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quarta-feira, 15 de agosto de 2012

MULHERES CANTANDO QUADRÃO À BEIRA-MAR



MULHERES CANTANDO QUADRÃO À BEIRA-MAR

1-Dalinha Catunda
O sol empalidecendo
Ondas subindo e descendo
Nossa paixão acendendo
E o barco a sacolejar.
No balanço do veleiro
Um amor aventureiro
Vivi com meu timoneiro
No quadrão à beira-mar.
“Beira mar, beira mar,
O quadrão só é bonito
Quando é feito a beira mar”

2-Rosário Pinto
Lá no Planalto Central
Em Brasília a capital
Numa noite magistral
A lua a desmaiar
Uma paixão, de repente
Na vida se fez presente
Na cidade reluzente
No quadrão à beira-mar
“Beira mar, beira mar,
O quadrão só é bonito
Quando é feito a beira mar”
*
3-Creusa Meira
Queria por um momento
Falar de contentamento
Esquecer o sofrimento
Neste breve versejar
Sorrir para não chorar
Ao lembrar o triste dia
Que perdi minha alegria
No quadrão à beira mar
“Beira mar, beira mar,
O quadrão só é bonito
Quando é feito a beira mar”

4-Nezite Alencar
Pelo mar, entre os abrolhos,
Lembro o verde dos seus olhos,
As lágrimas me descem aos molhos,
Pois é grande o meu penar:
Um dia um barco ligeiro
Levou meu amor primeiro
Vestido de marinheiro
No quadrão à beira mar.
“Beira mar, beira mar,
O quadrão só é bonito
Quando é feito à beira mar”.
*
5-Williana Brito

Sentindo a brisa cheirosa
Naquela hora saudosa
Ouvi uma voz bondosa
Dentro de mim declarar:
A vida é dom, é presente,
Amor é o que move a gente,
Cante e viva bem contente
No quadrão à beira-mar.
“Beira mar, beira mar,
O quadrão só é bonito
Quando é feito a beira mar”

6-Francy Freire
Meu amor vai na garoa
Remando em sua canoa
Cantando uma rima boa
Pra solidão espantar.
E eu fico aqui tão sozinha,
Levando a mesma vidinha,
Da sala para a cozinha
No quadrão a beira-mar.
“Beira mar, beira mar,
O quadrão só é bonito
Quando é feito a beira mar”

7-Bastinha Job
A natureza tão bela
A gente sente e ver nela
A mão de deus que nos vela
No céu, na terra , no ar;
No dia quando amanhece
Na noite quando escurece,
Nossa mão se eleva em prece
No quadrão a beira mar
beira mar, beira mar
o quadrão só é bonito
quando feito à beira mar!

8-Josenir Lacerda
A onda beijando a praia
No poente o sol desmaia
E o céu perene atalaia
Dia e noite a vigiar.
Assim também é meu sonho
Ora alegre, ora tristonho.
Em versos traduzo e ponho
No quadrão a beira mar.
 beira mar, beira mar
o quadrão só é bonito
quando feito à beira mar!

9 – Anilda Figueiredo
No luar do meu sertão,
Entreguei meu coração,
Ao fogo de uma paixão,
Hoje resta recordar:
Fecho os olhos, sinto o cheiro
Daquele belo vaqueiro,
Que me abraçou no terreiro,
No quadrão à beira-mar.
 beira mar, beira mar
o quadrão só é bonito
quando feito à beira mar!

10-Dalinha Catunda
Este canto feminino
É um canto nordestino
Canto sem desatino
De quem sabe mergulhar.
Não é um canto qualquer
Mas um canto de mulher
Que navega como quer
No quadrão à beira mar.
 beira mar, beira mar
o quadrão só é bonito
quando feito à beira mar!

 A MULHER EM TRÊS TEMPOS NO CORDEL
1º - a mulher teve grande importância no ofício de repassar a cultura popular. Foi mestre em difundir suas tradições, contando histórias, lendas, causos, cantando cantigas de ninar, fazendo advinhas, cantando cantigas de roda, repassando as superstições, pois tudo isso é parte da andante cultura oral. O cordel parente próximo do repente não ficou de fora, era lido contado ou cantado, também, por mulheres. E era assim as pessoas tempos atrás, se reuniam em alpendres terreiros e calçadas.
2º - a mulher foi tema dos folhetos nas mais diversas formas: a musa, louvada por seus poetas, escrachada por outros, conforme o olhar de cada bardo sobre a figura feminina.
3º - finalmente, chegou a vez da mulher marcar espaço e ocupar seu lugar ao lado do homem de igual para igual. Não, apostando numa competição, e sim numa parceria. E assim, aconteceu. A mulher hoje escreve cordel, ocupa as academias de literatura popular, onde antes era apenas um clube do bolinha, enfim, a mulher ganhou voz e começa a ser respeitada como poeta cordelista.
 Mais uma vez, consegue reunir, aglomerar, não em alpendres, calçadas e terreiros, na debulha do feijão, mas num espaço mais amplo, a internet! Onde navega com garra desbravando novos caminhos e fincando sua bandeira.
Estas mulheres, que juntei para cantar um QUADRÃO A BEIRA MAR, todas engajadas e comprometidas em escrever literatura de cordel e explorar novos espaços, inclusive os das mídias contemporâneas.
.
Dalinha Catunda/ABLC e /AILCA
Rosário Pinto/ABLC
Creusa Meira/Bancária
Nizete Alencar/ACC
Williana Brito/ACC
Francy Freire/professora
Josenir Lacerda/ABLC e /ACC
Anilda Figueirêdo/ACC
Bastinha Job/ ACC 
ABLC - Academia Brasileira de Literatura de Cordel
ACC - Academia dos Cordelistas do Crato 
AILCA - Academia Ipuense de Letras Ciências e Artes

*
Texto e ilustração de Dalinha Catunda 
Versos de poetas convidadas

terça-feira, 14 de agosto de 2012

FRUTAS DA MINHA TERRA

SIRIGUELA

ATA

CAMBUCÁ




















FRUTAS DA MINHA TERRA
 
Eu sou que nem passarinho
Por uma fruta madura
E já comi com fartura
Neste meu longo caminho
Queria mais um tiquinho
Para alegrar a goela:
Pitomba e siriguela,
Cajá, ata e cambucá
Frutas do meu Ceará
Da minha terra singela.
*
Texto e fotos de Dalinha Catunda

segunda-feira, 13 de agosto de 2012

CURTINDO A FARINHADA


CURTINDO A FARINHADA
*
No sítio cedro de dentro
Fui ver uma farinhada
Era tanta mandioca,
Que fui ficando animada
Peguei logo uma peixeira
Pra descascar macaxeira
Num cantinho acocorada.
*
Na hora de tirar goma
Corri atrás das peneiras
E naquele vai-e-vem
Eu rebolava as cadeiras
O povo se divertia,
Batia palma e sorria
Gostando das brincadeiras.
*
Um cheirinho de café
Tomou conta do lugar
Logo saiu tapioca,
E beijú pra acompanhar
Eu me servi à vontade
Matando a grande saudade,
Que estava a me matar.
*
Dona Francisca parteira,
Mulher de seu Benedito
Contava velhas histórias
Que jamais eu vi escrito
Uma roda se formava
Enquanto ela contava
No seu linguajar bonito.
*
E num forno arredondado
A lenha queimando ardia,
Um caboclo sem camisa
Sua farinha mexia.
Eu totalmente enlevada
Revivia a farinhada
Que meu velho pai fazia.
*
Texto e fotos de Dalinha Catunda.
As fotos foram feitas na serra, perto da Lagoa dos Távares, município de Ipueiras - Ceará

quarta-feira, 8 de agosto de 2012

A VOVÓ E O SEU TEMPO

A VOVÓ E O SEU TEMPO
*
Aquela avó de ontem
E que guardo na memória
Ficou mesmo no passado
Registrado na história.
Agora atualizada
Sem ser marginalizada
Vive seu tempo de glória.
*
A vovó hoje é moderna
E assim sendo se completa.
Faz ginástica e corre,
Inda anda de bicicleta,
A vovó tá diferente
Esqueceu cocó e pente
 Se transformou em atleta.
*
Vovó faz aula de dança,
E viaja em excursão,
Fazendo sempre turnê
Repleta de animação,
E tem vovó competente
Corajosa e tão valente,
Que matou até ladrão!
*
Tem vovó de todo jeito,
Tem vovó bem assanhada!
Se esquecendo da idade,
Vive sempre enamorada,
Atua em televisão
E gosta d’ um garotão
É a vovó modernizada!
*
Ilustração e texto de Dalinha Catunda

domingo, 5 de agosto de 2012

SINA DE MARIA II

Flor da espirradeira
SINA DE MARIA II
*
Maria era tão bonita
Mimosa flor do lugar,
Com o filho d’um coronel
Começou a namorar
Mas todo mundo sabia,
Que o ricaço só queria
A Maria engambelar.
*
Como já estava escrito
Romance pouco durou
Maria crendo em promessas
Ao tal rapaz se entregou
Seguindo seu coração
Que explodia de paixão
Bem depressa engravidou.
*
Maria viu sua sina
Mudar da noite pro dia.
Era grande seu tormento,
Mas ninguém lhe acudia.
Sua barriga aumentava,
Seu vestido encurtava
E o desespero crescia.
*
Maria desesperada
Foi embora do sertão,
Estava desnorteada
Não suportou a pressão.
Foi triste sua partida
Mas parti era saída
Em busca de solução.
*
Distante da terra amada
Até chorou de saudade
Porém engoliu o choro
Encarando a realidade
Desdobrando-se Maria,
Plantou e colheu alegria
Longe de sua cidade.
*
A renomada Maria
Não voltou mais ao sertão.
Quando aparece por lá
É via televisão,
Às vezes também é vista
Em jornal ou em revista
Porém renega seu chão.
*
Foto e Texto de Dalinha Catunda

quarta-feira, 1 de agosto de 2012

NA TELA DA SAUDADE

Esta é uma tela de Demócrito Borges que sempre me repassa suas criações por e-mail e eu fico muito feliz em contar com este privilégio.
 Contato: Demócrito Borges democritoartistaplastico@gmail.com


NA TELA DA SAUDADE

Toda casinha singela
Mexe com meu coração,
Nela revejo o sertão.
Na mão de quem pinta a tela
Uma porta e uma janela
Retrata bem o pintor,
Demonstrando com vigor
A paisagem nordestina
Que por certo me fascina
Por eu ser do interior.
Dalinha Catunda
*
Uma porta uma Janela
Casinha do interior.
Seu moço, faço o favor!
Não fique mangando dela...
A simplicidade é bela,
No amor está a riqueza
Dele provém a beleza
A graça e a formosura
Onde qualquer criatura
Descobre sua nobreza.
Dalinha Catunda

Uma porta, duas janelas
o amor mora lá dentro
(é nele que eu me concentro)
O vento entrando por elas
(pra vento não há tramelas)
denuncia: há gente lá
um casal a se amar !
a rede também gemendo
num coral a três, fazendo
um momento lindo e santo
sem ter hora pra acabar

Fred Monteiro


terça-feira, 31 de julho de 2012

DE OLHO NO MENSALÃO


DE OLHO NO MENSALÃO
*
Agosto mês de desgosto,
Outubro mês de eleição,
Será que nossa nação
Nos dará mesmo este gosto?
 Ter o supremo disposto
Pra julgar o mensalão,
Combatendo a corrupção,
Que nosso país destrói
E a honestidade rói
Infectando o cidadão.
Dalinha Catunda
*
este tema é coisa séria
e Dalinha lança um mote
uma luz no seu archote
da justiça, coisa etérea
pois a gangue deletéria
que inventou o mensalão
agora vem à questão
que não vai virar pilhéria
vamos sangrar na artéria
pela moral da nação !

Fred Monteiro
*

Pela moral da nação,
Pela ética do país
Por tudo que sempre quis
Abomino o mensalão
Esta corruta facção
Que agora será julgada
Porém se não der em nada,
Este caso virar pizza
Mando rezar uma missa
Pela moral enterrada.
Dalinha Catunda 
começa hoje sem rosto
um mês que nos mete medo
pois é cruel, sem segredo
este longo mês de agosto
e pra quem não quer desgosto
é bom se acautelar
de cuidados se cercar
preparar o matulão
pois no tal do mensalão
muita gente vai dançar
e vai lançar moda em cuba
e vai pra cuba lançar
Fred Monteiro 

Vou ver gente se tremendo,
Vou ver gente amarelando,
Até mesmo se cagando!
Assistir eu recomendo,
Pois perder eu não pretendo,
O falado julgamento
Quero ver cada argumento
De defesa e acusação
Quero ver se esta nação
Tem mesmo discernimento.
Dalinha Catunda
 
Ilustração: NANI – CHARGE ONLINE

A TERRA DE SACO CHEIO


A TERRA DE SACO CHEIO”
Airton Soares, cabra que não sossega o facho, mal acaba de lançar um livro já vai lançando outro, desta feita ele lançou “A TERRA DE SACO CHEIO”, e não é que o professor achou de me dedicar este livro! Quanta honra! Olhe só o que ele disse:
“À
Dalinha Catunda
Cordelista de primeira
E estudiosa profunda
Da cultura brasileira".

 Pois não é que este ipuense arretado ainda achou pouco e fechou a primeira crônica com meu poema, O SACO E A CESTA e só pra encardir ele botou na contracapa o mesmo poema.
Peeeense como fiquei feliz! Estou mostrando os dentes até agora.
Arre égua... Será que mereço tanto?
Espie aqui o meu poema:
O SACO E O CESTA
*
A terra de saco cheio
Sofre e pede clemência.
Vamos pensar direito,
Por a mão na consciência
Pois o que estamos fazendo
É burrice é imprudência.
*
Saudades dos cestos e cestas
Também do velho surrão...
Feitos de palhas e cipós
Um trabalho do artesão,
Que ganhava seu dinheiro
Sem causar poluição.

domingo, 29 de julho de 2012

MEU CANTO CRESCENTE

Boca da noite no meu sítio em Ipueiras-CE
MEU CANTO CRESCENTE
*
Sou lua nova crescendo
Do Jeitinho que eu queria
Assim vou resplandecendo
Nos braços da poesia.
*
Minha cantiga de amor
Eu canto na lua cheia
Porque tenho meu barqueiro
Que me chama de sereia
Com ele cato conchinhas
Que o mar sacode na areia.
*
Em noite de plenilúnio
Eu dispenso meu colchão.
No alpendre, numa rede,
 Eu me deito em meu sertão
Pra ver a lua surgindo
De prata à noite tingindo
Com seu mágico clarão.
*
Eu sou uma retirante
E da minha terra amante.
Foi numa lua minguante
Que deixei o meu rincão.
Caminhei léguas a fio
Senti sede senti frio
Mas venci o desafio,
E voltei pro meu sertão.
*
A lua é sua madrinha
Me disse mamãe um dia
Confirmou a minha tia
E acreditar me convinha,
Pois quem se chama Dalinha,
E foi no sertão parida,
É pra lua prometida
Reza a lenda do lugar.
Eu que não vou contestar!
Gosto de ser iludida.
Texto e foto de Dalinha Catunda