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quinta-feira, 25 de novembro de 2021

SERTANEJANDO

SERTANEJANDO
*
Quando escancaro a porteira
Para entrar em meu rincão
A dona felicidade
Faz festa em meu coração
Uma brisa benfazeja
Invade essa sertaneja
Que não esquece o sertão.
*
Cada tarde é deslumbrante
Ver o ocaso acontecer
Por detrás da serra grande
Assisto o sol se esconder
Deixando um resto de luz
Crepúsculo que seduz
No dourado entardecer.
*
Tibungando em minhas águas
Eu vejo o sol desmaiar
Entre um mergulho e outro
Consigo me refrescar
E na boquinha da noite
O Aracati é açoite
Que chega com o luar.
*
Versos e foto de Dalinha Catunda
dalinhaac@gmail.com

 

A BAIANA DO ACARAJÉ


 

A BAIANA DO ACARAJÉ

*

25 de novembro

Dia de celebração

É dia que se festeja

Com ritos de tradição

Seguindo ofício e fé

A Baiana do Acarajé

Patrimônio da nação.

*

Versos de Dalinha Catunda

dalinhaac@gmail.com

 

quarta-feira, 10 de novembro de 2021

DALINHA CATUNDA E AS PELEJAS VIRTUAIS


 

DALINHA CATUNDA E AS PELEJAS VIRTUAIS

A peleja virtual é o repente teclado que a cada dia ganha mais espaço nas redes sociais.

É uma peleja, pois segue a disputa entre dois poetas. Não é, exatamente, um repente porque temos mais tempo para pensar e responder como poeta de bancada que somos.

Vê-se com frequência a disputa de poetas através do Facebook. Muitas vezes os poetas de cordel preferem trocar versos via e-mail, messenger ou whatsApp, para depois apresentar o debate pronto.

Quando a peleja é concluída, ela é editada e postada nas redes sociais, dependendo da vontade da dupla vai para a gráfica para ser editado.

Acredito que, como mulher, sou pioneira nessa modalidade. Minha primeira Peleja Virtual, data de 10 de janeiro de 2011. Fiz em parceria com a poetisa Rosário Pinto que gostou da ideia e aceitou meu convite.

Daí pra frente abri um leque de pelejas com vários poetas, entre eles: Fred Monteiro, Rosário Pinto, Josenir Lacerda, Anilda Figueiredo, Bastinha Job, Lindicássia Nascimento, Compadre Lemos, Dideus Sales. Joames do Piauí, Hélio Crisanto, Alba Helena, Vânia Freitas, José Walter, Aldemá de Morais. Com outros tantos, tenho também a troca de versos sem síntese e sem intenção de editar.

Maria de Lourdes Aragão Catunda - Dalinha Catunda

dalinhaac@gmail.com

sábado, 30 de outubro de 2021

Ô VÉIA PRA ENXERGAR!


 

Ô VÉIA PRA ENXERGAR!

*

Minha mãe é poetisa,

E sempre gostou de ler,

Mas ficou com a vista curta,

Começou seu padecer.

Com receio de cegar,

Resolveu se consultar,

Para a vista não perder.

*

O doutor disse ligeiro

Sem rodeio sem bravata:

- Aqui pelo que estou vendo

O seu caso é catarata!

Uma simples cirurgia,

Vai fazer sua alegria,

Vamos já marcar a data.

*

Mamãe ficou animada,

Cheia de satisfação,

Contava pra todo mundo,

Dessa sua operação.

Outra coisa não falava,

Todo dia ela rezava,

Pra dar certo a intervenção.

*

Não demorou muito tempo

Ela foi paro o hospital,

E por causa da idade

Mamãe precisou de aval,

Mas depois de operada,

A vista foi renovada,

E ficou especial!

*

Hoje quando alguém pergunta,

Se vê mesmo, ou se é fofoca,

Ela diz que enxerga até

“Priquito” de muriçoca,

E nem pense em contestar!

Pois língua pra argumentar,

Ela tem bem grande e choca.

*

Versos e foto de Dalinha Catunda

dalinhaac@gmail.com

quarta-feira, 20 de outubro de 2021

VOU CAIR NO FORRÓ


 VOU CAIR NO FORRÓ

*
A casa caiu
Mas fiquei de pé
Sem nem um até
Meu amor sumiu,
Mas já que partiu,
E não teve dó
Eu vou pro forró
Curtir e dançar
Achando um bom par
Não vou ficar só!
*
Vou dançar baião,
Vou me rebolar,
O pau vai torar,
Quero animação!
Poeira do chão
Tiro no pinote,
Capricho no xote
Também no xaxado,
Não será negado
Cheiro no cangote.
*
Vou até de “chico”
Pois sou do pagode
Só dança quem pode
Não vou pagar mico
Entro no fuxico
E torna a entrar
Se o cabra encaixar
E a dança fluir
Vamos sacudir
Vamos vadiar.
*
Versos e foto de Dalinha Catunda
dalinhaac@gmail.com

sábado, 16 de outubro de 2021

O MILAGRE DE SANTANA


 

O MILAGRE DE SANTANA

1

A Deus Pai peço licença

Para esse caso contar,

Que os anjos digam amém

Para o que vou relatar

O que se deu é verdade

A mais pura realidade

Me cabe apenas narrar.

2

Santana mulher católica

Adoeceu gravemente,

Muitas vezes foi ao médico,

Mas continuou doente.

Fez de tudo pra sarar,

Mas nada de melhorar

Já se sentia impotente.

3

Se apegou com tantos santos,

Fez prece, fez ladainha.

Rezou pra Nossa Senhora,

De Maria a Mãe Rainha,

Mas não ficava curada,

Estava desenganada,

Certeza disso ela tinha.

4

Saíra do CTI

Direto pra residência,

Só para esperar a morte,

Disso ela tinha ciência.

Mas sem querer se entregar,

Continuou a rezar,

A Deus pedia clemência.

5

Tinha num canto do quarto

Um altar para oração.

Além das Nossas Senhoras,

Mais santos de devoção.

Cada santo era invocado,

Quando o terço era rezado,

Na busca por compaixão.

6

Uma noite após o terço,

E do povo dispersar,

Cada filho foi pra casa,

Depois da mãe confortar.

Santana dormiu sedada,

No meio da madrugada,

Sentiu sua cura chegar.

7

O seu quarto estava escuro

Ficou todo iluminado.

Por oito seres de luz

O seu corpo foi tocado.

Ela se viu renascendo,

Sua força foi crescendo,

Viu que tinha levitado.

8

Todos vestidos de branco,

Saíram de par em par,

Mas um com estetoscópio

Ficou a se demorar...

Um negro anjo do bem

Vestindo branco também

Disse: pode levantar!

9

Santana se levantou

Com certa dificuldade.

Sentiu o peso das pernas,

Mas quanta felicidade!

Quando o dia amanheceu,

Seu povo reconheceu,

Um milagre de verdade.

10

E foi Maria Santíssima,

E obra de São Benedito,

Que intercedeu por Santana,

E ajudou no veredito.

O bom santo da fartura,

E também santo da cura,

Se fez presente no rito.

11

Santana contou o sonho,

E tudo que sucedeu.

Todos tiveram certeza,

Que o Santo intercedeu.

Com a iluminada escolta,

Trouxe Santana de volta,

O milagre aconteceu!

* 

Versos de Dalinha Catunda

 Foto de Lindicássia Nascimento


 

sexta-feira, 8 de outubro de 2021

MEU LINGUAJAR


 

MEU LINGUAJAR

*

Eu venho lá do Nordeste

E gosto do meu dialeto

Não venha me achincalhar

Porque sei que ele é seleto

Adoro meu linguajar

Você pode não gostar

Porém é meu predileto.

*

Se você diz que é Aipim

Eu digo que é macaxeira

Você diz que é estilingue

Eu digo que baladeira

Se você diz que é bobagem

Eu na minha sacanagem

Vou dizendo que é besteira.

*

Se você diz que é abobora

Ou então diz que é moranga

Eu brado que é jerimum,

Você debochado manga

E se digo que é biquíni

A tal da calcinha mini

Você resmunga que é tanga.

*

Você fala que é moringa

Eu afirmo que quartinha

Inda quer chamar piaba

Pelo nome de sardinha

Eu digo que é bendito

Você dá seu veredito

Jurando ser ladainha...

*

Versos e fotos de Dalinha Catunda

quinta-feira, 7 de outubro de 2021

A CAVEIRA E A CAMBAXIRRA


 

A CAVEIRA E A CAMBAXIRRA

*

Garanto faz muito tempo

Que o boi malhado morreu,

Era um animal bonito!

Mas a desdita o venceu.

E foi só falta de sorte,

Recordo bem essa morte,

Uma serpente o mordeu.

*

Lá no alpendre do meu rancho,

Na coluna de madeira,

Só para recordação,

Penduramos a caveira.

Hoje é lar de passarinho,

Cambaxirra fez seu ninho,

Ave engenhosa e Matreira.

*

Andei vendo um movimento,

Na caveira pendurada,

Cheguei perto para ver,

E fiquei admirada!

A ave saiu voando,

Eu fiquei de longe olhando,

A cambaxirra assustada.

*

Logo, logo descobri

Que havia ali um casal.

Os dois muito parecidos,

Levando material,

Para o ninho reforçar,

E os ovinhos abrigar,

De maneira especial.

*

Não tem chuva, não tem vento,

Para o ninho derrubar.

A escolha foi divina,

Eu posso até apostar!

Tem ciência e tem beleza,

As tramas da natureza,

Engenho a nos encantar.

*

Fotos e versos de Dalinha Catunda

dalinhaac@gmail.com

segunda-feira, 4 de outubro de 2021

VERSOS E ARTESANATO


 VERSOS E ARTESANATO

*
Com a história do sertão,
Afirmo, que tenho trato.
Em verso no artesanato,
Eu faço a demonstração.
Vou mostrar nessa oração,
Que de forma artesanal,
Eu fiz um belo casal,
Representando o cangaço.
No tema não me embaraço,
Sou bonequeira, afinal!
*
Versos de Dalinha Catunda
dalinhaac@gmail.com

NOSSA SENHORA DE PANO


 Nossa Senhora de Pano

*
Entre um afazer e outro
Em momentos de lazer
Foço meu artesanato
Gosto muito de fazer
Fiz uma Nossa Senhora
Acho que ficou
da hora
Pois fiz com muito prazer.
*
Arte e versos de Dalinha Catunda
dalinhaac@gmail.com