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terça-feira, 16 de fevereiro de 2016

CURADA DE COBRA


CURADA DE COBRA
*
Você foi fogo de palha
Que a labareda lambeu
Foi nuvem que virou chuva
Caiu no chão e correu
Foi o canto da cigarra
Só pra cantar teve garra
Depois do esforço morreu
*
Você foi folha ao vento
Que a tempestade levou
Você foi caldo de cana
Que na cabaça azedou
Você foi cobra criada
Seu bote não valeu nada.
Curada de cobra sou.
*
Versos e foto de Dalinha Catunda

domingo, 14 de fevereiro de 2016

A LÁGRIMA DO SERTANEJO / ENSOPA O CHÃO RESSECADO.




A LÁGRIMA DO SERTANEJO 
ENSOPA O CHÃO RESSECADO.
Mote: Pedro Ernesto
*
DALINHA CATUNDA
O sertanejo faz prece
Reza pra chuva cair,
Se cai, começa a sorrir,
Pois sabe que o chão carece.
Ele que nunca esmorece,
Vê o nascente tomado,
Olha o céu emocionado,
 E chora perdendo o pejo.
-A LÁGRIMA DO SERTANEJO 
ENSOPA O CHÃO RESSECADO.
*
REGIOPIDIO GONÇALVES
Se renova a esperança 
de cair chuva no chão, 
quando o canto do carão 
Ecoa pela ribança. 
Até onde a vista alcança 
se enxerga o céu nublado, 
Com o campônio emocionado 
com trovão e relampejo. 
-A LÁGRIMA DO SERTANEJO 
ENSOPA O CHÃO RESSECADO.

quinta-feira, 11 de fevereiro de 2016

CHICO PEDROSA E A PÉU
*
Você esta vendo este Homem
Rezando compenetrado
Roga a Deus em oração
Perdão pra cada pecado
Nem sei se entrará no céu
Sujou o nome de Péu
Nome hoje emporcalhado.
*
Este homem minha gente
Não é um cabra qualquer
Mas difamou para o povo
A cozinha da mulher
Que fazia uma buchada
Bem limpinha, bem lavada
Como a limpeza requer.
*
A Péu caiu em desgraça
Ao contrariar Pedrosa
Que fez da sua buchada
A coisa mais horrorosa
Falou tanta porcaria
Que o povo não mais queria
A tal buchada sebosa.
*
Tudo isso aconteceu
Porque ela recusou
De mandar uma marmita
Que Chico solicitou
Porém no dito momento
Não falou em pagamento
E a quentinha não levou.
*
Pra Péu ficou feia a coisa
Foi a partir desse dia
Chico disse a todo mundo
Que sua comida fedia
Dona Péu desesperada
Não fez mais sua buchada
Pois perdeu a freguesia.
*
Meu caro Chico Pedrosa
Amigo do Coração
Além de rezar na igreja
A Péu peça seu perdão
Da buchada fale bem
Sei que poder você tem
Conserte a situação!
*
Versos e foto de Dalinha Catunda


quarta-feira, 10 de fevereiro de 2016

SERTÃO, BENDITA LEMBRANÇA

SERTÃO, BENDITA LEMBRANÇA
*
Relembro o tempo passado
Que na memória guardei
A casa onde eu morava
A vida que eu levei
Nem tinha televisão
Mas ali, naquele chão
O melhor tempo passei.
*
No velho fogão a lenha
A minha mãe cozinhava
O abano atiçava o fogo
A caça na brasa assava
Com preá e avoante
Naquele tempo distante
A família se fartava.
*
De chafariz ou cacimba,
Meu caro amigo anote
Era a água de beber
Que se botava no pote
Ou mesmo numa quartinha
Água ficava fresquinha
Caneco tinha um magote.
*
No caneco de alumínio
Tinha meu nome gravado
E cada irmão tinha o seu
Mamãe tinha este cuidado
E pra não entrar caçote
Uma boina tinha o pote
Com laço bem amarrado.
*
Naquele velho sertão
Que vivi quando menina
Por lá se dormia cedo
Luz era só lamparina
E ainda pro meu regalo
Lá se acordava com o galo
Linda aurora nordestina.
*
A lembrança quando bate
Desperta minha saudade
Recordo a vida singela
E a minha felicidade
Os costumes do sertão
Que jamais se apagarão
Da minha realidade
*
Rio de Janeiro, 09/02/2016

Versos e fotos Dalinha Catunda

EVITE A PICADURA

EVITE A PICADURA
*
Amigo isto é verdade
Eu falo porque convém
Fuja da picadura
Suprima os ovos também
E tenha todo cuidado
O mosquito é abusado

E não respeita ninguém.
*
Versos - Dalinha Catunda
Charge - Alex Ponciano

quinta-feira, 4 de fevereiro de 2016

Vou de vagalume

Vou de vagalume
*
Pra brincar o carnaval
Consultei o meu guru
Sem dinheiro pro cocar
Botei pena de urubu
A roupa a gente resume
Vou tal qual o vagalume
Só com luz no mucumbu.
*

Versos e foto de Dalinha

quarta-feira, 3 de fevereiro de 2016

GENTE BESTA



GENTE BESTA
*
DALINHA CATUNDA
Tem muita gente no mundo
Que não tem nem um tostão
Porém só quer ser as pregas
Quase não pisa no chão
Com o nariz empinado
Não perde o rebolado
Mas morre de precisão.
*
RAINILTON DE SIVOCA
Eu detesto o pobre besta
Que é metido a ricão
Que não paga o que deve
Pra viver de ostentação
Usando perfume caro
E andando só em carrão.

terça-feira, 2 de fevereiro de 2016

NA INVERNADA

NA INVERNADA
*
Quando finda a estiagem
Quando chove no sertão
Tudo fica diferente
Brota logo a plantação
A chuva cai todo dia
Biqueira faz melodia
Quando o pingo cai no chão.
*
Relâmpago risca o céu
Vejo o corisco brilhar
O barulho do trovão
Não chega a me assustar
Por detrás do nevoeiro
A serra some ligeiro
Parecendo se encantar
*
A brisa que sopra mansa
Logo vira vento forte
Nos braços da ventania
Cai a chuva muda a sorte
Cheiro de terra molhada
Anuncia a invernada
Novo rumo, novo norte.
*
A caatinga se refaz
Faz mágica a natureza
A grota enche o açude
Na força da correnteza
O rio bota enchente
Meu olhar segue a corrente
Perde-se na boniteza.
*

Versos e foto de Dalinha Catunda

quarta-feira, 13 de janeiro de 2016

- A TERRA ESPERA CHORANDO/ AS LÁGRIMAS QUE VÊM DO CÉU.


- A TERRA ESPERA CHORANDO
AS LÁGRIMAS QUE VÊM DO CÉU.
*
PEDRO ERNESTO
O olho d’água não vê,
a correnteza não corre,
o morro geme e não morre
e a previsão não prevê;
o vento não diz porque
o trovão se tornou réu,
o silêncio do xexéu
todo mundo está notando
- A TERRA ESPERA CHORANDO
AS LÁGRIMAS QUE VÊM DO CÉU.
*
DALINHA CATUNDA
O sertanejo faz prece
Reza para São José
Porém logo perde a fé
Na estiagem padece
De chuva ele carece
E sem fazer escarcéu
Tira e bota seu chapéu
Taciturno observando
- A TERRA ESPERA CHORANDO
AS LÁGRIMAS QUE VÊM DO CÉU.
*
RAUL POETA
O sertanejo padece
com a secura do açude,
animal perde a saúde,
o solo só endurece,
a esperança falece,
o tempo torna-se incréu,
tudo vira um fogaréu
furioso e calcinando
- A TERRA ESPERA CHORANDO
AS LÁGRIMAS QUE VÊM DO CÉU.
*
Mote de Pedro Ernesto

terça-feira, 5 de janeiro de 2016

EU SOU O SERTÃO!




EU SOU O SERTÃO!
*
Nas terras alencarinas
Eu nasci e me criei
Não foi por causa da seca
Que de lá eu desertei
Parti pra me libertar
E aprender a voar
Migrante assim me tornei.
*
Mesmo desertificado
Eu não largo meu sertão
Viajo pra todo lado
Mas não esqueço meu chão
O mato pode secar
O meu açude rachar
Não mudo de opinião!
*
Sou ave de ribaçã
Não esqueci o roteiro
Vivo entre o Ceará
E o Rio de Janeiro
Tatuei no coração
O retrato do sertão
O meu reino verdadeiro.
*
E quem nunca tibungou
No rio de sua aldeia
Quem nunca namorou
Ao clarão da lua cheia
Quem ao som dum sanfoneiro
Não se enroscou num terreiro
Num chamego que enleia.
*
Só sabe o que é sertão
Quem bebeu água de pote
Já tomou banho de cuia
E sabe o que é um xote
E antes de ser beijada
Já ficou arrepiada
Com o cheiro no cangote.
*
O nordeste é terra quente
Por isso gosto de lá
Sou filha das Ipueiras
Que fica no Ceará
Pertinho do Piauí
Vou ficando por aqui
E jamais ao Deus dará.
*

 Dalinha Catunda