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segunda-feira, 27 de maio de 2013

O SONHO DE MARIA

O Sonho de Maria
*
Só pensava em casamento
A linda e pura Maria.
Vestido branco queria
No dia do juramento,
E firme no pensamento
Jamais mudou seu traçado
Com seu príncipe encantado
Ela subiu ao altar
E vive a comemorar
O sonho realizado.

*
Dalinha Catunda
*
Foto do acervo de Dalinha Catunda
Fiz esta fotografia no Museu vivo de Padre Cícero, na cidade de Juazeiro-CE.
O vestido faz parte dos objetos deixados na sala dos milagres, com ex-votos e fotos de pessoas que fizeram promessas.

quinta-feira, 2 de maio de 2013

BARRO DO AGRESTE


BARRO DO AGRESTE
*
O barro tem sua história
E atravessa gerações
Inda hoje é encontrado
Porém em decorações
Ou nas feiras nordestinas
Que seguem velhas rotinas
Preservando as tradições.
*
Quem no nordeste nasceu
Quem no interior morou
Bebeu água de cacimba
Do caneco não escapou
Era gente sem fricote
Que bebia água de pote
E não nega que tomou.
*
Tomei água de quartinha
Penico cheguei a usar
Nossa louça era lavada
Dentro de um alguidar
O café era torrado
Em um caco apropriado
Costume do meu lugar.
*
Recordo a velha tacha
Nos banhos do meu rincão
Uma vasilha de barro
Que colocada no chão
Pro banho da meninada
De água era abarrotada
Puxada do cacimbão.
*
Era a panela de barro
Que cozinhava feijão,
Nela hoje inda se faz
Peixe cozido e pirão
Procuro na minha mente
E trago para o presente
Costumes do meu sertão.
*
Eu também fui modelada
Neste barro nordestino
Onde enterrei meu umbigo
Plantando assim meu destino
Viver distante do agreste
Sendo barro do Nordeste
Confesso não me imagino.
*
Texto e foto de Dalinha Catunda

segunda-feira, 29 de abril de 2013

EU E A POESIA


EU E A POESIA
A poesia é muito mais
Do que uma simples amiga
É aquela que abriga
Os meus queixumes meus ais
E nela vejo sinais
De amizade constante
Pois quando estou radiante
A musa registra rindo
Tudo que estou sentindo
Sem nunca ser destoante.
*
Texto e foto de DALINHA CATUNDA


quinta-feira, 25 de abril de 2013

MONTADA NO CAVALO DO CÃO



MONTADA NO CAVALO DO CÃO
.
Resolvi dar umas voltas
Pras bandas do meu sertão
Por falta de um bom cavalo
Fui no cavalo do cão
O bicho era tão ligeiro
E com seu jeito lampeiro
Quase me jogou no chão.
*
Eu vi um cachorro d’água
Com seu jeitinho apressado
Ele tentava fugir
Do negro cavalo alado
O cachorrinho com medo
Acabou ganhando o bredo
Pra não ser atropelado.
*
Um rola-bosta errante
Atravessou meu caminho
Avistando a montaria
Foi saindo de mansinho
Bem pertinho d’uma cuia
Ele encontrou uma tuia
E enfiou o seu focinho.
*
O cavalo em disparada,
Arrumava confusão
Esbarrou num Mané magro
Vejam que situação
Só de ver o Bicho-pau
Nas garras dum inseto mau
Sofreu o meu coração.
*
Eu vi a Tiranaboia,
Besouro bem afamado
Para evitar desavenças
Tirando o corpo de lado,
Sem querer ficar aqui
Se mandou pro Piauí
Temendo o endiabrado.
*
O pobre do caga-fogo
Que brilhava noite e dia
Apagou sua lanterna
Que quase sempre luzia
Com medo do furacão
O tal Cavalo do cão
Que comigo se exibia.
*
Eu agradeci a Deus
Quando o dia amanheceu
Estava toda suada
Com tudo que aconteceu
Pois esta minha aventura
Não foi surto de loucura!
Foi somente um sonho meu.
*
Texto: Dalinha Catunda