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quinta-feira, 19 de março de 2009

PADROEIRO DO CEARÁ



Dia 19 de março é o dia de São José.Padroeiro do Ceará.
"Segundo a tradição popular cearense e os Profetas da chuva, essa data tem grande significado, pois, se até esse dia houver chuva, o "inverno" (estação chuvosa) estará garantido. Do contrário, a seca estará inegavelmente caracterizada [70]. Essa data curiosamente coincide com o equinócio.”

Este ano o cearense precisa apenas agradescer ao santo, pois as chuvas tem caido com vontade para os lados do Ceará enchendo o cearense de alegria e vestindo de verde nosso sertão.


Apelo a São José

Glorioso São José.
Santo da minha devoção.
Não se esqueça de mandar,
Chuva pro meu sertão.
Aqui o povo é sofrido,
E carece de proteção.

Olho pro gado no pasto,
Tão magro tão desnutrido...
Parece que lambe pedra,
O verde foi destruído.
Só se vê nessas paragens,
Galhos secos retorcidos.

À vontade de trabalhar é grande.
A fé em Deus não é menor.
A gente só quer do senhor,
Uma ajudinha maior,
Pois o nordestino é forte,
Não economiza suor.

Dá uma tristeza danada,
Ver nosso açude secar.
Primeiro vira lama,
Depois se dana a rachar.
Os peixes vão se sumindo,
E os urubus a rondar.

É a miséria chegando,
É a chuva sem chegar,
É a oração e o pranto,
E o pobre sempre a rogar:
Glorioso São José,
Venha nos ajudar.

Poema publicado no Jornal O Povo de Fortaleza-Ceará

terça-feira, 17 de março de 2009

DALINHA NA AFAI


Esta imagem é a capa de um cordel que escrevi com Ricardo e é uma criação do amigo Chico Parnaibano.

Amigos,
Sou a mais nova filiada da AFAI. Associação dos Filhos e Amigos de Ipu. Com muito gosto aceitei o convite de Ricardo Aragão que além de meu parceiro em um cordel, é também um parente próximo. Gostaria de agradecer as boas vindas de: JPMourão, Airton Soares e Paulo Rocha.

Aqui meus agradecimentos e a resposta de Ricardo Aragão.


AOS AFAIENSES

Dalinha Catunda

Sou filha de Ipueiras,
Sem duvidas cearense.
Agora também sou
Uma cidadã afaiense.
Ipu minha vizinha cidade
Deu-me esta felicidade
Que aceitei naturalmente.

Agradeço as boas vindas
Ao senhor JP mourão.
Eu também fiquei contente
Com a minha inserção.
Confesso fiquei radiante,
De poder seguir adiante
Junto a esta associação.

Gostaria de agradecer,
O meu amigo Ricardo.
Que dentro do cordel
Também dá o seu recado,
E pra completar a alegria
Somos da mesma família
Aragão deste condado.

Até já me sinto em casa,
Podem ir aí anotando,
Pois tenho Airton Soares,
E o Chico Parnaibano
Amigos que tenho respeito
E do lado esquerdo do peito,
Os dois estou hospedando.

A todos muito obrigada,
Muito obrigada ao Boris.
Reencontrar a família
Deixou-me muito feliz.
Estou, sim, nesta jornada,
E esta nova caminhada
Com muito gosto eu quis.


SEJA BEM-VINDA, DALINHA!

Ricardo Aragão

Mas que grande alegria
Senti aqui ao entrar,
Neste Livro de Visitas
E de longe avistar,
As estrofes da poetiza,
Que com graça enfatiza
Sua alegria ao chegar!

Nascida na Ipueiras,
Cidade, nossa vizinha.
Maria de Lourdes Catunda,
Conhecida por Dalinha,
Pessoa do meu coração,
Que também é Aragão
E do cordel, minha madrinha!

Seja bem-vinda, Dalinha!
A AFAI é sua também.
Sendo a nova filiada
Desta associação de bem,
Você muito enriquece
E à AFAI só fortalece,
Trazendo o que você tem.

O que tem, eu já explico
E devo a todos mostrar:
Muito mais que seu talento,
A AFAI há de ganhar
Uma mulher guerreira,
E nas lutas, uma parceira.
Eu posso até apostar!

segunda-feira, 16 de março de 2009

A BORBOLETA E A FLOR



A BORBOLETA E A FLOR


Uma borboleta graciosa
Voejava pelo jardim,
Pelas flores perpassava
Num cochichado sem fim.

Cheirava uma flor aqui,
Cheirava outra acolá,
Sugando néctar seguia
Fremente a me encantar.

Depois de tanto voar
Pousou numa flor singela.
Uma florzinha do campo,
Uma florzinha amarela.

O sol iluminava o orvalho,
A borboleta cheirava a flor,
E a mãe natureza ofertava
Momentos de raro esplendor.

Foto e texto de Dalinha Catunda

sexta-feira, 13 de março de 2009

TRÊS POETAS E UMA SAUDADE


Gerardo Mello Mourão

Patativa do Assaré

Costa Matos

Dia 14 de Março comemora-se o Dia Nacional da Poesia, aqui deixo minha homenagem aos três poetas do meu Ceará.

TRÊS POETAS E UMA SAUDADE

Dia quatorze de março
Dia Nacional da poesia.
Presto minha homenagem
Com carinho neste dia,
A três bardos cearenses
Que nos deram alegria.

O céu está em festa
Vejam que constelação,
Com Patativa do Assaré,
E Gerardo Mello Mourão,
Juntos com Costa Matos
Versejando sobre o sertão.

Patativa muito encantou
Aquele que pode escutar
A cantiga da vaca estrela
Junto com o boi Fubá.
E com a “Triste Partida”,
Fez muita gente Chorar.

Nossa cultura popular
Deve muito a Patativa.
Sua alma de poeta
Era de sua terra cativa.
Mesmo com sua partida
Sua história é bem viva.

Cantou as amarguras
De um povo sofredor.
Cantou a beleza da rosa,
Cantou alegria e a dor.
Cantou a vida sofrida
Do pobre agricultor.

Costa Matos meu poeta,
Poeta de minha infância,
Seus poemas que eu li
Quando ainda era criança,
Num livro emprestado,
Ainda trago na lembrança.

Mais tarde eu recebi
Vindo de suas mãos,
Livros a mim ofertados,
E foi grande a emoção.
Pra ele fiz um poema,
Demonstrando gratidão.
O poeta fez de Ipueiras,
Um poema de amor.
Cantou a beleza da serra,
Cantou os ipês em flor,
Cantou os pirilampos,
Com borboletas brincou.

Poeta segue tua trilha,
Pois brilharás no além.
Aqui ficou a saudade,
Dos que lhe querem bem.
Nas alturas sei que os anjos,
Certamente dirão, amém.

Meu muito querido amigo,
Gerardo Mello Mourão,
Dele fui muito próxima
Segurei em sua mão
Cada palavra que ele dizia
Eu ouvia como oração.

Ainda hoje não esqueço
Minhas visitas ao seu lar.
Era ele quem mais falava,
E eu gostava de escutar.
E sua sala de visita
Chegava a me encantar.

Por mim ele foi recebido
Num evento cultural
Na cidade de Ipueiras,
Em nossa terra natal.
Sua alegria era tanta,
E a minha sem igual.

Tenho parte de seus livros,
Que ele mesmo me deu.
Adoro “Rastro de Apolo”,
E “O Bêbado de Deus”.
O livro “Invenção do Mar”
Perde quem nunca leu.

Gerardo se foi há dois anos,
Costa Matos partiu agora.
Março não foi camarada,
Mas era chegada a hora.
O centenário de Patativa,
Em março se comemora


A saudade eu sei é grande,
Mas na história ficará
Os feitos destes poetas,
Que gostavam de versejar,
E espalharam pelo mundo,
Um canto bem singular.

Texto de Dalinha Catunda e Imagens da internet

quinta-feira, 12 de março de 2009

POSSE DE MARCUS LUCENNA


1- Apresentação do Sanfoneiro Zé Calixto.

2-Apresentação do Mestre Azulão

Jandira Feghali,Marcus Lucenna e Dalinha Catunda

Jandira Feghali e Dalinha Catunda
POSSE DE MARCUS LUCENNA

Hoje, 12 de março de 2009, Marcus Lucenna, cantador, cordelista, acadêmico da ABLC, natural da cidade de Mossoró no Rio Grande do Norte, foi empossado como gerente do Centro Municipal Luiz Gonzaga de Tradições Nordestinas, pela Secretária de Cultura do municipio Jandira Feghali.

A Feira de São Cristovão foi invadida por nordestinos que orgulhosamente prestigiaram e aplaudiram o novo Gerente.

Tanto Jandira Feghali, como Marcos Lucenna prometeram dar mais ênfase a cultura e uma cara, realmente, mais nordestina a famosa “Feira dos Paraíba” que andou perdendo, e muito, sua essência nordestina.

A ABLC, Academia Brasileira de Literatura de Cordel compareceu com boa parte do seu quadro acadêmico. Lá estiveram: Chico Sales, Campinense, Dr. William G Pinto, professor Aragão,Lubisomem, Cepalo e Mestre Azulão. Eu que não sou boba nem nada também marquei presença.

Entre as apresentações gostaria de destacar Zé Calixto com sua sanfona, que arrancou aplausos dos convidados, e a apresentação cheia de graça do Mestre Azulão.

Marcos Lucenna numa homenagem ao rei do baião e aos nordestinos que ali se encontravam cantou Asa Branca emocionando os presentes.

Conjuntos tocando apenas pé-de-serra, também animaram a posse. Bebidas e salgados foram oferecidos aos presentes finalizando a festa com chave de ouro

Texto e fotos de Dalinha Catunda

terça-feira, 10 de março de 2009

LEI DA SOBREVIVÊNCIA



LEI DA SOBREVIVÊNCIA

Dalinha Catunda

Brigo com meus demônios,
Rezo para os meus santos,
Aborto o que seria
O nascimento de um pranto.

A prendi a desatar,
O nó preso na garganta.
Com astúcia ou ironia,
Encaro qualquer afronta.

Calar não é consentir,
No meu modo de pensar,
É espreitar a presa com calma,
Para o bote não falhar.

Sou cobra que não ataca,
Mas aprendi a me defender.
Se não pisar no meu calo,
Não pico também você.

Oferecer a outra face?
Nem em outra encarnação!
Pago na mesma moeda,
Só aguardo a ocasião.


Imagem:arcanjo_rafael.zip.net/images/solidao.jpg

segunda-feira, 9 de março de 2009

MINHA HOMENAGEM A "ZECA FROSINO"


Na foto o cantor e sanfoneiro Edilson Vieira e "Zeca Frosino"

Hoje é o aniversário de "Zeca Frosino" que já passou dos 80 anos e continua alegrando a cidade de Ipueiras com o Forró do Zeca que acontece todo mês de julho há mais de 50 anos.
Parabéns "Zeca Frosino" pelo seu aniversário, pela sua alegria e por manter a tradição do forró pé-de-serra em nossa Ipueiras.

O SONHO DE ZECA


Um dia, um homem do povo,
Resolveu alegrar o sertão.
Teve uma idéia singela,
Que transformou em ação.
Com pouco recurso montou,
O plano do seu coração.

Com sua sabedoria,
Começou a matutar...
Tem que ser na lua cheia,
P’ra aproveitar o luar.
Assim ficará mais fácil,
P’ro povo se deslocar.

Com uma garrafa vazia,
O candeeiro montou.
Um pavio improvisado,
Na garrafa enfiou.
E foi só colocar gás,
Que o terreiro iluminou.

Contratou um sanfoneiro,
Bom de fole amigo seu.
Assim o primeiro forró,
Na Floresta então se deu.
Até hoje só falhou um,
Foi quando seu pai morreu.

Primeiro sábado de lua cheia,
Em julho p’ro nossos lados.
Dá-se a confirmação,
do forró mais animado.
Cinqüenta anos de forró,
Zeca tem em seu reinado.

É um forró sem frescura,
Onde toda criatura,
Elegante ou pé no chão,
Dança a noite inteira,
Relembrando o Zé pereira,
Unidos puxando cordão.

Na hora da saideira
O povo de Ipueiras,
Em coro começa a cantar.
É hora de ir embora,
Por que o sol não demora,
Está começando a raiar.

E assim é à volta p’ra casa,
Após uma boa noitada,
Curtida no interior.
E Zeca sorri feliz,
Mais uma vez fez o que quis,
Com a graça de nosso Senhor.

Os olhos de Zeca brilham,
Chegam quase a marear.
É a emoção brotando,
Lá dentro do seu olhar.
Seu orgulho é tão grande,
Que o peito chega a estufar.

Com sua camisa estampada,
Completamente molhada,
Feliz ele volta p’ro lar.
Sabendo que nesta trilha,
Conta com o amor da família,
Que se une para ajudar

sexta-feira, 6 de março de 2009

MULHER, INVENÇÃO DE DEUS



Mulher Invenção de Deus

Pregam aos quatros cantos que a mulher foi feita da costela de Adão.Não sei se para diminuí-la ou ridicularizá-la, o que dá no mesmo, corre por aí uma versão jocosa que a mulher, na realidade, foi feita do rabo do cachorro.

Dizem que Deus de posse da costela elaborava seu trabalho, tão entretido estava em sua missão, que nem notou a aproximação de um cachorro que velozmente arrancou de suas mãos a costela manuseada. Sem perda de tempo o todo poderoso correu atrás do cachorro chegando a pegá-lo, mas o mesmo já havia comido o que seria a matéria prima na elaboração da mulher. Para não voltar de mãos abanando, cortou o rabo do cachorro e com seu infinito poder deu continuidade ao seu trabalho criando assim esse ser de importância suprema, a mulher.

Há quem diga que nada disso procede, que na verdade Deus fez duas criaturas de barro e botou ao sol para secar, depois de alguns dias voltou ao local para verificar sua obra... qual não foi sua surpresa... uma brotou e a outra rachou, e assim foi definido o sexo: feminino e masculino. Era tudo tão perfeito que Deus maravilhado, com um sopro divino deu vida àquelas duas imagens.

De qual matéria fomos feitas exatamente, não importa, o importante é que a fórmula deu certo. Se não somos uma pequena fração do homem, muito menos seriamos o rabo de um cachorro. Acredito sinceramente que somos resultado das mãos de Deus e do sopro divino.

FOTO:400 x 327 - 14k - jpg - br.geocities.com/.../lisieux/ceu_mulher.jpg

HOMENAGEM EM VERSO E PROSA AS MULHERES


Foto retirada do: orkupido.ning.com
AMIGOS, EM HOMENAGEM AO DIA INTERNACIONAL DA MULHER, 08 de MARÇO, ESTOU REPRISANDO DOIS TEXTOS, DE MINHA AUTORIA, QUE GOSTO MUITO.

Retrato do Passado

Namorou e ficou noiva.
Casou no padre e no civil.
Disse amém a sociedade
Que suas podres leis pariu,
E o que foi feito de sua vida
Não foi ela quem decidiu.

Casamento arranjado
Aos moldes tradicionais.
Um negócio ajustado
Aos interesses dos pais.
Que vedavam os ouvidos
A sua angustia e seus ais.

Filhos ela teve tantos
Nem pôde nos dedos contar.
Quando esvaziava o bucho,
Voltava a emprenhar.
Fez filhos e não amor,
Não aprendeu a gozar.

È uma boa parideira,
Dizia sempre o marido.
Pelas mãos da parteira
Eram os filhos recebidos.
Quando arriava a bexiga,
Com o médico era resolvido.

Empregada ela tinha,
Pois tinha “boa” situação.
Era uma cabocla prendada.
Era de forno e de fogão.
E nas quebradas da noite
Também servia ao patrão.

O marido era bom partido,
Criado nos dogmas da fé.
Aos domingos ia à missa,
Mas freqüentava o cabaré,
As taras eram com as putas,
E os filhos com a mulher.

“Até que a morte os separe”
Assim era feita a negociata.
O marido era um bom emprego,
A mulher deveria ser grata.
“O que Deus une ninguém separa”
Dai, a submissão era farta.


Uma fotografia na parede,
Retrata esse triste passado.
Que visando a posteridade.
Sempre fora bem focado
Entre paletós e bigodes
Vestidos bem comportados.

Lá se foi o velho tempo,
Do império patriarcal.
A mulher, hoje, evoluída
Não necessita de aval,
Desbrava o seu futuro
Encara o bem e o mal.

quinta-feira, 5 de março de 2009

SAUDADES DO INTERIOR


Banco de pote que fica em minha Chácara em Ipueiras no interior do Ceará.

LEMBRANÇAS DO INTERIOR

Boina na boca do pote.
Água fresca naturalmente.
O pote por fora suado,
Matava a sede da gente.

Era água de cacimba,
Que a natureza servia.
No copo de alumínio
No interior se bebia.

No ranchinho que possuo
Lá pras bandas do sertão.
Tem lá um banco de pote
Preservando a tradição.

Texto e foto de Dalinha Catunda
Este texto foi publicado dia 21/03/09
No jornal O Povo em Fortaleza-Ceará.