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domingo, 8 de novembro de 2009

ENCONTRO COM POETAS E RODAS DE CANTORIA


Madrinha Mena, Dalinha Catunda E Maria Rosário

Dalinha Catunda, Maria Rosário e Madrinha Mena.

Queridos amigos, como havia anunciado antes, dia 10 de outubro, houve o "Encontro de poetas e rodas de cantoria". Apesar da chuva que caiu durante três dias antes do evento, conseguimos fazer na data marcada.
Quero registrar e agradecer a ilustre presença do casal, Edison Ferreira Lima e Sarinha, minha querida amiga SAM, da internet, que hoje é amiga real.
Estou apresentando, aqui, fotos e dois textos que criei para o acontecimento.

ENCONTRO DE POETAS
AS TRÊS MARIA
.
Sr. Presidente Gonçalo,
Membros da Academia,
Nosso cordel de saia,
Vem à casa da poesia.
Trazendo prosa e canção
Muito verso e animação
Para alegrar a confraria.
.
O cordel está em festa,
A tarde é de Alegria.
“O encontro de poetas,
“E rodas de cantoria.”
Na produção feminina,
Traz três nordestinas,
Por coincidência Maria.
.
Maria do Rosário Pinto.
Maria de Lourdes Aragão
Maria do livramento Lima.
De Òrion, não somos não!
Mas somos as Três Marias
Estrelas desta confraria,
Em cena neste Salão.
.
Maria do Rosário Pinto,
Nascida no Maranhão,
Na cidade de Bacabal
Pra falar com exatidão.
Atua num grande papel,
Vive a catalogar cordel,
Em sua nobre profissão.
.
Falo com muita emoção,
De nossa madrinha Mena
Que dedilha um violão
E tem uma voz serena,
Canta bonitas cantigas,
Daquelas bem antigas,
Relembrar, vale à pena.
.
Eu sou Maria de Lourdes
Sou Catunda e Aragão.
Dalinha das Ipueiras,
O velho Ceará é meu chão.
Minha maior alegria
E fazer minhas poesias,
Falando do meu sertão
.
Espero que todos gostem
Desta nossa apresentação.
O cordel vestindo saia
Já tirou o pé do fogão.
A mulher hoje recusa,
Ser somente uma musa
Servindo de inspiração.
.
Só queremos demonstrar,
A nossa capacidade,
Apresentando temas,
Com criatividade.
Musica e informações,
Entre versos e canções.
E algumas novidades.
.
Agradeço o empenho
De Fernando Assumpção.
Ivamberto Albuquerque
Pela sua mediação.
E a todos da confraria,
Meus amigos e família,
Agradeço a participação.
.

PELEJA ENTRE: Dalinha Catunda e Maria Rosário
PAPO DE MULHER
DC
Eu sou Dalinha Catunda,
E não sou de brincadeira
Quando deixei o meu chão
Escancarei a porteira
E me entreguei à labuta,
Aprendendo a ser astuta
Nesta vida de estradeira.
MR
Sou Maria do Rosário
Boa filha de Bacabal.
Ouvindo versos me criei
Amigo não leve a mal.
Pois saí do Maranhão
Com a poesia na mão
Trazida da terra natal.
DC
“Deus não dá asas à cobra”,
Mas deu palavras a mulher,
Assim ela enfrenta o mundo
Do jeito que ela bem quer
Vencendo a força bruta
Encarando com arte a luta,
Firme, pro que der e vier.
MR
Eu concordo com você,
Minha parceira querida.
E seria o homem, triste,
Sem uma mulher na vida.
Dando-lhe farta atenção
Estendendo-lhe a mão,
Disso ninguém duvida.
DC
Deus quando fez o homem,
E fez a mulher diferente.
Para fazer os dois felizes,
Fez o encaixe de presente.
O homem sem sua criatura,
E chave sem fechadura,
Jamais viverá contente.
MR
O Homem sem a mulher
É homem pela metade.
Deles cuidamos sempre
Desde as tenras idades
Fruto de nossas entranhas
Cheios de arte-manhas,
Diga se não é verdade?
DC
Com homem eu não pelejo,
Faço mesmo é parceria.
Sendo filho de mulheres
Sem dúvidas nossas crias.
Lá em casa são três machos
Mas deles não sou capacho
Sou respeitada Maria.
MR.
Se existe o mundo machista,
Temos boa parte da culpa.
Pois somos, nós, mulheres,
A lapidar tais condutas,
Porém hoje mais atrevida,
A mulher não se intimida,
E a igualdade é sua luta.
DC
No Varal da minha casa,
Não tem lugar diferente,
Ao lado de uma cueca,
Há uma calcinha presente.
Demarcando um território
Que nada tem de transitório
É uma conquista permanente.
MR
Sou Maria do Rosário
E tive a grata satisfação.
De falar neste espaço
E fazer minha colocação
A todos muito obrigada
Estou de alma lavada,
Agradeço de coração.
DC
De alma lavada, Rosário,
Confesso, também estou.
Agradeço essa linda platéia
Que gentil, nos prestigiou.
E aqui em Santa Tereza,
Nos fez viver a beleza,
Numa tarde de esplendor.
MR
A tarde ficou mais alegre
E acho que valeu a pena.
Ouvir as belas canções
Na voz singela de Mena.
Essa madrinha querida,
Dos poetas a preferida,
Que hoje brilhou em cena.
DC
Também quero louvar
Essa mulher nordestina
Com seu canto popular,
Que junto à viola afina,
E faz um bonito papel
Prestigiando o cordel
Que hoje sai da rotina.

sexta-feira, 6 de novembro de 2009

A FELICIDADE


A FELICIDADE

Felicidade é momento.
Por isso, preste atenção!
Agarre com unhas e dentes,
Os momentos que virão.
A vida passa ligeiro,
Não seja um passageiro,
Que perdeu a condução.

Com esta bela imagem e estes versos quero desejar um ótimo final de semana a todos.
Foto e texto de Dalinha Catunda

quarta-feira, 4 de novembro de 2009

A PALESTRA






Fotos do evento, para visualizar melhor clicar na foto.

A PALESTRA

Geralmente vou a Ipueiras para passear, porém sempre que sou convocada a participar de eventos culturais compareço com todo prazer.

Foi o que aconteceu no dia 23 de outubro na Escola de Ensino Fundamental Monsenhor Fontenele, no bairro “Vamos Ver”.

Convidada pelo Diretor José Wilson Camelo da Silva, que tem feito um ótimo trabalho junto aos seus alunos, aceitei discorrer sobre minha vida na cultura popular e os caminhos que me levaram até o mundo encantado do cordel.

A professora Erlene responsável pelo projeto, Semana do Município, orientou muito bem os alunos que graciosamente e munidos de competência fizeram uma bela apresentação, tanto lendo como declamando, textos em cordel e outras modalidades de poesias.

Entre os participantes destaco a presença dos professores: Geraldo, Adalto, Gleide , a coordenadora Neudimar e ainda o Diretor José Wilson.

Na platéia, adultos e adolescentes se misturavam. O que realmente me encantou foi o comportamento de todos que atenciosamente prestavam atenção a cada detalhe de minha exposição.

Ali não me vi como convidada especial e sim como mais uma simples ipueirense no meio de minha gente. Senti-me totalmente à vontade e prestigiada pelos que lá estiveram rindo, aplaudindo e prestando atenção a cada etapa.

O diretor José Wilson, agradeço o convite, aos professores e coordenadores quero parabenizar pela organização, e aos alunos agradeço pelo comparecimento e o comportamento impecável.

Fotos e texto de Dalinha Catunda

terça-feira, 3 de novembro de 2009

CAJUEIROS DE MINHA TERRA



Texto e fotogafias de Dalinha Catunda

CAJUEIROS DE MINHA TERRA

Cajueiros de minha terra.
Cajueiros do meu sertão.
Logo que chega outubro,
Carrega que cai no chão.
Alegrando a passarada,
Que na copa faz zoada,
Vendo farta alimentação.

Com Cajus de minha terra,
Faço suco, doce e gostosuras.
E ainda como com feijão,
Nesses tempos de fartura.
A castanha fica guardada,
Pra depois comer assada
Como manda nossa cultura.

Bonitos e bem saborosos,
Cajus vermelhos e amarelos,
Coloridos e apetitosos,
Naturalmente tão belos,
Como que me lambuzo,
Confesso que até abuso
Sem temer nódoa me melo.

Acompanhando uma cachaça,
Amigo não me leve a mal...
Um cajuzinho bem fatiado,
É um tira-gosto sem igual.
Conheço desde menina,
Essa moda nordestina,
Que no sertão é habitual.


Amigos,
Voltei trazendo um pouco de minha Ipueiras, para vocês.
Obrigada a todos que empurraram a porteira e entraram em minha casa mesmo em minha ausência.
Meu abraço carinhoso a todos vocês.
Dalinha Catunda

domingo, 11 de outubro de 2009

APOSTANDO NA VIDA


Foto: dalinha Catunda

Olá amigos estou fechando a porteira do cantinho da Dalinha, por uns dias, vou até o Nordeste. Em novembro estarei de volta. Ah!!! a porteira está só encostada. A casa é de vocês, podem entrar na minha ausência.

APOSTANDO NA VIDA

Dalinha Catunda

Às vezes eu me aborreço.
Às vezes me entristeço.
Outras tantas sou infeliz.
Porém, vou levando a vida,
Curtindo uma ânsia atrevida,
De apostar no porvir.

Não quero olhar a vida,
Apenas por uma janela.
Não quero viver suspirando,
Feito eternas donzelas.
Se viver é correr riscos
Encaro sem medo a mazela.

Eu quero o gozo da vida.
Quero abrir feridas.
Sangrar se preciso for.
Quero chorar a partida,
De cada paixão perdida,
Que ardeu e se apagou.

Só não quero viver a apatia
De uma vida sem magia,
De quem se desencantou.
Atrás das cores da vida,
Sou primavera florida,
Que o tempo não desbotou.

sexta-feira, 9 de outubro de 2009

PROTEJA NOSSAS CRIANÇAS


DIA 12 DE OUTUBRO, DIA DA CRIANÇA E DE NOSSA SENHORA APARECIDA

PROTEJA NOSSAS CRIANÇAS

Nossa Senhora de Aparecida,
Santa das águas resgatada.
Padroeira do nosso Brasil,
Por muitos és venerada.

Peço-te ó mãe querida,
Que tenhas compaixão
Das crianças que padecem
E penam em sórdidas mãos.

Livrai nossas crianças,
De toda essa violência.
Não deixe que sordidez
Macule sua inocência.

É triste ver tanta criança,
Espancadas e violentadas
É inconcebível vê-las,
Barbaramente assassinadas.

Ó minha mãe generosa,
Livrai-nos desta cruz.
Interceda pelas crianças,
Junto ao seu filho Jesus.

Texto de Dalinha Catunda
Foto da internet

quinta-feira, 8 de outubro de 2009

DIA 08 DE OUTUBRO, DIA DO NORDESTINO


Foto e texto de Dalinha Catunda.

Nada mais nordestino do que bodes no terreiro.
Hoje dia do NORDESTINO, quero homenagear essa gente que é minha gente. Principalmente os que migraram e trazem grande saudades no peito.

Migrante

Sou das águas retiradas.
Sou do sertão nordestino.
Das caatingas desertei,
Lamentando meu destino.
Pois deixar o meu torrão,
Machucava-me o coração
Causando-me desatino.

Meu dialeto sagrado,
Era motivo de riso.
Era uma rês desgarrada,
Mas seguir era preciso.
Pedi a Deus proteção,
E virgem Conceição,
Para me dar mais juízo.

Não reneguei minha terra,
E jamais renegarei.
De ser filha do Nordeste,
Sempre me orgulharei.
Lamento até ter perdido,
Aquele sotaque antigo,
Que de lá eu carreguei.

Na minha casa nova,
Onde hoje brilha o chão,
Num canto especial,
Avista-se um pilão,
Em outro canto uma rede
Onde embalo com sede,
As saudades do sertão.

Tapioca com manteiga,
Não deixo de comer não.
Numa panela de ferro,
Faço um gostoso baião.
Cabeça de galo e mal-assada,
São iguarias apreciadas,
Com gosto de tradição.

Rezo pra são Francisco,
E padre Cícero Romão.
Pra proteger Ipueiras,
Meu pequenino rincão
Pois é lá minha ribeira,
Onde a linda carnaubeira,
Ao vento lança canções.

Eu vim sem querer vir
Fiquei sem querer ficar,
Mas um dia ainda volto,
A morar no meu Ceará.
Longe da terra amada,
Serei sempre ave arribada
Voando tentando voltar.

Poema publicado originalmente no jornal O Povo de Fortaleza-Ce

terça-feira, 6 de outubro de 2009

MULHERES NO ENCONTRO DE POETAS E RODAS DE CANTORIA


“Encontro com Poetas Populares e Rodas de Cantoria” recebe Dalinha Catunda, Maria Rosário e a Madrinha Mena na Academia Brasileira de Literatura de Cordel



No próximo sábado - dia 10 de Outubro, a partir das 16h, a Academia Brasileira de Literatura de Cordel, no projeto “Encontro com Poetas Populares e Rodas de Cantoria”, apresenta a atração “A produção feminina na Literatura de Cordel”. O encontro contará com as Cordelistas Dalinha Catunda, Maria do Rosário e a Violeira Mena - a madrinha dos poetas.





As poetas cordelistas falarão, em prosa e versos, do ingresso da mulher nas rodas de cantoria, no mundo do cordel e nos lugares antes só ocupados por homens. Tudo isso entremeado com a voz e o violão de Madrinha Mena.





O objetivo é contemplar produções voltadas à literatura de cordel, que desempenha o papel de refletir problemas populares e as suas contradições estruturais, circulando assim como elemento de ligação entre diversos grupos sociais. Entendida como arte, a literatura de cordel persiste no imaginário do povo brasileiro, divertindo-o, fazendo-o pensar, contestar e, acima de tudo, representando-o na sua forma mais rica que é a cultura. O projeto, por isso mesmo, foi criado nessa perspectiva de continuidade e de futuro, a fim de construir e democratizar o saber popular.



Outras informações sobre a programação podem ser encontradas no Site da ABLC (www.ablc.com.br) e no Blog (www.encontrocompoetas.blogspot.com). A Academia Brasileira de Literatura de Cordel fica na Rua Leopoldo Fróes, nº 37 - Santa Teresa. Vale lembrar que a entrada é franca.

domingo, 4 de outubro de 2009

O CANCÃO DA FLORESTA


Foto e Texto de Dalinha Catunda

O CANCÃO DA FLORESTA

_ Venha cá dona Maria,
Venha logo me contar,
A história do cancão,
Que vive a lhe aperrear.
Come os ovos das galinhas,
De raiva quer lhe matar.

_ Minha filha esse bicho,
Parece pintura do cão.
Só deixa no meu terreiro,
Ovo furado no chão.
Eu falto é morrer de raiva,
Com esse maldito cancão.

Era assim que eu ouvia,
As queixas de dona Maria,
E sonhava em conhecer,
O cancão que os ovos comia,
Mas o bicho era esperto,
Se via gente sumia.

Um dia eu tive a sorte
De cruzar com o cancão.
Em cima de uma goiabeira,
E foi grande a satisfação.
Pois fotografei a tal Ave
Tão falada em meu sertão.


Dia 05 de outubro é o dia da AVE, por isso estou homenageando essa ave tão admirada em meu sertão.

quinta-feira, 1 de outubro de 2009

CRIANÇA DO INTERIOR


Crianças brincando no rio que passa dentro do meu sítio em Ipueiras-Ceará.
Texto e foto de Dalinha Catunda

CRIANÇA DO INTERIOR

Dalinha Catunda
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Foi-se o tempo que criança,
Brincava de bola e boneca.
Brincava de cabra Cega,
De casinha e de peteca.
Brincava de pular corda,
E nas brincadeiras de roda
Cantava a Sinhá Marreca.
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Menino jogava bila.
Também soltava pião.
Vi muito pião rodando,
No chão e na palma da mão
Assim eram as brincadeiras,
Em minha saudosa Ipueiras,
Meu recanto, meu sertão.
.
Papagaios coloriam
Aquele céu do sertão.
Menino pra todo lado
Com sua pipa na mão.
Correndo pela cidade
Cheios de felicidade
Mesmo de pé no chão.
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Fui criança do interior,
Criada bem à vontade.
Tenho pena de meus filhos,
Os filhos da grande cidade!
Que não tiveram essa alegria,
Nem viveram a mesma magia,
Só condomínio com grades.
.
Dalinha Catunda