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segunda-feira, 20 de setembro de 2021

TROVAS PARA UMA MORENA


 TROVAS PARA UMA MORENA

Quem um dia vestiu chita,
Voltava para o sertão,
Agora vestindo seda
E cheia de sedução.
Abalou sua cidade
Numa festa de chitão,
Dançando a noite inteira,
Com importante varão.
Rodopiou feito louca,
Nos braços do tal rapaz,
Que enfeitiçado por ela,
Dançava e perdia a paz.
Os requebros que mantinha,
Entre ancas e umbigo,
Acalorava a paixão,
A morena era um perigo!
Faceira e desaforada,
Pedaço de perdição,
Fez um estrago danado
Num monte de coração.
Fez cabra pedir penico,
Em vez de separação.
Fez macho trepar em égua,
Gozando em sua intenção.
Vivia fora da lei,
Andava na contra mão,
Mas tinha um xodó danado
Por seu pequeno sertão.
Nascida nas Ipueiras.
Também criada por lá
Tangida por “moralistas”
Guerreira do Ceará.
E pariu dois filhos machos,
Sem nunca subir ao altar.
Só precisou de instinto,
Na hora de procriar.
Gostava de liberdade.
Gostava de ter paixão.
Gostava de lua cheia
Gostava de amar no chão.
Reza a lenda que ela um dia
Se transformou em sereia,
E fisgou um pescador,
Se acasalando na areia.
O que conto nestes versos,
É somente um tostão,
Da morena endiabrada,
Lenda viva do sertão.
E foram tantas histórias,
Que ouvi sobre a morena,
Um dia lhes conto o resto.
Garanto que vale a pena.
.
Versos e fotos de Dalinha Catunda

sábado, 18 de setembro de 2021

O BALÃO


 

O BALÃO...

*

Eu hoje olhando pro céu

De longe avistei um balão

Que caía lentamente

No meio da plantação

Fique bem preocupada

Pois a mata incendiada

Provoca devastação.

*

Vamos ter mais consciência

E cuidar da natureza

Pois o verde ainda é

A nossa maior riqueza

Se o homem não preservar

Ele mesmo irá pagar

Disso nós temos certeza.

*

Dalinha Catunda - Cachoeiras de Macacu

dalinhaac@gmail.com

 

 

segunda-feira, 6 de setembro de 2021

NATURALMENTE NORDESTINA


 

NATURALMENTE NORDESTINA

*

Eu sou raiz nordestina

Sou canto de primavera

Sou flor do mandacaru

A que na caatinga impera

Aclarando as madrugadas

Eu sou lua nas estradas

Por onde adeja a quimera.

*

Versos e foto de Dalinha Catunda

 

quinta-feira, 2 de setembro de 2021

PRA ROLA SÓ DOU XERÉM SE COMER NA MINHA MÃO.


 

PRA ROLA SÓ DOU XERÉM

SE COMER NA MINHA MÃO.

*

Nem bem o dia amanhece

Já está em meu quintal

O seu canto matinal

É canto que me enternece

Mas comida só merece

Quem tem rumo e direção

Não cedo alimentação

Pra quem sempre vai e vem:

PRA ROLA SÓ DOU XERÉM

SE COMER NA MINHA MÃO.

*

Depois da barriga cheia

Vai ciscar noutro lugar

Isso não vou aturar

Nela vou meter a peia

Pois rola que me chateia

Não prendo em meu alçapão

Eu mando lamber sabão

E deixo de querer bem:

PRA ROLA SÓ DOU XERÉM

SE COMER NA MINHA MÃO.

*

Se a pomba-rola se vai

Meu mundo não vai cair

Eu vou ficar a sorrir

Perdendo é ela quem sai

Meu “dicumê pomba atrai

E nem me preocupo, não

É que rola no meu chão

Basta assoviar que vem:

PRA ROLA SÓ DOU XERÉM

SE COMER NA MINHA MÃO.

*

De pomba eu posso gostar

Porém vou logo avisando

Não venha ficar ciscando

Se não for para ficar

Rola só vou adotar

Se me provar afeição

Pois sem essa condição

Eu prefiro ficar sem:

PRA ROLA SÓ DOU XERÉM

SE COMER NA MINHA MÃO.

*

Mote e glosas de Dalinha Catunda

Xilo de Valdério Costa

 

sábado, 28 de agosto de 2021

ROGANDO EM GEMEDEIRA, Dalinha Catunda e José Walter


 

ROGANDO EM GEMEDEIRA

*

Deus me livre desse mal

Inda tenho tanta vida

Trago meu sorriso largo

Alguém me chama querida

Eu não quero ir agora

Ai, ai, ui, ui,

Ô meu pai me dê guarida.

*

Quero viver utopias

Tenho tanto amor pra dar

No calor da minha rede

Inda quero me embalar

Mesmo no outono da vida

Ai, ai, ui, ui,

Vejo meu sonho brotar.

*

Quero meus dias brejeiros

As noites de cantoria

Com viola e lua cheia

Deus do céu me alumia

Salve todos do naufrágio

Ai, ai, ui, ui,

Nos poupe dessa agonia.

*

Faço prece pra Maria

Faço prece pra Jesus

Peço a Deus onipotente

Aquele que nos conduz

Que tire dos nossos ombros

Ai, ai, ui, ui,

Essa tão pesada cruz.

*

Versos e foto de Dalinha Catunda

*

ROGANDO EM GEMEDEIRA

.

Em glosas á Dinha Catunda

.

Mesmo sendo pecador

A Deus rogo proteção

Que me livre desse mal

Estendendo a Sua mão

Pela infinita bondade

Ai, ai, ui, ui

Pois negar não pode, não.

.

E se a morte for descanso

Conforme reza o ditado

Que me deixe no meu canto

Onde vivo sossegado

Pregando só paz e amor

Ai, ai, ui, ui

Pra na cruz não ser pregado.

.

Não faço mal a ninguém

Como defendo a igualdade

Para todos sem reservas

Com solidariedade

Pois somente dessa forma

Ai, ai, ui, ui

Somos justos de verdade.

.

Quero viver muito ainda

Para cantar nos meus versos

As belezas sertanejas

Pelos motivos diversos

Com meus prazeres e sonhos

Ai, ai, ui, ui

Que em meus rogos deixo impressos!

.

José Walter Pires

Agosto/2021

terça-feira, 24 de agosto de 2021

SORTILÉGIO LUNAR


 SORTILÉGIO LUNAR

*

Pela frecha da janela,

Vejo o quanto a lua é bela!

Diante desse esplendor,

Ainda olhando pro céu,

Deixo cair o meu véu,

E perco então o pudor...

*

Deslizo pelo cetim,

E aproveito-me de mim,

Nesse instante de fervor.

Pois a lua auspiciosa,

Em noite libidinosa,

Tece um clima sedutor.

*

Versos e foto de Dalinha Catunda

dalinhaac@gmail.com

segunda-feira, 23 de agosto de 2021

A Gilmar de Carvalho


 Recebi da poetisa Rosário Lustosa, o livro em homenagem ao grande Gilmar de Carvalho. Participei com as estrofes postadas aqui. Muito obrigada, Rosário, pelo livro, pelo convite e pelos seus cordeis que depois de serem lidos irão para minha cordelteca. Meu abraço.

A Gilmar de Carvalho
*
Chegou feito um furacão
Levando o que viu na frente
Levou pobre, levou rico
De maneira surpreendente
Levou Gilmar de Carvalho
Um mestre de nossa gente.
*
Um homem capacitado,
Um grande pesquisador
Que a cultura popular
Deu o devido valor
Porém veio a pandemia
Levou nosso professor.
*
Interrompeu a jornada
De quem soube caminhar
Pesquisando e propagando
A cultura popular
Nossos olhos encantando
Com o que viu seu olhar.
*
Sei que Gilmar de Carvalho
Se foi, mas, deixou história
Será fonte de pesquisa
Seu legado é sua glória
Essa herança cultural
Garante sua memória.
*
Dalinha Catunda – Rio de Janeiro

sexta-feira, 20 de agosto de 2021

QUEM MEXE COM ROSAS ÁS VEZES SAI PICADO


 QUEM MEXE COM ROSAS ÁS VEZES SAI PICADO

*
JOSÉ WALTER
Quem é rosa não se queixa
Pela falta de carinho
Pelo prazer sempre deixa
Sentir o pico do espinho.
*
DALINHA CATUNDA
Sou rosa não me abespinho
Nem fujo da picadura
Se tem zangão no caminho
Lhe apresento a sepultura
*
JOSÉ WALTER
“O cravo brigou co’a rosa”
Por um singelo desejo
De uma atitude amorosa
Traduzida por um beijo.
*
DALINHA CATUNDA
Depois de um acoleijo
A rosa ficou zangada
O cravo roubou um beijo
Completando a presepada.
*
JOSÉ WALTER
Vivendo em uma redoma
A rosa não é amada
Pois amor é o que soma
Na paixão compartilhada
*
DALINHA CATUNDA
A rosa bem assanhada
Não vivia em desalento
Só vivia arrepiada
Pois se entregava ao vento.
*
JOSÉ WALTER
Vou fazer uma pilhéria
Com Dalinha, provocada:
Não existe mulher seria
Porém , mulher mal cantada.
*
DALINHA CATUNDA
Existe mulher malvada
Que bate em mau cantador
Que canta e não é de nada
E pensa que é professor.
*
.JOSÉ WALTER
Quem se diz rosa sem cravo
Um motivo sempre há
Não existe mel sem favo
Pois só recebe quem dá.
*
DALINHA CATUNDA
Sou rosa do Ceará
Bela flor de muçambê
O mel que em mim está
Não estará em você.
*
JOSÉ WALTER
Sobre a mulher, o preceito
Lá na Bíblia está escrito
De obediência e respeito
Ao homem, como descrito.
*
DALINHA CATUNDA
O respeito é restrito
Desde os tempos de Adão
Eva soltou o “priquito”
Pro homem entrar em ação
*
JOSÉ WALTER
Ainda no paraíso,
Eva mandava em Adão
Com seu jeito sem juízo
Para Deus, sem solução.
*
DALINHA CATUNDA
E a mulher no sertão
Foi Eva no Paraíso
Tomando sua direção
Para não ter prejuízo.
*
JOSÉ WALTER
Impossível existir
Uma rosa sem perfume
Ou u’a mulher sem sentir
Pelo seu cravo ciúme.
.*
DALINHA CATUNDA
Meu amigo se acostume
E vá mudando de prosa
Não venha com seu estrume
Pra não chatear a rosa.
*
JOSÉ WALTER
Às poetisas, parceiras
Mando aqui algumas trovas
Feitas como brincadeira
Que na peleja são novas.
*
DALINHA CATUNDA
Não sei se passei nas provas
Dessa peleja em quadras
Também não sei se me aprovas
Ou como louca me enquadras.
*
Trovas de Dalinha Catunda e José Walter.
Foto do acervo de Dalinha Catunda