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segunda-feira, 19 de junho de 2023

A ROLA DE JOVELINA CEARÁ



A ROLA DE JOVELINA CEARÁ

*

Minha amiga Jovelina

Acertou na loteria

Foi uma pomba avoada

Que causou sua alegria

Ela ficou bem contente

Só fala neste presente

Que chegou feito magia.

*

Amiga vou lhe dizer

É bom você escutar

A rola que chega assim

Veio mesmo pra ficar

Aproveite a ocasião

Vá logo passando a mão

Que a danada vai gostar.

*

A visita duma rola

É uma coisa singela

Tem muita gente querendo

Chamando até se esgoela

Você é abençoada

A rola chega do nada

Entrando pela janela.

*

Mas caso você não queira

Com essa rola ficar

Aqui tenho condições

E posso a pomba adotar

Em caso de desistência

Eu lhe peço a preferência

Pois de rola sei cuidar.

*

Versos de Dalinha Catunda

Foto de Jovelina Ceará

dalinhaac@gmail.com

quinta-feira, 15 de junho de 2023

É SUBLIME FAZER RIR





















 

É SUBLIME FAZER RIR

*

Palhaço tem paciência

Tens missão nobre a cumprir.

Num mundo de violência

É sublime fazer rir.

Airton Soares

*

É sublime fazer rir.

Espalha tua alegria

Tens o dom de difundir.

A graça que contagia.

Dalinha Catunda

*

Fazer rir é uma dádiva

Que poucos na vida tem

No sorriso do palhaço

Mora a graça que faz bem.

Dalinha Catunda

*

dalinhaac@gmail.com

quarta-feira, 14 de junho de 2023

Na Ciranda do Verso com Dalinha Catunda


 

 

Na Ciranda do Verso com Dalinha Catunda

*

Eu sou Dalinha Catunda,

P’ra versejar sou o cão!

A rima sai apurada,

Zelo a metrificação,

Verso com muito cuidado!

Porque sei que pé-quebrado,

Desluz qualquer oração.

Dalinha Catunda

*

Eu sou Joames, poeta

Daqueles em extinção,

Só faço versos medidos

Com rimas, com oração,

Não plagio obras alheias;

Tenho poesia nas veias,

Na mente e no coração.

Joames Poeta

*

Eu sou José Walter Pires

Vou na mesma direção

Sem verso de pé-quebrado

Ou rimas sem emoção

Sempre em busca da excelência

Demonstrando competência

Sem temer competição.

José Walter Pires

*

Lindicássia Nascimento

Poeta da natureza

No meu verso tem poesia

Canto com muita firmeza

Sou tal qual um menestrel.

E para louvar cordel

Louvo com delicadeza!

Lindicássia Nascimento

*

Xilo do acervo de Dalinha Catunda

Obra de Maércio Siqueira

Na Ciranda do verso com Dalinha Catunda

terça-feira, 13 de junho de 2023

SANTO ANTÔNIO ME CASOU SÓ DEPOIS DA SIMPATIA


SANTO ANTÔNIO ME CASOU

SÓ DEPOIS DA SIMPATIA

Mote de Dalinha Catunda

*

De venta acesa a viçar

Distante da pouca idade

Era bem grande a vontade

Da fruta amada provar

Doidinha para casar

Apelei para heresia

O santo numa bacia

Por muito tempo boiou:

SANTO ANTÔNIO ME CASOU

SÓ DEPOIS DA SIMPATIA.

Dalinha Catunda

*

Foi na festa de São João,

Que meu amor lhe entreguei,

Por ela me apaixonei,

Conquistou meu coração,

Sem fazer objeção,

Com ela me casaria,

O seu nome era Maria,

Com ela não mais estou,

SANTO ANTÔNIO ME CASOU,

SÓ DEPOIS DA SIMPATIA.

 Joabnascimento

*

Por não ser a bonitona

Não casei com vinte e cinco

Fechei a porta com o trinco

Ao Santo pedi carona

Mesmo assim fiquei na lona

Mas não perdi a alegria

E fiz trinta e cinco um dia

Deste dia não passou

SANTO ANTÔNIO ME CASOU

SÓ DEPOIS DA SIMPATIA.

 Vânia Freitas

*

Eu vivia aperreada

Rezando muita novena

Nenhum santo tinha pena

Da jovem desenganada

De noite, de madrugada

Rezava mais que dormia

Até que num certo dia

O meu destino mudou

SANTO ANTÔNIO ME CASOU

SÓ DEPOIS DA SIMPATIA

 Creusa Meira

*

Até hoje sou casado

Com a mesma nordestina

Não sei se foi sorte ou sina

Pra viver tão dominado

É um ciúme danado

Dia e noite, noite e dia

Que tira minha alegria

Mas sincero sei que sou

SANTO ANTÔNIO ME CASOU

SÓ DEPOIS DA SIMPATIA.

José Walter Pires

*

Estava desesperada

Sem arrumar um marmanjo

Pensei baixo: já arranjo

Fiz promessa redobrada

Numa festa fui chamada

Um rapaz pra mim sorria

Fiquei todinha alegria

Meu coração conquistou

SANTO ANTÔNIO ME CASOU

SÓ DEPOIS DA SIMPATIA.

Dulce Esteves

*

Fiz muito voto poético

Lambi o pau da bandeira

De quatro, subi ladeira

Fiz tratamento energético

Pedido escalafobético

Meditação, terapia

Pra ver se o santo escolhia

Qual deles mais se agradou

SANTO ANTÔNIO ME CASOU

SÓ DEPOIS DA SIMPATIA

Giovanni Arruda

*

Lá na festa de Barbalha

Fui pegar no pau do santo

Peguei e apertei tanto

Mas a pegada foi falha.

Fraca igual fogo de palha

Pegada sem empatia;

Dulce Esteves com magia

O jeitinho me ensinou:

SANTO ANTÔNIO ME CASOU

SÓ DEPOIS DA SIMPATIA.

Bastinha Job

*

Como fui feioso moço

E vivia sempre só

Com medo do caritó

Sacudi Antônio no poço

Atado pelo pescoço

E numa oração pedia

Faça eu casar com Maria

E santo desencalhou

SANTO ANTÔNIO ME CASOU

SÓ DEPOIS DA SIMPATIA.

Jairo Vasconcelos.

*

Fui menina recatada

Morando no interior,

E se o assunto era amor

Vivia preocupada,

Mas fui bem orientada

Por minha vó que dizia

Se quiser casar um dia

Se espelhe em quem já passou:

SANTO ANTÔNIO ME CASOU

SÓ DEPOIS DA SIMPATIA.

Nilza Dias

*

Disseram a Ana vieira

Isso é coisa sem ter falha

Tu tens que ir pra Barbalha

Pegar no pau da bandeira

Ela deixou de ser freira

Hoje diz com alegria

Fiz monte de simpatia

Mas a sorte não falhou

SANTO ANTÔNIO ME CASOU

SÓ DEPOIS DA SIMPATIA

Gerardo Carvalho Pardal

Rivamoura Teixeira

*

Quando eu pensava em casar

Não encontrava ninguém

Alguém pra chamar de bem

Que passasse a me amar.

Passei a vida a pelejar

E toda mulher fugia

Apelei até pra magia

Mas só o santo me salvou

SANTO ANTÔNIO ME CASOU

SÓ DEPOIS DA SIMPATIA

Gerardo Carvalho Pardal

*

Eu peguei no pau do santo

Quis arranjar casamento

Alisei, fiz juramento

Não funcionou e eu garanto

Mas uma coisa adianto

Me lasquei na profecia

Tomei o chá da magia

Que a solteirona ensinou

SANTO ANTÔNIO ME CASOU

SÓ DEPOIS DA SIMPATIA.

 Lindicássia Nascimento

*

Como não cumprir promessa

Logo, logo o tal pedido

Foi bancar de esquecido

Pagou com juro à beça

Não render a uma dessa

É entrar em uma fria

Tantos maridos daria

Só Deus sabe o que passou

SANTO ANTONIO ME CASOU

SÓ DEPOIS DA SIMPATIA.

 F. de Assis Sousa

*

Doidinho pra chamegar

Sentir cheiro feminino,

Tarado, desde menino

Vivia, a se preservar.

Começou a procurar

Solução, para agonia,

Mas, foi grande a alegria

Quando a receita, encontrou,

SANTO ANTÔNIO ME CASOU

SÓ DEPOIS DA SIMPATIA.

Alberto Quintans.

 *

Xilo: Cícero Lourenço

Obrigada aos poetas e poetisas que participaram do: Glosando na Rede com Dalinha. Gostei muito! Meu abraço a todos

Glosando na Rede com Dalinha, tem como proponente, Dalinha Catunda que coordena este movimento no Facebook.

dalinhaac@gmail.com

segunda-feira, 12 de junho de 2023

CARREIRÃO DOS NAMORADOS


 

CARREIRÃO DOS NAMORADOS

*

No banco da praça

Quem não namorou?

Recordo o passado

Que o tempo levou

Doce juventude

Lembrança ficou

Tertúlias dançantes

Saudades deixou

Velhas serenatas

Quem não escutou

Cantigas marcando

Quem tanto amou.

Dalinha Catunda

dalinhaac@gmail.com

segunda-feira, 29 de maio de 2023

MEU CAJU, MEU CAJUEIRO CORDEL


MEU CAJU, MEU CAJUEIRO CORDEL

1

O conhecimento eu tenho.

Peço a musa inspiração,

Pra falar do cajueiro,

Riqueza do meu sertão.

Versos trago no baú

Da castanha e do caju

Pra compor essa oração.

2

Vem do tupi-guarani

Este termo “aca-yu”,

Que é: Noz que se produz,

Dando origem ao caju.

Nosso caju brasileiro,

Que brota do cajueiro.

Faz rico nosso menu.

3

Tupis marcavam os anos

De maneira singular

Na colheita do caju,

Para a idade marcar

Usando sua façanha,

Guardavam uma castanha

Num pote para contar.

4

Chuvas do caju ocorrem

Em setembro no Ceará.

É a chuva da colheita.

Afirma o povo de lá.

Essa precipitação

É espaça no sertão

Na estação que seca está.

5

Tem o cajueiro anão

E tem gigante também.

Anão vai a quatro metros,

Mais de vinte o grande tem.

Porém o maior do mundo

De Natal é oriundo

De Pirangi grande bem.

6

Cantou Juvenal Galeno,

” Cajueiro Pequenino”.

Vou fazer como o poeta,

Nesse louvor genuíno.

Vou falar da serventia

Do caju com poesia

No meu cantar nordestino.

7

Primeiro quero informar

Nessa minha explanação,

Uma dúvida que existe,

E até causa confusão.

É que o fruto verdadeiro,

Que carrega o cajueiro,

É castanha, caju não!

8

Quero aqui falar da fruta.

Enaltecendo o sabor.

Falar da casca e da folha

Do aroma que solta a flor

Da sombra do cajueiro,

Onde meu amor primeiro

Declarou-me o seu amor.

9

O caju é o falso fruto,

Pedúnculo ou acessório,

Porém sua utilidade

Não tem nada de ilusório.

É sempre bem empregado

Na cozinha ele é usado

De modo satisfatório.

10

Tem caju, tem cajuí,

E caju banana tem.

Tem amarelo e vermelho,

Alaranjado também.

Caju tem variedade.

É fruta de qualidade,

Saudável e nos faz bem.

11

Do caju se faz um suco,

Nutritivo e refrescante.

E que além de saboroso,

Pra saúde edificante.

Na casa do nordestino

Enche o bucho de menino

É suco revigorante.

12

Vinhos feitos de caju,

Vêm dos nossos ancestrais.

Os indígenas faziam

Pra beber nos rituais.

Em cada celebração,

O gosto de tradição

Tinha os cerimoniais.

13

Em se tratando de doce

De caju tem variado:

Tem o doce de compota,

Em calda e cristalizado,

Doce liso tem também,

Do sabor pergunte alguém,

Que tenha deles provado.

14

Derivada do caju,

Também tem a cajuína.

Destaco a que já bebi,

Pras bandas de Teresina.

E no Cariri provei,

Da São Geraldo e gostei,

Que delícia nordestina!

15

Uma curiosidade

Confesso cansei de ver.

Foi o broto do caju

Dentro do litro crescer,

Depois da fruta crescida,

A cachaça era acrescida

No litro pra envelhecer.

16

No tempo da floração,

Emana do cajueiro,

Um cheiro peculiar,

Que o vento espalha ligeiro,

E desde os tempos da infância,

Eu sinto a mesma fragrância,

Que sentia em meu terreiro.

17

A flor além de cheirosa,

Também é medicinal.

Ela é anti-inflamatória,

Diurético natural.

Mezinha convidativa,

E sendo depurativa,

Ajuda sem fazer mal.

18

Usamos cascas e folhas,

Para um bom chá produzir.

Bom pra problemas de pele,

E pra parar de tossir.

Para catarro e fraqueza,

Esse chá é uma beleza!

Já vi mamãe consumir.

19

Que o caju rouba a cena

De fato, é realidade.

Mas a castanha entretanto,

É o fruto de verdade!

Convidativa e gostosa,

Nutritiva e saborosa,

E de muita utilidade.

20

Em terreiros e quintais,

A castanha era assada.

Fogueira e lata furada,

Nas farras da meninada.

Recordo dessa folia,

Eu repleta de alegria,

Curtindo a mesma jornada.

21

Eu sou cabocla nascida,

Criada no interior.

Comendo muita castanha,

Do caju trago o sabor.

Como boa nordestina,

Tomo suco e cajuína,

E até já tomei licor.

22

Quando é tempo de caju,

Eu toda assanhada fico.

Igualmente a passarinho,

Eu vivo melando o bico.

Com a vara de bambu,

Vou cutucando o caju,

E pego sem pagar mico.

23

Tenho paixão por caju,

Pelo gosto e cheiro agreste.

E o colorido que dá,

Às feiras lá do Nordeste.

No museu do caju sou,

A cabocla que cantou,

Esta riqueza campestre.

24

Tenho setenta cajus,

Nos passos da minha estrada.

Do caju quero o refresco,

A castanha quero assada.

E do cajueiro a sombra,

Pois idade não me assombra!

Continuo a caminhada.

Fim

Cordel de Dalinha Catunda