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terça-feira, 13 de novembro de 2007

ARTE NATURAL


Foto:http://www.saberweb.com.br/zoologia/images/teia_da_aranha.jpg
ARTE NATURAL

Teia de aranha orvalhada
nas cercas enfeitando estradas
traduz encanto e esplendor.

Transcende a qualquer beleza
a trama que a natureza
com esmero elaborou.

segunda-feira, 12 de novembro de 2007

FILHA DO NORDESTE


FILHA DO NORDESTE


Sou Dalinha, sou da lida.
Sou cria do meu Sertão.
Devota de São Francisco
E de Padre Cícero Romão.

Sou rês da Macambira,
Difícil de ir ao chão.
Sou o brotar das caatingas,
Quando cai chuva no chão.

Sou cacimba de água doce,
Jorrando em pleno verão.
Sou o sol quente do agreste.
Sou o luar do sertão.

Minha árvore é mandacaru.
Meu peixe, curimatã.
Macaxeira e tapioca,
É meu café da manhã.

Sou uma bichinha da peste,
Meu ídolo é Lampião.
Sou filha das Ipueiras.
Sou de forró e baião.

Sou rapadura docinha,
Mas mole eu não sou não.
Sou abelha que faz mel,
Sem esquecer o ferrão.

quinta-feira, 8 de novembro de 2007

NEM NÓS


Foto: http//venus.rdc.br
Nem Nós

Esse “causo” se passou exatamente na casa de meus pais, em Ipueiras.
Fui testemunha e personagem do episódio.
Fedendo a leite, arranjei um namorado. Não um namoradiiiinho, um jovem da capital.
Estudante, porém já trabalhava e poderia assumir um compromisso.
O namoro foi ficando sério, todos gostavam do mancebo e minha mãe, doida p’ra ver a filha casada e sossegando o facho, convidou o rapaz para almoçar lá em casa.
Uma galinha a menos no chiqueiro, mas não deixava de ser um investimento.
O almoço transcorreu as mil maravilhas. Antes de se levantar da mesa Edmar, (esse era o nome, do candidato a marido) Gentilmente falou para minha mãe: dona Neuza, há muito tempo eu não comia uma comida tão gostosa como essa.
Meu irmão, César, que Deus o tenha no Reino da glória, imediatamente, falou: nem nós!!! Volte sempre.

quarta-feira, 7 de novembro de 2007

QUESTÃO DE GOSTO


QUESTÃO DE GOSTO
Questão de Gosto

Ipueiras para mim, sempre teve um sabor especial. Revivo nas lembranças do presente o doce gosto do passado. Muitas vezes incomodo os menos saudosos com minha cantilena, porém, conto com uma boa parcela de adoradores do passado que se enlevam com meus saudosos suspiros. Minha intenção não é apenas remoer tristezas, meu prazer maior é desenterrar e espalhar alegrias.

Assim sendo, vou falar dessas coisinhas de cidade do interior que ficam grudadas na gente, e por mais tempo que se posso ter numa cidade grande, elas não arredam.

Eu sempre relaciono comer a prazer e prazer a pecado e pensando assim, muitas vezes pequei pela gula. Difícil resistir às guloseimas que infestavam Ipueiras nos bons anos de minha alegre existência

Aos sábados era sagrado comer bolo manzape na feira. Por mais que espalhassem que aquele bolo gostoso, embrulhado na palha da bananeira, era amassado com os pés, não inibiam os fiéis compradores.

Na esquina do Simão se tomava oricuri, na esquina do Guarani chupávamos o picolé de dona Joaninha. O de abacate era saborosissimo, ficou na história

A bodega do Nicacio era o “point” dos estudantes do colégio Otacílio Mota que faziam fila para merendar pão recheado com doce de leite . Era a merenda da hora.

Ah!!! E as palmas do Olegário? A criançada vivia de boca branca de tanto comer palma, mas não bastava ser palma, tinha que ser do Olegário.

No “bulim”,(biscoitos feitos com goma) as mãos mágicas eram de dona Etelvina, mãe da professora Alice Paiva. Os biscoitos feitos por ela desmanchavam-se na boca.

Tínhamos ainda, dona Neném do Genáro especialista em pirulitos, aqueles... vendidos em tábuas, aos gritos dos meninos. Recordo-me das chupetinhas feitas com o mesmo material do pirulito, porém não sei quem as fazia. Fica aí uma pergunta no ar.

O peito de moça era um pão de massa fina, melado por cima, e super saboroso. Acho que todos os padeiros da época faziam o tal pão. Engraçado que este pão era vendido, num cesto, só à tarde, de porta em porta.

Há um salgado, chamado canudinho, recheado com paçoca, que nunca comi em outro lugar. Este eu considero um sabor típico de Ipueiras. Lá ainda se faz, mas o recheio é cremoso, porém, prefiro o sabor antigo.

Um sabor que ficou impregnado em mim, foi o do buriti, sempre que chego em Ipueiras procuro a pamonha de buriti, para fazer doce ou a sembereba, que é um suco engrossado com farinha. Só que depois de tomado, bate um sono...

A bolacha fogosa, não foi um de minhas preferidas, mas sei que fez a alegria de muitos.
Farinha de pipoca! Comi muito. Mas, outro dia fui tentar e me entalei. Com certeza perdi a prática.Outra coisa que comi em criança, de me lambuzar, mas meu paladar adulto não aceita mais, é ovo batido com açúcar.

Eu não me perdoaria se terminasse esse relato sem falar de Vicente, o padeiro mudo, que falou quando a imagem de Nossa Senhora de Fátima passou por Ipueiras vinda de Portugal.
Dele era o pão mais gostoso que já provou minha cidade.

Vou sempre afirmar que, Ipueiras tem um sabor especial, mas lógico, que é questão de gosto.

domingo, 4 de novembro de 2007

A AMORTALHADA


Foto:www.fenomeno.trix.net/.../fenomeno-fantasmab.jpg
A Amortalhada

Amedrontando crianças e deixando adultos menos corajosos de cabelo em pé, por muito tempo se viu e ouviu falar da figura dos amortalhados, principalmente no interior nordestino.

Por trás de cada mortalha vestida, havia, com certeza, uma história forte de culpas e pecados a serem reparados. Assim sendo a mortalha fazia parte do ritual de expiação aplicado ao grande pecador.

Contam que certa vez, uma linda moça, porém muito Jovem, queria ir a uma festa. Mas pela pouca idade só poderia ir acompanhada dos pais. Sendo filha de uma pobre viúva, pai ela não tinha. A mãe, no momento adoentada, não poderia acompanha-la a tão desejada festa.

A jovem descontrolada num ímpeto de raiva e loucura, como se tivesse possuída pelo demônio, deu uma surra na pobre viúva que ficou prostrada durante muitos dias.

Vendo o sofrimento da mãe, não demorou muito tempo, bateu o arrependimento na filha desnaturada. Tentando acabar com o remorso que lhe doía na alma foi até a igreja e contou tudo ao padre em confissão.

O padre após ouvir atentamente o relato absurdo da jovem, aplicou-lhe a penitência merecida: Durante cinco anos a filha desalmada, teria de perambular pelas, ruas, becos e estradas vestida numa mortalha, e toda vez que passasse em cemitérios e igrejas teria de parar para rezar um rosário.

A jovem cumpriu religiosamente sua penitência fazendo assim as pazes com Deus e obtendo o perdão de sua mãe.

Agora ela poderia ir a festa tão sonhada que acontecia todos os anos. Sua mãe gozava de boa saúde, ela já tinha idade suficiente para freqüentar as festas e tinha expiado sua culpa.

Bem vestida, foi ao baile, mas não teve um cristão que a tirasse para dançar, pois ninguém queria dançar com uma moça que no passado vestia-se com mortalha.

terça-feira, 30 de outubro de 2007

IPUEIRAS NA VOZ DE SEUS FILHOS




IPUEIRAS NA VOZ DE SEUS FILHOS


Ipueiras não é só uma saudade. Aquela cidade da meninice, da adolescência e dos sonhos é hoje uma lenda. A saudade aí é a senha a nos conectar passado e presente rumo ao futuro.

Por meio da Internet, ostentamos a Ipueiras de todos nós. E foi me valendo dessa janela a nos transportar até nossa cidade que garimpei, em variadas fontes, relatos aqui apresentados, de ipueirenses a enaltecer nossa terra.

Com prazer, repasso, aos aficcionados nesse rincão, o expressivo material a cantar nosso chão, que completa 124 anos de emancipação política.

Dalinha Aragão Catunda.


Criei traços daquela imagem que do alto mirava sempre ao anoitecer. Queria detalhar o rosto, mas resisti, seria como roubar do povo uma sigilosa homenagem. Decidi que o desenho não estamparia a face para que dessa forma representasse o rosto de todos os ipueirenses.
(Bérgson Frota, no conto "Um céu claro de outono")

Ipueiras é bonita,
Uma terra altaneira.
Seus filhos são orgulhosos
Desta cidade faceira.
(Chico Frota, No Poema "Cidade de Ipueiras")

"Eu, sempre que retorno à minha terra
"E o inverno matiza de esperança
O sertão enche o açude e azula a serra,
Como que volto a me sentir criança."
(Costa Matos, no livro "Estações de sonetos")

"Uma ponte corta o rio.
Uma saudade corta o ar.
Sou uma cacimba cavada,
no leito do Jatobá.
A água que brota é o pranto,
Que choro distante de lá."
(Dalinha Aragão, no poema Ipueiras uma paixão)

"Não tive só um pedaço de infância em Ipueiras. Tive talagadas de adolescente até o final, enquanto pude descer sem enguiar na idade. Que não só em 1957 a 1963 mais depois até quando mais pude. E se pudesse ainda teria mais". (Frota Neto no livro "Quase")


"Vejo-te em meus sonhos,
Meu passado, meu futuro,
Estou ausente infelizmente,
Mas vou voltar, eu juro!"
(Francisco Braga (No poema "Tributo a Ipueiras").


Para mim a Ipueiras recriada é uma experiência profunda porque vivida com profundidade. Até assusta. Dá medo que nos escape pelas mãos.
(Jean Kleber Matos) retirado da crônica, “O Mapa do Território”


"Fui amassado no barro das Ipueiras, nos vales e sertões do pé-de-serra da Ibiapaba. Terra de barro bom pra homem" (Gerardo Mello Mourão, em discurso por ocasião de recepção de título honorífico na Universidade Federal do Ceará)



"É uma cidade bonita que desponta
Na grandeza dos seus filhos,
Do seu povo, sua gente,
Na benção do Cristo Redentor,
Que de braços estendidos
Num amplexo de cem anos
Nos diz: eu sou teu benfeitor.
(Jeremias Catunda, no livro "Versos Versus Minha Vontade")

"... E aí num misto do velho Y – Juca Pirama e menino de novo, às margens do Jatobá (então elevado a arquétipo de nos cearenses), reviverei as cenas outrora sonhadas: as cheias de volta a sepultar águas pequenas, cacimbas e cercas de nossa solidão, atraso e miséria!" (Marcondes Rosa de Sousa, no artigo "As águas do Jatobá, no Jornal "O Povo").

"Minha cidade é pequena,
Mas pra mim ela é princesa,
De verdes montes cercada,
Ela é uma beleza.
Minha cidade é bonita,
Bonita por natureza.
(Neuza Aragão, no livro "Vida em versos")


"É assim que Isa, na sua grande memória, me faz lembrar dos meus tempos de criança em Ipueiras. Quando eu vejo um caminhão carregado de gente, dobrando aqui na curva da igreja, eu só me lembro de você, Tadeu"

Nas tardes de domingo, meu pai me incumbia de comprar o jornal correio do ceará ou o unitário, que era vendido no trem vindo da capital.

A molecada, nela me incluindo, pegava o caminho de volta da estação, de carona, nos caminhões do Matim, do Chico Manteiga ou do Chiquinho Evaristo. Era aquela algazarra: xingamentos, vaias aos que voltavam a pé, assovios (coiós) para as meninas moças. Coisas mesmo de moleque.
(Tadeu Fontenele)

"Hoje cada um tem sua vida em outros lugares. O que buscamos neste "site", acredito eu, é resgatar a memória de uma infância e adolescência da cidade onde nascemos. E, embora distantes, continuamos a amá-la, pois Ipueiras faz parte dos melhores momentos de nossas vidas. (Terezinha Mourão, por e-mail)

"Num passe de mágica (ou de mouse), transporto-me até Ipueiras como se estivesse na "avenida", sentado ao chão, conversando numa roda de amigos, revirando saudades" (Walmir Rosa de Sousa, por e-mail).

quarta-feira, 10 de outubro de 2007

IPUEIRAS UMA PAIXÃO


Essa é minha homenagem a Ipueiras pelos seus 124 anos. Mais uma vez estarei em minha cidade. Um abraço a todos e até a volta. O aniversário de Ipueiras é no dia 25 de outubro.


Ipueiras, uma paixão

Sou nativa desta terra,
Dela não abro mão.
Quando enterrei meu umbigo,
Criei raiz neste chão.
Não troco por nada no mundo,
Meu pequenino rincão.

Cercada de morros e serras,
Sua paisagem é um primor.
Seria uma obra prima,
Se a retratasse um pintor,
Lá do alto onde se encontra,
Nosso Cristo Redentor.

Obra de Mestre Pedro Frutuoso,
Vê-se o arco triunfal.
Uma homenagem a virgem,
Peregrina de Portugal.
É a coroação de Fátima,
Uma festa sem igual.

Imponente lá no morro,
A imagem do Redentor.
Cristo de braços abertos,
Nosso eterno protetor.
A natureza abriga,
A arte de um escultor.

A igreja e sua torre,
Um sino a badalar.
Meninos jogando bola,
Na rua, no patamar.
São as fragrantes saudades,
Perfumando meu lembrar.

Uma ponte corta o rio,
Uma saudade corta o ar.
Sou uma cacimba cavada,
No leito do Jatobá.
A água que brota é o pranto,
Que choro distante de lá.

É assim minha Ipueiras,
Berço da felicidade.
Onde vivi minha infância,
E gozei a mocidade.
Ficar distante é portanto,
Viver remoendo saudades

" TITUNDA"


Essa crônica é uma homenagem a Tunda e as crianças que viveram esse tempo mágico em Ipueiras.

Foto:http://www.centrovegetariano.org/images/articles/borrego.jpg

POR DALINHA CATUNDA

Durante muitos e muitos anos, viveu na pequena Ipueiras um humilde carreteiro, que tinha o poder de encantar e atrair as crianças com suas fantásticas histórias.

Nesse tempo, o meio de transporte usado para conduzir as pessoas de uma cidade para outra era o trem. Tunda era um dos carreteiros, um negro forte e simpático, que em busca de uns trocados carregava a bagagem dos viajantes até o destino combinado.

Na cabeça do bom homem as malas chegavam aos seus donos, pois carro era artigo de luxo na época. Ele era pobre, mas tinha um tesouro que dividia sem egoísmo com as crianças: sua alegria.

Tinha o poder de manter a meninada da cidade numa eterna esperança de um dia ganharem um carneirinho. Sempre que passava por uma delas, repetia a mesma frase: 'Titunda' vai trazer um carneirinho pra você, viu?

- Titunda, quando você vai trazer meu carneirinho?

Era a frase que ele mais ouvia da meninada.

-- Amanhã, amanhã o 'Ti' trás.
--- Cadê meu carneirinho? - perguntava outra.

Tá lá no céu --- e apontava pra cima, rindo.

Era hoje, amanhã, depois e nunca chegava o tal dia. Assim foi com gerações e gerações, alegremente iludidas com a história do carneirinho. Certo dia, a cidade que sempre vivera debaixo de um céu azul, presenciou um fenômeno singular.

Ao badalar do sino da igreja, começou a aparecer no céu chumaços de nuvens brancas em forma de carneirinhos. Em pouco tempo, o firmamento estava completamente tomado. Quando o sino parou, todos olhavam para o céu que parecia formar uma bela gravura.

Do meio daquelas imagens feitas por nuvens, uma parecia ser a de Titunda a segurar um cajado reluzente comandando os carneirinhos que nunca chegaram às mãos das crianças, mas certamente permaneceram em seus sonhos. Quanto ao velho carreteiro, este, naquele dia, chegava ao céu, onde dizia estar seu grande rebanho.

domingo, 7 de outubro de 2007

ANSELMO VIEIRA


Foto: Leonardo Mota e Anselmo Vieira
ANSELMO VIEIRA
Um Cantador das Ipueiras

Anselmo Vieira de Souza, nascido nos idos de 1867, viveu por muito tempo, na cidade do Ipu. Mas na verdade, é um ipueirense nascido na fazendola Ilha Grande, perto de Nova-Russas, no município de Ipueiras.

Completamente analfabeto, mas apaixonado desde criança pelos desafios que escutava nas pelejas dos menestréis que circulavam pela sua região, não demorou a fazer versos e se tornar um repentista de renome, aparecendo entre os mais consagrados cantadores do Nordeste que foram biografados por Leonardo Mota, escritor que se dedicou a resgatar essa cultural oral enriquecendo o folclore nordestino.

Anselmo Vieira nunca viveu do ofício de cantador, somente nos tempos das grandes secas, ele saia pelo mundo atrás de ganhar o pão de cada dia usando seus dotes de repentista,

De seu repertório pincei esses versos que representam, muito bem, a situação do nordestino que se transforma em nômade ante a desgraça da seca:

“Patrão, eu to lhe pedindo
Sua boa proteção,
Deixei o meu natural,
A poeira do meu chão,
E vim pra este lugá
Coberto de precisão,
Me valendo dum e doutro,
Mode vê que é que me dão,
Só não quero que me digam:
“vá trabaia,seu ladrão”

O poeta e escritor Gerardo Mello Mourão, confessa que Anselmo Vieira é uma das referências em sua vida literata, pois muito se inspirou nos cantadores das feiras de Ipueiras, onde Anselmo era atração.
Em seu livro “Rastro de Apolo” enaltece o vate ipueirense louvando-o com alguns versos.

Ariano Suassuna, numa entrevista, admite que, “O Auto da Compadecida” foi baseado nos versos de três repentistas nordestinos, sendo um deles o caboclo Anselmo Vieira.

Enquanto Gerardo Mello Mourão, Ariano Suassuna e Leonardo Mota, dão crédito aos feitos desse competente cantador analfabeto que bordou com lindas palavras nossa história ipueirense, a própria Ipueiras, é analfabeta em relação a Anselmo Vieira de Sousa que não deixa de ser um patrimônio cultural dessa cidade.
Dalinha Catunda
Ipueiras-Ce

quarta-feira, 3 de outubro de 2007

Poetas Populares


Foto: Dalinha entre os poetas populares de Ipueiras.

Poetas Populares

Confesso não sou repentista,
Mas versos eu sei fazer.
Louvar os artistas da terra,
Louvo com todo prazer.
Louvo de dia e de noite,
Louvo até o sol nascer

Me chamo Dalinha Catunda
Poeta eu sou também
Falo da nossa Ipueiras,
Do povo que quero bem.
Dos cantadores e repentista,
Poetas que a terra tem.

Na beleza do improviso,
Na arte do bom repente,
Louvo Raimundo lira
Que é um vate competente.
Tomara que ele espalhe,
Entre nós sua semente.

Respeito seus cabelos brancos
Também respeito sua idade,
Porém seus versos-menino
São cheios de velocidade.
Não tropeça, nem gagueja,
É o rei da vitalidade.

Sua caneta é a enxada,
Sua tinta é o suor.
Louvo com gosto o poeta,
Que se chama Luis Ló.
Na arte de fazer versos,
Não conheço outro melhor.

É no cabo da enxada,
Que ele cultiva seu chão.
Enquanto capina faz versos,
Pra alegrar seu coração.
Tenho orgulho desse cabra,
Que nasceu em meu sertão.

Simão Brito impõe respeito,
E tem minha admiração,
Os assuntos sociais,
Para ele, sagrados são
Cada cordel que escreve
Trás no fundo uma lição

Edílson Sales é poeta,
Radialista e imitador.
Alegra a nossa gente,
Com inigualável humor.
É mais um fruto da terra,
Demonstrando seu valor

Grande safra de poetas
Tem o nosso fértil chão:
Luis Vieira, Gonçalo Figueiras
E o poeta Raimundão,
Que no dom de versejar
Preservam uma tradição.

Louvo com muito amor
E repito a louvação,
A poetisa da terra
Maria Neusa Aragão
Que tem por sua cidade,
Mais que amor, adoração.

Já falei e já louvei,
Cada um de meus irmãos,
Nascidos na mesma terra,
Criados no mesmo chão.
Se não citei todos agora,
Cito em outra ocasião.