Seguidores

quarta-feira, 17 de setembro de 2008

POSSE DA DALINHA NA ABLC


Foto: acervo da ABLC
AMIGOS,
Sempre tive muito orgulho de ser NORDESTINA e sempre gostei de louvar minha terra e minha gente. Entrar para a ABLC é continuar falar a língua do meu povo e espalhar por esse Brasil a fora minha nordestinidade.
Sinto-me feliz e gostaria de dividir com todos vocês esse momento de alegria.
NOTÍCIA
20 anos de ABLC e posse da nova acadêmica Dalinha Catunda.

Dia 20 de setembro de 2008 é o dia da comemoração dos 20 anos da ABLC e da posse da mais nova acadêmica, Maria de Lourdes Aragão Catunda. A data de fundação da instituição é 7 de setembro, porém o calendário foi ajustado para ir de encontro à posse da nova acadêmica.

Nascida na cidade de Ipueiras, interior do Ceará, Dalinha Catunda, como é conhecida e assim assina suas produções, é mais uma mulher a se tornar imortal ocupando a cadeira de numero 25 que tem como patrono Juvenal Galeno, poeta e folclorista cearense.

Dalinha Catunda publica há mais de sete anos, como colaboradora, no Jornal O Povo e no Diário do Nordeste, jornais de grande circulação da capital cearense. Atualmente publica em vários blogs e sites entre eles o Nordeste Rural.

Entre seus títulos publicados de cunho engraçado e picante constam: O Forró de Zeca, O jumento do Maurício, A Panela Remendada, A Rosa Apavorada e A Donzela Que Virou Índia.

Fonte: ablc.com.br

MEU BAIO


MEU BAIO
*
Ele olhou bem nos meus olhos.
Nos olhos dele eu olhei.
Que era xucro eu sabia.
Não tive medo, montei.
*
Dos seus movimentos bruscos,
o ritmo acompanhei.
Encantava-me a impetuosidade.
Não caí, nem escorreguei.
*
Bem mais que oito segundos,
Em cima dele fiquei
Vi o forte ficar fraco
Quando meu corpo empinei.
*
Hoje não pode me ver,
que já relincha pra mim,
pois sabe que no meu pasto,
é dele o melhor capim.
*
Versos e fotos Dalinha Catunda

terça-feira, 16 de setembro de 2008

Bento Raimundo e Edilson Vieira Mestres na Sanfona


Edilson Vieira Sanfoneiro e cantor


Bento Raimundo Sanfoneiro Repentista e cantor.

Fotos: Acervo do blog

Bento Raimundo e Edilson Vieira
Mestres na Sanfona

Fui um forró pé-de-serra
Lá pras banda de Ipueiras.
Foi um forró bem animado
Muito boa a brincadeira,
Tocava Bento Raimundo,
E também Edilson Vieira.

Nunca vi forró melhor,
Foi de levantar poeira,
Uma hora tocava Bento,
Outra era Edilson Vieira.
Era um rebolar de quartos,
Que dava nó nas cadeiras.

Um sujeitinho reclamou
Que Bento tocava sentado,
Bento arrochou a sanfona
Deixando o forró animado,
Num instante calou a boca
De quem conversava fiado

Edilson entrou cantando,
Seu bom forró de Jericó.
Bento com o Mela-Mela,
Nem sei qual cantou melhor.
Só sei que as duas sanfonas
Incendiaram o tal forró.

A sanfona velha gemia
O povão todo dançava.
Ao sair Edilson Vieira
Bento Raimundo pegava.
Com essa dupla tocando
Ninguém de lá arredava.

Teve uma hora que os dois,
Resolveram tocar juntos.
Naquela hora eu lhe juro
Lá só não dançou defunto!
Bento com Edilson Vieira,
Tocaram e tocaram muito!

Bento e Edilson Vieira,
São relíquias do sertão
Sanfoneiros de Crateús
Prestigiados pelo povão
Cantam e tocam o novo,
Sem esquecer a tradição.

quinta-feira, 11 de setembro de 2008

NOTÍCIAS DO MUNDO DO CORDEL


Acima, a equipe do projeto: Alexandre Mofati, da Ofício Produções; J. Victtor, coordenador executivo; Mariana Taboada, arte-finalista; Gonçalo Ferreira, curador; Madrinha Mena e Paula Schuabb, colaboradora.


As acadêmicas Rosário Pinto, Dalinha Catunda e madrinha Mena. Na direita, Miguel Bezerra e o presidente Gonçalo.

Evento do lançamento do livro 100 Cordéis Históricos Segundo a ABLC.


Terça-feira, 9 de setembro, foi realizado o evento comemorativo do lançamento do livro 100 Cordéis Históricos Segundo a Academia Brasileira de Literatura de Cordel, na livraria Odeon, Cinelândia, Rio de Janeiro. O projeto teve o patrocínio da Petrobras, realização da Ofício Produções e apoio do Centro Nacional de Folclore e Cultura Popular, sendo a ABLC a instituição beneficiada.

Coube ao presidente da ABLC, Gonçalo Ferreira da Silva, autografar os exemplares vendidos na festa, que contou com a presença do colegiado da ABLC e diversos convidados, tudo animado pela viola do repentista Miguel Bezerra. Os pedidos são feitos pelo e-mail: contato@ablc.com.br.

Fonte: www.ablc.com.br

EXCELÊNCIA



EXCÊLENCIA

Nem todo político é safado.
Nem todo político é ladrão.
Mas se fosse outro o país,
Muitos estariam sem mão.

Se muitos aceitam insultos,
Meu amigo preste atenção.
É porque não há inocentes
Mas sugadores desta nação.

Confesso que já nem sei,
A verdadeira tradução,
Da palavra excelência,
Que escuto em televisão.

Os vejo de terno e gravata,
Falando em nome da nação.
Em pouco tempo os vejo,
Engaiolados como ladrão.

Peço encarecidamente
A quem sabe, pois não sei,
A tradução de excelência.
Tão usada em certas greis.

Não sei se sou insolente
Em minhas indagações,
Contudo seria excelente,
Se me dessem explicações.

segunda-feira, 8 de setembro de 2008

CANTORIA EM IPUEIRAS




Fotos de Carlos Moreira

Ipueiras anda abrindo espaço para as velhas cantorias e tem agradado em cheio a um publico que continua fiel as velhas tradições.

Cantoria em Ipueiras

Foi lá nas Ipueiras
No interior do Ceará.
No bairro da estação
Bairro bom do lugar.
Onde dois cantadores
Armaram-se pra brigar.

A arena fora montada
Numa calçada descente
O velho Messias Sales
Foi quem recebeu a gente
A calçada estava cheia,
E ele sorria contente.

Ele, o pai de Edilson
Bom poeta e locutor,
Que com sabedoria
A peleja organizou.
Mostrando a Ipueiras
Da cantoria o valor.

O cenário bem sertanejo
Mexeu com meu coração,
Tinha pote enfeitando,
Também panela e pilão.
E um quadro bem bonito
Lembrando nosso sertão.

Os cantadores chegaram
Com as violas nas mãos.
Nos bancos se ajeitaram,
Começaram a afinação.
E o povo compenetrado,
Neles prestavam atenção.

Então veio Edilson Sales,
Fazendo a apresentação:
Esse aqui é João Batista,
Do Lima Junior irmão.
Este outro é Dal Costa
Bom cantador do sertão.

Lima Junior é um locutor
Que faz “O Velho de Setenta”.
Um personagem engraçado,
Que no rádio ele apresenta,
Não tem papas na língua
Faz o que lhe da nas ventas.

Não se deu exatamente,
Uma peleja uma briga.
Era uma moda de viola,
Repleta de belas cantigas.
Cada uma mais bonita,
Algumas eram antigas

Quando a viola tocava
Acompanhando a canção
O povo botava dinheiro
Na boca do velho pilão
A fartura era tamanha,
Vi até dinheiro no chão.

Um envelope recheado
Mandou Chico Coité.
Estava lá Chaga Jovino
Com sua bela mulher.
Zeca Frosino cubava,
O movimento em pé.

Pertinho dos cantadores
Eu vou contar pra vocês,
Sentou-se o seu De Assis,
Vindo lá do Vamos-Ver
Toinha e Maria Leitão
Também pude perceber.

Eu vi Quindô Miranda,
Batendo palma feliz.
Carlos Moreira batia,
Foto com direito a bis,
Ed Foto Filmou tudo,
Até dedo no nariz.

Eu vi bem seu Araujo
Em seu táxi recostado.
O cantor Tony Aragão,
Passou por lá apressado.
Vi o Itamar de seu Zeca
Zanzando pra todo lado.

Num canto avistei Nilza,
E Enoque perto da porta.
Também apareceu por lá,
O Luis de Nonato Doca,
Cristina de João Cazuza
Também tava na fofoca.

Ilze com sua Corrinha,
Sentaram-se ao meu lado.
Ele tomou um cafezinho,
Ela um guaraná gelado.
Meu morador, Zé António,
Zanzava já bem calibrado.

Muita modinha bonita
Na boca do cantador,
Com a “Casa Amarela”,
Muita gente se emocionou.
Com “Jesus e Tiradentes”
A platéia se arrepiou.

A moda “Toalha de banho”
O povo todo aplaudiu,
Mas todos se Calaram
Quando o Chaga pediu.
“Despedida de Vaqueiro”
Que emocionou quem ouviu.

Edilson bom anfitrião
Serviu ao povo presente.
Um cafezinho gostoso,
Cheiroso forte e quente,
Pipoca e refrigerante,
Batida e até água ardente.

Meus parabéns Edilson,
Pela noitada de alegria.
Distante de minha terra
Há muito tempo não via
Nas noites enluaradas,
Os repentes e cantorias.

Preservar nossas raízes,
Lutar pela nossa cultura,
É não perder a identidade.
Não ser uma caricatura.
É mostra a nossa cara,
Com direito a assinatura.

Sou Dalinha Catunda,
E também sou Aragão.
Adoro tudo que existe
No meu pequeno sertão.
Estarei sempre brigando,
Sempre engajada e lutando
Pelos costumes deste chão.

sexta-feira, 5 de setembro de 2008

OUTRA PÁTRIA


Imagem pinçada do: maresertao.blogspot.com

OUTRA PÁTRIA

Dalinha Catunda

Amar com fé e orgulho,
A terra em que nasci.
Aprendi ainda na infância,
Nos hinos e poemas que li.

Ó minha pátria sagrada,
Cadê teus encantos mil?
Poluído e acinzentado,
Hoje vejo teu céu de anil.

Teus rios, mares e florestas,
Carecem de preservação.
Na natureza não há festa
Predomina a devastação.

Se a boa terra jamais negou,
A quem trabalha seu pão.
Por que fazer do nosso pobre,
Um reles parasita da nação.

Sonegando-lhe trabalho,
E humilhando o cidadão.
Que recebe bolsas e vales
Enterrando o orgulho no chão.

Quem não vive do trabalho,
Do seu suor e da sua mão,
Não pode ter amor próprio,
Nem orgulho da sua nação.

Como imitar a grandeza,
Dessa terra em que nasci.
Se o exemplo lá de cima
Na verdade ainda não vi.

Por isso eu digo e repito,
Aos dirigentes da nação.
Primeiro dêem exemplo
Depois cobrem ao cidadão.

O que li de Bilac é passado,
Sentido não vejo agora.
Minha pátria hoje é outra.
Tenho saudades d’outrora.

quinta-feira, 4 de setembro de 2008

WALDICK SORIANO


Foto retirada do:todoprosa.blogspot.com

WALDICK SORIANO

Num passado não muito distante, nós, mocinhas do interior,
Éramos surpreendidas no meio da madrugada pelo canto dos apaixonados,
Que nos prestigiavam com belas serestas.

Quem um dia no interior do Nordeste, em certa época, não ouviu de um caboclo apaixonado as canções que diziam:

“Eu não sou cachorro não, pra viver tão humilhado...”
“Fica comigo esta noite, que não te arrependeras...”
“Amigo, por favor, leve esta carta e entregue aquela ingrata e diga como estou...”

Todas essas músicas são do repertório de Waldick Soriano, representante nordestino, pioneiro no romantismo popular, rotulado de Brega.

Waldick Soriano, hoje sobe mais um degrau, foi para o andar de cima, deixando uma legião de fãs desolados com sua partida e uma infinidade de musicas que continuarão sendo cantada por seus seguidores.

terça-feira, 2 de setembro de 2008

Cachoeiras de Macacu em Tempos de Cultura






Foto 4: Dalinha na sala de cine-Teatro Paschoal Guida, iniciando a Palestra sobre cultura popular.
Foto 3: Dalinha ao lado de Michele Nougueira coordenadora cultural e artistas locais.
Foto 2:Dalinha e um Artesão que trabalha com sementes.
Foto 1:Dalinha entre alunos e artistas locais.

Cachoeiras de Braços Abertos

Cachoeiras de Macacu uma cidade privilegiada pela natureza além dos encantos de suas doze serras e seus mais de vinte seis rios, vem se destacando como forte incentivadora de cultura. Não satisfeita com a cultura local tem se dedicado ao intercâmbio entre diferentes culturas.

Dia 22 de agosto dia do folclore, participei de uma palestra sobre cultura popular. Falei sobre cordel. Mostrei em vídeo o lugar onde nasci. Minha querida Ipueiras. Falei desse mundo mágico onde tudo começou e da magia do cordel.

A partir dessa apresentação os convites para saraus e palestras tem se multiplicado, o que me deixa feliz e agradecida à população cachoeirense.

Dia sete de setembro acontecerá o Primeiro Festival Intermunicipal de Poesias, em Cachoeiras de Macacu “CANTOS DE POETAS.” Estarei participando com alguns poemas.

O Evento acontecerá no Centro Intereducacional de cultura e Artes, na sala de Cine-Teatro Paschoal Guida, a partir das 19 h.


Encantada com a acolhida, não poderia deixar de homenagear a Bela Cachoeiras de Macacu. E com um poema bem singular, pois normalmente, só canto a minha terra.

Cachoeiras de Macacu

Trago no olhar agreste
O verde do mandacaru,
O vento das palmeiras,
O sol quente, o céu azul.
Eu que só canto Ipueiras
Quero louvar Cachoeiras,
E as águas do Macacu.

Mesmo cria do Nordeste,
Não deixo de me encantar,
Com tudo que a natureza,
Deu de presente ao lugar.
Pois o verde dessas matas,
Com belas serras e cascatas,
Fez meu queixo despencar

Cachoeiras de Macacu
Berço de tanta beleza,
Tuas serras e teus rios
São dádivas da natureza.
E o teu velho Jequitibá
Tão imponente e singular
É tua imensa riqueza.

Quantos pontos turísticos
A encantar as nossas vistas.
A cachoeira da amorosa.
E a Pedra da Mariquita.
Tem a Pedra do Faraó,
A do Oratório, e não é só,
Tem mais paisagem bonita.

Berço farto da natureza
Repleta de esplendor.
Estava Deus inspirado
Quando esta terra criou.
Não duvido, tenho certeza,
Por isso canto a beleza
Desse recanto de amor.

Cortada pelo Rio Macacu,
Tem um clima sedutor
Obra prima da Natureza
Invenção de Nosso Senhor.
São teus estes versos que faço.
Aqui deixo o meu abraço,
Nessa declaração de amor.

domingo, 31 de agosto de 2008

RETRATO DO PASSADO


Foto retirada do: orkupido.ning.com

Retrato do Passado

Namorou e ficou noiva.
Casou no padre e no civil.
Disse amém a sociedade
Que suas podres leis pariu,
E o que foi feito de sua vida
Não foi ela quem decidiu.

Casamento arranjado
Aos moldes tradicionais.
Um negócio ajustado
Aos interesses dos pais.
Que vedavam os ouvidos
A sua angustia e seus ais.

Filhos ela teve tantos
Nem pôde nos dedos contar.
Quando esvaziava o bucho,
Voltava a emprenhar.
Fez filhos e não amor,
Não aprendeu a gozar.

È uma boa parideira,
Dizia sempre o marido.
Pelas mãos da parteira
Eram os filhos recebidos.
Quando arriava a bexiga,
Com o médico era resolvido.

Empregada ela tinha,
Pois tinha “boa” situação.
Era uma cabocla prendada.
Era de forno e de fogão.
E nas quebradas da noite
Também servia ao patrão.

O marido era bom partido,
Criado nos dogmas da fé.
Aos domingos ia à missa,
Mas freqüentava o cabaré,
As taras eram com as putas,
E os filhos com a mulher.

“Até que a morte os separe”
Assim era feita a negociata.
O marido era um bom emprego,
A mulher deveria ser grata.
“O que Deus une ninguém separa”
Dai, a submissão era farta.


Uma fotografia na parede,
Retrata esse triste passado.
Que visando a posteridade.
Sempre fora bem focado
Entre paletós e bigodes
Vestidos bem comportados.

Lá se foi o velho tempo,
Do império patriarcal.
A mulher, hoje, evoluída
Não necessita de aval,
Desbrava o seu futuro
Encara o bem e o mal.