O Cantinho da Dalinha é também o canto do cordel. O picadeiro onde costumo entoar o meu canto em versos propagando a poesia popular. É o Canto de uma cearense que adora suas raízes, canto da mulher destemida que saiu das entranhas nordestinas e abriu uma janela para cantar sua aldeia para o mundo, Interagir com outros poetas cordelistas desfrutando deste mundo virtual. Sou Maria de Lourdes Aragão Catunda, a poeta de Ipueiras e do cordel, sou a Dalinha Catunda. dalinhaac@gmail.com
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quinta-feira, 25 de novembro de 2021
SERTANEJANDO
A BAIANA DO ACARAJÉ
A
BAIANA DO ACARAJÉ
*
25
de novembro
Dia
de celebração
É
dia que se festeja
Com
ritos de tradição
Seguindo
ofício e fé
A
Baiana do Acarajé
Patrimônio
da nação.
*
Versos
de Dalinha Catunda
dalinhaac@gmail.com
quarta-feira, 10 de novembro de 2021
DALINHA CATUNDA E AS PELEJAS VIRTUAIS
DALINHA CATUNDA E AS PELEJAS VIRTUAIS
A peleja virtual é o repente teclado que a cada dia ganha
mais espaço nas redes sociais.
É uma peleja, pois segue a disputa entre dois poetas. Não é,
exatamente, um repente porque temos mais tempo para pensar e responder como
poeta de bancada que somos.
Vê-se com frequência a disputa de poetas através do
Facebook. Muitas vezes os poetas de cordel preferem trocar versos via e-mail,
messenger ou whatsApp, para depois apresentar o debate pronto.
Quando a peleja é concluída, ela é editada e postada nas
redes sociais, dependendo da vontade da dupla vai para a gráfica para ser
editado.
Acredito que, como mulher, sou pioneira nessa modalidade.
Minha primeira Peleja Virtual, data de 10 de janeiro de 2011. Fiz em parceria
com a poetisa Rosário Pinto que gostou da ideia e aceitou meu convite.
Daí pra frente abri um leque de pelejas com vários poetas,
entre eles: Fred Monteiro, Rosário Pinto, Josenir Lacerda, Anilda Figueiredo,
Bastinha Job, Lindicássia Nascimento, Compadre Lemos, Dideus Sales. Joames do
Piauí, Hélio Crisanto, Alba Helena, Vânia Freitas, José Walter, Aldemá de Morais. Com outros
tantos, tenho também a troca de versos sem síntese e sem intenção de editar.
Maria de Lourdes Aragão Catunda - Dalinha Catunda
dalinhaac@gmail.com
sábado, 30 de outubro de 2021
Ô VÉIA PRA ENXERGAR!
Ô
VÉIA PRA ENXERGAR!
*
Minha
mãe é poetisa,
E
sempre gostou de ler,
Mas
ficou com a vista curta,
Começou
seu padecer.
Com
receio de cegar,
Resolveu
se consultar,
Para
a vista não perder.
*
O
doutor disse ligeiro
Sem
rodeio sem bravata:
-
Aqui pelo que estou vendo
O
seu caso é catarata!
Uma
simples cirurgia,
Vai
fazer sua alegria,
Vamos
já marcar a data.
*
Mamãe
ficou animada,
Cheia
de satisfação,
Contava
pra todo mundo,
Dessa
sua operação.
Outra
coisa não falava,
Todo
dia ela rezava,
Pra
dar certo a intervenção.
*
Não
demorou muito tempo
Ela
foi paro o hospital,
E
por causa da idade
Mamãe
precisou de aval,
Mas
depois de operada,
A
vista foi renovada,
E
ficou especial!
*
Hoje
quando alguém pergunta,
Se
vê mesmo, ou se é fofoca,
Ela
diz que enxerga até
“Priquito”
de muriçoca,
E
nem pense em contestar!
Pois
língua pra argumentar,
Ela
tem bem grande e choca.
*
Versos
e foto de Dalinha Catunda
dalinhaac@gmail.com
quarta-feira, 20 de outubro de 2021
VOU CAIR NO FORRÓ
sábado, 16 de outubro de 2021
O MILAGRE DE SANTANA
O MILAGRE DE SANTANA
1
A Deus Pai peço licença
Para esse caso contar,
Que os anjos digam amém
Para o que vou relatar
O que se deu é verdade
A mais pura realidade
Me cabe apenas narrar.
2
Santana mulher católica
Adoeceu gravemente,
Muitas vezes foi ao médico,
Mas continuou doente.
Fez de tudo pra sarar,
Mas nada de melhorar
Já se sentia impotente.
3
Se apegou com tantos santos,
Fez prece, fez ladainha.
Rezou pra Nossa Senhora,
De Maria a Mãe Rainha,
Mas não ficava curada,
Estava desenganada,
Certeza disso ela tinha.
4
Saíra do CTI
Direto pra residência,
Só para esperar a morte,
Disso ela tinha ciência.
Mas sem querer se entregar,
Continuou a rezar,
A Deus pedia clemência.
5
Tinha num canto do quarto
Um altar para oração.
Além das Nossas Senhoras,
Mais santos de devoção.
Cada santo era invocado,
Quando o terço era rezado,
Na busca por compaixão.
6
Uma noite após o terço,
E do povo dispersar,
Cada filho foi pra casa,
Depois da mãe confortar.
Santana dormiu sedada,
No meio da madrugada,
Sentiu sua cura chegar.
7
O seu quarto estava escuro
Ficou todo iluminado.
Por oito seres de luz
O seu corpo foi tocado.
Ela se viu renascendo,
Sua força foi crescendo,
Viu que tinha levitado.
8
Todos vestidos de branco,
Saíram de par em par,
Mas um com estetoscópio
Ficou a se demorar...
Um negro anjo do bem
Vestindo branco também
Disse: pode levantar!
9
Santana se levantou
Com certa dificuldade.
Sentiu o peso das pernas,
Mas quanta felicidade!
Quando o dia amanheceu,
Seu povo reconheceu,
Um milagre de verdade.
10
E foi Maria Santíssima,
E obra de São Benedito,
Que intercedeu por Santana,
E ajudou no veredito.
O bom santo da fartura,
E também santo da cura,
Se fez presente no rito.
11
Santana contou o sonho,
E tudo que sucedeu.
Todos tiveram certeza,
Que o Santo intercedeu.
Com a iluminada escolta,
Trouxe Santana de volta,
O milagre aconteceu!
*
Versos de Dalinha Catunda
Foto de Lindicássia Nascimento
sexta-feira, 8 de outubro de 2021
MEU LINGUAJAR
MEU
LINGUAJAR
*
Eu
venho lá do Nordeste
E
gosto do meu dialeto
Não
venha me achincalhar
Porque
sei que ele é seleto
Adoro
meu linguajar
Você
pode não gostar
Porém
é meu predileto.
*
Se
você diz que é Aipim
Eu
digo que é macaxeira
Você
diz que é estilingue
Eu
digo que baladeira
Se
você diz que é bobagem
Eu
na minha sacanagem
Vou
dizendo que é besteira.
*
Se
você diz que é abobora
Ou
então diz que é moranga
Eu
brado que é jerimum,
Você
debochado manga
E
se digo que é biquíni
A
tal da calcinha mini
Você
resmunga que é tanga.
*
Você
fala que é moringa
Eu
afirmo que quartinha
Inda
quer chamar piaba
Pelo
nome de sardinha
Eu
digo que é bendito
Você
dá seu veredito
Jurando
ser ladainha...
*
Versos
e fotos de Dalinha Catunda
quinta-feira, 7 de outubro de 2021
A CAVEIRA E A CAMBAXIRRA
A
CAVEIRA E A CAMBAXIRRA
*
Garanto
faz muito tempo
Que
o boi malhado morreu,
Era
um animal bonito!
Mas
a desdita o venceu.
E
foi só falta de sorte,
Recordo
bem essa morte,
Uma
serpente o mordeu.
*
Lá
no alpendre do meu rancho,
Na
coluna de madeira,
Só
para recordação,
Penduramos
a caveira.
Hoje
é lar de passarinho,
Cambaxirra
fez seu ninho,
Ave
engenhosa e Matreira.
*
Andei
vendo um movimento,
Na
caveira pendurada,
Cheguei
perto para ver,
E
fiquei admirada!
A
ave saiu voando,
Eu
fiquei de longe olhando,
A
cambaxirra assustada.
*
Logo,
logo descobri
Que
havia ali um casal.
Os
dois muito parecidos,
Levando
material,
Para
o ninho reforçar,
E
os ovinhos abrigar,
De
maneira especial.
*
Não
tem chuva, não tem vento,
Para
o ninho derrubar.
A
escolha foi divina,
Eu
posso até apostar!
Tem
ciência e tem beleza,
As
tramas da natureza,
Engenho
a nos encantar.
*
Fotos
e versos de Dalinha Catunda
dalinhaac@gmail.com









