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quarta-feira, 15 de setembro de 2010

FLORES DA MINHA TERRA


FLOR DA ESPIRRADEIRA

Este buquê de flores
Tão rosadas e brejeiras
É uma presença constante
Na cidade de Ipueiras.
Tem um cheiro atraente
Tem um nome diferente
È a flor da espirradeira

Texto e foto: Dalinha Catunda

segunda-feira, 13 de setembro de 2010

SÓ SENDO DO CEARÁ!


SÓ SENDO DO CEARÁ!
1
Esta cabecinha chata,
Esta falta de cintura
Ser doidinha por queijo,
Amar uma rapadura,
Só sendo do Ceará
Essa dita criatura!
2
Quando chega a noitinha,
Ela acha uma gostosura,
Se balançar numa rede,
Para abanar a quentura
Só sendo do Ceará
Essa dita criatura!
3
Adora uma paçoca
Não fica sem a fussura.
Ficar sem baião de dois,
Ela acha uma tortura.
Só sendo do Ceará,
Essa dita criatura!
4
Às vezes é muito braba
Noutras anjo de candura
Quando fica enfezada,
Diz que fica com gastura.
Só sendo do Ceará,
Essa dita criatura!
5
Teve que ganhar o mundo
Nunca viveu de brandura.
Sua vida não foi fácil
Ela mesma assegura.
Só sendo do Ceará
Essa dita Criatura.
6
Já provou como remédio
A bunda de tanajura.
Pra garganta inflamada
Dizem que traz a cura.
Só sendo do Ceará
Essa dita criatura!
7
E quem quer ser só as pregas,
Ela mesma não atura.
Pois acha que gente fresca
Nunca muda de postura.
Só sendo do Ceará
Essa dita criatura!
8
Às vezes se faz de besta
Mas tem a sua cultura.
Se for preciso dá coice
Se precisar tem lisura.
Só sendo do Ceará
Essa dita criatura!
9
Agora diz que cordel,
É sua literatura.
E coloca no papel
Um monte de aventura.
Só sendo do Ceará
Essa dita criatura!
10
Cantada de muriçoca
Seguida de picadura.
Ela fica arretada
E perde a compostura.
Só sendo do Ceará
Essa dita Criatura!
11
E quando está com raiva,
Joga praga, esconjura.
Às vezes cheia de calma
Demonstra sua ternura.
Só sendo do Ceará
Essa dita criatura!
12
O Ceará é seu céu,
É a verdade mais pura.
Ficar distante de lá
Ela acha uma tortura.
Só sendo do Ceará,
Essa dita criatura!
13
Ela pinta seu Ceará,
Desenha, faz escultura.
E coloca na parede
Na mais bonita moldura.
Só sendo do Ceará,
Essa dita criatura.
14
E se nasceu no Ceará,
Lá será sua sepultura.
É assim que ela fala
Na atual conjuntura.
Só sendo do Ceará
Essa dita criatura.
15
Ficar longe é difícil,
Mas a onda ela segura.
Repleta de bom humor
Não conhece amargura.
Só sendo do Ceará,
Essa dita criatura!
16
Falar mal do Ceará
Perto dela é loucura.
É procurar levar coice,
De quem não tem ferradura
Só sendo do Ceará,
Essa dita criatura!
17
O sol da sua terrinha,
É quente que dá tontura.
A terra é bem distante,
Nunca vi tanta lonjura
Só sendo do Ceará
Essa dita criatura!
18
De andar sempre na linha,
Não teve a desventura.
O seu nome é Dalinha
Não está na escritura.
Só sendo do Ceará
Essa dita Criatura!
19
Nasceu lá em Ipueiras
A referida figura,
O amor por sua terra
Inabalável perdura.
Só sendo do Ceará
Essa dita Criatura.
20
É Ceará e Ipueiras.
É Dalinha e ventura,
Tudo no mesmo balaio,
Fato que se emoldura.
É mesmo do Ceará
Essa dita criatura!

Texto e foto de Dalinha Catunda.
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quinta-feira, 9 de setembro de 2010

DIA CHUVOSO



DIA CHUVOSO

O dia amanheceu cinza,
Sem nenhum sinal de sol.
E a chuva caindo fina
Embaçava o arrebol.
Um ar de melancolia
Incorporou-se ao dia
Busquei cama e lençol.
.
O inverno que me perdoe,
Mas não é minha estação.
Eu gosto é da primavera
E do sol quente do verão.
O sol é vida e pujança,
Estimula a esperança
E acalora o coração.
.
Mas é bem interessante,
A mudança de cada estação.
E justamente a alternância
Que nos tira da estagnação.
Se os dias fossem iguais
Não saberíamos jamais
O sabor de cada ocasião.
.
Texto e foto de Dalinha Catunda
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terça-feira, 7 de setembro de 2010

AGUENTA PATRIA AMADA!



AGUENTA PÁTRIA AMADA!

Quem disse que meu país,
Hoje é independente?
A sua podre política
Deixa um rastro evidente
De lama e falcatrua
Dessa gente que atua
Numa política indecente.
.
É com nojo que eu vejo
No rádio e na televisão.
No horário obrigatório,
O político e seu sermão.
Vestindo pele de cordeiro
Visando poder e dinheiro
Que lhe traz cada eleição.
.
O brasileiro acovardado,
Vai sempre dizendo amém!
E para facção engajada
Sobra parte do roubo também.
E os que amam esta nação
Sofrem sem ver solução,
E nem sabe se ainda tem!
.
Neste sete de setembro,
Com minha pena na mão.
Confesso morro de pena,
Do Brasil, minha nação!
Já não vejo a “brava gente”
Só espertos e indigentes,
E a pátria em degradação.

Texto:Dalinha Catunda
Foto:bragalia.blog.uol.com.br/
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sexta-feira, 3 de setembro de 2010

ESPINHENTA PAIXÃO


ESPINHENTA PAIXÃO

Dois pés de mandacarus
Em uma vereda se via.
Ali cresceram juntinhos
É assim que se noticia.
Não sei se é bem verdade,
Ou lenda que o povo cria.
.
O povo que passa por lá,
Fazendo sua romaria,
Diz que um, é o tal João,
O outro, é a bela Maria,
Filha de um fazendeiro
Que o namoro não queria.
.
Ela uma moça bonita!
João um bonito rapaz...
Que fora abatido a tiros,
Pelas mãos de um capataz.
A mando do fazendeiro,
Que nada entendia de paz.
.
Maria ficou desesperada,
Com a morte de sua paixão,
De posse de um punhal
Sangrou o seu coração,
E caiu em cima do moço,
Que estava morto no chão.
.
O velho pai desesperado
Acabou por enlouquecer.
Vendo sua filha única
Daquele modo morrer,
E teve ali o seu castigo
Porque fez por merecer.
.
Pouco tempo depois
Nascia naquele lugar.
Um par de mandacarus
Frente a frente a namorar.
Marco da velha história
Que eu acabo de contar.
.
Foto e texto de Dalinha Catunda
Visite também:www.cordeldesaia.blogspot.com

terça-feira, 31 de agosto de 2010

CHEIRO DE AMOR


CHEIRO DE AMOR
.
Você diz que sou uma rosa
Daquelas mais cheirosas
Que brotou em seu jardim.
Não quero ser presunçosa
Mas sinto-me orgulhosa
Vendo você pensar assim.
.
Essa fragrância divina,
De quem já não é menina
E que tanto lhe satisfaz.
É o verdadeiro olor
Que germina do calor
Do amor que a gente faz.

Texto e foto de Dalinha Catunda
Visite também o blog:www.cordeldesaia.blogspot.com

segunda-feira, 30 de agosto de 2010

VOLTANDO DE IPUEIRAS


Foto: Acervo do blog. Corrida de jegue em Ipueiras

VOLTANDO DE IPUEIRAS
*
Amigos, sumi um pouco.
Estou de volta ao lar.
Quando a saudade aperta
Vou visitar meu lugar.
Minha cidade querida,
Onde passei minha vida,
Até resolver migrar.

*
Fui rever a minha terra,
Visitar o meu torrão.
Abraçar os meus amigos,
E também cada irmão.
Meus pais estão velhinhos
Deles recebi carinhos,
Que guardo com emoção.
*
Degustei comidas típicas,
Primores do meu sertão.
Gostoso baião de dois,
E paçoca de pilão.
Matei a minha saudade.
Visitando minha cidade
Mimosa flor do sertão.

quarta-feira, 11 de agosto de 2010

PROTESTO DE MULHER!



PROTESTO DE MULHER

Em oito pés de Quadrão
Vou cantar preste atenção
Não venha dizer que não
Que não vou lhe obedecer.
Eu sou cria nordestina
E canto desde menina
Meu canto é minha sina.
Dispenso seu parecer.
*
Você que se diz poeta,
Do repente um atleta
Dono de obra completa
Que segue a tradição.
Você que dá nó em tripa
Em todos mete a ripa
Vá voar com sua pipa
Distante deste meu chão
*
Não venha meter colher,
No meu canto de mulher
Que canta como bem quer
Sem nunca se acanhar.
Sei que não sou repentista,
Sou um tanto anarquista
Mas se eu estou na pista
Não cheguei para apanhar
*
Eu não sou desaforada,
Nem tão pouco afamada
Só sigo a minha estrada.
Se quiser me acompanhar,
Eu digo: não sou novela!
Não caia nesta esparrela
Em mim você não atrela,
Pode o seu rumo Tomar.
*
Se você é sol sou lua
Que também hoje atua.
Meu canto levo pra rua
Já escapei do fogão!
Não fujo de cantoria,
Onde a dona poesia
Sai da boca de Maria
Que pisa firme no chão.
*
Homem deixe de besteira
Não estou de brincadeira
Meu canto não é asneira
Pra você me censurar
Deixe de ser egoísta
Com este canto machista
Vá baixando sua crista
Pois não vou lhe aturar
*
Em oito pés de quadrão,
Tomei minha decisão,
Fiz minha reclamação,
Pois o momento requer.
A mulher quer liberdade,
Pra cantar sua verdade
E ter na realidade
Seus louros como mulher!

Imagem e texto de Dalinha Catunda

sexta-feira, 6 de agosto de 2010

MEU PAI, MEU REI


Espedito Catunda, meu pai

MEU PAI MEU REI!
*
Parabéns querido pai
Por sua longevidade.
Por essa sua lucidez
Contrariando a idade.
*
Parabéns querido pai,
Por ter tanta teimosia,
Por cair e se levantar
Isso me causa alegria.
*
Filhos, netos e bisnetos,
A sua sólida construção.
E você é o maior exemplo
Para toda essa geração.
*
Orgulho de ser sua filha,
Eternamente eu terei.
Dentro do meu coração,
Você será sempre rei.
*
Texto:Dalinha Catunda
Foto: Acervo de Dalinha

segunda-feira, 2 de agosto de 2010

21 ANOS SEM O ETERNO REI DO BAIÃO


O ETERNO REI DO BAIÃO
.
Já faz mais de vinte anos
Que o velho Lua morreu.
Da vida dos nordestinos
Nunca desapareceu.
Pois em cada canção
Cantou com o coração
O mundo que ele viveu.
.
E o Rei do Baião vive
Na boca de sua gente.
Tudo que ele gravou
Canta-se no presente.
Foi a voz do retirante,
Dos que estavam distante,
Foi o canto do ausente!
.
Luiz Gonzaga cantou,
Os costumes do sertão
Cantou beatas e santos,
Padre Cícero Romão,
Cantou o povo sua fé
O Santo de Canindé,
Cantou até oração.
.
Cantou também paro o papa
Cantou o cruel Lampião,
Lendas de cangaceiros
Que habitavam o sertão.
Cantou a mulher rendeira
E Sá Marica parteira
Costumes e tradição.
.
Cantou do vate Catulo,
Que no nome tem Paixão,
E digo com toda certeza
Que encantou seu torrão,
Com a mais bela cantiga
Que amor a terra instiga
Chamada Luar do Sertão.
.
Lua mostrou ao Brasil
Nossa nação nordestina.
Falou de chuva e de seca
Contando a nossa sina.
Cantou tristeza e alegria
Dum povo que contagia
Pois a ser forte ensina.
.
Cantou a fauna e a flora.
Do nosso seco sertão.
Mostrou o mundo inteiro
O amor pelo seu chão.
Asa branca contagiou,
E o povo todo cantou,
Este hino ao Sertão.
.
O querido rei caboclo.
Aclamado rei do baião.
Viverá eternamente
Em nossa recordação.
E será eternizado
Pois sempre será lembrado
Por toda nossa nação.
.
Quando o fole da sanfona,
Gemer em qualquer lugar.
E um forró pé-de-serra
O sanfoneiro tocar
Lembrarei de Gonzagão,
O nosso rei do Baião,
Majestade Singular!

.
Texto: Dalinha Catunda
Imagem da internet