AS DELFINAS
Era uma vez uma cidadezinha no interior do Ceará, chamada Ipueiras. Nos arredores dessa cidade, ficava um simpático lugarejo, o Pai Mané, onde só havia sítios. Lá Morava Dona Delfina e suas filhas.
Dona Delfina era verdureira, tinha seus canteiros com coentro e cebolinha. Dali tirava o complemento para o sustento da família.
Em Ipueiras antigamente as feiras só aconteciam aos sábados. E quem fosse ao centro da cidade, nesse dia, encontraria Dona Delfina e as filhas, com suas cuias de verduras.
As crianças da cidade, as vezes acompanhavam as mães, quando essas iam a feira, pois queriam garantir, o bolo manzape, a pitomba, o cajá e o cambucá.
Mas além das guloseimas, só Dona Delfina, encantava as crianças, pois a verdureira, tinha uma cuia especial. Uma Cuia colorida, cheia de bonequinhas de pano que atraia o olhar da meninada, e por ser um mimo barato, as meninas sempre conseguiam levar uma bonequinha para casa.
As bonecas eram conhecidas, como as bonecas das filhas de Dona Delfina. Eram vendidas nas feiras, eram arrematadas nos leilões das novenas e durante muito tempo foram presentes queridos e cobiçados pelas meninas do interior.
Brinquei muito de boneca de pano, fiz muitos vestidinhos para elas, confesso que nunca fiquei, sem uma dessas bonequinhas. Até me arriscava a fazer algumas com as sobras de tecido que minha mãe juntava. Mainha, entre outras atividades, era costureira.
Hoje envolvida com cultura popular, artesanato, poesia, estou exercitando o que herdei do meu povo e repassando as novas gerações o meu conhecimento.
Agora, voltei a brincar de fazer boneca. É uma ocupação que me dá muito prazer. E com todo carinho e respeito por Dona Delfina e suas filhas, batizei minhas bonecas com o nome da verdureira e artesã: AS DELFINAS.
*
Fotos e relato de Dalinha Catunda
dalinhaac@gmail.com
Idealizadora e gestora do Cantinho da Dalinha e do Blog Cordel de Saia.
O Cantinho da Dalinha é também o canto do cordel. O picadeiro onde costumo entoar o meu canto em versos propagando a poesia popular. É o Canto de uma cearense que adora suas raízes, canto da mulher destemida que saiu das entranhas nordestinas e abriu uma janela para cantar sua aldeia para o mundo, Interagir com outros poetas cordelistas desfrutando deste mundo virtual. Sou Maria de Lourdes Aragão Catunda, a poeta de Ipueiras e do cordel, sou a Dalinha Catunda. dalinhaac@gmail.com
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domingo, 3 de novembro de 2019
quinta-feira, 24 de outubro de 2019
A ARTE DE VOAR

A
ARTE DE VOAR
*
Sou
pipa sou papagaio
Voo
na imaginação
Os
sonhos me deram asas
Tirei
o meu pé do chão
O
colorido da vida
Faz
parte da minha lida
Trafego
na imensidão.
*
Cada
sonho que desenho
Tramo
pra realizar
Vou
fiando meu destino
Gosto
de me aventurar
De
viver nunca me enfado
Por
isso teço meu fado
Pra
depois concretizar.
*
Versos
e arte de Dalinha Catunda cad. 25 da ABLC
dalinhaac@gmail.com.br
quarta-feira, 23 de outubro de 2019
VIDA E MORTE
VIDA E MORTE
*
LUIZ FERREIRA - LIMINHA
Essa aqui é a morada
De todos os ancestrais
Branco, preto, pobre ou rico
São do portão para trás
Poderoso e prepotente
Passou do portão pra frente,
Daqui não volta jamais...
*
DALINHA CATUNDA
Amigo, eu sei que um dia
Eu também vou virar pó
Porém me prendi a vida
Dei laçada e apertei nó
Não quero virar presunto
E a cidade do pé junto
Quando eu for eu não vou só.
*
LUIZ FERREIRA - LIMINHA
Minha Cara Poetisa
Eu também tô nesse pleito
Sei que vai chegar a hora
Vou partir com dor no peito
Duelarei com a morte
Somado a um pouco de sorte
Só vou se não tiver jeito...
*
DALINHA CATUNDA
Pra não ir antes da hora
Eu luto com carabina
Faço trato com a morte
Para mudar minha sina
E se nada adiantar
Pra tentar aqui ficar
Ofereço até propina.
*
segunda-feira, 14 de outubro de 2019
O ANJO BOM DA BAHIA/HOJE É SANTA NO ALTAR
O
ANJO BOM DA BAHIA
HOJE
É SANTA NO ALTAR
*
Foi
fazendo caridade
Acolhendo
cada irmão
Que
seu nome correu chão
Irmã
Dulce era bondade
Sua
força de vontade
Era
firme ao abraçar
Viveu
para amenizar
Do
pobre sua agonia
O
ANJO BOM DA BAHIA
HOJE
É SANTA NO ALTAR
*
Mote e glosa de Dalinha Catunda cad. 25 da ABLC
dalinhaac@gmail.com
quinta-feira, 10 de outubro de 2019
XODÓ NORDESTINO
XODÓ
NORDESTINO
*
Você
gritou: Ô de casa!
Eu
saí e dei bom dia
Me
pediu um copo d’água
A
desculpa eu conhecia
Saí
quase no pinote
Fui
pegar água no pote
Lhe
servi com alegria.
*
Você
me olhava com gosto
E
eu olhava pra você
Ali
nascia um chamego
E
nós dois dele a mercê
Eu
no começo corava
Quando
você me chamava
Minha
flor de muçambê.
*
Quando
o fole da sanfona
Gemia
nalgum lugar
Você
trocava de roupa
Corria
pra me pegar
E
naquela brincadeira
No
forró a noite inteira
Eu
via o suor pingar.
*
Teu
copo grudado no meu
Meu
corpo no teu grudado
O
povo todo olhando
O
nosso rodopiado
Não
tinha naquele chão
Pras
bandas do meu sertão
Um
casal mais animado.
*
Eu
me arrumava todinha
Com
meu vestido de chita
Aquela
flor encarnada
Me
deixava mais bonita
Você
na sua paixão
Roubou
pra recordação
Meu
laço feito de fita.
*
Era
um xodó animado
Era
um chamego ladino
Tinha
cheiro no cangote
Coisa
só de nordestino
Ao
som de xote e baião
Embalamos
a paixão
Era
um chamego bem-vindo.
*
Versos
e fotos de Dalinha Catunda cad. 25 da ABLC
dalinhaac@gmail.com
terça-feira, 1 de outubro de 2019
CUIDE DE SEU IDOSO
CUIDE
DO SEU IDOSO
*
Quem
tem o seu idoso
Consciência
deve ter.
Cuidar
dele com carinho,
É
obrigação, é dever.
Ter
zelo, ter paciência,
E
também tomar ciência:
Todos
vão envelhecer.
*
Não
maltrate um ancião
Que
já não sabe o que faz
Mas
que foi seu alicerce
E
já foi muito capaz
Já
lhe deu casa e comida
Mas
antes lhe deu a vida
E
merece enfim ter paz.
*
Cada
vez que a paciência,
Fugir
do seu coração
Reze,
reflita e pense,
Não
faça judiação
Pois
quem não morre envelhece
E
quase sempre padece
Sofrendo
de mão em mão.
*
Não
se esqueça de lembrar
De
quem de você lembrou.
Nos
verdes anos da vida
De
você sempre cuidou.
Mesmo
hoje sem memória
Faz
parte da sua história,
Que
o tempo não apagou.
*
Versos
e fotos de Dalinha Catunda
segunda-feira, 30 de setembro de 2019
O VOO DA RETIRANTE
O
VOO DA RETIRANTE!
1
Eu
sou mulher sertaneja!
Feminina
e singular
O
agreste me batizou
Mas
fiz do mundo meu lar
Açoites
patriarcais
Não
me podaram jamais
Lutei
pra me libertar.
2
Nunca
fui igual a tantas
Aceitando
imposição
Tinha
o olhar aguçado
Tinha
rumo e direção
Do meu jeito nordestino
Sem
drama sem desatino
Segui
cheia de razão.
3
Não
fui mulher de ficar
Debruçada
na janela
Eu
queria muito mais
Vi
que a vida dava trela
Na
janela não fiquei
A
porta eu escancarei
E
joguei fora a tramela.
4
Uma
estrada desenhei
Do
jeitinho que eu queria
Nela
pisei com firmeza
Distribuindo
alegria
As
veredas da tristeza
Enfrentei
sem ter moleza
Recorrendo a rebeldia
5
Receio
de ser feliz
Não
provei no meu caminho
Fui
ave de ribaçã
Trocando
às vezes de ninho
longe
do velho rincão
Eu
desbravei novo chão
Sem
sumir no torvelinho.
6
As
pragas que me jogaram
Voltaram
pra quem jogou
Eram
tantas profecias
Nenhuma
se confirmou
E
hoje vou lhes dizer
Não
parti pra me perder
Quem
me viu depois notou.
7
Nunca
fui desatinada
Era
desobediente
A
cruel hipocrisia
Era
discurso presente
Mas
fugi dessa verdade
Da
podre sociedade
Jamais
quis herdar corrente.
8
Eu
nunca tive medo
De
casar ou não casar
Sempre
tive minha luz
Que
acendi pra me guiar
Munida
de inteligência
Não
quis viver de aparência
Tive
peito pra encarar.
9
A
luxúria dos senhores
Fez
filho no cabaré
O
santo padre endeusado
Profanou
a sua fé
Mas
tudo era encoberto
O
pecador era o certo
quinta-feira, 19 de setembro de 2019
HÁ JUDAS
HÁ
JUDAS
*
Quem
quer ser bem recebido
Aprende
a receber bem
Jamais
inventa porém
E
não se mete a sabido
Quem
só quer ser merecido
Não
tem vaga do meu lado
Termina
sendo enxotado
Eu
não ofereço ajudas
Pois
quem enche cu de judas
É
molambo bem socado.
*
Versos
e foto de Dalinha Catunda
dalinhaac@gmail.com
terça-feira, 10 de setembro de 2019
PRA SUA FACA AFIADA TEM COURO MINHA BAINHA
PRA
SUA FACA AFIADA
TEM
COURO MINHA BAINHA.
*
Você
se diz cabra macho
Valentão
e coisa e tal
Que
me leva no bornal
Só
para apagar meu facho
Eu
querendo lhe despacho
Porém
não fujo da rinha
Se
souber levar Dalinha
O
duelo acaba em nada
PRA
SUA FACA AFIADA
TEM
COURO MINHA BAINHA.
*
Versos
e foto de Dalinha Catunda cad. 25 da ABLC
dalinhaac@gmail.com
domingo, 11 de agosto de 2019
Pai, Quem tem, cuide...
PAI,
QUEM TEM CUIDE...
*
Quem
tem o seu pai na terra
Preste
bastante atenção
Cuide
bem não abandone
Tenha
consideração
Palavras
não valem nada
Presente
vira piada
Se
falta do filho ação.
*
Um
pai quando fica velho
Necessita
de cuidado
De
cuidado e de carinho
E
jamais ser renegado
Pense
que futuramente
Será
velho igualmente
Sem
querer ser desprezado.
*
Versos
de Dalinha Catunda
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