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sexta-feira, 17 de abril de 2009

AMOR ANIMAL



AMOR ANIMAL
*
Ele zangão aceirando
A colmeia da Rainha.
Ela toda embevecida,
Aceitava a louvaminha.
*
Felizes voaram juntos,
E juntos fizeram mel.
No enleio a tragicidade,
Que envolve cada papel.
**
Compartilharam com gosto,
A tal geleia real.
No instintivo labor
Que conduz o ritual.
*
Voltou  ao trono a rainha
Após o acasalamento.
Ele zangão devorado

Na trama foi alimento.
*
Versos de Dalinha Catunda
olhares.aeiou.pt/abelha_rainha_foto563312.html


quarta-feira, 15 de abril de 2009

INVERNADA


INVERNADA

Dalinha Catunda

No tempo da invernada
O canto da passarada
Encanto meu coração.

Borboletas fazem festa
Sapos afinam sua orquestra
Canta e sorrir o sertão.

Chananas bordam o chão.
Entre salsas e muçambês.
Nos galhos do sabiá
A brancura do florescer.

Carnaúbas batem palmas,
Sentindo o frescor da brisa.
O sol por entre as nuvens,
Meio apagado desliza.

É a estação das chuvas
Trazendo seu esplendor.
É a peitica cantando,
Seu canto repetidor.

É a presença do campina,
Os arrulhos da fogo-pago.
É a alegria do verde,
Que com a chuva brotou.

É a enxada no ombro,
Do nosso agricultor,
Que não carece de esmola
Nem foge ao seu labor.

segunda-feira, 13 de abril de 2009

NO CEARÁ TEM DISSO, SIM!


Foto e texto de Dalinha Catunda


O LUME DA LAMPARINA

Às vezes ainda pisca,
E minha mente alumia.
O facho esfumaçado
Que antigamente eu vi,
No cantinho da alcova
Que no sertão eu dormia.

Eu ficava maravilhada
Olhando de manhãzinha
Mamãe acendendo o fogo
Naquela rústica cozinha,
Nas mãos o mesmo lume
Que alumiava a noitinha.

De vidro, zinco ou de lata,
De muitos modelos era ela.
Tinha uma alça para segurar,
E um pavio enfiado nela.
Nos velhos tempos, garanto,
Ninguém abria a mão dela.

Quem um dia não recorreu
A luz de uma lamparina?
Lá dos cafundós do sertão
Eu nunca fugi dessa sina,
Já acendi e soprei muito
Seu facho quando menina.

quinta-feira, 9 de abril de 2009

PÁSCOA E PAZ


Foto e texto de Dalinha Catunda.

Optei por usar este arbusto espinhento que tem como uma de suas denominações: COROA-DE-CRISTO para compor o texto, pois acho que ele traduz simbolicamente a nossa caminhada. Flores e espinhos. A sabedoria da vida está em saber conviver com os dois.
Aos meus amigos do blog, UMA FELIZ PÁSCOA!!!!

PÁSCOA E PAZ

Vamos adubar nosso chão,
Plantar justiça, colher a paz.
Ressuscitar sentimentos
Que tanta falta nos faz.
Repudiar a violência
Pois cada um é capaz.

Chega de tanta violência,
Chega de tanta matança.
Chega de tanta maldade
Envolvendo até crianças.
Vamos semear justiça,
E tentar colher esperança.

Cristo foi crucificado,
Para nossa salvação.
Vamos abraçar o próximo,
Como se fosse um irmão.
Vamos ressuscitar a paz,
E abrandar o coração.

quarta-feira, 8 de abril de 2009

FLOR DA PAIXÃO


Texto e foto de Dalinha Catunda

A FLOR DA PAIXÃO

A Flor do maracujá
Conhecida flor da paixão.
Um dia já foi branca,
Contou-me um cidadão.
E que foi o sangue de Cristo,
Que deu nova coloração.

No pé da cruz se avistava
Algumas flores de maracujá.
Com sua coroa de espinho,
Jesus Cristo pôs-se a sangrar
E as brancas flores tingidas
Bem roxas passaram a ficar.

Essa flor carrega consigo
Os pregos da crucificação.
As cinco chagas de Cristo,
Depois da transformação.
Até a coroa de espinhos
De sua árdua coroação.

Se é verdade ou é lenda
Eu não posso afirmar.
Só sei que é misteriosa,
A bela flor do maracujá.
E essa história que ouvi,
Estou somente a repassar.

segunda-feira, 6 de abril de 2009

O FAMOSO CAPITÃO


Foto: viagemesabor.com.br
Texto: Dalinha Catunda

O Famoso Capitão


Muito cedo descobri que na terra de “coroné” se comia Capitão.
Eu das Ipueiras, terra de coronè Zé Bento e tantos outros, confesso que muitas vezes participei desse ritual que muito me agradava.

Alguns falam que aquilo era coisa de escravos, já outros afirmam ser uma herança dos portugueses colonizadores. O que sei, é que, o que eu julguei ser uma exclusividade minha e de meus irmãos, era na realidade, um costume antigo, comum, no interior do Ceará e em tantos outros estados do Brasil.

Conversando com Lou, uma amiga nordestina, das bandas da Serra Grande, ela me falou que os capitães da avó dela eram imbatíveis. E eu, retruquei:--- É que você não conheceu os da minha tia Isa. Quando eles chegavam a mesa as crianças entravam em prontidão a espera do tão esperado e solene momento.

O certo, é que por trás de cada capitão, havia o comando de uma mão mágica e dedicada a nos enfiar goela abaixo aquela distinta autoridade do mais alto escalão. Eram nossas mães, avós e tias que se esmeravam na confecção daquela apetitosa iguaria com o intuito de agradar o paladar dos seus entes queridos.

Pois, na verdade, o inesquecível e famoso capitão, meu, de Lou e de tantas outras crianças, nada mais era que um simples bolinho de feijão amassado com farinha, bem modelado e servido por mãos especiais com carinho e com afeto, o que o transformava simplesmente num manjar dos Deuses.

Era assim que nosso feijão de cada dia passava de um simples soldado raso ao mais famoso capitão. E eu, que sou agarrada às lembranças, fico feliz em fazer parte deste passado, onde batalhões de crianças faziam continência a seu amado capitão.

sexta-feira, 3 de abril de 2009

MANHÃ DE ABRIL


Foto e texto de Dalinha Catunda

Manhã de Abril

Manhã radiante,
Brisa refrescante,
Entrando pela Janela.

A Brisa eriça meus pelos,
Desmancha meus cabelos,
E leva embora as mazelas.

Carinhos da natureza
Chegam com singeleza
Dizendo que a vida é bela.

Por isso sigo em frente,
Se tenho porção carente,
Esqueço, e não dou trelas.

quarta-feira, 1 de abril de 2009

PRIMEIRO DE ABRIL!


Imagem: google texto Dalinha Catunda

PRIMEIRO DE ABRIL

Se você chegasse agora
Dizendo que ia embora
Tuas malas eu até faria.

Acenderia mil velas
Voltava a ver novelas
Dava pulos de alegria.

Deixava de ser morena
E minha boca pequena,
De vermelho eu pintaria.

Caprichava no decote
No cabelo dava um corte
E muito mais me exibiria.

Mas, nem pense na proposta.
Não saia por esta porta.
Porque eu jamais deixaria.

Isto é só uma brincadeira,
Eu não faria essa besteira.
Hoje é primeiro de abril!

terça-feira, 31 de março de 2009

NOTA DE FALECIMENTO


Foto e texto de Dalinha Catunda

NOTA DE FALECIMENTO

Era boquinha da noite
Esmaecia a paixão.
Dava seu ultima bocejo,
Libertando-me o coração.

Morreu de morte natural,
Como tudo que é cíclico.
Nem sei se era mesmo paixão,
Ou simplesmente um vício.

domingo, 29 de março de 2009

FURDUNÇO NO GALINHEIRO


Foto.baixaki.com.br

FURDUNÇO NO GALINHEIRO

Certo dia o galinheiro
Acordou em polvorosa,
O galo acordou tarado
Foi uma coisa horrorosa
E as galinhas apavoradas
Com essa situação odiosa.

Era pintinho correndo,
Era pato se cagando,
Capote voando alto,
Ganso mergulhando,
E o galo velho tarado,
A todos apavorando.

Pegou a galinha preta,
Que era uma franguinha.
Subiu bem em cima dela
Deixou a ave tontinha
Depois saiu bem ligeiro,
Atrás de outras galinhas.

Correu atrás de muitas,
Pegou a galinha amarela.
Nesta o estrago foi feio,
Ela acabou na panela.
Tamanha foi sua fúria,
Que ela esticou a canela.

O frango que era capado
E bem fino vivia a cantar,
Nesse dia foi estreado
Não conseguiu escapar.
Este, sim, não saiu triste,
Mas faceiro a cacarejar.

O galo velho viçando,
E com o espírito do cão.
Pegou a galinha d’angola
O capote não gostou não.
Pra completar a desgraça
Pegou a mulher do pavão.

Para o lado das galinhas,
Debandou-se outra vez.
Pude contar nos dedos
Ele pegou mais de três.
As mais belas do terreiro,
Pois eram de raça pedrês.

Depois que pegou a azul
Correu atrás da nanica,
A branquinha apavorada:
O diabo é que se arrisca!
E voou para o telhado.
Aqui ele não me trisca!

Quem escapou fedendo
Foi a danada da carijó.
Sem pensar duas vezes
Escondeu-se num urinó
E o galo passou batido
E essa levou a melhor.

Pobre das outras galinhas,
Não tiveram sorte igual.
Debaixo do galo ficaram.
Ficaram e passaram mal.
O Galo estava achando,
Que no momento era o tal.

O peru que era orgulhoso,
Tomou logo uma decisão.
Eu vou é fechar meu rabo
E encostar o reto no chão,
Deus me livre deste galo,
Que tem nos coro um cão.

Sei que a coisa ficou feia,
E foram chamar o doutor.
Tudo foi uma experiência,
Que o pobre galo passou.
Explicava o veterinário,
Que o galo diagnosticou.

O galo não é o culpado,
Desta grande confusão.
Este estardalhaço todo,
Foi uma idéia do patrão,
Que deu milho modificado
Pra aumentar a produção.

O milho que ele comeu,
Tinha nova coloração.
Geneticamente modificado
De amarelo virou azulão.
Escrito na embalagem:
Aveiagra é sua solução.

No finalzinho da tarde
O galo velho desmaiou.
A maratona foi puxada,
E o doutor recomendou,
Que ele tivesse repouso
Mas de nada adiantou.


Quando passou o efeito
Deste famoso azulão.
O galo apanhou tanto,
Que caiu roxo no chão.
A crista era puro sangue
Quase perdeu o esporão.

Nele bateu um ganso
Pato, peru e o capote.
Ele quis se levantar,
E foi pego no pinote.
A coisa ficou foi feia,
Vi a hora era dar morte.

O galo gemia e ciscava
A porrada firme comia.
O frango que deu pra ele
Também deu uma agonia.
E galinhas cacarejando
Por toda parte se ouvia.

O galo que por um dia,
Tornou-se um garanhão.
De uma hora para outra,
Viu o seu posto no chão.
As galinhas reunidas,
Pediram substituição

Dizem que o galo velho
Depois que se aposentou,
Com o tal frango capado
Realmente se amancebou.
Dando lugar ao novo galo
Que no galinheiro reinou.