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segunda-feira, 22 de abril de 2013

BUNDA ALEGRE


BUNDA ALEGRE
Eis aqui um pouco da história da antiga “botadeira d’água”, Luiza Carolina, uma figura muito conhecida na cidade de Ipueiras no interior do Ceará.
Era uma mulher alta, cor de rapadura encerada, tinha os cabelos curtos e ondulados pendendo para claro. Três coisas acompanhavam Carolina: A rodilha, uma lata e um par de brincos.
Lembro-me bem que ela tinha um problema de vista, só enxergava de um olho. Além da deficiência visual, Carolina veio ao mundo dos vivos com um defeito na perna. Tinha um pé embolado, que deixava uma perna menor do que a outra, quando Carolina caminhava, naturalmente balançava a bunda de um lado para o outro gerando assim um constante rebolado em consequência de sua deficiência.
Os mais complacentes chamavam Luiza Carolina, apenas de Carolina, porém os gaiatos da cidade apelidaram logo a criatura de Bunda Alegre.
Os problemas de Carolina não fizeram da mesma uma mulher imprestável, muito pelo contrário, ela foi uma das “botadeiras d’água” que durante muitos anos dedicou-se com afinco a esta profissão que lhe deu dignidade para não viver de favores.
Foi precisamente o requebrado de Luiza Carolina a caminho do rio, dos barreiros, ou pegando água no chafariz da cidade, subindo e descendo os becos de Ipueiras com uma lata d’água na cabeça, que fez esta figura simples e interessante, ganhar o apelido de Bunda Alegre e entrar para história das figuras populares de minha terra.
Texto e ilustração de Dalinha Catunda

sábado, 20 de abril de 2013

ESTE É MEU SERTÃO!













ESTE É MEU SERTÃO!

*

Lá no meu sertão

Na casa singela

De ferro a panela

De lenha o fogão

Como capitão

Na mão amassado

Costume passado

Que o povo detinha

Feijão com farinha

Na mão abolado.

*

Lá na minha oca

Casa de sapé

Eu tomo café

É com tapioca

Ou com mandioca

Cozida com sal

Adoro um curral

E leite mugido

E o cheiro sentido

Não há outro igual

*

Deitada na rede

Me embalo ditosa

Que vida gostosa

Com pé na parede

Aqui minha sede

Alguém vem matar

Nós dois ao luar

E a brisa da noite

Vem num leve açoite

Pra nos refrescar.

*

A lua faceira

Quando fica cheia

Meu rancho clareia

Eu toda lampeira

Com a cabroeira

Faço cantoria

Só vendo alegria

Neste meu rincão

É este o sertão

Que me contagia.

*

Versos e foto de Dalinha Catunda

quarta-feira, 17 de abril de 2013

NÃO SOU PASSIVA



NÃO SOU PASSIVA
*
Tem dias que eu amanheço
Do jeito que o diabo gosta
Viro a mesa quebro prato
Pra briga acordo disposta
Neste meu afoitamento
Cheia de atrevimento
Pra tudo tenho resposta.
*
Mas tem dias que navego
Na mais santa mansidão
Não acordo sem rezar
Para Deus minha oração
E cheia de paciência
Resolvo sem truculência
Qualquer aporrinhação.
*
Porém não me considero
Nem doce, nem agressiva,
Muito menos singular
Jamais uso de evasiva
Tenho lá os meus senões
Mas penso com meus botões
Apenas não sou passiva.
*
Texto e foto de Dalinha Catunda
Foto no atelier de Expedito Seleiro em Nova Olinda - CE