todo carinho a minha mãe e todas as mães que frequentam este cantinho. O Dia das mães é só todo dia.

À Minha Mãe

Minha mãe estou distante,
Mas em mim nada mudou.
Conservo em meu coração
Lembranças do que passou.
Do lado esquerdo do peito
Guardo carinho e respeito
Que você, mãe, conquistou.

Lembro-me com saudades,
Daqueles tempos antigos.
Eu menina astuta e levada
E você brigando comigo.
Quantas surras eu levava,
E aí era que eu aprontava
Não tinha medo de castigo.

No fundo eu bem sabia,
Que tinha sua proteção.
Os castigos e as surras
Soavam como correção
Em cima desta menina
Que mesmo tão traquina,
Tinha um bom coração.

Saudades sinto muitas,
Ás vezes fico perdida.
Tentando em vão imitar
O sabor de sua comida.
E daquela boa comidinha...
Nunca mais sua Dalinha
Vai esquecer nessa vida.

Você já passou dos oitenta
Mas ainda briga pela vida.
Seus ombros estão arreados,
Anda um tanto esquecida,
Mas ainda faz versos e canta,
E por tudo isso me encanta,
Minha velhinha querida.

Hoje também sou mãe,
Tenho minhas obrigações.
Somente agora entendo
As suas preocupações.
Pois pelos filhos que pari
Já chorei e também sorri
Em tempos de emoções.

terça-feira, 5 de maio de 2009

A CHAVE DO CORAÇÃO


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A CHAVE DO CORAÇÃO

Tio Benedito andava meio adoentado. Apesar de chás e garrafadas não se via melhora. Acharam por bem levar o homem à benzedeira, mesmo assim ele continuava definhando.

Bom, do jeito que o pobre tio se encontrava, o jeito era levar ao médico.
E o medo que a saúde piorasse? O sujeito não gostava de gastar um tostão!
E o médico custava dinheiro. Deu-se um jeito, arranjaram uma ficha na prefeitura e ele conseguiu ser atendido num posto de saúde.

O certo, é que a coisa era grave e o doente teria que ser removido para a capital. O que foi feito contra sua vontade, mas com o aval da família.

Chegando à Capital constatou-se que ele deveria ser operado. Sem plano de saúde, sem vontade de gastar, e sem poder reagir, mesmo sem querer, foi para sala de cirurgia.

Pois não é que a operação foi um sucesso! Mas como o que é bom dura pouco... Complicações pós operatórias... O operado bateu as botas!

Foram dar a noticia aos filhos: __Sinto muito, o pai de vocês passou dessa para melhor. O filho mais novo respondeu: __ Se ele não tivesse morrido da cirurgia, ia morrer do coração, pois não sobreviveria se soubesse o preço da operação

Há quem afirme que o motivo real do óbito, foi justamente uma conversa que ele ouviu sobre as despesas, com o hospital, quando achavam que ele estava ainda sedado.

Fazer o quê? Era pegar o falecido, levar de volta ao lar, velar, enfim, levá-lo a sua última morada com dignidade, até porque ele não poderia dar seus palpites quanto o desenrolar do velório. Porque se pudesse, garanto que era enterrado numa rede com um pau no meio.

Para falar a verdade, foi um velório e tanto. Farto mesmo! Teve: caldos, biscoitos, café e até sucos, e uma cachacinha que é de praxe. Como todos os velórios, teve também suas lamúrias.

A filha mais velha, na hora da saída do caixão gritou: “Ô PA PAI ZIM DO CÉU, O SENHOR LEVOU A CHAVE DO MEU CORAÇÃO!”E em seguida foram gritos, choros, que comoveu muita gente, muitos até aproveitaram o embalo para chorar junto.

A Consternação foi quebrada quando o irmão mais novo outra vez soltou a língua: --Tomara que ele não tenha levado é a chave do cofre senão... vai dar um trabalho danado!

Que Deus o tenha na Santa paz, tio...

segunda-feira, 4 de maio de 2009

MEL, O DOCE GATINHO


Publicado ariginalmente no Diário do Nordeste em 03/05/09

MEL, O DOCE GATINHO

Tudo aconteceu num dia chuvoso de céu escuro. Foi neste dia, que uma luz surgiu na vida de Mel, mudando definitivamente sua triste sina.

Mas quem é Mel?

Mel é um lindo gatinho branco que mia diferente, como se a todo instante pedisse mel.

E foi por esse motivo que ele ganhou o nome.

O gatinho, além de miar cada vez que se mexe em comida na cozinha, adora dormir.

Quando o sono chega, ele se dirige à sua caixinha que fica num canto da cozinha. Dormindo, é a coisa mais linda do mundo! Já o vi dormindo até sentado.

O doce gatinho branco é muito limpo e toda vez que quer fazer suas necessidades, vai procurar um lugar onde ele possa cavar e enterrar cuidadosamente as suas fezes.

Ele tem um arzinho carente e não poderia ser diferente. É lógico que ele não caiu do céu, nem nasceu do nada. E como ele chegou até seu novo abrigo? É isso que vou contar agora:

Um humilde agricultor que passava pelas margens de um rio para cuidar do seu roçado, ouviu um barulho estranho e começou a olhar em volta. Redobrou sua atenção para tentar descobrir o misterioso barulho que vinha de um dos lados do rio.

Andou para um lado, para o outro e conseguiu ouvir mais de perto. Pelas suas conclusões, apesar de muito fraco, eram miados de gato. Mas, onde estaria enfiado o danado deste gato que apenas miava sem aparecer? Estaria enganchado nos arbustos espinhentos que eram comuns naquela região? Ou apenas miava procurando sua mãe?

Continuou a procurar e quase caiu, ao tropeçar num saco.

O saco estava se mexendo; o agricultor, cuidadosamente retirou o nó, e lá de dentro viu sair um lindo e assustado gatinho branco, tão assustado e fraco, que nem força para fugir ele teve.

Quando o agricultor chegou à sua casa com aquela criaturinha cor de algodão, a criançada fez uma festa danada, até brigavam para ver quem ficava com o gatinho mais tempo no colo.

E o que era estorvo em uma casa, tornou-se alegria em outra.

Muitas vezes, é no coração das pessoas mais simples que a bondade faz morada.

E foi assim, pelas mãos de um homem simples, que Mel ganhou uma nova moradia e foi salvo da maldade de pessoas sem coração que descartam os animais quando deveriam protegê-los.

Texto de Dalinha Catunda

domingo, 3 de maio de 2009

O SERTANEJO


Imagem:Xilogravura de J. Borges

Hoje dia 03 de maio é o dia do sertanejo. Eu como, Nordestina, cearense do sertão ipueirense, presto, com muito prazer, minha homenagem ao SERTANEJO.

O SERTAJEJO

O Sertanejo quando sai
Do seu querido torrão,
Só sai porque necessita,
Sai porque tem precisão.
Se fosse mesmo por gosto,
Jamais deixaria seu chão.

Nos alforjes carregados
Transporta tristeza e dor.
Saudades da lua cheia,
Das noites no interior.
Do amanhecer do dia
Com galo despertador.

Com olhos marejados,
Lacrimeja de emoção.
Quando escuta no rádio
Ou mesmo na televisão,
Canções que antes ouvia
Em seu saudoso sertão.

Dói na alma dói no peito,
É bem grande a emoção,
Do “sertanejo que é forte”,
Mas vira menino chorão,
Se sente a saudade telúrica
Batendo em seu coração.

quinta-feira, 30 de abril de 2009

ANIVERSÁRIO DE DONA MARIA


Foto de Dalinha Catunda
Nota do blog: Começamos com Edmar Júnior, (neto de dona Maria), Brena(filha), Edmar (filho), Dalinha Catunda ao lado de dona Maria e Sandra(Nora).
Foto batida em janeiro, no almoço que ofereci em meu sítio em Ipueiras-Ce.

DONA MARIA

__Quem é dona Maria?
Para muitos uma mulher durona, cara fechada, de difícil sorriso e difícil convivência.
Mas se dona Maria é tudo isso, ela guardou o seu melhor para mim.
Pois tenho dela sempre o melhor sorriso, seu abraço mais apertado, sua palavra de carinho e a comida mais saborosa.

Quando estamos juntas o que não falta é alegria. São piadas, gargalhadas e muita conversa. Temos uma afinidade muito grande. Não sei medir o meu bem-querer por ela.
Ela é meu ombro amigo, o colo que às vezes sinto falta e a palavra certa que muitas vezes quero ouvir. Sei que não devo ser diferente para ela.

Dia 02 de maio, esta serrana que trocou o frio da serra pelo calor do sertão faz aniversário. E eu quero deixar aqui os meus mais sinceros votos de felicidade, de saúde,
Que Deus ilumine sua vida, guie seu destino e lhe conceda muitos anos de vida. Pois quero desfrutar e muito dessa amizade.

A dona Maria meu beijo carinhoso e meu abraço sincero.

ESTAÇÃO DIGITAL


Estação de Ipueiras hoje


Estação de Ipueiras do passado

A estrada de ferro do Brasil foi inaugurada no dia 30 de abril de 1854,
daí o motivo de se comemorar nesse dia, o dia ferroviário.

ESTAÇÃO DIGITAL

Ela já não é mais cor-de-rosa, mas, mesmo assim não perdeu sua graça.
Está diferente esteticamente, e já não exerce a mesma função.

Felizmente não teve a sina de tantas outras que caindo no esquecimento pouco a pouco vão desmoronando e deixando nos escombros parte importante de nossa história ferroviária.

Reformada, de cara nova, ganhou um tom amarelado e cumpre um importante papel. Transformou-se em Estação Digital, beneficiando crianças ipueirenses de baixo poder aquisitivo, que têm hoje, a oportunidade de manusear um computador e apostar num futuro menos desigual.

Eu particularmente tenho grande apreço por esta estaçãozinha do interior. Durante muito tempo, meu avô, Gonçalo Ximenes Aragão foi Agente Ferroviário ou chefe de estação, como se costumava falar em Ipueiras, onde fez história e colocou os filhos nos mesmos trilhos.

Se hoje por falta de interesse dos governantes deste país, nosso trem saiu dos trilhos, tenho pelo menos, o conforto de saber, que numa cidadezinha do interior que se chama Ipueiras a fachada da história continua de pé, e que o barulho da sineta novamente será ouvido, e uma nova linha entrará em ação tendo como ponto de partida: A ESTAÇÃO DIGITAL.

Texto de Dalinha Catunda

quarta-feira, 29 de abril de 2009

A BORBOLETA E O CAÇADOR


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Texto de Dalinha Catunda

A BORBOLETA E O CAÇADOR

Era uma vez uma linda borboleta colorida que voava feliz por entre as flores.
Cheirava uma flor, pousava em outras, dava voltas e mais voltas, abria e fechava suas asas ornamentando a paisagem natural.

Muitas vezes ela aparecia entre um bando de borboletas amarelas, o que realçava ainda mais sua beleza. Quando voava, as pequenas borboletas voavam atrás como se atraídas pelas asas coloridas que batiam graciosamente.

Sua beleza era tanta, que acabou atraindo um olhar mais egoísta. Um caçador de borboletas! Ela tentou, de todas as formas, escapar do tal caçador, porém sua fragilidade era tanta, que acabou sendo presa fácil na rede do colecionador.

E assim se foi... A borboleta colorida, o encanto da natureza, o exemplo de liberdade, de beleza, que fora arrancada de seu habitat sem finalizar seu ciclo.

Hoje certamente, ela se encontra aberta dentro de um livro ou numa vitrine, sem brilho, sem movimentos, prestes a transformar-se em pó e longe dos olhares ávidos de beleza natural.

Os amores e as paixões egoístas tendem a aprisionar em redomas o objeto de seus desejos, sem dar-se conta que assim procedendo estarão destruindo o que tanto lhe apraz.

segunda-feira, 27 de abril de 2009

UM BOI REBELDE


Texto e foto de Dalinha Catunda

UM BOI REBELDE

Meu boi andava um tanto sem apetite para minhas vacas, que na verdade, não eram lá, essas coisas! Mal servido, andou pulando cercas, encrencando-me com a vizinhança, fazendo arruaça, enfim, pintando o sete.
O Diabo do boi era bonito..., preto, lustroso, bem parecido, mas em comportamento, era a pintura do cão.

Meu caseiro, sem simpatia nenhuma, nem paciência, para com o boi vadio que não lhe dava sossego, por sua vez, tirava também meu sossego, batendo na mesma tecla, que eu deveria vender aquele animal para evitar aborrecimento.

Aquilo me aporrinhava, porque na verdade, era eu tomada de uma grande simpatia por aquele boi preto, teimoso, que tinha vontade própria, e pouco estava ligando para o politicamente correto.
Sempre me encantei com a criatividade dos transgressores. A cada queixa que meu vaqueiro fazia, eu ficava séria, para impor respeito, mas intimamente sorria e vibrava.

No entanto, a última que ele aprontou, obrigou-me a tomar uma atitude mais firme.
Não tendo mais pasto, aluguei o pasto do Chico Novo. O boi achando pouca suas arruaças inventou de jogar-se dentro de um silo vazio. E para retirá-lo de lá? Depois de frustradas tentativas, a única solução era o trator da prefeitura que a mim fora gentilmente cedido para tentar resolver tal problema. Sabe qual foi a atitude do boi quando viu a aproximação do trator? Feito um animal alado voou buraco a fora e “ganhou o Bredo.” Pense!!! Se um bicho desses é cria de Deus. E ainda dizem que é um animal sagrado em algum lugar!

A contra gosto coloquei o boi a venda. Sua ficha pregressa dificultava qualquer possível negociação, o que de certa forma me aliviava a alma. Não tinha nenhuma vontade mesmo, de vender aquele bicho. Por mais trabalho que ele pudesse me dar.

Por via das dúvidas resolvi tentar comprar outro boi que abraçasse com gosto as obrigações não cumpridas, pelo inadimplente, ou seja: se engraçar com minhas vacas, fazer as honras do campo e sossegar no pasto multiplicando o rebanho.

Depois de uma longa procura, cheguei a Cláudio, criador de caprinos, ovinos, bovinos, que de certa feita, me vendera uma cabra anciã, dizem que a velha cabra já era até tetravó

O ar tímido de Cláudio, que hoje eu já traduzo como sonsice, me fez ficar de pé atrás. Tanto, que fiz um verdadeiro interrogatório sobre o animal que ele pretendia vender.
Era um gir, e eu estava querendo justamente um gir.

_E aí, Cláudio, estou querendo comprar um boizinho e de preferência, que fosse um gir.
-Ora Dalinha, meu irmão Didi, tem um maaansinho. Mas tão mansinho que quando a gente passa a mão nele, ele vai logo levantando o rabo.
_Serve não, Cláudio!
___ Mas por quê?
___ Estou procurando um boi que levante outra coisa, Que levante o rabo eu já tenho um lá em casa.
Ele muito sem graça me olhou com uma cara espantada e falou:
___ Mas se ele não der conta do serviço a senhora pode devolver.

Moral da história, nesse meio tempo chegou o inverno, muita comida, vacas bonitas, meu boi recuperou a libido, não pulou mais cerca, Minhas vacas começaram a dar mole para ele e ele dando duro em cima delas e foi felicidade geral.
Com tudo a disposição, o boi passou a se comportar como manda o figurino. Tudo que ele queria eram melhores condições de vida, para que tudo voltasse à normalidade.
Assim sendo, apesar do desapontamento do meu caseiro, vejo minhas vacas contentes, meu boi cheio de gás e eu como proprietária, feliz e aliviada.

quinta-feira, 23 de abril de 2009

O JATOBÁ BOTOU ÁGUA!



O JATOBÁ BOTOU ÁGUA.
*
Choveu bem nas cabeceiras
O Jatobá transbordou,
O rio tá botando água!
A molecada gritou
Nosso povo na cidade
Para ver a novidade
Na chuva até se molhou.
*
Guri pulando da ponte,
Fazendo estripulia.
Co’o rio botando água,
Lá era o que mais se via.
Troncos de bananeiras
Passavam e nas carreiras
Na correnteza a magia.
*
O jatobá se zangou
Ficou de toda largura.
Nunca vi cheia maior,
Falava uma criatura,
Vendo a água que corria
Pulava e com alegria
Vendo acabar a secura.
*
Aposto que a meninada
Seu landuá vai lançar
Ou garrafa com farinha
Para piaba pescar,
Depois de bem salgadinha
Torrada e com farinha
É hora de merendar
*
As lavadeiras garanto!
Já começaram a cantar,
Cantigas de bater roupa
Que é um canto de encantar
É grande a animação
Aqui neste meu sertão
Ao ver a chuva chegar.
*
Debaixo das oiticicas,
Nas pedras do Jatobá,
Com cachaça e tira gosto,
Diversão maior não há.
Mas isso só tem sabor
Pra quem é do interior
Ou quem já viveu por lá.
*
Eu só queria saber,
Responda-me, por favor:
Quem tomou banho de rio,
E morou no interior.
Se não bate uma vontade
De rever sua cidade,
Ou só eu sinto esse amor?
*
Versos de Dalinha Catunda