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quinta-feira, 7 de setembro de 2023

O Dia do Fico em Cordel


 

O DIA DO FICO, é um cordel que escrevi para participar do Livro:

A Independência do Brasil em Cordel, projeto organizado por Fernando Assumpção. É um livro bom, principalmente para quem é professor.

Gostei de participar e recomendo a leitura.

 

O DIA DO FICO

1

Nossa história do Brasil

Em cordel eu vou contar.

O que pesquisei na prosa,

Em versos vou relatar.

É sobre o Dia do Fico

A parte que vou falar.

2

Vou pegar a minha rima,

E caprichar na oração.

Cada linha do cordel,

Farei com muita atenção,

Medindo bem cada verso,

Pondo a metrificação.

3

P’ra não me perder na história

Bons textos eu consultei.

Vou passar para o papel,

Tudo aquilo que já sei,

Vou cumprir minha missão,

No projeto que abracei.

4

Em mil oitocentos e oito (1808)

Essa história começou.

Quando a família real,

Fugindo, ao Brasil chegou.

A possível invasão,

Francesa, a fuga causou.

5

E foi assim que o país,

De Colônia portuguesa,

Virou o Centro do Império,

Diz a história, com certeza!

E mais tarde virou reino,

Abrigando a realeza.

6

Daí, O Rei Dom João VI,

Diante a revolução

Liberal do Porto, voltou

A Portugal. Na ocasião,

Aqui deixou seu herdeiro

Essa foi a solução.

7

O receio que o Brasil

A Reino Unido elevado,

Os seus direitos perdesse,

Era o motivo acertado,

Para o Príncipe Regente

Assumir esse reinado.

8

Isso porque, se o Brasil

Sem direitos, afinal,

Seria então como antes,

Colônia de Portugal.

Porém surgiu nova ideia

E com importante aval.

9

Pois aqueles que compunham

A forte elite rural,

E a brasileira política,

Acharam ser ideal,

Ter um “Reino do Brasil”

E livre de Portugal.

10

Porém o próprio Dom Pedro

Já pensava em se afastar

Dessa corte portuguesa.

Fortemente a lhe apoiar

Sua esposa Leopoldina,

Com quem podia contar.

11

E teve também apoio:

O regente brasileiro,

Que foi José Bonifácio

Seu Ministro e conselheiro,

Que muito influenciou,

Nas atitudes do herdeiro.

12

Dom Pedro recebeu ordens

Para a Portugal voltar,

E a sua preparação,

Acadêmica terminar.

Entretanto aos brasileiros

Foi como bomba no ar.

13

No Brasil a elite agrária

Ficou a se lastimar,

Pois perder as liberdades

Comerciais, nem pensar!

Tudo que foi conquistado

Tinha que se resguardar.

14

E foi por esse motivo,

Que essa elite rural

Lutou para que Dom Pedro

Não voltasse a Portugal.

Para sua permanência,

Teve um plano especial.

15

Iniciou-se a coleta

De assinaturas mil,

Pedindo p’ra que Dom Pedro,

Não saísse do Brasil.

O pensado aconteceu,

Sem precisar ser hostil.

16

A coleta começou

Pelo Rio de Janeiro,

Depois foi Minas Gerais,

Além de São Paulo inteiro.

O esforço não foi em vão,

Deu força a Pedro Primeiro.

17

Presidente do senado,

José Clemente Pereira,

A Dom Pedro apresentou,

Essa lista pioneira:

Foram mais de oito mil

Assinando a lista inteira.

18

Com isso o Príncipe Regente

Decidiu contrariar,

Das tais Cortes Portuguesas,

Ordens para retornar.

Pois era sua vontade,

Aqui no Brasil ficar.

19

Foi em 9 de janeiro, (1822)

Eu afirmo sem engano.

E foi em mil oitocentos

E vinte e dois firmo o ano.

Se deu O DIA DO FICO

Dom Pedro foi soberano.

20

No então Passo Real,

E naquela ocasião,

Dom Pedro comunicou,

Diante da multidão,

Ao povo que assistia,

Sua nobre decisão.

21

Se é para o bem de todos,

Eu não vou dizer que não.

Felicidade geral,

Quero para essa nação.

Digam ao povo que fico!

Pronto pra qualquer ação.

22

No nobre Dia do Fico

Pedro, o príncipe regente,

Tinha só vinte e dois anos,

E afrontou publicamente,

As cortes que o queriam,

Em Lisboa novamente.

23

E depois de oito meses

O grito da Independência,

Dado as margens do Ipiranga,

Do Fico, foi consequência.

Nascia um novo Brasil,

O povo tinha ciência.

24

Dessa história do Brasil,

Uma parte aqui contei.

Alguma coisa eu sabia,

Outras tantas pesquisei,

200 anos de história

Foi o tema que abracei.

*

Cordel de Dalinha Catunda

dalinhaac@gmail.com

terça-feira, 5 de setembro de 2023

O CÉU MÁGICO DE AURORA

O CÉU MÁGICO DE AURORA

I

À musa peço licença

para essa história contar,

que venha a inspiração,

pois em versos vou narrar,

com argumentos que tenho,

rimas não irão faltar.

II

Vou falar neste cordel

de um céu sempre presente

na vida duma menina

curiosa e inteligente

que, olhando para o céu,

deu asas a sua mente.

III

Por ter nascido bem cedo,

no momento da alvorada,

seu nome foi escolhido

em homenagem à chegada,

e, com o nome de Aurora

ela assim foi batizada.

IV

Aurora ainda criança

ouvia sua mãe cantar

diferentes acalantos

para o seu sono embalar,

de tanto ouvir, aprendia

as cantigas de ninar.

V

A cantiga do gatinho

ela tinha decorado:

“desce já, desce, gatinho,

lá de cima do telhado,

para ver se essa menina

dorme um sono sossegado”.

VI

Quando sua mãe dizia:

“ô dona lua, ô luar,

pega aqui a minha Aurora

para ajudar-me a criar”,

Aurora olhava pro céu

e via a lua a brilhar.

VII

Olhando pro céu, Aurora

se pegava a imaginar

nas alvas nuvens do céu,

carneirinhos a pastar,

para dormir inventou

de carneirinhos contar.

VIII

A menina foi crescendo,

olhando para o infinito

e, querendo desbravar

aquele mundo bonito,

onde cada aparição

desenhava um novo rito.

IX

O céu era com certeza

o seu mundo encantado,

da janela do seu quarto,

podia ser alcançado,

novidade não faltava

no horizonte renovado.

X

Um dia, Aurora acordou

e viu o céu estrelado,

a lua vestindo prata,

deixava o céu prateado,

viu a rainha da noite

deslumbrante em seu reinado.

XI

A lua chamava atenção,

mas as estrelas também,

tinha de grande a pequena,

piscando como ninguém,

feliz sorria Aurora,

com tudo que do céu vem.

XII

Lá no meio das estrelas,

viu uma bem diferente,

brilhava com intensidade,

como era reluzente,

descobriu a Estrela Dalva,

Vênus, para muita gente.

XIII

Viu três estrelas juntinhas,

e queria saber mais.

A mãe logo respondeu

para não ouvir seus ais.      

Elas são As Três Marias,

não se separam jamais.

XIV

Olhando a lua no céu,

noites e noites, ficava

perdida em contemplação,

das formas se admirava,

sem entender as mudanças,

à sua mãe perguntava:

XV

Minha mãe, por que a lua

Nasce, às vezes, diferente?

- A lua tem quatro fases,

são: lua nova e crescente,

a lua cheia e minguante,

disso fique bem ciente.

XVI

Gostava da lua cheia

com o clarão do luar,

gostava da lua nova,

era um barquinho no ar,

gostava tanto da lua,

que aprendeu desenhar.

XVII

Um dia, Aurora acordou

bem antes do sol raiar,

ficou de boca aberta,

sem querer acreditar

naquele céu colorido,

diante do seu olhar.

XVIII

Abriu mais sua cortina,

escancarou a janela,

para ver no horizonte

aquela paisagem bela,

a natureza pintando

no céu a mais linda tela.

XIX

Um painel bem colorido

tomava todo o arrebol,

fazendo os preparativos

para a chegada do sol,

e assim retirava Aurora

do aconchego do lençol.

XX

As cores foram sumindo,

mudando a tonalidade,

no céu do amanhecer,

prenúncio de claridade,

Aurora testemunhava,

cheia de felicidade.

XXI

Raios chegaram primeiro,

o sol em seguida chegou,

os passarinhos cantaram,

bem longe, o galo cantou,

quando o sol rompeu o dia,

a luz celeste brilhou.

XXII

O tempo foi se passando,

mas Aurora não perdia

o interesse pelo céu.

a sua grande mania,

na escola se interessava

por aulas de astrologia.

XXIII

A origem do seu nome

a sua mãe lhe contou:

Deusa do Amanhecer,

porque quando o sol raiou,

trazendo luz e calor,

Aurora, você chegou!

XXIV

No Céu Mágico de Aurora,

sempre cabe mais criança

pra brincar de ser feliz,

com respeito e confiança,

celebrando a alegria,

cultivando a esperança.

XXIV

Cordel Infantil de Dalinha Catunda

dalinhaac@gmail.com

*