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terça-feira, 8 de maio de 2012

MAIO, MÃE E MARIA -I


Maio de mãe e Maria,
De novenário e de flor.
Mãe é a rosa preciosa
Maria é luz e calor,
Iluminando a estrada
Daquela mãe devotada,
Que opera em nome do amor.
*
Texto e foto de Dalinha Catunda
Foto: o Arco de Nossa Senhora de Fátima em Ipueiras Ceará 
O Arco é um monumento que foi erguido em 1955, em Ipueiras-Ce, em homenagem a Nossa Senhora de Fátima, marcando a passagem da imagem da santa peregrina em 1953, vinda de Portugal.  50 anos depois a imagem retorna a Ipueiras.

segunda-feira, 7 de maio de 2012

NOS DEZ DE QUEIXO CAIDO


NOS DEZ DE QUEIXO CAIDO
*
Cai Carlinhos Cachoeira,
Cai Demóstenes também.
Cai máscara de quem tem
Conchavo com roubalheira.
Quero ver esta poeira
Abaixar sem alarido!
Virar pizza é proibido
Afirma a população
Farta de tanto ladrão
Nos dez de Queixo caído.
*
Texto: Dalinha Catunda
Charge: Newton Silva

sexta-feira, 4 de maio de 2012

DEU SAUDADE DE REPENTE


Eu admiro a Dalinha
Poeta de toda linha
que não faz rima maninha
nem gosta de confusão
A sua caneta é fina
e no gênio de menina
é dura, sem ser ferina
nos oito pés a quadrão.

*
cantando nos oito pés,
Dalinha, rainha és
poeta da nota dez
sem qualquer inibição
vai traçando o teu retrato
exercendo teu mandato
tu és poeta de fato
nos oito pés a quadrão

*
Participação especial de Fred Monteiro



Dalinha Catunda no palco da Estação Cordel na FLIT

DEU SAUDADE DE REPENTE
*
Lembro-me dos belos dias
Tão repletos de alegrias
Onde as velhas cantorias
Encantavam meu rincão.
Com jeitinho de repente
Eu revivo no presente
Este canto absorvente
Nos oito pés a quadrão.
*
Gostava da brincadeira
De pegar numa peixeira
E descascar macaxeira
Pras bandas do meu sertão
Porém minha realidade,
 Residindo na cidade
É matar minha saudade
Nos oito pés a quadrão.
*
Morando na minha oca,
Descascava a mandioca
Para fazer tapioca
Naqueles tempos de então
Depois deitava na rede
Tacava o pé na parede
Hoje mato minha sede
Nos oito pés a quadrão
*
O rádio eu sempre ligava
Quando a aurora raiava,
E cantando acompanhava
O canto do Gonzagão.
Nosso bom cabra da peste,
O rei caboclo do agreste
E que já cantou o Nordeste
Nos oito pés a quadrão.
*
Sei que não sou repentista,
Porém vou seguindo a pista
Sem baixar a minha crista
Sem ter medo de esporão.
Eu gosto de versejar
Não importa o lugar
Mas você vai me escutar
Nos oito pés a quadrão.
*
Isto é canto de mulher
Que vai metendo a colher
E como quem nada quer
Na cumbuca mete a mão.
 De lá tira agulha e linha
Não dá nó nem desalinha
Pois é canto de Dalinha
Nos oito pés a quadrão.
*
Foto do acervo de Dalinha Catunda
Texto de Dalinha Catunda 

terça-feira, 1 de maio de 2012

TRABALHO DE MULHER


TRABALHO DE MULHER
*
-Hoje é dia do trabalho,
Escutei alguém dizer.
Dizia a dona de casa
Tendo muito que fazer.
Há muito estava de pé
E já tinha feito o café
No escuro do amanhecer.
*
No ombro o pano de prato
E a pia superlotada.
Como num passe de mágica
Logo a louça foi lavada.
Com o pano inda na mão
Pega o rumo do fogão
Para uma nova jornada.
*
É tarefa o dia inteiro
Café, almoço e jantar,
A boa dona de casa
Tem mesmo que se virar.
Lava, passa e cozinha,
E varre a casa todinha
Sem tempo pra descansar.
*
Depois que sai da cozinha,
Depois que larga o fogão,
Banha-se para dormir,
Mas dormir não pode, não
No quarto esta o marido,
Exigindo já despido:
- Cumpra sua obrigação!
*
Se você não acredita
Digo: - pode acreditar!
Ainda vivem assim,
Neste atraso secular
As mulheres submissas
Que ainda assistem missas
E cumprem juras de altar.
*
Texto e foto de Dalinha Catunda

domingo, 29 de abril de 2012

MEU RETRATO

MEU RETRATO
*
Quem pintou o meu retrato
Com as pálidas cores da vida
Por certo desconhecia
Minha porção atrevida.
Meu desejo de viver,
Meu eterno renascer,
Por ser mulher aguerrida.
*
Prepare tinta e pincel
Retoque sua aquarela.
Deixe o rubro do sertão
Carminar a sua tela.
Não me deixe descorada
Pois não me vejo apagada
Nem iluminada à vela.
*
Não queira me desenhar,
Sem saber minha história.
Pois sairia falso o tom
Na riscada trajetória.
Não faça de mim um borrão
Com sua coloração
Se não me tem na memória.
*
Texto de Dalinha Catunda
Foto do acervo de Dalinha Catunda

quarta-feira, 25 de abril de 2012

JATOBÁ, UM RIO DE SAUDADES


JATOBÁ, UM RIO DE SAUDADES
*
Quem te viu e quem te vê
Oh meu velho Jatobá.
O rio da minha infância
Vivida no Ceará.
Agora tão poluído,
E se não for acudido
De ti não sei que será...
*
Já não se vê as meninas
Correndo pra se banhar,
Menino bobo espreitando
Somente para espiar.
E o canto das lavadeiras
Não se escuta em Ipueiras
Meu rio vai se acabar...
+
Se não se acabar de vez,
Vai mudando de feição,
Pois recebendo esgotos,
Abriga a poluição.
Com isso perde a cidade
Que vai viver de saudade
Com o rio no coração.
*
Centenárias oiticicas,
Ladeavam tuas beiras,
Não vejo mais o angico,
Nem as velhas ingazeiras.
Ainda posso encontrar
Mas se muito procurar
As lindas carnaubeiras.
*
Os machados e queimadas.
Causam a destruição.
O homem inconsequente,
Utiliza sua mão
Para acabar com a riqueza,
Encantos da natureza,
Agora em degradação.
*
O RIO DE FRED MONTEIRO
E eu, o que vou dizer
do velho Capibaribe
que corta minha cidade
se encontra com o Beberibe
pra formar o oceano
(orgulho pernambucano)
quem sabe até o Caribe?

O meu rio já foi limpo
alimentou muita gente
e quando eu era criança
mesmo inocentemente
tomei banho em suas águas
hoje eu choro minha mágoas
de um rio hoje doente

Mas tenho ainda esperança
de pintar uma aquarela
Volte o rio ao que foi antes
um rio de margens belas
e estou voltando a morar
no bairro mais singular
que é o Poço da Panela

Uma reserva de verde
que no Recife não há
o Poço é pura história
e eu quero ficar por lá
vendo o meu rio correr
o destino reverter
e a vida retomar
26 de abril de 2012 07:28
*
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domingo, 22 de abril de 2012

MEU BAIÃO-DE-DOIS


MEU BAIÃO-DE-DOIS
*
Chegando ao meu Ceará
Fui logo para o fogão.
Peguei feijão de corda
Cozinhei para o baião.
Peguei pimenta de cheiro
Ali mesmo no canteiro
Da mulher do seu João.
*
Peguei nata, peguei queijo,
De alho peguei uns dentes.
Da pimentinha de cheiro,
Já fui tirando as sementes,
E catei logo o arroz,
Organizando depois
Os outros ingredientes.
*
Quando o feijão ficou pronto
Com o arroz misturei
Botei um pouco de sal
Botei mais água e provei.
 Com a cebola na mão,
O tomate e o pimentão,
O baião eu temperei.
*
Pra ver se já estava seco
Meti a colher no centro.
Peguei o queijo de coalho,
Joguei uns pedaços dentro.
O queijo se derretia
Minha gula aparecia
Com o cheiro do coentro.
*
Após esta maratona
Ficou pronto o meu baião
Comida mais cobiçada
Pras bandas do meu sertão.
Repito: baião-de-dois,
Não é só feijão com arroz,
Tem segredo e tradição!
Texto e foto de Dalinha Catunda

quinta-feira, 19 de abril de 2012

A DOCE BANDOLINISTA


  A DOCE BANDOLINISTA
*
A prata cobre seus cabelos
Um sorriso borda seu rosto
De posse de um bandolim
Retira acordes com gosto
No semblante de Tereza
Resplende toda beleza,
A desluzir o desgosto.
*
Com Jeito e cheia de graça,
Ela abraça o bandolim.
E com seu ar de nobreza
Para a vida ela diz sim
Nem vê o sol quase posto
Reabre o sorriso no rosto
E assim desdenha do fim.
*
Renasce a cada canção
Que dita o seu dedilhar.
Transmite tanta emoção
Dificil não se encantar.
Ela nos leva as alturas
Espargindo só ternuras
Quando começa a tocar.
*
Texto e foto de Dalinha Catunda

quarta-feira, 18 de abril de 2012

Cante aí que canto aqui



Dalinha e Fred Monteiro num rio de versos
FM
É um pingo, uma gotinha,
escorregando na eira,
vira um rio na biqueira
no riso da menininha..
E na rima de Dalinha
vai nascendo a esperança.
Ao ver sorrir a criança,
de alegria o sitiante
cava a terra, e num instante,
o sertão vira bonança !
DC
Se a chuva faz aliança
Com o povo do sertão
Transforma a situação
Muita fartura se alcança.
Na colheita é tanta dança,
Tem festa e animação,
Até eu danço São João
Pois gosto da brincadeira
Sempre fui mulher festeira
Preservando a tradição.
*
Nesta foto estou no rio que corta meu sítio, em Ipueiras Ceará, com a criançada.

segunda-feira, 16 de abril de 2012

A CHUVA E O MEU CANTO


A CHUVA E O MEU CANTO
*
O Serrote está branquinho,
Já começou a trovejar,
- Menino vai trazer lenha!
Ouvia mamãe gritar.
- Tira a roupa do varal
Lá se vem um temporal
E corre pra não molhar!
*
Era a fartura das águas
Um festival de alegria,
Menino enchendo pote,
Lata de vinte e bacia,
Era grande a animação
Alagando meu sertão
Que encharcado sorria.
*
E a meninada corria
Pra se banhar nas biqueiras.
Nos quintais e nas calçadas,
Choviam as brincadeiras.
Eita gostosa lembrança,
Dos meus tempos de criança
Na cidade de Ipueiras.
*
O barquinho de papel
Sumia na correnteza,
Diante do meu olhar
Que em tudo via beleza
“Cai chuva de lá do céu”
“Cai chuva no meu chapéu”
Eu cantava a natureza.
*
Só sei que  viro menina,
Quando volto ao meu recanto.
Pois minha alma nordestina
Vai se vestindo de encanto.
Lá tudo me contagia,
Vou aspirando magia
E transformando-a em canto.
*
Texto e foto de Dalinha Catunda