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terça-feira, 29 de junho de 2010

RITO DE PASSAGEM


RITO DE PASSAGEM
.
Vaqueiro bom de montaria.
Ela uma rês vadia,
Solta no agreste sertão.
Vivendo na mira do laço,
Um dia sem embaraço,
Será lançada ao chão.
.
Bezerra... quase novilha,
Cevada, que maravilha!
Chegara a ocasião.
O hábil vaqueiro ciente,
Que é hora de ferro quente,
Marca a novilha então.

Texto: Dalinha Catunda
Foto: Canindé Soares

segunda-feira, 28 de junho de 2010

BRASIL E CHILE


BRASIL E CHILE

Hoje é dia de Jogo,
Joga nossa seleção.
Batendo descompassado,
Está o meu coração.
Vou fazer figa e rezar,
Pro nosso time ganhar
E alegrar nossa nação!

Texto: Dalinha Catunda
Foto: br.olhares.com

sexta-feira, 25 de junho de 2010

SÚPLICA



SÚPLICA

Ó santa mãe de Jesus,
Que tanto chorou na cruz,
Poupe-me deste sofrer.
Não deixe esta tua filha,
Que também é uma Maria,
Neste mundo padecer.
*
Não deixe estampado em meu rosto,
A marca de tanto desgosto,
Que a vida nos oferece.
Não deixe apagar meu sorriso,
Preserve os meus amigos,
E conservarei minhas preces.

Texto: Dalinha Catunda
Foto retirada do blog: coraçãofiel.com.br

domingo, 20 de junho de 2010

SELEÇÃO DO DUNGA


SELEÇÃO DO DUNGA!

Quero ver nossa seleção
Passar sebo nas canelas.
Correr atrás da jabulani,
Suar as camisas amarelas
Entrar no jogo com raça.
E mostrar toda sua graça,
Ao som das vuvuzelas!
*
Nossa seleção já passou,
Pela Coréia do Norte.
Será que foi preparo?
Ou só um golpe de sorte?
Enquanto a mídia resmunga,
Em frente segue o Dunga,
Contando com a sua sorte!
*
No segundo jogo a seleção,
Enfrentou Costa do Marfim.
Três gols já contabilizados,
Estamos indo bem enfim!
São dois de Luiz Fabiano!
E o outro do craque Elano!
Que se retirou antes do fim.
*
Se seremos campeões
O futuro é quem nos dirá.
É só não perderem a cabeça
E em vez de porrada jogar.
Violência não é solução
Só vai provocar expulsão.
Por isso cabeça no lugar!
*
Hoje é dia de festa
É Brasil a celebrar.
É frevo no recife!
Forró no meu Ceará!
Samba no rio de Janeiro
E todo povo Brasileiro
Feliz a comemorar!

Texto: Dalinha Catunda
Foto: globoesporte.globo.com

segunda-feira, 14 de junho de 2010

NOSSO VELHO SÃO JOÃO


Essa é a galera do Corte Branco - Ipueiras -Ce que dança a autêntica quadrilha nordestina no chão de terra, numa latada coberta com palha, descalço, vestindo chita e com grande animação.Parabéns! meninada, por seguir a tradição.

NOSSO VELHO SÃO JOÃO

Ipueiras velha querida,
Quanta coisa ficou pra trás...
As fogueiras de São João,
Como era, já não se faz.
Mas a saudade no peito,
Teu povo ainda traz.
*
Em cada casa ardia,
A chama da tradição.
Fagulhas voavam ao vento,
Aumentando a animação.
Era um encanto pros olhos,
Labaredas em ascensão!
*
Mesa farta na calçada,
Fazendo jus a colheita.
Macaxeira e batata doce,
A dona de casa ajeita,
Com milho canjica e pamonha,
A mesa fica perfeita!
*
Meninos bebendo aluá,
Adultos bebendo quentão.
Não faltava pé-de-moleque,
Nem tão pouco animação.
O traque corria solto,
Pipocando pelo chão.
*
Parece que estou vendo...
Vem à tona o pensamento.
Santú trazendo lenha,
No lombo do seu jumento,
Pra fogueira de Espedito,
E também do Zeca Bento.
*
Na casa do Zeca Bento,
Seu Davi armava a fogueira.
Mas na casa do Espedito,
Do seu Manuel era a trabalheira.
A meninada ajudava!
Eita saudosa ipueiras...
*
As quadrilhas? Nem se fala!
Eram singelas e bonitas.
Rapazes amatutados,
Moças vestindo chita.
Cabelos longos trançados,
Nas tranças laços de fita.
*
Quem quiser saltar fogueira!
Quem quiser fazer simpatia!
Não se esqueça do passado.
Não se esqueça da magia.
Tente olhar sem medo,
Seu rosto numa bacia.
*
Seja compadre ou comadre,
Brincando de passar fogo.
Volte a se encantar,
Entre de novo no jogo
Junte o passado ao presente,
Escreva a história de um povo.

Texto e foto de Dalinha Catunda

terça-feira, 8 de junho de 2010

FICAR E NAMORAR



FICAR E NAMORAR
*
Esta onda de Ficar
Ainda não assimilei.
A conquista me atraía
De caça me disfarcei,
Para ficar bem na mira,
Daquele que namorei.
*
Se flertar saiu de moda,
Imagine então namorar!
A onda agora é outra,
Nem precisa paquerar,
Basta apenas chegar junto
E rolando um clima, ficar!
*
Confesso sinto saudades,
Dos antigos rituais.
Um bilhete, uma rosa,
E as juras dos casais,
Beijos e rostos corados,
Que hoje não se vê mais.
*
Flerte, namoro, noivado,
Já deu o que tinha que dar.
A graça dos velhos namoros
São histórias a se contar.
Diz-me os novos tempos,
Que o lance mesmo, é ficar!
*
Mas quem um dia ouviu,
Uma serenata de amor.
No meio da madrugada,
Na voz de um trovador.
Dispensa o verbo ficar,
Para apostar no amor!

Neste poema quero homenagear os namorados de todos os seguimentos, desde os românticos aos mais modernos. 12 de junho dia dedicado aos namorados

Texto: Dalinha Catunda
Foto:cifrantiga.wordpress.com
VISITEM TAMBÉM: www.cordeldesaia.blogspot.com

domingo, 6 de junho de 2010

SANTO ANTÔNIO E O CASTIGO



SANTO ANTÔNIO E O CASTIGO
*
Supliquei a Santo Antônio,

Rezei e pedi, por favor!

Ó meu santo casamenteiro

Não quero perder o pudor!

Mas a demora é tamanha,

E tenho uma sede medonha,

Arranje-me logo um amor!

*

Mas o tal casamenteiro,

É um santinho do pau oco.

Eu peço o tempo inteiro

E ele se finge de mouco.

Se não passar essa agonia

Enfio o Santo na água fria

Pra ele ver o que é sufoco.

*

Cansei de fazer simpatia,

Cansei de velas e oração.

O santo só sai do castigo

Quando eu sair da solidão.

Por isso santinho querido

Arranje-me logo um marido,

Que aí eu lhe deixo de mão.

*
Texto: Dalinha Catunda
Foto retirada do blog hippopotamo.blogspot

segunda-feira, 31 de maio de 2010

O HOMEM QUE PERDEU A ROLA

1ª Edição
2ª Edição




O HOMEM QUE PERDEU A ROLA
1 
Ao Tuca pedi licença,
Pra sua história contar.
É fato não brincadeira
O que tenho pra narrar.
Esta tragédia, amigos,
Foi um drama de amargar.
2 
Este caso sucedeu 
Em meu querido lugar
E fez a minha Ipueiras
De tristeza até chorar.
A cidade combalida
Nunca viu tanto pesar.
3 
Todos conhecem o Tuca,
Nem precisa apresentar.
É dono dum restaurante.
Bom e muito popular.
Comerciante querido,
A todos quer agradar.
4
Tuca era muito feliz,
Com os filhos e a mulher.
Também tinha sua rola,
Que não era uma qualquer,
Não largava sua pomba
Um instantinho sequer.
5 
Não sei se foi mau olhado,
Se foi praga ou coisa assim.
Só sei que sua alegria.
De repente teve fim.
O homem perdeu a rola,
Meu Deus que coisa ruim!
6 
Ipueiras chorou tanto,
Foi bem grande a comoção.
Pois não era uma rolinha,
Na verdade era um rolão.
E muita gente importante,
Já tinha passado a mão.
7

Pobre mulher, soluçava...
Abraçada a seu marido.
Ele só se lamentava
Por a rola ter perdido.
Tudo se tornou tristeza,
Depois deste acontecido.
8 
Ao chegar o fim da tarde
Na hora da ave Maria,
Tuca pegava sua rola
Com jeitinho recolhia,
E agradecia aos céus.
A rola que possuía.
9 
A sua querida esposa,
Entrou numa depressão
Seu robe, sua alegria
Era a rola em sua mão.
Ela chora de saudades
Pela rola do patrão.
10 
Tuca perdeu a alegria
Perdeu a satisfação.
Vivia coçando a rola
Por debaixo do balcão
Sem rola e sem alegria
É bem grande a aflição.
11
Os amigos afagavam
Aquela rola singela
E Tuca sempre exibia
Pondo a rola na janela.
Era uma boa atração
E todos gostavam dela.
12 
Que muita gente chorou
É a mais pura verdade,
Homem que fica sem rola
É digno de piedade.
Tem uma vida vazia
E perde a felicidade.
13 
A história dessa rola,
Ainda não acabou.
Não estou de sacanagem,
E lhes peço, por favor.
A rola é um passarinho,
Não o que você pensou!
14 
O martírio dessa rola, 
Foi de cortar coração.
Um dia Tuca encontrou
A ave ferida no chão.
E tratou do passarinho,
Que virou de estimação.
15 
A rola vivia solta,
Bem livre naquele lar
No ombro de Tuca ela,
Gostava de passear.
Era bem interessante
Era lindo contemplar.
16 
Até hoje não se sabe,
Que de fato aconteceu.
Se ela foi atrás de Tuca,
No caminho se perdeu.
Ou se foi mesmo roubada
Por um infeliz ateu.
17
Eu só sei que a pobre rola
Se foi e deixou saudade.
A família e os amigos
Gostavam e de verdade,
Da graciosa rolinha
Que era uma novidade.

18
Tuca perdeu sua rola,
Porém ganhou um cordel.
Quem pensou em sacanagem.
Não fez bonito papel.
Eu peço desculpa ao Tuca
Se o relato foi cruel.

Fim
Cordel de Dalinha Catunda

quarta-feira, 26 de maio de 2010

O SANTO MÊS DE MAIO


O Arco Trinunfal de Nossa Senhora de Fátima construido em Ipueiras-Ce nos anos 50 em homenagem a passagem da Virgem peregrina, vinda de Portugal.

O SANTO MÊS DE MAIO

Passei parte do mês de maio no interior do Ceará. Vi com alegria que maio continua sendo um mês santo e dedicado a Virgem Maria apesar das mudanças.

Em meus tempos de criança, trajada de anjo, participei das coroações de nossa senhora. Segui as longas procissões que levavam a santa no andor pelas ruas da cidade. Encantava-me com os animados leilões que angariavam fundos para a igreja. E pelo menos uma boneca de pano eu levava para casa após ser arrematada nos leilões.

O ritual das novenas, as badaladas do sino chamando os fiéis, os cânticos sagrados entoados por homens e mulheres, o véu na cabeça das mulheres, homens sem chapéu em respeito ao divino e a cidade repleta de pessoas vindas do interior a juntar-se com o povo da cidade. Tudo isso se modificou ao longo dos anos, mas a chama continua viva.

Hoje além das novenas na igreja matriz cada comunidade faz também suas novenas. A Santa é conduzida pelos grupos católicos, as humildes casas que são singelamente enfeitadas com flores e toalhas brancas e num altar improvisado é rezado o terço na presença da imagem da Virgem Santíssima. Assim, de casa em casa a santa segue em sua peregrinação alimentando este ato religioso.

O Arco de Nossa Senhora, em Ipueiras, continua sendo um dos lugares onde durante todo o mês de maio reza-se o terço ao ar livre às seis horas da tarde.


Texto e foto de Dalinha Catunda

segunda-feira, 24 de maio de 2010

O CÉU DA MINHA TERRA

Paisagem do sitio Cantinho da Dalinha Em Ipueiras-Ceará




Final de tarde no meu sítio em Ipueiras-Ceará

Fotos e texto: Dalinha Catunda

O CÉU DA MINHA TERRA

Existe um céu azulado,
Em minha terra querida.
De alvas nuvens bordado,
Que me deixa aturdida.
Cheia de arte a natureza
Mostra toda sua riqueza,
Nessa paisagem da vida!

No espelho das águas,
Vejo meu céu retratado.
Por isso falo que o açude,
É o meu lago encantado.
Nele, vejo a lua e o sol,
E a beleza do arrebol.
O céu e seu manto sagrado.

Nasci na terra do sol,
Que de luz é coroada.
O céu da minha cidade,
Me deixa enamorada.
Aquele sol do sertão
Mexe com meu coração,
Minha terra é abençoada!

Na hora da ave-maria,
Vejo o sol esmorecer.
Detrás da serra grande
Vejo o astro se esconder,
Deixando a vermelhidão,
Nesse escarlate do sertão,
Vejo um céu de entontecer!

Quando anoitece enfim,
É maravilhoso observar,
Um bando de vagalumes,
Piscando fagueiros no ar,
E as estrelas lá no céu
Invejando o escarcéu
Danam-se também a brilhar.

Sob o céu do Ceará nasci.
Ipueiras é o meu recanto.
Me olhar apaixonado,
É um olhar de encanto.
Espalho pelo Nordeste
Esse meu olhar campestre,
Que distante só é pranto.

Olá amigos,
Passei uns dias no Ceará, mas já estou aqui para rever virtualmente os amigos.
Meu abraço a todos