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segunda-feira, 7 de agosto de 2023

A LENDA DA YARA


 

Baseada em uma das lendas amazônica de origem indígena, escrevi em versos de cordel a Lenda de Yara e para compor a contação da história criei a boneca de pano, A Sereia Yara.

A LENDA DA YARA

1

Era uma vez uma índia

Uma guerreira valente

Dona de grande beleza

Vivia livre e contente

E por ser muito invejada

Quase foi assassinada

Mas escapou felizmente.

2

Os seus irmãos invejosos

Resolveram se vingar

E aquela bela guerreira

Decidiram por matar

A forte guerreira então

Lutou, matou cada irmão

Para poder escapar.

3

Depois da luta sangrenta

Com medo de ser punida

A tão valente guerreira

Fugiu em grande corrida

Se jogou no igarapé

Lá encontrou o Pajé

Sentiu que estava perdida.

4

O pajé era seu pai

E naquela ocasião

Sofrendo a morte dos filhos

Tomou uma decisão

Não podia desculpar

Precisava castigar

Sua filha sem perdão.

5

Naquele momento o Pajé

Com ânsia de se vingar

Pegou a índia no colo

Para no rio jogar

E sem hesitar jogou

Quando a guerreira afundou

Ele saiu do lugar.

6

Mas a valente guerreira

Teve a sua salvação

Os peixes sentiram pena

E entraram logo em ação

Transformaram em sereia

A índia daquela aldeia

Que gostou da solução.

7

Ela é metade peixe

Outra metade é mulher

É a rainha das águas

Como a magia requer

É a sereia que encanta

Quando solta a voz e canta

Do jeitinho que ela quer.

8

Nos rios da Amazônia

Yara passou a viver

Como uma linda Sereia

Com seu canto e com poder

Lá o homem que chegar

Ela atrai para afogar

O povo vive a dizer.

9

Segundo a Lenda de Yara

Quem conseguir escapar

Termina ficando louco

E se quiser se tratar

Precisa ter muita fé

E procurar o Pajé

Só ele pode curar.

10

Essa história da Sereia

Repleta de fantasia

Muitos contaram em prosa

Enfeitando com magia

Hoje eu canto este universo

Na rima de cada verso

Nas estrofes da poesia

*

Versos e artesanato de:

 Dalinha Catunda

dalinhaac@gmail.com

 

quinta-feira, 20 de julho de 2023

CARREIRÃO DA AMIZADE


 

CARREIRÃO DA AMIZADE

*

Amigo é coisa sagrada

Não é só adulação.

Muito mais do que palavras

É traduzida em ação.

É telefone atendido

Nas horas de precisão.

Jamais mensagem enviada

Fala sem sustentação.

Amizade é lealdade

É coisa do coração.

Difícil de se quebrar

Sendo mútua a relação.

Amigo por interesse

Na vida tem de montão.

Mas com o tempo se aprende

Quem é bom amigo ou não.

*

Foto e versos de Dalinha Catunda

dalinhaac@gmail.com

terça-feira, 11 de julho de 2023

EM LOUVOR A TÕE ABOIADOR


 

EM LOUVOR A TÕE ABOIADOR

*

Antônio de Sá Barreto

Lá do Sitio Santa Cruz

É vaqueiro conhecido

É Homem de muita Luz

Esse filho de Barbalha

Que na sua fé não falha

Montado o Santo conduz.

*

P’ras bandas do pé da serra

Nasceu este aboiador

Seu nome já é famoso

Muitos cantam em seu louvor

Este valente guerreiro

Que tem sague de vaqueiro

É cidadão de valor.

*

Esse homem importante

É por Deus abençoado

Cada aboio que ele dá

Deixa seu povo empolgado

Agradecido e contente

Ele é nosso presente

Em versos sendo louvado.

*

Versos de Dalinha Catunda. 

Fiz este aboio a pedido da cordelista Lindicássia Nascimento, para homenagear, o vaqueiro e aboiador, Antônio de Sá Barreto, conhecido como Tõe Aboiador.

O aboio foi cantado pela Cirandeira Vitória Régia.

dalinhaac@gmail.com

segunda-feira, 19 de junho de 2023

A ROLA DE JOVELINA CEARÁ



A ROLA DE JOVELINA CEARÁ

*

Minha amiga Jovelina

Acertou na loteria

Foi uma pomba avoada

Que causou sua alegria

Ela ficou bem contente

Só fala neste presente

Que chegou feito magia.

*

Amiga vou lhe dizer

É bom você escutar

A rola que chega assim

Veio mesmo pra ficar

Aproveite a ocasião

Vá logo passando a mão

Que a danada vai gostar.

*

A visita duma rola

É uma coisa singela

Tem muita gente querendo

Chamando até se esgoela

Você é abençoada

A rola chega do nada

Entrando pela janela.

*

Mas caso você não queira

Com essa rola ficar

Aqui tenho condições

E posso a pomba adotar

Em caso de desistência

Eu lhe peço a preferência

Pois de rola sei cuidar.

*

Versos de Dalinha Catunda

Foto de Jovelina Ceará

dalinhaac@gmail.com

quinta-feira, 15 de junho de 2023

É SUBLIME FAZER RIR





















 

É SUBLIME FAZER RIR

*

Palhaço tem paciência

Tens missão nobre a cumprir.

Num mundo de violência

É sublime fazer rir.

Airton Soares

*

É sublime fazer rir.

Espalha tua alegria

Tens o dom de difundir.

A graça que contagia.

Dalinha Catunda

*

Fazer rir é uma dádiva

Que poucos na vida tem

No sorriso do palhaço

Mora a graça que faz bem.

Dalinha Catunda

*

dalinhaac@gmail.com

quarta-feira, 14 de junho de 2023

Na Ciranda do Verso com Dalinha Catunda


 

 

Na Ciranda do Verso com Dalinha Catunda

*

Eu sou Dalinha Catunda,

P’ra versejar sou o cão!

A rima sai apurada,

Zelo a metrificação,

Verso com muito cuidado!

Porque sei que pé-quebrado,

Desluz qualquer oração.

Dalinha Catunda

*

Eu sou Joames, poeta

Daqueles em extinção,

Só faço versos medidos

Com rimas, com oração,

Não plagio obras alheias;

Tenho poesia nas veias,

Na mente e no coração.

Joames Poeta

*

Eu sou José Walter Pires

Vou na mesma direção

Sem verso de pé-quebrado

Ou rimas sem emoção

Sempre em busca da excelência

Demonstrando competência

Sem temer competição.

José Walter Pires

*

Lindicássia Nascimento

Poeta da natureza

No meu verso tem poesia

Canto com muita firmeza

Sou tal qual um menestrel.

E para louvar cordel

Louvo com delicadeza!

Lindicássia Nascimento

*

Xilo do acervo de Dalinha Catunda

Obra de Maércio Siqueira

Na Ciranda do verso com Dalinha Catunda

terça-feira, 13 de junho de 2023

SANTO ANTÔNIO ME CASOU SÓ DEPOIS DA SIMPATIA


SANTO ANTÔNIO ME CASOU

SÓ DEPOIS DA SIMPATIA

Mote de Dalinha Catunda

*

De venta acesa a viçar

Distante da pouca idade

Era bem grande a vontade

Da fruta amada provar

Doidinha para casar

Apelei para heresia

O santo numa bacia

Por muito tempo boiou:

SANTO ANTÔNIO ME CASOU

SÓ DEPOIS DA SIMPATIA.

Dalinha Catunda

*

Foi na festa de São João,

Que meu amor lhe entreguei,

Por ela me apaixonei,

Conquistou meu coração,

Sem fazer objeção,

Com ela me casaria,

O seu nome era Maria,

Com ela não mais estou,

SANTO ANTÔNIO ME CASOU,

SÓ DEPOIS DA SIMPATIA.

 Joabnascimento

*

Por não ser a bonitona

Não casei com vinte e cinco

Fechei a porta com o trinco

Ao Santo pedi carona

Mesmo assim fiquei na lona

Mas não perdi a alegria

E fiz trinta e cinco um dia

Deste dia não passou

SANTO ANTÔNIO ME CASOU

SÓ DEPOIS DA SIMPATIA.

 Vânia Freitas

*

Eu vivia aperreada

Rezando muita novena

Nenhum santo tinha pena

Da jovem desenganada

De noite, de madrugada

Rezava mais que dormia

Até que num certo dia

O meu destino mudou

SANTO ANTÔNIO ME CASOU

SÓ DEPOIS DA SIMPATIA

 Creusa Meira

*

Até hoje sou casado

Com a mesma nordestina

Não sei se foi sorte ou sina

Pra viver tão dominado

É um ciúme danado

Dia e noite, noite e dia

Que tira minha alegria

Mas sincero sei que sou

SANTO ANTÔNIO ME CASOU

SÓ DEPOIS DA SIMPATIA.

José Walter Pires

*

Estava desesperada

Sem arrumar um marmanjo

Pensei baixo: já arranjo

Fiz promessa redobrada

Numa festa fui chamada

Um rapaz pra mim sorria

Fiquei todinha alegria

Meu coração conquistou

SANTO ANTÔNIO ME CASOU

SÓ DEPOIS DA SIMPATIA.

Dulce Esteves

*

Fiz muito voto poético

Lambi o pau da bandeira

De quatro, subi ladeira

Fiz tratamento energético

Pedido escalafobético

Meditação, terapia

Pra ver se o santo escolhia

Qual deles mais se agradou

SANTO ANTÔNIO ME CASOU

SÓ DEPOIS DA SIMPATIA

Giovanni Arruda

*

Lá na festa de Barbalha

Fui pegar no pau do santo

Peguei e apertei tanto

Mas a pegada foi falha.

Fraca igual fogo de palha

Pegada sem empatia;

Dulce Esteves com magia

O jeitinho me ensinou:

SANTO ANTÔNIO ME CASOU

SÓ DEPOIS DA SIMPATIA.

Bastinha Job

*

Como fui feioso moço

E vivia sempre só

Com medo do caritó

Sacudi Antônio no poço

Atado pelo pescoço

E numa oração pedia

Faça eu casar com Maria

E santo desencalhou

SANTO ANTÔNIO ME CASOU

SÓ DEPOIS DA SIMPATIA.

Jairo Vasconcelos.

*

Fui menina recatada

Morando no interior,

E se o assunto era amor

Vivia preocupada,

Mas fui bem orientada

Por minha vó que dizia

Se quiser casar um dia

Se espelhe em quem já passou:

SANTO ANTÔNIO ME CASOU

SÓ DEPOIS DA SIMPATIA.

Nilza Dias

*

Disseram a Ana vieira

Isso é coisa sem ter falha

Tu tens que ir pra Barbalha

Pegar no pau da bandeira

Ela deixou de ser freira

Hoje diz com alegria

Fiz monte de simpatia

Mas a sorte não falhou

SANTO ANTÔNIO ME CASOU

SÓ DEPOIS DA SIMPATIA

Gerardo Carvalho Pardal

Rivamoura Teixeira

*

Quando eu pensava em casar

Não encontrava ninguém

Alguém pra chamar de bem

Que passasse a me amar.

Passei a vida a pelejar

E toda mulher fugia

Apelei até pra magia

Mas só o santo me salvou

SANTO ANTÔNIO ME CASOU

SÓ DEPOIS DA SIMPATIA

Gerardo Carvalho Pardal

*

Eu peguei no pau do santo

Quis arranjar casamento

Alisei, fiz juramento

Não funcionou e eu garanto

Mas uma coisa adianto

Me lasquei na profecia

Tomei o chá da magia

Que a solteirona ensinou

SANTO ANTÔNIO ME CASOU

SÓ DEPOIS DA SIMPATIA.

 Lindicássia Nascimento

*

Como não cumprir promessa

Logo, logo o tal pedido

Foi bancar de esquecido

Pagou com juro à beça

Não render a uma dessa

É entrar em uma fria

Tantos maridos daria

Só Deus sabe o que passou

SANTO ANTONIO ME CASOU

SÓ DEPOIS DA SIMPATIA.

 F. de Assis Sousa

*

Doidinho pra chamegar

Sentir cheiro feminino,

Tarado, desde menino

Vivia, a se preservar.

Começou a procurar

Solução, para agonia,

Mas, foi grande a alegria

Quando a receita, encontrou,

SANTO ANTÔNIO ME CASOU

SÓ DEPOIS DA SIMPATIA.

Alberto Quintans.

 *

Xilo: Cícero Lourenço

Obrigada aos poetas e poetisas que participaram do: Glosando na Rede com Dalinha. Gostei muito! Meu abraço a todos

Glosando na Rede com Dalinha, tem como proponente, Dalinha Catunda que coordena este movimento no Facebook.

dalinhaac@gmail.com

segunda-feira, 12 de junho de 2023

CARREIRÃO DOS NAMORADOS


 

CARREIRÃO DOS NAMORADOS

*

No banco da praça

Quem não namorou?

Recordo o passado

Que o tempo levou

Doce juventude

Lembrança ficou

Tertúlias dançantes

Saudades deixou

Velhas serenatas

Quem não escutou

Cantigas marcando

Quem tanto amou.

Dalinha Catunda

dalinhaac@gmail.com