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quarta-feira, 10 de novembro de 2021

DALINHA CATUNDA E AS PELEJAS VIRTUAIS


 

DALINHA CATUNDA E AS PELEJAS VIRTUAIS

A peleja virtual é o repente teclado que a cada dia ganha mais espaço nas redes sociais.

É uma peleja, pois segue a disputa entre dois poetas. Não é, exatamente, um repente porque temos mais tempo para pensar e responder como poeta de bancada que somos.

Vê-se com frequência a disputa de poetas através do Facebook. Muitas vezes os poetas de cordel preferem trocar versos via e-mail, messenger ou whatsApp, para depois apresentar o debate pronto.

Quando a peleja é concluída, ela é editada e postada nas redes sociais, dependendo da vontade da dupla vai para a gráfica para ser editado.

Acredito que, como mulher, sou pioneira nessa modalidade. Minha primeira Peleja Virtual, data de 10 de janeiro de 2011. Fiz em parceria com a poetisa Rosário Pinto que gostou da ideia e aceitou meu convite.

Daí pra frente abri um leque de pelejas com vários poetas, entre eles: Fred Monteiro, Rosário Pinto, Josenir Lacerda, Anilda Figueiredo, Bastinha Job, Lindicássia Nascimento, Compadre Lemos, Dideus Sales. Joames do Piauí, Hélio Crisanto, Alba Helena, Vânia Freitas, José Walter, Aldemá de Morais. Com outros tantos, tenho também a troca de versos sem síntese e sem intenção de editar.

Maria de Lourdes Aragão Catunda - Dalinha Catunda

dalinhaac@gmail.com

quinta-feira, 4 de junho de 2020

PELEJA VIRTUAL - DALINHA CATUNDA X AGLIBERTO BEZERRA

PELEJA VIRTUAL
FOI CULPA DE SANTO ANTÔNIO
1
DALINHA CATUNDA
Espalham que santo Antônio
É Santo casamenteiro
Já fiz promessa pro Santo
No cofre botei dinheiro
E para minha desgraça
Em mim ninguém acha graça
Tá difícil um companheiro.
2
AGLIBERTO BEZERRA
Pois Dalinha Santo Antônio
É santo que nunca falha
Se tivesse vindo a festa
Na cidade de Barbalha
Dar no traje aquele grau
E é só sentar no pau
Que depressa desencalha
3
DALINHA CATUNDA
Eu me mandei pra Barbalha
No pau eu passei a mão
Sentei mais de uma vez
Alisei na ocasião
Nem com chá ou simpatia
O tal santo me atendia
Mas a fé não perco, não
4
AGLIBERTO BEZERRA
Fique sabendo que ele
Arruma qualquer sujeito
Se quiseres arrumar
Um homem sério e direito
Quem arruma é São José
Vá pra Missão Velha a pé
Que o casamento é perfeito.
5
DALINHA CATUNDA
Não vou falar mal de santo
Com eles não quero intriga
Porém São José é fraco
Tem outro melhor na briga
Chamado de São Gonçalo
Que na dança e no embalo
Até casa rapariga.
6
AGLIBERTO BEZERRA
Essa peleja está boa
Pois você é caprichosa
Eu confesso que soltei
Uma risada gostosa
Pra manter acesa a chama
São Gonçalo tem é fama
De casar mulher idosa.
7
DALINHA CATUNDA
São José é seletivo
Santo Antônio não tem dó
Apelei a São Gonçalo
Não vou ficar velha e só
O santo não me casou
Contudo me amancebou
Não fiquei no caritó.
8
AGLIBERTO BEZERRA
O importante é o amor
Seja em qualquer união
Quando nela há respeito
Carinho e dedicação
E para ser duradoura
Santa Rita é a intercessora
Pra dar harmonização
9
DALINHA CATUNDA
Não é por não ser casada
Pois eu não me ligo ao rito
Que deixei de ser feliz
Fiz um caminho bonito
Fiz filhos sem me casar
E vi minha mãe gritar:
Valei-me São Benedito!