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sexta-feira, 11 de junho de 2021

CORDEL A REVOLTA DE SANTO ANTÔNIO


 A REVOLTA DE SANTO ANTÔNIO

1

Santo Antônio é Santo bom

Mas ô santo pra sofrer

Quando chega o mês de junho

Aumenta seu padecer

Mulheres desesperadas

Fazem tantas presepadas

Que o Santo falta é morrer.

2

É mulher nova e bonita,

Mulher velha e pregueada,

É quenga metida a santa

Que não quer ser mal falada

Tem cunhã, tem cutruvia

Rezando da noite ao dia

Pra virar mulher casada.

3

Na igreja de Santo Antônio

Chega até ter confusão

Outro dia numa briga

No sair da procissão

Uma viúva afobada

Por outra foi empurrada

Quase o santo foi ao chão.

4

Enquanto era só pedido

O santo até entendia

Porém depois começaram

Com a tal da simpatia

E pra dizer a verdade

Faziam tanta maldade

Que o santo se maldizia:

5

-Onde é que já se viu

Roubar do santo o menino

Quem comete um ato desses

Não tem o perdão divino

Pode fazer mil pedidos

Pois eu tampo meus ouvidos

Pra quem vem com desatino.

6

-Tem mulher que acha pouco

E para a graça alcançar

Numa vasilha com água

Me botam pra mergulhar

Pra baixo fica a cabeça

Não tem cristão que mereça

Esse castigo levar.

7

Santo Antônio aperreou-se

E sentiu-se até perdido

Quando viu tanta mulher

Todas querendo marido:

- Uma coisa vou dizer

Não sei o que vou fazer

Em meio a tanto pedido.

8

Ficou logo revoltado

E falou para Jesus

Eu não aguento mais

O peso da minha cruz

Ser santo casamenteiro

E com todo esse salseiro

Vos digo: Não me seduz.

9

Jesus Cristo preocupado

Com aquela situação

Disse para Santo Antônio

É só sua essa missão

Mas pode no céu buscar

Uns Santos pra lhe ajudar

Eu não faço objeção.

10

O santo com alma nova

Partiu pra sua empreitada

Escolheu a dedo os santos

Pra auxiliar na jornada

Eram bem experientes

E a Jesus eram tementes

Não iam faltar por nada.

11

Santo Antônio muito alegre

Começou a organizar

Virgens ele casaria

Isso não ia mudar

Delas ele tinha dó

Deixá-las no caritó

Não dava nem pra pensar.

12

Falou com o São Gonçalo,

E Com São Judas Tadeu

Achou por bem convidar

São Jorge o amigo seu

E por fim Santo Expedito

Para acabar o conflito

Com o aval que Jesus deu.

13

As chamadas periguetes

São Gonçalo vai casar

Também as raparigueiras

Que gostam de badalar

Pois é santo violeiro

Em cabaré ou terreiro

Ele não paga pra entrar.

14

Já o São Judas Tadeu

É com as tribufus, que fica

Santo das causas perdidas

Já casou baranga rica

E as damas sem embaraço

Que já não tem mais cabaço

E gostam mesmo é de pica.

15

Para São Jorge Guerreiro

Com sua espada na mão

Ele fica responsável

Por todo e qualquer canhão

Pelas mocréias da vida

Que o pessoal apelida

As coitadas de dragão.

16

E finalmente eu repasso

Para o bom Santo Expedito

Aquelas desesperadas

Que tem fogo no “priquito”

Que querem casar urgente

O santo é bem competente

Não vai falhar nesse rito.

17

Os santos não reclamaram

E aceitaram a provação

E sendo aquela pra eles

A mais difícil missão,

Pois congregar com mulher

Nem o capiroto quer

Ouviram isso do cão.

18

Foi assim que Santo Antônio

Sossegou o seu juízo

Quem queria se casar

Não ficou no prejuízo

Quem pedia casamento

Já firmava o juramento

Se case que eu ajuízo.

19

Eu acho que Santo Antônio

Abusou da rebeldia

E mesmo estando irritado

Com penas que recebia

De tanto ser afogado

Devia estar conformado

Com a cabeça mais fria.

20

Eu até posso entender

Seu estado de exaustão

Com pedidos absurdos

Com tanta judiação

Mas ele pegou pesado

Parece ter se vingado

Nessa distribuição.

21

Espero que cada santo

Dê conta do seu recado

Santo Antônio tinha prática

E deixava bem casado

O casal merecedor

De viver um grande amor

Tudo de papel passado.

22

Se o santo se aborreceu

Essa culpa não foi minha

pois nunca lhe importunei

com reza ou com ladainha

Vivo, bem, amancebada

Sem papelada assinada

Vivo assim minha vidinha.

23

Uma coisa vou dizer

Só para reafirmar

Casei-me na igreja verde

Sem papel algum passar

Sem simpatia ou promessa

Também nunca tive pressa

Mas arranjei um bom par.

24

Não pedi licença a musa

Mas a Deus peço perdão

Por esses versos que fiz

Com tanta profanação

Não me queimem na fogueira

Foi só uma brincadeira

Sem reza e sem oração.

*

Apresentação ( Bastinha Job)

*

Relevante petição 

Feita em versos por Dalinha

Num cordel que se alinha

A uma resolução, 

Uma urgente solução 

Dirigida a vários santos:

Santo Antônio entre outros tantos 

Citados nestas setilhas

E todas em redondilhas

Rimadas cheias de encantos

 

Quem quiser desencalhar

Dalinha dá a receita

Picante, mas que deleita 

Num hilário linguajar:

Ao santo certo rezar,

Que sua cara-metade, 

Vai lhe encontrar de verdade

E feliz lua de mel

A autora do CORDEL 

Deseja com amizade!

*

Xilo: Maércio Siqueira

dalinhaac@gmail.com

segunda-feira, 31 de maio de 2021

LUA MATUTINA


 LUA MATUTINA

Bela lua matutina
Que brilha na madrugada
A noite roubou seu ouro
Amanheceu prateada
Em seu último instante
Pálida, mas deslumbrante
Encerra a sua jornada.
*
Versos e foto de Dalinha Catunda
dalinhaac@gmail.com

quarta-feira, 26 de maio de 2021

ERA DOMINGO NO PARQUE


 

ERA DOMINGO NO PARQUE

*

Era domingo no Parque

Recordo com precisão

Você me deu um abraço

E apertou a minha mão

Tinha dança e poesia

Animando aquele dia

De cultura e tradição.

*

Foi uma tarde animada

Era festa no lugar

Promessa de emoção

Entrevi em seu olhar

Olhando-me animado

Quebrava o chapéu de lado

Sempre a me cumprimentar.

*

Nesse dia entrei na roda

Me enfeitei pra cirandar

Você acenava eufórico

Inquieto em seu lugar

Eu de maneira brejeira

Dançava toda faceira

Somente pra me mostrar.

*

Pra você joguei um beijo

E uma flor arremeti

No ar você segurou

E eu radiante sorri

Era o cravo, era a rosa

Entre um verso e uma prosa

Girando no Cariri;

*

Versos e foto de Dalinha Catunda


 

terça-feira, 25 de maio de 2021

ARTESÃS E CIRANDEIRAS


 

ARTESÃS E CIRANDEIRAS

*

Cirandeira do Cordel

Não é apenas do lar,

Pois além de entrar na roda

Sabe pintar e bordar.

Bolsa bordada de chita,

Pra se apresentar bonita,

Ela sabe ornamentar.

*

Uma borda, outra pinta

Outra de crochê faz flor

Tem delas fazendo brincos

Todas têm o seu labor

Cada qual a mais prendada

Para dançar enfeitada

E cirandar com amor.

*

Versos e fotos de Dalinha Catunda

dalinhaac@gmail.com

 

quinta-feira, 20 de maio de 2021

EM CACHOEIRAS DE MACACÚ


 

EM CACHOEIRAS DE MACACÚ

 *

Atrás do morro do pico

Aponta o sol radiante

A neblina derretendo

Presencio a todo instante

A beleza do horizonte

O raio do sol no monte

Ilumina o meu semblante.

*

Do beiral do meu alpendre

A cambaxirra cantou

No pé de jacatirão

O bem-te-vi se assanhou

O gavião sorrateiro

Abre as asas no coqueiro

Vendo que o dia raiou.

*

Redes de aranhas tecidas

Presas no arame farpado

Trazendo beleza as cercas

Esse trabalho rendado

Só vendo quanta beleza

Cenário da natureza

Que é por Deus elaborado.

*

O canto da Seriema

Ecoa ao amanhecer

Despertador natural

Canta mesmo pra valer

É ave que faz zoada

Parece até gargalhada

Pois canta sem se conter.

*

Canários se reproduzem

Eu vejo o bando passar

Os melros sempre em grupo

Encantam com seu cantar

E no maior zum, zum, zum

Um magote de Anum

Balburdia faz ao voar.

*

Quando chega o fim do dia

Volta pro ninho a trocal,

E a garça voa em bando

Num belo show, sem igual

O sol desmaia cansado

Anunciando alquebrado

De cada dia o final.

*

Nova fauna, nova flora

Eu vejo aqui no Sudeste

O verde é permanente

Diferente do Nordeste

Ganho mais conhecimento

Mas tenho meu pensamento

Na minha vidinha agreste.

*

Versos e fotos de Dalinha Catunda

dalihaac@gmail.com


segunda-feira, 17 de maio de 2021

SOU DO SERTÃO


 

SOU DO SERTÃO

.

Eu sou Dalinha Catunda

sou semente do sertão

Sou flor de mandacaru

Tenho rastro neste chão

Eu aqui não me embaraço

Aprendi jogar o laço

Destreza tenho na mão.

.*

Versos de Dalinha Catunda

dalinhaac@gmail.com

sexta-feira, 14 de maio de 2021

CIRANDANDO


 

CIRANDANDO

*

Viro menina, brincando,

De roda, posso afirmar,

E no vaivém da ciranda

Boto a saia pra girar.

Com fita e flor no cabelo

Desato a voz a cantar.

*

Pegando de mão em mão,

Marcando o passo faceira,

Com roupa bem colorida,

Danço em volta da fogueira.

Danço na roça e cidade,

Nasci pra ser cirandeira.

*

Se quiser dançar comigo,

O canto que contagia,

Eu estendo minha mão.

A ciranda traz magia,

Em cada mão atrelada,

Um carrossel de alegria.

*

Versos de Dalinha Catunda.

dalinhaac@gmail.com

sábado, 8 de maio de 2021

MÃE SER ESPECIAL


 MÃE SER ESPECIAL

*
Imaginem como sofre
Aquela mãe passarinho,
Que incentiva seu filho
A largar o próprio ninho
Ajudando a criar asas
Para seguir seu caminho.
*
Na hora que o filho voa,
Pra alívio do coração,
Apossa-se de um rosário,
Vai debulhando oração
Pedindo em cada conta
Que Deus lhe dê proteção.
*
A mãe é igual a fera
Que acode o filho querido.
É bem capaz de matar
Pro filho não ser ferido.
E vive lambendo a cria
Que se sente protegido
*
Dá limite é obrigação,
De toda mãe consciente.
Porém nem sempre é assim,
Que o filho podado sente.
Mas pecar pelo excesso,
É coisa de mãe presente
*
Não é sempre que se acerta
A receita ou a mão
Para aplicar com destreza
A eficaz correção,
E se temos que pecar,
Não seja por omissão.
*
Existem mães que não têm,
Dos filhos a compreensão.
Ao vê-los bem sucedidos.
Sossegam o coração,
Pois sabem que com certeza
Cumpriram sua missão.
*
Mãe, mulher especial.
Essa é minha tradução.
Muitas vezes é severa,
Noutras é só coração,
Muitas vezes aclamadas
Noutras renegadas são.
*
Foto e versos de Dalinha Catunda
dalinhaac@gmail.com