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sexta-feira, 5 de março de 2021

O MENINO DE PALHA E A SACOLA DE SONHOS


 O MENINO DE PALHA E A SACOLA DE SONHOS

*
Uma sacola de Sonhos,
Leva o menino de palha,
Lotada de fantasias!
Pelos becos de Barbalha,
E com criatividade,
Distribui felicidade,
E muita alegria espalha.
*
Tem cocada e tem bombom,
Dentro da sua sacola.
Tem peta, tem pirulito,
Tem palma, tem mariola,
Tem paçoca e amendoim,
Rapadura e alfenim:
Ele grita e não se enrola.
*
Da sacola encantada
Ele tira a esperança.
Vai disseminando o sonho,
Inocente de criança,
Em meio a essa magia
Faz brotar com alegria
Novos tempos de bonança.
*
Versos de Dalinha Catunda
Fotos de Jerônimo Gonçalves.

quarta-feira, 24 de fevereiro de 2021

O TROTE

O TROTE

Certa noite, eu já deitada, perdida em meus pensamentos a embalar-me numa rede...

Eis que de repente, não mais do que de repente, toca insistentemente o telefone em sua base fixa, preguiçosamente levanto-me para atender. Sonolenta pego o aparelho e me surpreendo:

- Alô, quem fala?

- Aqui, é a amante do seu marido!

Nessa hora tive vontade de rir e quase gargalhei, mas compenetrada respondi:

- Olha, querida, se fosse a esposa do meu amante eu até te daria um papo, mas...

Desliguei o telefone, voltei para meu ócio noturno, com o pensamento em novas e emocionantes tardes...

Autora: Dalinha Catunda cad. 25 da ABLC

dalinhaac@gmail.com

Encantada com os Microcontos da querida e competente escritora Leila Jalul, de quem sou fã, resolvi estrear na modalidade do MICROCONTO também.

quinta-feira, 11 de fevereiro de 2021

KAROLINA COM K, COISA DE GONZAGÃO


 

KAROLINA COM K, COISA DE GONZAGÃO

*

A mulher com K maiúsculo

É coisa de Gonzagão

Foi do nosso rei caboclo

Que nasceu essa invenção

Era cabocla ladina

Chamada de Karolina

Astuta que nem o cão.

*

E foi imortalizada

Na voz do Rei do Baião

Como a mulher dançadeira

Que mais chamava atenção

Cheia de presepada

Com sua saia rodada

Girava que nem pião.

*

Todo mundo admirava

A tal bela sertaneja

Dançava com quem queria

Inda tomava cerveja

Nos braços do sanfoneiro

Dançava até em terreiro

Não ficava no, hora veja!

*

Karolina era cheirosa

Bem atrevida e faceira

Também era invocada

Metida a cangaceira

Mas colou com Gonzagão

Dançando xote e baião

Do chão tirava poeira.

*

Tem que dançar xenhenhém

Igualzinha a Karolina

Tem que lavar bem a boca

Gargarejar creolina

Acho bom que se oriente

Pra falar da nossa gente

De origem nordestina.

*

Pois quem quer ser respeitada

Pelos outros tem respeito

Não segue a velha cartilha

Onde mora o preconceito

Eu não quero causar dano

Mas o K Gonzagueano

Ele é nosso não tem jeito.

*

Versos e foto de Dalinha Catunda

quarta-feira, 10 de fevereiro de 2021

O SEMEAR DE LINDICÁSSIA


 O SEMEAR DE LINDICÁSSIA

*
Você é semente ao vento
Brota em qualquer estação
Em toda farta colheita
Tem seu pulso, sua mão,
Você é mulher que faz
É de batalha e de paz
Nunca se abate em ação.
*
É a semente plantada
É tronco reprodutor
Seus galhos se espalharam
Nas folhas do esplendor
Oriunda de Barbalha
Fruto seu nasce sem falha
No cultivo do que for.
*
E semeando cultura
Pela serra se esparrama
Desce e sobe agilmente
E se desenrola em rama
Por novos cantos circunda
Nessa difusão profunda
Da raiz vem sua fama.
*
Lindicássia Nascimento
Filha de Dona Angelina
Traz a força da mulher
Num sorriso de menina
E com muita garra e luz
Essa cabocla conduz
Nossa arte nordestina.
*
Versos de Dalinha Catunda
Em homenagem a Lindicássia.
dalinhaac@gmail.com

terça-feira, 9 de fevereiro de 2021

CHUVA DE POESIA



 

CHUVA DE POESIA

*

BASTINHA JOB

Pra mim a chuva é tela

De uma linda pintura

No meu Cratinho ela cai

Cai agora com ternura

Meu coração tá contente

A chuva ,o melhor presente

Traz promessa de fartura!

*

LINDICÁSSIA NASCIMENTO

É festa na agricultura

Alegria pra o sertão

Sertanejos se animam

Com o relâmpago e o trovão

A chuva é a esperança

Para o tempo de bonança

Pra quem fez a plantação.

*

DALINHA CATUNDA

Chuva caindo no chão

Atiça minha saudade

Nós dois no banho de chuva

Numa casualidade

Enquanto a chuva caía

O casal feliz sorria

Ungindo a felicidade.

 


O FORRÓ DE TONHA


 O FORRÓ DE TONHA

*
Eu fui ao forró de Tonha
Pra dançar com meu amor
Perfumei o meu cangote
Botei no cabelo a flor
Ouvindo Tonha cantar
Eu me danei a dançar
Era bom o tocador.
*
Era Tonha no triângulo
No compasso do forró
Cantava porque sabia
E não faltava gogó
Ao lado do sanfoneiro
Tonha fazia um salseiro
Cantando como ela só.
*
E quando Tonha parava
Eu via o povo gritar
Ô Tonha, porque parou
Não era para parar
E o gaiato: Ande Tonha!
Venha logo não se oponha
Faço o forró esquentar!
*
Versos de Dalinha Catunda
Para Tonha Mota
Foto de Tonha Mota
dalinhaac@gmail.com

quinta-feira, 4 de fevereiro de 2021

A PARCEIRA CHICA EMÍDIO


 

A PARCEIRA CHICA EMÍDIO

*

A Chica Emídio é atriz

Professora e cordelista

E mulher capacitada

Ela está em minha lista

Cirandeira do Cordel

Que faz bonito papel

É completa como artista.

*

Já contracenei com Chica

E gostei da atuação

Em cena não escorrega

Faz boa apresentação

Ainda tem um tesouro

É o seu Chapéu de Coro

Guloseima e tradição.

*

Versos de Dalinha Catunda

cad. 25 da ABLC

dalinhaac@gmail.com

 

sexta-feira, 29 de janeiro de 2021

A TRADIÇÃO DO REISADO


 

 

 A TRADIÇÃO DO REISADO

1

Hoje vou pegar retalhos

De histórias no pensamento

Pra costurar um cordel

Tecendo cada momento

Com fios da tradição

Na trama da narração

Expondo cada elemento.

2

É da tradição cristã

Essa festa que seduz

E tem como inspiração

O pequenino Jesus

E a visita dos Reis Magos

Que trouxeram seus afagos

Guiados por uma luz.

3

Seguindo uma bela estrela

Belchior e Baltasar

Fizeram longo percurso

Lado a lado com Gaspar

Pois saíram do oriente

Cada um com seu presente

Para o menino ofertar

4

O ouro, o incenso e a mirra

Trouxeram na ocasião

E ofertaram a Jesus

Em meio a adoração

Nasceu desse ritual

O presente de Natal

Que se tornou tradição.

5

Nascimento de Jesus

Passou a ser celebrado

O mundo inteiro faz festa

E nós fazemos dobrado

Nasce a festa popular

Divina espetacular

A qual chamamos Reisado.

6

E foram os portugueses

Em tempos coloniais

Que trouxeram seus costumes

Legado dos ancestrais

Culinária e devoções

Festas e celebrações

Herdamos os rituais.

7

No dia seis de janeiro

Tem festejo e alegria

O povo todo animado

Se prepara nesse dia

E na Folia de Reis

Brincantes de muitas greis

Celebram com cantoria.

8

A festa é bem variada

Em sua apresentação

Quando se tira reisado

É feita a visitação

Um grupo de porta em porta

Em cada morada aporta

Com cantos de louvação.

9

Louvam o dono da casa

E Jesus de Nazaré,

Sem esquecer de Maria

E também de São José

Para a festa pedem prendas

Logo após as oferendas

Prossegue o cortejo a pé.

10

O grupo sempre arrecada

Bebida e também dinheiro

Apresentam-se em praça,

Em alpendre e em terreiro

Vestidos com fantasia

Vão espalhando alegria

Num trajeto prazenteiro.

11

A Festa dos Santos Reis

Também chamamos Reisado

E de Folia de Reis

Dependendo do condado

Cada um tem seu enredo

Para atrelar ao folguedo

Costumes próprio do Estado

12

Cada grupo tem seu mestre

E também sua bandeira

Usam roupas coloridas

Dançam, fazem brincadeira

Instrumentos musicais

Até bandas cabaçais

Pra animar a pagodeira.

13

Tem viola e violão

Tudo enfeitado com fita

Tem reco-reco e sanfona

Também cantiga bonita

Tem o toque do pandeiro

Tem tambores no terreiro

Muitas cores muita chita.

14

No Cariri Cearense

O Reisado é tradição

A festa é bem grandiosa

É de chamar atenção

Pois ali brinca a criança

Repleto de esperança

Também brinca o ancião.

15

Tem dança, teatro e música

Todo tipo de reisado

Tem de couro e de careta

Grupo diversificado

Também nessa caminhada

Ainda tem a congada

Tudo bem organizado.

16

Em cada apresentação

Seja nas casas ou praça

A meninada feliz

Do palhaço instiga graça

E Mateus chega animado

Pulando pra todo lado

Em cena não se embaraça.

17

Sempre ao lado de Mateus

Nessa festa nordestina

Aparece chafurdando

A gaiata Catirina

Com as suas presepadas

O povo dá gargalhadas

Enquanto ela desatina.

18

O feioso Jaraguá

De todos chama atenção

Já chega batendo o bico

Dançando com seu jeitão

Ele mexe o corpo inteiro

E faz o maior salseiro

E agrada a população.

19

Tem, mestre, rei e rainha

Nos folguedos pra Jesus

E tem coroa dourada

Que na cabeça reluz

Cada vez que o mestre apita

O grupo entra na fita

E assim o mestre conduz.

20

A burrinha é atração

Sapeca e bem aplaudida

Sua dança é envolvente,

Sua veste é colorida

Bem faceira e dançadeira

Faz parte da Brincadeira

E dança toda exibida.

21

Entre o gracejo e a dança

Tem combate tem porfia

Lembrando os gladiadores

Na luta que contagia

Geração a geração

Se pratica a tradição

De adereço e fantasia.

22

É bem diversificada

Essa festa popular

É a vontade do povo

Que faz o Reisado andar

Só com criatividade

Paixão e capacidade

Se consegue festejar.

23

É profana e é sagrada

é de maria e José

É festa que se destina

Ao bom Rei de Nazaré

É festa pro nordestino

Que ao Tirar o Divino

Iça o estandarte da fé.

24

Para falar de Reisado

Fui seguindo a minha Luz

Como fez os três Reis Magos

Ao visitarem Jesus

Foi a musa estrela guia

Ela de noite ou de dia

É sempre quem me conduz.

*

Cordel de Dalinha Catunda

Desenho de Dalinha Catunda

Esse cordel participou em Janeiro de 2021

Do Sesc Cordel Podcast Crato-Ceará