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domingo, 30 de setembro de 2007

O Drama da Égua da Secretária


O DRAMA DA ÉGUA DA SECRETÁRIA
Sou nordestina. Cearense, lá das Ipueiras. Moro no Rio de Janeiro há bastante tempo. Confesso que nunca chegou a me incomodar a diferença de cultura. Mas, de uns tempos para cá, o bicho pegou feio.
Imaginem! Tinha eu um telefone bem simples, que funcionava às mil maravilhas. Nunca me deu aporrinhações, a não ser uns poucos trotes, que respondi à altura.
Inventei de comprar um telefone moderno, com secretária, relógio, redial e tudo a que tinha direito. Tempos modernos... Render-me à tecnologia era o mínimo que eu poderia fazer.
Foi aí que começou o desatino. Empolgada, gravei logo duas mensagens, crente de que tava abafando. Quando me cansava de uma, substituía pela outra. Não sei qual das duas escutou mais desaforo.
Escute só o que minha própria família, sangue do meu sangue, teve coragem de fazer comigo.
Ligou-me mamãe... Não estando eu em casa, a secretária deu o ar da graça. O negócio foi feio. Não se entenderam mesmo, foi um tal de bater telefone, que só vendo.
Minha mãe, ofendidíssima, me liga em outro momento e, num misto de raiva e queixa, solta os bichos:
– Ooora Dalinha, eu liguei pra ti e uma cunhã sem-vergonha falou, falou, e depois bateu o telefone em minha cara. Onde já se viu?! E o pior é que eu acho que conheço aquela voz.
– Mãaaae, é a secretária!
Passou. Não demorou muito, nova encrenca, e tome desaforo. Meu irmão Tony... Achando-me depois de muitas tentativas.
– Dalinha, já liguei umas duzentas mil vezes e nunca te encontro. Eu tô pra mandar aquela tua secretária tomar no ...
– Ô Tony! Pelo amor de Deus, tenha dó!
Novas explicações! Diante de tanta incompreensão, resolvi dar férias a tal secretária, até que as coisas se acomodassem e a novidade fosse digerida.
Fim do descanso, retorno com a secretária.
Em pensamento, digo: Agora vai.
Vai sim, no mesmo rumo... Dessa vez, papai... Queixa grande... E bote carão!
– Que diacho é isso, Dalinha? Ligo, ligo, ligo, toca, toca, toca e ninguém atende. Agora liguei e uma égua véia sem-vergonha me disse que tu não tava em casa. Onde é que nós estamos? Ainda por cima me deixa falando sozinho... Isso é um desrespeito.
– Ô papai, essa “égua véia” sou eu. Sou eu, pai!...
Com Tony e papai me esmerando nas explicações, contornei a situação.
E mamãe? Mulher sentida e de brios...
A história até hoje rende.
Ela diz que tem quase certeza que de que aquela voz era a minha, que nunca vai engolir essa desfeita e jura de pé junto, em tom de queixa, para os outros irmãos que lhe bati o telefone na cara. Durma, com um barulho desses!
Eu, pobre mortal, além de aturar os insultos da família, que mora no Nordeste, tenho que aturar também a gozação de filhos e marido carioca. Pense!
Dalinha Aragão Catunda

quinta-feira, 27 de setembro de 2007

O Menino do Mirador




O Menino do Mirador

Gonçalo foi um menino que aprendeu o oficio de ferreiro muito cedo com seu pai. Com ele aprendeu também a arte de tocar violão. Pobre, porém feliz, assim vivia Gonçalo no seu velho Mirador, município de Ipueiras.

Criado no mato, apaixonado por árvores e pássaros, chorou longe de sua terra natal quando atrás de trabalho teve que se ausentar. Sentia saudades dos velhos tempos , do feijão com toucinho e rapadura, do seu cavalo de estimação e das serenatas que fazia ao luar.

Quantas noites em claro... relembrando suas caminhadas no mato e repetindo para si o nome de cada árvore, fruta e animal que fizeram parte de sua vida no interior.

E lembrava da nambu e do caburé que cantavam de noite.Lembrava das caçadas aonde o patuá vinha cheio de preá, tatu, peba e mambira, e não esquecia o canto do cupido, do sabiá, do canário, do galo campina e tantos mais.

Sentia saudades das frutas silvestres que alegraram seu paladar de menino do interior, maracujá,canapúm,,trapiá,, genipapo entre tantas outras que guardou em sua lembrança.

E como esquecer as velhas árvores que sombreavam seus caminhos, ameixa, pereiro branco, Jucá, mulungú, mororó e o angico de resina dourada.

Como as árvores, os pássaros e os bichos ele também era raiz daquele chão, fruto daquela terra que da cabeça não lhe saia.

Viu a beleza do Rio de Janeiro, ganhou dinheiro em Brasília, mas tudo que ele queria era voltar a sua terra, tocar valsas em seu violão, beber um trago com os amigos e ouvir conversa fiada nas bodegas, como fazia antigamente.

Era um vitorioso, ganhar o mundo era ganhar desenvoltura, capacidade. De um simples pedreiro, Gonçalo passou a mestre de obra. Mas ainda era pouco para aquele que fora um menino sonhador. Era hora de voltar e abraçar sua terra e ser abraçado por ela.

E voltou ao velho e tão sonhado ninho. Casou, teve filhos, e governou Ipueiras durante seis anos, onde deixou seu nome escrito nas páginas da história ipueirense: Gonçalo Erasmo de Medeiros, foi prefeito de Ipueiras.

segunda-feira, 24 de setembro de 2007

Estação do Amor


ESTAÇÃO DO AMOR


Se a primavera não trouxe
As flores que tanto querias,
Não desista dos teus sonhos,
Há primaveras sombrias.

Se plantaste tantos beijos
E só colheste saudades,
No chão cultivado
Faltou luz, fertilidade.

Por isso pega a enxada
E vai trabalhar outro chão.
Há flores esplendorosas,
Nascendo em pleno verão.

Não há tempo propício
P'ra se colher rosa, flor...
É só plantar com carinho,
Na estação do amor.

Sempre vivas as paixões,
Sempre hão de florescer.
Em terra bem adubada.
Não existe o fenecer.

quarta-feira, 19 de setembro de 2007

Aniversário da ABLC

Foto: Madrinha Mena, Dalinha Catunda e Gonçalo Ferreira da Silva

Aniversário da ABLC

Nesse 17 de setembro de 2007, a Academia Brasileira de Literatura de Cordel completou 19 anos de existência. Existência essa que se deve principalmente a grande dedicação do seu presidente Gonçalo Ferreira da Silva e da não menos dedicada, Maria do Livramento da Silva ou seja: A Madrinha Mena que junto a Gonçalo formam a base firme dessa estrutura cultural.

A reunião transcorreu num clima animado, onde diversos poetas apresentaram seus cordéis sob os aplausos dos presentes.
Eu, Dalinha Catunda fui a primeira convidada. Em homenagem aos nordestinos que ali se encontravam falei sobre migrantes e declamei um poema com esse tema.

Em seguida Sepalo Campelo fez uma merecida homenagem, ao já falecido, Francisco Silva Nobre que escreveu e publicou mais de cem livros, era um cearense de Morada Nova, grande incentivador da cultura em geral.

Marcus Lucena, cantor, cantador radialista, entre outras coisas, falou da Associação dos Amigos e Defensores da Feira Nordestina, criada recentemente com o intuito de devolver ao nordestino o espaço que hoje se encontra totalmente descaracterizado servindo a outras causas. A peleja é pela volta do espaço real dos nordestinos, onde o cordel e a cultural retomem o lugar merecido.

Não é possível falar de tudo e de todos porém ressalto a apresentação de Manoel Santa Maria que lá esteve com sua namorada Cátia. Um Mineiro de nascimento com uma alma tipicamente nordestina.

Destaco também a presença do cordelista do Rio Grande do Norte Izaías Gomes de Assis que arrancou aplausos da platéia e nos ofertou seus cordéis.

Entre os presentes a participação de Sergival oriundo de Aracaju que nos presenteou com um interessante trabalho cantado e batido na palma da mão.

Não poderia deixar de falar da figura sempre alegre do Campinense, do apoio da Maria do Rosário, sempre pedindo pela ABLC. Do bonito depoimento do Sr. Cavalcante. E das presenças indispensáveis de Dr William J. G. Pinto e Ivamberto.

Isso é mais ou menos um resumo do que fora a plenária em homenagem aos 19 anos de ABLC. Parabéns ao presidente Gonçalo e a Madrinha Mena por essa dedicação a cultura nordestina.



terça-feira, 18 de setembro de 2007

O Rádio e Tony Aragão

O Rádio e Tony Aragão

Tony Aragão já passou por quase todas as rádios que passaram por Ipueiras, e não poderia ser diferente. Seu carisma, seu talento, seu jeito singular de apresentar um programa fazem dele figura indispensável nas rádios da cidade.

Atualmente, pertence ao quadro da assessoria de imprensa da prefeitura de Ipueiras, cobrindo eventos oficiais e participando do programa canal livre, na rádio Macambira , um programa de utilidade publica.

Na rádio Macambira, além de apresentar jornal, esportes, teve uma gama de programas nos mais variados horários. Entre eles: Voz e Violão, Bom dia Amizade, Tarde Jovem, Baião-de-dois e Ipueiras e Nossa Gente.

“O Ipueiras e Nossa Gente”, foi um programa idealizado por mim e Tony Aragão. A proposta era prestigiar os valores da nossa terra. Durante um ano participei via telefone, através de gravações e muitas vezes ao vivo. Foi um programa de sucesso. Tive um grande prazer em participar dessa empreitada com esse talentoso radialista.

Artista de talento comprovado. Dono de uma voz belíssima, Tony Aragão já cantou, em aniversários, casamentos, participou de conjuntos musicais, e ainda hoje além de cantar em eventos, é um seresteiro de mão cheia e um violonista de primeira, em plena atividade.

Atualmente Tony Aragão é contratado da FOX FM, rádio moderna que veio para fazer escola em Ipueiras e agregar os ipueirenses que vivem nesse mundão de meu Deus. Totalmente digitalizada nos oferece a oportunidade de uma tão sonhada linha direta com a terrinha. Basta acessar: http://www.voxfm.com.br/portalvox/index2.php e correr para o abraço.

Rádio café é o programa matutino apresentado por esse radialista ipueirense, começa as cinco da manhã e segue até as sete. Entre musicas sertanejas, forrós, serestas e outros ritmos, a cultura é prestigiada em forma de, lendas, causos e homenagens aos mais variados expoentes de nossa musica popular.

Enfim falar de Tony Aragão é falar de minha própria história, pois alem de ser sua irmã, muitas vezes trabalhamos juntos em prol da cultura de Ipueiras.


segunda-feira, 10 de setembro de 2007

A passagem do Rei em Ipueiras

Foto:http://forrodicumforca.weblogger.terra.com.br/img/lg.gif
A Passagem do Rei em Ipueiras

Era um dia de domingo, dia de trem vindo de Fortaleza para Crateús. A estação como de costume estava repleta de ipueirenses que antigamente tinham como lazer apreciar a passagem do trem.

Nesse dia o trem atrasara, para a felicidade e sorte dos ipueirenses que testemunharam a passagem de um Rei em nossa cidade.
E foi naquele dezenove de junho de 1966, que enquanto todos esperavam o trem, apontava na estrada que vem do Ipu, causando grande admiração, uma Rural Wills, coisa rara no interior.
Para surpresa dos que ali se encontravam desce da rural o já famoso Luis Gonzaga, nosso eterno Rei do Baião e seus tocadores.
Demonstrando fome, encosta na Banca de Dona Maria Capoeira e pede para que ela lhe prepare bastante orelha de porco, apelidando assim, um saboroso bolo de milho vendido pela cafezeira.

Depois da fome saciada em meio aos curiosos que se acotovelavam para vê-lo, puxou o dinheiro para pagar a conta, mas Zequinha Bento, que o reconhecera, já havia pagado a despesa. E pediu para o rei cantasse um pouco pois era seu fã.

A resposta do velho lua, foi que só cantaria se ele vendesse dez livretos, com o título de: “O Sanfoneiro do Riacho da Brígida” escrito pelo jornalista, Sinval Sá, contando a vida do famoso ícone nordestino.
Bento conseguiu vender somente cinco, mas o rei não se fez de rogado.
Subiu com seus companheiros num banco de madeira que havia na estação, arrastou a sanfona velha e cantou para delírio daquela platéia feliz, preciosidades de seu repertório como: O Xote Das Meninas, Asa Branca, A Volta Da Asa Branca e Ô Veio Macho.

Antes de cantar o Gonzagão observou a platéia e se dirigiu a um dos componentes do conjunto em voz alta:---Toím, Tu já reparou que aqui de “nego” só eu e tu?

Infelizmente não presenciei esse importante acontecimento que ficou marcado em nossa história, apenas ouvi mais de uma vez os relatos de meu avô Gonçalo Ximenes Aragão que era chefe da estação ferroviária de Ipueiras, a famosa RVC que os gaiatos traduziam como:Rapariga Velha Cansada.

Além do meu avô, credito retalhos desse episódio a Tadeu fontenele e Zequinha Bento personagens da mesma história.







domingo, 2 de setembro de 2007

A Donzela Que Virou Índia


A Donzela que Virou Índia

*

Contam-me que certa vez,

Pras bandas do Ararendá

Um índio roubou Tereza

Pra com ela se casar.

A família ficou louca,

Acho que dormiu de touca,

Pra donzela se mandar.

*

De família conceituada

De um clã de tradição

A mocinha raptada,

Da família dos Mourão,

Mas dizem que na verdade,

Ela se foi por vontade

Seguindo seu coração

*

Família desesperada

A procura da donzela,

Polícia e até cachorro,

Colocaram atrás dela.

Era bem grande a tristeza,

E por causa da Tereza,

Acenderam até vela.

*

Pele branca olhos azuis

Tinha a donzela bonita

Tinha o cabelo loirinho

Usava laço de fita

Pelo índio apaixonada

Meteu o seu pé na estrada

Deixando a família aflita

*

Passou dia passou noite,

Passou mês e passou ano,

Tantas luas se passaram,

Então veio o desengano.

Ele comeu a donzela,

Cozida numa panela,

O povo estava falando.

*

Ele não era antropófago

Nem a comeu na gamela,

Foi na rede de tucum,

Que ele traçou a donzela,

E todo ano nova cria,

A ex-donzela paria

Sem ligar para esparrela.

*

Aquela cultura indígena,

A branca tomou para si.

Adorava o Deus Tupã

A sua lua era Jaci.

Achou por bem se despir,

Para seu corpo sentir

Os raios de Guaraci.

*

Sobe rio, desce rio,

Assim vivia Tereza

Agarrada ao jacumã,

A curtir a natureza

E era tanta alegria,

Que ela contente sorria,

Usufruindo a riqueza.

*

O Conforto que ela tinha,

Na cidade, lá deixou

cama, chuveiro e penico,

Disso nunca reclamou.

As noites enluaradas,

De estrelas salpicadas,

Compensava o que largou.

*

Depois de muito tempo,

Um belo dia à tardinha,

Vestida de índia guerreira

Apareceu Terezinha

Dizendo ter se casado,

E tinha ali do seu lado,

Um monte de indiazinha.

*

Com uma flecha no ombro,

E na cabeça um cocar,

Assim desfilava a branca,

com penacho e com colar,

E nem mesmo Iracema,

A que de Alencar foi tema

Tantas penas soube usar.

*

Hoje vivendo na mata,

Numa aldeia, numa oca,

Aprendeu a se fartar

Entrando na mandioca

Rio a cima ela se joga

Em cima de uma piroga

Curtindo em sua maloca.

*

Cordel de Dalinha Catunda

Editado em 2007

dalinhaac@gmail.com

 

terça-feira, 28 de agosto de 2007

A Rosa Vermelha da América


A Rosa Vermelha da América

América é um pequeno povoado cravado no alto da serra grande, a famosa serra dos cocos.
Como todo lugarejo serrano se destaca pela sua paisagem bucólica. Um clima de fresco para frio, o céu é um típico azul anil, salpicado de alvas nuvens e um verde em todos os tons reveste feito uma esplendida pintura a natureza serrana espalhando esperança por toda serrania.

Conhecida pela Lenda de Santa Feliciana, e por sua tradicional feira, onde o forte é a compra, troca e venda de animais, foi também, palco de uma linda história de amor.

Foi num sábado ensolarado que o lugarejo amanhecera tomado por um bando de ciganos que se dirigiam até aquele local com o intuito de fazer boas trocas e grandes negócios.

Num minuto o bando montou sua tenda. Aquela espécie de circo colorido chamava a atenção de todos os habitantes da América. Depois da barraca montada e devidamente instalada, buscaram o rumo da feira.


Em pouco tempo a cidade ganhava nova paisagem. Ciganas com suas roupas multicores, davam um novo colorido aquela região, tingindo o ambiente com cores fortes e vivas. Com muita desenvoltura abordavam os serranos fazendo profecias na leitura de mãos. Belos ciganos montados em seus cavalos encantavam as mocinhas sonhadoras que se animavam com tanta movimentação.

Enquanto as ciganas circulavam lendo mãos, os velhos e espertos ciganos munidos de farta experiência faziam suas trocas na feira. O cigano Ribamar, um belo moreno de olhos verdes montado em seu enfeitado jumento parava na barraquinha de Rosa.

--- Bota uma Serrana aí !
Rosa estava de costas, quando se voltou, já trazia a dose de cachaça na mão. Seu ouvido apurado lhe confirmava que aquela voz cantada era de um estranho.
Quando os dois entreolharam-se, uma forte magia os contagiou, estavam embevecidos um com o outro. A magia por um momento os tirara do ar.
De um só gole o cigano tomou a pinga, e Rosa que rubra ficara com aquele olhar penetrante, voltava a normalidade.

Ali nascia um típico caso de paixão a primeira vista. Rosa que era desimpedida iniciava com Ribamar, a contra gosto de sua família, uma linda história de amor.

A fama dos ciganos, aquela vida nômade, e os comentários no pequeno lugar, tudo isso foi motivo para que os pais de Rosa a trancassem a sete chaves proibindo o belo romance.

Nem Rosa nem o cigano Ribamar se conformavam com aquela proibição, e assim sendo deram um jeito de trocar recados e bilhetes. Mas tudo isso por pouco tempo, pois no sábado seguinte os ciganos levantariam acampamento.

Ribamar não poderia deixar o bando, mas não queria deixar o seu amor e foi nesse emaranhado de pensamentos que ele resolveu que roubaria a Rosa da América.
Comprou, um lindo vestido vermelho, pulseiras e tiaras com medalhas dependuradas e uma rosa também vermelha para que sua amada , fantasiada de cigana fosse confundida com as outras ciganas do bando.

Rosa lamentava deixar seus pais, mas não suportaria viver sem o seu grande e único amor.
Concordou com a proposta de Ribamar, e enquanto seus pais trabalhavam na barraca, ela vestida de cigana subia da garupa do Giron , Jumento montado por Ribamar, e mais tarde foram acompanhados pelo bando que comovido com a paixão dos jovens deu-lhes total apoio.

A América inteira sofreu com a fuga de sua Rosa. Os pais saudosos choravam por sua filha, e Rosa também não esquecera os seus entes queridos.

Depois de um ano, num sábado de sol, dia de feira, ao longe se via um bando de ciganos, a exemplo de outros tempos invadindo o lugarejo.

Na frente dois jumentos: um montado por Ribamar com uma criança no colo. No outro Rosa, vestida de vermelho, com uma rosa nos cabelos, e na mão uma bandeira branca pedindo paz.

Rosa era chamada pelos ciganos, Rosa vermelha da América, todos no bando gostavam dela. Dessa união nascera uma linda menina a qual deram o nome de Verbena.

Rosa foi recebida com festa por todos, e perdoada por seus pais. O bando resolveu libertar Ribamar das leis ciganas para que ele enfim, pudesse ter uma vida mais sossegada e feliz ao lado da esposa que tanto se sacrificara por ele.

Contam que, desse tempo para cá, as mocinhas da América quando querem conquistar suas paixões, colocam uma rosa vermelha nos cabelos, vestem um vestido tão vermelho quanto a rosa aparecendo assim, na frente do seu pretendente que ao encontrá-la nunca mais largará do seu pé. Dizem até que, já criaram um grupo folclórico que leva o nome de: "Rosa Vermelha da América."







segunda-feira, 27 de agosto de 2007

LANGOR

Dalinha Catunda

LANGOR

Uma aura de melancolia,
sombreava seu semblante.
Seus olhos olhavam e não viam,
perdiam-se no horizonte.

Quanta tristeza contida,
naquele rosto moreno.
Sua face se orvalhava,
feito uma rosa ao sereno.

Que inferno lhe consome?
Que dores lhe afligem o peito?
Parece dor de amor,que fina,
e não tem mais jeito.

Talvez ela ainda não saiba,
que não se morre de amor.
Mais um pouco, cessa o choro.
E vai-se embora o langor.

domingo, 19 de agosto de 2007

A Lenda da Cobra Grande


Ilustração de: Fernando Brito
A Lenda Da Cobra Grande


Contam que há muito tempo atrás, entre Ipu e Ipueiras, vivia uma velha senhora, possuidora de muitos bens e dona de grande maldade.Todos afirmavam que ela era muito ruim com os empregados, uma verdadeira cobra.

Certo dia ela caiu doente. Idade avançada e o tempo que não perdoa, entrevara a velha numa cama. Por um bom tempo ela ficou nesse morre-não-morre.
Filhos, netos, noras todos cobriam a velha senhora de atenção, até porque, sabiam que seu fim se aproximava.

Uma noite quando todos já haviam se recolhido, ouviu-se um grito, era um dos Netos que tivera uma espécie de pesadelo. No sonho sua avó aparecia aos gritos entre chamas sendo queimada numa grande fogueira.
Na manhã seguinte o rapazinho foi até a avó e pediu que ela se arrependesse de seus pecados, ela, mesmo a beira da morte falou para o Neto: __ deixe de besteira!!!.

Em pouco tempo a velha morreu, sem ao menos receber a extrema unção.
Depois de certo tempo, esse mesmo Neto saíra para caçar. Ouviu um barulho e bem rápido apontou a espingarda para atirar. Na sua mira uma cobra, quando quis apertar o gatilho, ouviu uma voz:da minha rama murcha ninguém puxa. Reconheceu naquela voz, a voz de sua avó, e teve certeza que a voz saíra daquela cobra que de cabeça erguida o observava atentamente.

A partir deste dia, ele passou a voltar ao mesmo lugar e trazer carne para a cobra. Um dia um quilo, outro dia dois, três, e ela não mais se satisfazia com o que ele trazia para sua alimentação. Aí, ele passou a trazer cabrito, bezerro e ela comendo e crescendo. Cresceu tanto, cresceu tanto, que apavorava a todos nas redondezas.
O pior é que matar, não podia, conforme a lenda, só uma coisa acabaria com a raça daquela cobra. O lodo do mar. E como fazer para levá-la até o mar? Resolveram que fariam uma grande jaula, colocariam a serpente dentro e atrelariam a jaula ao trem que passava naquelas imediações para acabar de vez com aquele tormento.

E assim foi feito. Numa jaula enorme com porta na entrada e na saída, eles colocaram uma criança devidamente treinada para atrair a cobra. A criança entrou e a cobra faminta foi atrás. Assim que a criança atravessou a jaula e saiu, eles fecharam a porta, quando a cobra grande acabou de entrar eles fecharam a outra. Concluindo essa difícil parte da tarefa, a missão seguinte foi despachar a cobra grande rumo ao mar para que seu lodo se encarregasse de dar fim naquele ser monstruoso em forma de cobra gigante.
Dalinha Catunda
Ipueiras-Ce