
ALMA PENADA, CRIANÇA PENANDO
Menina mijando na rede,
até mocinha ficar.
Descasquei muito tijolo,
e, háaaaaja lençol pra lavar.!
Não adiantava prometer surras,
nem me fazer limpar chão.
Porque eu mijava na rede,
com medo de assombração.
Minha mãe me falava de alma,
que batia nas panelas.
E, no meio da madrugada,
abria porta e janelas.
Minha Tia catequista,
me ensinava a oração.
Mas também falava de diabo,
com espeto de fogo na mão.
Sempre à boquinha da noite,
com cadeiras na calçada.
A família reunida,
falava de alma penada.
Desenterravam defunto,
que não tinha mais nem o pó.
Deixavam as pobres crianças,
num medo de fazer dó.
Era alma dando botija.
Alma pegando no pé.
Alma querendo reza,
e eu rezando com fé.
Até meus dias de hoje,
não vislumbrei uma só alma.
Por isso perdi o medo,
meu sono é pleno de calma.
Texto de Dalinha Catunda
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