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segunda-feira, 6 de setembro de 2021

NATURALMENTE NORDESTINA


 

NATURALMENTE NORDESTINA

*

Eu sou raiz nordestina

Sou canto de primavera

Sou flor do mandacaru

A que na caatinga impera

Aclarando as madrugadas

Eu sou lua nas estradas

Por onde adeja a quimera.

*

Versos e foto de Dalinha Catunda

 

quinta-feira, 2 de setembro de 2021

PRA ROLA SÓ DOU XERÉM SE COMER NA MINHA MÃO.


 

PRA ROLA SÓ DOU XERÉM

SE COMER NA MINHA MÃO.

*

Nem bem o dia amanhece

Já está em meu quintal

O seu canto matinal

É canto que me enternece

Mas comida só merece

Quem tem rumo e direção

Não cedo alimentação

Pra quem sempre vai e vem:

PRA ROLA SÓ DOU XERÉM

SE COMER NA MINHA MÃO.

*

Depois da barriga cheia

Vai ciscar noutro lugar

Isso não vou aturar

Nela vou meter a peia

Pois rola que me chateia

Não prendo em meu alçapão

Eu mando lamber sabão

E deixo de querer bem:

PRA ROLA SÓ DOU XERÉM

SE COMER NA MINHA MÃO.

*

Se a pomba-rola se vai

Meu mundo não vai cair

Eu vou ficar a sorrir

Perdendo é ela quem sai

Meu “dicumê pomba atrai

E nem me preocupo, não

É que rola no meu chão

Basta assoviar que vem:

PRA ROLA SÓ DOU XERÉM

SE COMER NA MINHA MÃO.

*

De pomba eu posso gostar

Porém vou logo avisando

Não venha ficar ciscando

Se não for para ficar

Rola só vou adotar

Se me provar afeição

Pois sem essa condição

Eu prefiro ficar sem:

PRA ROLA SÓ DOU XERÉM

SE COMER NA MINHA MÃO.

*

Mote e glosas de Dalinha Catunda

Xilo de Valdério Costa

 

sábado, 28 de agosto de 2021

ROGANDO EM GEMEDEIRA, Dalinha Catunda e José Walter


 

ROGANDO EM GEMEDEIRA

*

Deus me livre desse mal

Inda tenho tanta vida

Trago meu sorriso largo

Alguém me chama querida

Eu não quero ir agora

Ai, ai, ui, ui,

Ô meu pai me dê guarida.

*

Quero viver utopias

Tenho tanto amor pra dar

No calor da minha rede

Inda quero me embalar

Mesmo no outono da vida

Ai, ai, ui, ui,

Vejo meu sonho brotar.

*

Quero meus dias brejeiros

As noites de cantoria

Com viola e lua cheia

Deus do céu me alumia

Salve todos do naufrágio

Ai, ai, ui, ui,

Nos poupe dessa agonia.

*

Faço prece pra Maria

Faço prece pra Jesus

Peço a Deus onipotente

Aquele que nos conduz

Que tire dos nossos ombros

Ai, ai, ui, ui,

Essa tão pesada cruz.

*

Versos e foto de Dalinha Catunda

*

ROGANDO EM GEMEDEIRA

.

Em glosas á Dinha Catunda

.

Mesmo sendo pecador

A Deus rogo proteção

Que me livre desse mal

Estendendo a Sua mão

Pela infinita bondade

Ai, ai, ui, ui

Pois negar não pode, não.

.

E se a morte for descanso

Conforme reza o ditado

Que me deixe no meu canto

Onde vivo sossegado

Pregando só paz e amor

Ai, ai, ui, ui

Pra na cruz não ser pregado.

.

Não faço mal a ninguém

Como defendo a igualdade

Para todos sem reservas

Com solidariedade

Pois somente dessa forma

Ai, ai, ui, ui

Somos justos de verdade.

.

Quero viver muito ainda

Para cantar nos meus versos

As belezas sertanejas

Pelos motivos diversos

Com meus prazeres e sonhos

Ai, ai, ui, ui

Que em meus rogos deixo impressos!

.

José Walter Pires

Agosto/2021

terça-feira, 24 de agosto de 2021

SORTILÉGIO LUNAR


 SORTILÉGIO LUNAR

*

Pela frecha da janela,

Vejo o quanto a lua é bela!

Diante desse esplendor,

Ainda olhando pro céu,

Deixo cair o meu véu,

E perco então o pudor...

*

Deslizo pelo cetim,

E aproveito-me de mim,

Nesse instante de fervor.

Pois a lua auspiciosa,

Em noite libidinosa,

Tece um clima sedutor.

*

Versos e foto de Dalinha Catunda

dalinhaac@gmail.com

segunda-feira, 23 de agosto de 2021

A Gilmar de Carvalho


 Recebi da poetisa Rosário Lustosa, o livro em homenagem ao grande Gilmar de Carvalho. Participei com as estrofes postadas aqui. Muito obrigada, Rosário, pelo livro, pelo convite e pelos seus cordeis que depois de serem lidos irão para minha cordelteca. Meu abraço.

A Gilmar de Carvalho
*
Chegou feito um furacão
Levando o que viu na frente
Levou pobre, levou rico
De maneira surpreendente
Levou Gilmar de Carvalho
Um mestre de nossa gente.
*
Um homem capacitado,
Um grande pesquisador
Que a cultura popular
Deu o devido valor
Porém veio a pandemia
Levou nosso professor.
*
Interrompeu a jornada
De quem soube caminhar
Pesquisando e propagando
A cultura popular
Nossos olhos encantando
Com o que viu seu olhar.
*
Sei que Gilmar de Carvalho
Se foi, mas, deixou história
Será fonte de pesquisa
Seu legado é sua glória
Essa herança cultural
Garante sua memória.
*
Dalinha Catunda – Rio de Janeiro

sexta-feira, 20 de agosto de 2021

QUEM MEXE COM ROSAS ÁS VEZES SAI PICADO


 QUEM MEXE COM ROSAS ÁS VEZES SAI PICADO

*
JOSÉ WALTER
Quem é rosa não se queixa
Pela falta de carinho
Pelo prazer sempre deixa
Sentir o pico do espinho.
*
DALINHA CATUNDA
Sou rosa não me abespinho
Nem fujo da picadura
Se tem zangão no caminho
Lhe apresento a sepultura
*
JOSÉ WALTER
“O cravo brigou co’a rosa”
Por um singelo desejo
De uma atitude amorosa
Traduzida por um beijo.
*
DALINHA CATUNDA
Depois de um acoleijo
A rosa ficou zangada
O cravo roubou um beijo
Completando a presepada.
*
JOSÉ WALTER
Vivendo em uma redoma
A rosa não é amada
Pois amor é o que soma
Na paixão compartilhada
*
DALINHA CATUNDA
A rosa bem assanhada
Não vivia em desalento
Só vivia arrepiada
Pois se entregava ao vento.
*
JOSÉ WALTER
Vou fazer uma pilhéria
Com Dalinha, provocada:
Não existe mulher seria
Porém , mulher mal cantada.
*
DALINHA CATUNDA
Existe mulher malvada
Que bate em mau cantador
Que canta e não é de nada
E pensa que é professor.
*
.JOSÉ WALTER
Quem se diz rosa sem cravo
Um motivo sempre há
Não existe mel sem favo
Pois só recebe quem dá.
*
DALINHA CATUNDA
Sou rosa do Ceará
Bela flor de muçambê
O mel que em mim está
Não estará em você.
*
JOSÉ WALTER
Sobre a mulher, o preceito
Lá na Bíblia está escrito
De obediência e respeito
Ao homem, como descrito.
*
DALINHA CATUNDA
O respeito é restrito
Desde os tempos de Adão
Eva soltou o “priquito”
Pro homem entrar em ação
*
JOSÉ WALTER
Ainda no paraíso,
Eva mandava em Adão
Com seu jeito sem juízo
Para Deus, sem solução.
*
DALINHA CATUNDA
E a mulher no sertão
Foi Eva no Paraíso
Tomando sua direção
Para não ter prejuízo.
*
JOSÉ WALTER
Impossível existir
Uma rosa sem perfume
Ou u’a mulher sem sentir
Pelo seu cravo ciúme.
.*
DALINHA CATUNDA
Meu amigo se acostume
E vá mudando de prosa
Não venha com seu estrume
Pra não chatear a rosa.
*
JOSÉ WALTER
Às poetisas, parceiras
Mando aqui algumas trovas
Feitas como brincadeira
Que na peleja são novas.
*
DALINHA CATUNDA
Não sei se passei nas provas
Dessa peleja em quadras
Também não sei se me aprovas
Ou como louca me enquadras.
*
Trovas de Dalinha Catunda e José Walter.
Foto do acervo de Dalinha Catunda

sexta-feira, 30 de julho de 2021

MINHAS CAPAS MINHA ARTE *



 MINHAS CAPAS MINHA ARTE

*
Eu sempre gostei das artes
Inda hoje dou valor
Eu gosto de desenhar
De fazer versos de amor
Gosto de fotografar
De pintar e de bordar
Aprendi no interior.
*
Às vezes até me arrisco
A fazer ilustração
Fazer capas de cordel
Para minha produção
Nunca gostei de rotina
Sou assim desde menina
Gosto de transformação.
*
Versos e capas de Dalinha Catunda
Essas são capas de cordéis, desenhadas por mim.

quinta-feira, 29 de julho de 2021

MULHER RENDEIRA


 MULHER RENDEIRA

*
Eu vi a mulher rendeira,
rendando no Ceará.
Foi o mais belo espetáculo,
que vi pras bandas de lá.
*
Eu ainda era menina,
morando nas Ipueiras.
Conheci dona Totonha,
a maior entre as rendeiras.
*
Debruçada na almofada,
sentadinha na cadeira,
tecendo com mãos de fada
entretinha-se a rendeira.
*
O que era fios de linha,
aos poucos se transformava
Nas mãos daquela rendeira,
que tecendo encantava.
*
Entre o canto e o bailado
dos bilros manipulados,
Espetava o alfinete
Nos marcos já desenhados.
*
E para o encanto dos olhos,
surgia com esplendor,
A renda, que parecia,
obra de Nosso Senhor.
*
Saúdo a mulher rendeira,
Que traz magia na mão.
Dentro de nossa história,
Já é lenda e tradição.
*
Eu louvo a mulher rendeira
Artesã que me fascina
O bailado dos seus bilros
Conheci desde menina.
*
Texto e fotos de Dalinha Catunda
Nenhuma descrição de foto disponível.
MULHER RENDEIRA
*
Eu vi a mulher rendeira,
rendando no Ceará.
Foi o mais belo espetáculo,
que vi pras bandas de lá.
*
Eu ainda era menina,
morando nas Ipueiras.
Conheci dona Totonha,
a maior entre as rendeiras.
*
Debruçada na almofada,
sentadinha na cadeira,
tecendo com mãos de fada
entretinha-se a rendeira.
*
O que era fios de linha,
aos poucos se transformava
Nas mãos daquela rendeira,
que tecendo encantava.
*
Entre o canto e o bailado
dos bilros manipulados,
Espetava o alfinete
Nos marcos já desenhados.
*
E para o encanto dos olhos,
surgia com esplendor,
A renda, que parecia,
obra de Nosso Senhor.
*
Saúdo a mulher rendeira,
Que traz magia na mão.
Dentro de nossa história,
Já é lenda e tradição.
*
Eu louvo a mulher rendeira
Artesã que me fascina
O bailado dos seus bilros
Conheci desde menina.
*
Texto e fotos de Dalinha Catunda