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quarta-feira, 17 de abril de 2013

NÃO SOU PASSIVA



NÃO SOU PASSIVA
*
Tem dias que eu amanheço
Do jeito que o diabo gosta
Viro a mesa quebro prato
Pra briga acordo disposta
Neste meu afoitamento
Cheia de atrevimento
Pra tudo tenho resposta.
*
Mas tem dias que navego
Na mais santa mansidão
Não acordo sem rezar
Para Deus minha oração
E cheia de paciência
Resolvo sem truculência
Qualquer aporrinhação.
*
Porém não me considero
Nem doce, nem agressiva,
Muito menos singular
Jamais uso de evasiva
Tenho lá os meus senões
Mas penso com meus botões
Apenas não sou passiva.
*
Texto e foto de Dalinha Catunda
Foto no atelier de Expedito Seleiro em Nova Olinda - CE

segunda-feira, 15 de abril de 2013

VIOLA E VERSOS NIKO E DALINHA

João Nicodemos
Dalinha Catunda












VIOLA E VERSOS


Gravei alguns poemas com o músico e poeta João Nicodemos na cidade de Crato. Para futuras apresentações em conjunto.

 Enquanto os recitais não acontecem, estou disponibilizando para os leitores do Cantinho da Dalinha Viola e Versos com João Nicodemos e Dalinha Catunda.

Aragem é o poema hoje apresentado


Versos de Dalinha Catunda e música de João Nicodemos

ARAGEM
*
O desnublado do dia
Enchia-me de alegria
E eu me entregava ao prazer.
De ver o dia surgindo,
Nos braços de um vento menino
Que vinha minha pele lamber.
A Brisa que me acaricia
Meu corpo todo arrepia,
E eu invoco você,
A participar desta dança,
De vento e mulher criança,
Antes do anoitecer.

quinta-feira, 11 de abril de 2013

MINHA ANÁLISE



MINHA ANÁLISE
.
Se lhe incomoda bastante
O meu jeito de escrever
A minha língua sem trava
Minha maneira de ser
Basta só me ignorar
Porque eu não vou mudar
Para lhe satisfazer.
.
Todo dia eu agradeço
Ao bom Deus Nosso Senhor
Pela vida que eu tenho
Por este meu bom humor
Eu não cultivo tristeza
Pois quem destila aspereza
Colhe apenas amargor.
.
Não faço da vida um fardo
Nem vivo a me lamentar
Eu mesma traço meu rumo
Não queira me orientar
Não desejo seu conselho
Nem o grau do seu espelho
Para não me deformar.
.
Cuidando da minha vida
Da sua você esquece
E deixa de aproveitar
O que o mundo lhe oferece
Eu falo para o seu bem
Mas sei que cada um tem
A vidinha que merece.
.
Texto e foto de Dalinha Catunda
Foto na lagoa dos Tavares região serrana de Ipueiras.

quarta-feira, 10 de abril de 2013

SAUDADE COM A DUPLINHA


SAUDADE COM A DUPLINHA
A saudade quando chega
Chega junto à solidão
Cabeça quer esquecer
Mas se nega o coração
Quando ela bate no peito
Abriga-se de tal jeito
Que provoca a aflição.
Dalinha Catunda – Rio de Janeiro
*
Se provocar aflição
A gente isola, rejeita
A saudade, com emoção.
O meu coração aceita:
Saudade quase querida
Que perfuma nossa vida
Traz perfume na receita!
Bastinha Job – Crato – Ceará
+
Texto publicado no livro: Vertentes e Evolução da Literatura de cordel de Gonçalo Ferreira da Silva
*
Uma prova de que as setilhas são uma modalidade relativamente recente está na ausência quase completa delas na grande produção de Leandro Gomes de Barros. Sim, porque pela beleza rítmica que essas estrofes oferecem ao declamador, os grandes poetas não conseguiram fugir à tentação de produzi-las. Para alguns, as setilhas, estrofes de sete versos de sete sílabas, foram criadas por José Galdino da Silva Duda, 1866 - 1931. A verdade é que o autor mais rico nessas composições, talvez por se tratar do maior humorista da literatura, de cordel, foi José Pacheco da Rocha, 1890 - 1954. No poema A CHEGADA DE LAMPIÃO NO INFERNO.