Seguidores

sexta-feira, 14 de maio de 2021

CIRANDANDO


 

CIRANDANDO

*

Viro menina, brincando,

De roda, posso afirmar,

E no vaivém da ciranda

Boto a saia pra girar.

Com fita e flor no cabelo

Desato a voz a cantar.

*

Pegando de mão em mão,

Marcando o passo faceira,

Com roupa bem colorida,

Danço em volta da fogueira.

Danço na roça e cidade,

Nasci pra ser cirandeira.

*

Se quiser dançar comigo,

O canto que contagia,

Eu estendo minha mão.

A ciranda traz magia,

Em cada mão atrelada,

Um carrossel de alegria.

*

Versos de Dalinha Catunda.

dalinhaac@gmail.com

sábado, 8 de maio de 2021

MÃE SER ESPECIAL


 MÃE SER ESPECIAL

*
Imaginem como sofre
Aquela mãe passarinho,
Que incentiva seu filho
A largar o próprio ninho
Ajudando a criar asas
Para seguir seu caminho.
*
Na hora que o filho voa,
Pra alívio do coração,
Apossa-se de um rosário,
Vai debulhando oração
Pedindo em cada conta
Que Deus lhe dê proteção.
*
A mãe é igual a fera
Que acode o filho querido.
É bem capaz de matar
Pro filho não ser ferido.
E vive lambendo a cria
Que se sente protegido
*
Dá limite é obrigação,
De toda mãe consciente.
Porém nem sempre é assim,
Que o filho podado sente.
Mas pecar pelo excesso,
É coisa de mãe presente
*
Não é sempre que se acerta
A receita ou a mão
Para aplicar com destreza
A eficaz correção,
E se temos que pecar,
Não seja por omissão.
*
Existem mães que não têm,
Dos filhos a compreensão.
Ao vê-los bem sucedidos.
Sossegam o coração,
Pois sabem que com certeza
Cumpriram sua missão.
*
Mãe, mulher especial.
Essa é minha tradução.
Muitas vezes é severa,
Noutras é só coração,
Muitas vezes aclamadas
Noutras renegadas são.
*
Foto e versos de Dalinha Catunda
dalinhaac@gmail.com

segunda-feira, 19 de abril de 2021

SOU AVENTUREIRA


 

SOU AVENTUREIRA
Eu sou artesã
Eu sou bonequeira
Na roda da vida
Eu sou cirandeira
E boto na dança
A mulher guerreira
Que cai e levanta
Sacode a poeira
E se for preciso
Planta bananeira
Jamais queima os pés
Saltando fogueira
Me sinto feliz
Sendo aventureira.
* 
Versos e foto de Dalinha Catunda

 

                                                        

sábado, 13 de março de 2021

A DAMA-DA-NOITE


 

A DAMA-DA-NOITE

.

Tão plena em sua brancura

Tendo o vento como açoite

Ontem a dama da noite

Abrolhou com formosura

Encantamento em fartura

Exibiu na ocasião

Vem provocando paixão

E realmente me apraz

Tão bonita, mas fugaz

Essa Dama em explosão.

*

Foto e versos de Dalinha Catunda

 Meu Diário da Roça

dalinhaac@gmail.com

quinta-feira, 11 de março de 2021

É CANTO DE MULHER


 É CANTO DE MULHER

*
LINDICÁSSIA NASCIMENTO
Nascida neste sopé
Bem no sul do Ceará
Barbalha terra querida
Que enfeita meu cantá
Nasci e cresci aqui
Encanto do Cariri
"Cante lá que eu canto cá"
*
DALINHA CATUNDA
Também sou do Ceará
Porém filha do sertão
Sou filha das Ipueiras
É mimoso o meu rincão
A cidade é bem festeira
Nossa santa padroeira
É a Virgem da Conceição.
*
LINDICÁSSI NASCIMENTO
Sou mulher, sou fortaleza
Sou canto sem timidez
Sou mulher que sobre o canto
Mostra sua sensatez
Sou alma sou poesia
Sou noite vivendo o dia
Vestida de lucidez!
*
DALINHA CATUNDA
Comigo não tem talvez
Bato no peito ao falar
Sou canto desaforado
Sou mulher a versejar
Sou a letra da canção
A transmitir emoção
Quando canto meu lugar.
*
LINDICÁSSIA NASCIMENTO
Com o sexo masculino
Só brigo se for na cama
Dou-lhe umas chicotadas
Pra acender nossa chama
O cabra tem que ser macho
Se não dele faço um facho
E jogo dentro da lama.
*
DALINHA CATUNDA
Do meu modo nordestino
Cabra fraco eu não aceito
Tem que ter fogo nas ventas
Pra se deitar no meu leito
Cabra que só tem zoada
Eu enfio a bordoada
Pois se for fraco eu rejeito.
*

segunda-feira, 8 de março de 2021

Ô VISTA BOA!


Ô VISTA BOA

Mamãe, hoje, com 98 anos, por incrível que pareça, ainda lê sem a ajuda dos óculos.

O motivo de ter essa vista tão boa, nada mais foi do que uma cirurgia de catarata bem sucedida e feita pelo SUS, quando ela estava na casa dos 80 anos.

Saiu do hospital, foi para casa e segui religiosamente o manual de recuperação.

Em pouco tem o sorriso tomou conta do seu rosto novamente.

 Cada pessoa que perguntava sobre a cirurgia ela contava com detalhes. E perguntavam muito, se ela estava enxergando bem, se não via nada embasado e no final ela já estava se cansando dos interrogatórios.

Certo dia chegou um de seus compadres, e entre uma conversa e um café, perguntou:

- Comadre, numa idade dessa, a senhora está enxergando bem mesmo?

Imediatamente, ela que é metida a gaiata, respondeu: - Compadre, pra falar a verdade, eu estou enxergando até “priquito” de muriçoca.

Não resta dúvidas que a operação foi bem sucedida.

Texto e foto de Dalinha Catunda

dalinhaac@gmail.com

sábado, 6 de março de 2021

O CORNO INOCENTE


 

O CORNO INOCENTE

Era tempo de novenas, festa da padroeira, quermesse e animação.

Após as novenas as famílias se reuniam na pracinha da igreja.

 Enquanto as mulheres compravam gulodices para entreter as crianças,

 os homens se reuniam nas barracas de bebidas.

E foi entre uma bebida e um papo e outro, que se deu o bate-boca entre dois primos.

Ambos já tinham sido comtemplados com um par de chifres por suas digníssimas esposas.

José, sabia que era corno, mas já tinha se acomodado a situação, porém Gonzaga, era o mais novo corno da cidade, estava na boca do povo e pelo jeito seria o último a saber.

Quando a discussão esquentou, Gonzaga, pôs a mão no ombro do primo e falou:

 - Zé, tu é corno, macho véi!

Zé na quela calma de corno convencido imitando o gesto do colega retrucou:

 - E meu primo nem é!

Isso foi o suficiente para a turma inteira cair na gargalhada.

*

Texto e foto de Dalinha Catunda  

dalinhaac@gmail.com

sexta-feira, 5 de março de 2021

O MENINO DE PALHA E A SACOLA DE SONHOS


 O MENINO DE PALHA E A SACOLA DE SONHOS

*
Uma sacola de Sonhos,
Leva o menino de palha,
Lotada de fantasias!
Pelos becos de Barbalha,
E com criatividade,
Distribui felicidade,
E muita alegria espalha.
*
Tem cocada e tem bombom,
Dentro da sua sacola.
Tem peta, tem pirulito,
Tem palma, tem mariola,
Tem paçoca e amendoim,
Rapadura e alfenim:
Ele grita e não se enrola.
*
Da sacola encantada
Ele tira a esperança.
Vai disseminando o sonho,
Inocente de criança,
Em meio a essa magia
Faz brotar com alegria
Novos tempos de bonança.
*
Versos de Dalinha Catunda
Fotos de Jerônimo Gonçalves.

quarta-feira, 24 de fevereiro de 2021

O TROTE

O TROTE

Certa noite, eu já deitada, perdida em meus pensamentos a embalar-me numa rede...

Eis que de repente, não mais do que de repente, toca insistentemente o telefone em sua base fixa, preguiçosamente levanto-me para atender. Sonolenta pego o aparelho e me surpreendo:

- Alô, quem fala?

- Aqui, é a amante do seu marido!

Nessa hora tive vontade de rir e quase gargalhei, mas compenetrada respondi:

- Olha, querida, se fosse a esposa do meu amante eu até te daria um papo, mas...

Desliguei o telefone, voltei para meu ócio noturno, com o pensamento em novas e emocionantes tardes...

Autora: Dalinha Catunda cad. 25 da ABLC

dalinhaac@gmail.com

Encantada com os Microcontos da querida e competente escritora Leila Jalul, de quem sou fã, resolvi estrear na modalidade do MICROCONTO também.

quinta-feira, 11 de fevereiro de 2021

KAROLINA COM K, COISA DE GONZAGÃO


 

KAROLINA COM K, COISA DE GONZAGÃO

*

A mulher com K maiúsculo

É coisa de Gonzagão

Foi do nosso rei caboclo

Que nasceu essa invenção

Era cabocla ladina

Chamada de Karolina

Astuta que nem o cão.

*

E foi imortalizada

Na voz do Rei do Baião

Como a mulher dançadeira

Que mais chamava atenção

Cheia de presepada

Com sua saia rodada

Girava que nem pião.

*

Todo mundo admirava

A tal bela sertaneja

Dançava com quem queria

Inda tomava cerveja

Nos braços do sanfoneiro

Dançava até em terreiro

Não ficava no, hora veja!

*

Karolina era cheirosa

Bem atrevida e faceira

Também era invocada

Metida a cangaceira

Mas colou com Gonzagão

Dançando xote e baião

Do chão tirava poeira.

*

Tem que dançar xenhenhém

Igualzinha a Karolina

Tem que lavar bem a boca

Gargarejar creolina

Acho bom que se oriente

Pra falar da nossa gente

De origem nordestina.

*

Pois quem quer ser respeitada

Pelos outros tem respeito

Não segue a velha cartilha

Onde mora o preconceito

Eu não quero causar dano

Mas o K Gonzagueano

Ele é nosso não tem jeito.

*

Versos e foto de Dalinha Catunda