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quarta-feira, 5 de julho de 2017

ÉGUA!!!!!! QUE FRIO!!!!

ÉGUA!!!! QUE FRIO!!!
*
Eu que sou filha do sol
Amo o calor do sertão
Me vejo toda embrulhada
Com frio nesta estação
Chego até sentir tremor
Debaixo do cobertor
Que não resolve a questão.
*
Boto meia boto toca
E pijama de flanela
Tranco meu apartamento
Fechando porta e janela
E antes de me deitar
Faço chá para tomar
O de maçã com canela.
*
Na hora de tomar banho
Eu só tomo banho quente
Antes de entrar no chuveiro
Eu já vou batendo dente
Se esse frio não passar
Pro meu sertão vou voltar
Não tem diabo que aguente.
*

Versos e foto de Dalinha Catunda

terça-feira, 4 de julho de 2017

BATE UMA PRA MIM?


BATE UMA PRA MIM?
*
Ele chegou ao meu lado
E pediu mais de uma vez
Bate uma para mim
E foi ficando freguês
Toda hora ele passava
A câmara me entregava
Bati muito mais de três.
*
Se já tinha o pau na mão
Para a selfie executar
Bastava esticar o braço
Sem precisar me ocupar
Mas em festa “o pau tora”
Selfie, foto a toda hora,
Haja saco pra aturar.
*
Versos e foto de Dalinha Catunda

quarta-feira, 28 de junho de 2017

RIACHO DO MEIO

RIACHO DO MEIO
*
Atravessei o portal
Que leva a felicidade
Naquele bosque encantado
Encontrei alacridade
Em goles vi a cascata
Molhando o seio da mata
 Espargindo liberdade.
*
Dia claro céu azul
A brisa a me acarinhar
No passo-a-passo da trilha
A passarada a cantar
O sonho era verdade
Entrevi felicidade
No brilho de cada olhar.
*
Vi no barulho das águas
Um canto a me embalar
O vento na samambaia
Trazia magia ao ar
Tão forte que não neguei
Para os orixás cantei
Pois estava a me encantar.
*
Confesso que fui tomada
Por grande exultação
A natureza em festa
Manifesta-se em paixão
Se a natureza conjura
O amor brota com jura
E cresce no coração.
*

Versos e foto de Dalinha Catunda

terça-feira, 27 de junho de 2017

NO BATE E REBATE DO VERSO




NO BATE E REBATE DO VERSO
*
BENTO RAIMUNDO
Da linha eu amanheço
Te vendo na minha frente
Dando aula de cordel
Ilustrando meu repente
Transmitindo alegria
Para o coração da gente.
*
DALINHA CATUNDA
Você estando presente
Da vida não tenho queixa
Com meu verso de bancada
Pego e gloso sua deixa
Na arte de pelejar
Sou mulher que não desleixa.
*
BENTO RAIMUNDO
Dalinha faz poesia
Na cultura nordestina
Do poeta que cantou
No claro da lamparina
As fofocas da cidade
a beleza campesina.
*
DALINHA CATUNDA
Versejar é minha sina
Confesso Bento Raimundo
Feito um bardo, um menestrel,
Sairia pelo mundo
Espalhando poesia
Nesse ramo me aprofundo.
*
BENTO RAIMUNDO
Escreve a sabedoria
Da gente do meu sertão
Do dia de farinhada
Da apanha de feijão
Tem forró e cantoria
Na placa do coração
*
DALINHA CATUNDA
Quando falo do meu chão
Não economizo verso
Se for para duelar
Garanto não desconverso
Eu nasci e me criei
Vivendo nesse universo.
*
BENTO RAIMUNDO
Numa noitada de versos
O poeta mostra o dom
A mente cria o assunto
A viola solta o som
E a plateia dizendo
Êta repentista bom
*
DALINHA CATUNDA
Canto sem sair do tom
E também sem gaguejar
Vejo o povo bater palmas
E o parceiro praguejar
E eu só metendo o sarrafo
Sem medo de apanhar.
*
BENTO RAIMUNDO
Mulher tem o seu lugar
É mensageira do amor
É musa e genitora
Tem o perfume da flor
Mas no debate ela aprende
Respeitar um cantador.
*
DALINHA CATUNDA
Cantador ou trovador
Que ciscar na minha rinha
Sente o perfume da flor
Mas sabe que ela espinha
Confuso sai arranhado
Vencido se desalinha.
*
BENTORAIMUNDO
Mulher e maravilhosa
Na cidade e no sertão
Tenho um lugar pra ela
Dentro do meu coração
Mas quando puxa repente
Eu comando a direção.
*
DALINHA CATUNDA
Se essa é sua intenção,
Já estou impaciente
Taque o dedo na viola
E capriche no repente
Para eu sair do comando
E você seguir em frente.
*
BENTO RAIMUNDO
 Mulher é inteligente
Tem talento e primazia
Todas elas oriundas
Do coração de Maria
Agora participantes
Da arte da cantoria.
*
DALINHA CATUNDA
Estamos em sintonia
Com a arte de cantar
Nas pelejas virtuais
Costumamos duelar
E assim vamos propagando
A cultura popular.
*
BENTO RAIMUNDO
Ela e mais importante
Do que a lua divina
A cabeça de adulta
O coração de menina
É musa inspiradora
Da Cultura nordestina.
*
DALINHA CATUNDA
Com a sua concertina
Eu não posso competir
Porém se puxar o fole
Sei que vou me divertir
Dançando um pé-de-serra
Até a barra surgir.
*
BENTO RAIMUNDO
 A mulher e tão divina
Por isso sabe o que quer
Eu por ser obediente
Dou o que ela quiser
Todo homem necessita
Do amor de uma mulher
*
DALINHA CATUNDA
Bem-me-quer e malmequer
Eu um dia desfolhei
No debulhado da pétala
Meu amor eu encontrei
Do jeito que ele me trata
Posso dizer que é um rei.
*
Xilo de Carlos Henrique



segunda-feira, 26 de junho de 2017

BASTINHA E A LITERATURA DE CORDEL

Amigos e amigas da Nossa Literatura de Cordel,
Quando projetei fazer esse cordel, logo pensei  em Bastinha Job  para apresenta-lo.
Bastinha é uma profunda conhecedora da Literatura de Cordel e seu aval enriquece qualquer obra. E como o folheto fala da trajetória da mulher no mundo cordeliano, é uma forma de homenagear Bastinha Job, a Cordelista do Assaré, que escolheu Crato para morar, e todas as mulheres que se aventuram na arte de escrever cordel.

APRESENTAÇÃO

Um folheto que nasceu
Dessa verve tão fecunda
Neste, Dalinha Catunda
Narra o que aconteceu:
Nosso Altino apareceu
Em Maria Pimentel
Do amargor, fez o mel
Pra narrar de cabo a rabo
O Violino do Diabo
Como o primeiro Cordel.
 *
As Herdeiras de Maria
Espalhadas por aí,
Contam daqui e dali
Em versos com maestria;
Dalinha faz da poesia
Rima, ritmo interligado
O tema forte enfocado
Na figura da MULHER;
Não fez um cordel qualquer...
Pensem bem no seu recado!
*
Bastinha Job
Cadeira nº 4 da ACC

Crato, março de 2017

AS HERDEIRAS DE MARIA

AS HERDEIRAS DE MARIA
1
Começa assim a história
Do folheto feminino:
A mulher com sua manha,
Território o nordestino,
Com patriarcado vil,
Montou-se então um ardil,
Pra traçar nosso destino.
2
Lá pra mil e novecentos,
E trinta e oito asseguro,
Foi que a mulher editou,
E plantou para o futuro,
O folheto feminino,
Com o nome masculino,
Que hoje aqui emolduro.
3
Quando a mulher resolveu
Escrever o seu cordel,
Ainda meio acanhada...
Não quis botar no papel,
Seu santo nome de pia,
Porém foi uma Maria,
A primeira do painel.
4
Era Altino Alagoano
Que assinava a autoria.
A do primeiro folheto,
Que a mulher se atrevia
A escrever sem assinar
Para o marido alcunhar
Com nome de Fantasia.
5
E foi Maria das Neves,
A Batista Pimentel!
Que teve o afoitamento,
De publicar um cordel,
E mesmo não assumindo
O que estava produzindo
Na lavra do seu vergel.

quinta-feira, 22 de junho de 2017

ENTRE O RIO E O CEARÁ

 ENTRE O RIO E O CEARÁ
*
Quando acho que estou aqui,
Estou voltando pra lá
Com as malas na cabeça
Vivo pra lá e pra cá
Assim é a minha vida
Quase sempre dividida
Entre o Rio e o Ceará.
*
Fotos e versos de Dalinha Catunda

EVA E ADÃO

EVA E ADÃO

Por essa pose de Adão
Expressada em bela obra
Nota-se bem que o mancebo
Articula uma manobra
Vejam sua exibição
Com uma maçã na mão
E na cabeça uma cobra.
*
Pelo que vejo e que sinto
Vendo a Cobra, Eva e Adão
Eva viu a desgraceira
Tomou uma decisão
A cobra eu faço fumar
Adão que vá se lascar
Pois não vou ficar na mão.
*
E quem quiser comprovar
Essa parte da história
Puxe o fio da meada
Para achar a trajetória
Não tá no livro sagrado
Mas no livro do Pecado
Que cultivo na memória.
*
Versos de Dalinha Catunda

Foto da pg de: Ricardo Narciso da Rocha

UM CANTO JUNINO

UM CANTO JUNINO
*
JOSÉ DANTAS
Menina bonita
nobre nordestina,
vestida de chita
em festa junina,
de aura fecunda,
Dalinha Catunda
encanta e fascina.
*
DALINHACATUNDA
Eu acho que é sina,
Que vício e missão,
Nasci pra viver
Nossa tradição
Me faço faceira
E toda brejeira

Eu danço São João.

ABRAÇANDO O CRATO


ABRAÇANDO O CRATO
*
Crato terrinha querida
Que trago em meu coração
Cada visita que faço
Aumenta minha paixão
Mesmo quando estou ausente
Recordo da boa gente
Que mora nesse rincão.
*
Essa terra não é minha
Porém eu já adotei
Aprendi comer pequi
Desde o dia que provei
Adoro uma cajuína
O buriti me fascina
Com o doce eu me fartei.
*
Hoje desejo abraçar
O Crato e sua gente
Desejar felicidades
Mesmo sem estar presente
Pois mesmo estando distante
Desta terra sou amante
E serei eternamente.
*
Meus agradecimentos a esse povo maravilhoso que me recebe tão bem,
E meus parabéns ao Crato nestes seus 253 anos.