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segunda-feira, 17 de abril de 2023

AS MARIAS DO CORDEL

AS MARIAS DO CORDEL

1

Maria Mãe de Jesus,

eu vos peço inspiração

para cantar as Marias,

no transcorrer da oração.

As Marias cordelistas

que, com as suas conquistas,

brilham na congregação.

2

E foi Maria das Neves,

a Batista Pimentel

que, usando nome de homem,

tirou o seu do papel.

Com o marido fez plano,

como Altino Alagoano,

deu autoria ao cordel.

3

Eu sou Maria de Lourdes,

meus versos têm tradição,

filha de Maria Neuza,

poetisa do sertão,

meu codinome é Dalinha,

e cordel “top de linha”

tenho em minha produção.

4

Maria Rosário Pinto,

essa mulher cordelista

vive no Rio de Janeiro,

do cordel é ativista,

é poetisa atuante

leva o cordel adiante,

tem sempre um projeto à vista.

5

A Maria Lindicássia

Nascimento, de Barbalha,

faz um grande movimento

e, de batalha em batalha,

o cordel vai propagando,

na Ciranda vai dançando,

se vira e não se atrapalha.

6

Maria Anilda, do Crato,

da ACC foi presidente,

nesta dita Academia

faz a mulher mais presente,

movimenta essa cultura

do cordel literatura

é defensora imponente.

7

Fátima Correia é

uma Maria completa

e, se é boa como atriz.

melhor é como poeta,

atua com alegria,

nos seus versos tem magia,

cumpre bem a sua meta.

8

A Maria Vânia Freitas

tem história especial,

pois ela é cordelista

e seu marido Pardal,

juntinhos nessa cultura

do cordel literatura

caminha firme o casal.

9

Josy Maria levou

nossa cultura além-mar,

é fiel representante

da cultura popular.

Não ficou chorando a sorte,

deu à mulher novo norte

para na arte avançar.

10

Maria Ilza Bezerra

escreve com devoção,

é cria do Piauí

e, na sua produção,

eu vejo com alegria,

que tem mais duma Maria,

marcando sua criação.

11

A Maria do Rosário

Lustosa, também da Cruz,

cordelista e oficineira,

que muito cordel produz,

sempre tem atividade,

nunca falta novidade,

como griô se conduz.

12

É a Maria do Carmo

também Ferreira da Costa,

a Madu Costa brilhante,

tem fundamento e proposta

e sempre atua em escola,

apresentou-se em Angola

para a cultura é disposta.

13

É Maria Mírian Teles

porta voz da tradição,

saberes da oralidade

ela traz no matulão.

Vai tirando da memória

e do caderno de história

para a nova geração.

14

Filha de Seu Liberato

é a Ângela Maria,

professora preparada,

escreve com maestria,

esculpe com seu cinzel

boas regras do cordel,

pois é mestra na poesia.

15

Temos Jacinta Maria,

a Correia cordelista,

faz um pouco de teatro,

atuando como artista,

nos temas de atuação,

traz cantos da tradição

com seu sorriso trocista.

16

Francisca Maria é

a simples Mana Cardoso,

gosta muito de cantar,

com seu jeitinho chistoso.

Faz cordel como ninguém,

é mulher que escreve bem,

seu folheto é valoroso.

17

Maria Socorro Brito,

Williana do cordel,

canta bem a Natureza,

fala de abelha e de mel,

capricha na produção,

escreve com precisão

às regras, ela é fiel.

18

Com a Maria Ivonete

seu tema forte é mulher,

dos assuntos femininos

ela faz o que bem quer.

É cordelista raiz,

que sabe sempre o que diz,

como a oração requer.

19

Em São Paulo, EdiMaria

promove seu movimento

voltado para mulher,

sempre tem bom argumento,

poeta de muito tino

que, no cordel feminino,

é voz em qualquer evento.

20

Grande Salete Maria,

professora e advogada,

defensora das mulheres,

é poeta premiada.

A notável cordelista,

importante feminista,

é grande na caminhada.

21

Tem Maria Luciene,

que pertence à Cecordel,

como Maria Bonita,

representa seu papel.

Ela é mais uma Maria

a propagar alegria,

neste mundo do cordel.

22

Da Maria Dulce Esteves

a escrita conheço bem,

faz trovas e faz sonetos,

é cordelista também.

Escrevendo, pinta e borda,

e qualquer tema ela aborda,

inspiração sempre tem.

23

A Maria Fabiana,

Família Gomes Vieira,

é poeta de cordel,

professora de carreira.

A cultura popular

está sempre a propalar,

levantando esta bandeira.

24

Nossa voz há de ecoar

se somos tantas Marias,

no Cordel Literatura,

cirandas e cantorias,

sabemos fazer bonito,

atuando em cada rito,

seja solo ou romarias.

Fim

 Dalinha Catunda

Rio de Janeiro (RJ), março/2023.

 

sábado, 1 de abril de 2023

FAZ PARTE DA BRINCADEIRA ENTRAR NA GLOSA E MENTIR


 

FAZ PARTE DA BRINCADEIRA

ENTRAR NA GLOSA E MENTIR

Mote de Dalinha Catunda

*

Com vontade de trepar,

Trepei num mandacaru,

Depois num pé de caju,

E trepei, sem me arranhar!

Conto sem pestanejar,

Sem tremer pra garantir,

Pois sou mulher de assumir,

Como já fez Zé Limeira:

FAZ PARTE DA BRINCADEIRA

ENTRAR NA GLOSA E MENTIR

dalinhaac@gmail.com

quarta-feira, 22 de março de 2023

O Museu do Caju e as mulheres do cordel

O Museu do Caju e as mulheres do cordel

O Educador e pesquisador Gerson Linhares idealizou o MUSEU DO CAJU

 em 1995 e em 2007 inaugurou, transformando assim, seu sonho em realidade.

 O Museu fica em Caucaia próximo a Fortaleza.

Além de mostrar o caju e seus derivados para o mundo, prestigiando nossa cultura cearense, contando a história do caju, Gerson Linhares cria oportunidades, para que poetas, escritores, artesãos, fotógrafos também possam expor no Museu do Caju os seus trabalhos.

Sou grata a Gerson, por descobrir minha paixão pelo caju, fazer um apanhado dos meus escritos sobre a fruta e seus derivados e por fim, editar um folheto com, fotos e poemas de minha autoria para o Museu.

Como poeta de Cordel, não estou sozinha neste espaço. Temos a minha amiga cordelista Ivonete Morais e a também cordelista Mariana Lima.

Dalinha Datunda

dalinhaac@gmail.com


 








terça-feira, 21 de março de 2023

A SAUDADE


 

A SAUDADE

*

A saudade é uma loa

Dedilhada em tom plangente

Que ao som duma viola

Treme no peito da gente

E na voz dum cantador

Vira uma canção de amor

De quem chora o ser ausente.

*

Foto e versos de Dalinha Catunda

dalinhaac@gmail.com

sábado, 11 de fevereiro de 2023

MONTANDO VERSOS


 

MONTANDO VERSOS

*

Já fui boa amazona

Gostava de cavalgar

Tinha um cavalo baixeiro

Elegante no trotar

Hoje não monto mais nada

Vivo de crina abaixada

E nem me atrevo a trepar.

Bastinha Job

*

Eu aprendi a trepar

Não escorrego nem caio

Me trepo até em jumento

Carregado de balaio

Aprendi lá no sertão

Monto sem cair no chão

Sem precisar de ensaio.

Dalinha Catunda

*

Tenho certeza que caio

MINHA querida Dalinha

A velhice é atestado

Dessa invalidez só minha:

Nas pernas não me sustento

Não trepo nem em jumento

Nisso você é rainha!

Bastinha Job

*

A idade não me aporrinha

Cansaço inda não bateu

Eu não vou cruzar as pernas

Monto um baio que é só meu

Meu sonho não é quimera

Renasce na primavera

Meu gosto não pereceu.

Dalinha Catunda

*

Foto do acervo de Dalinha Catunda

Versos de Dalinha Catunda e Bastinha Job.

 

sábado, 21 de janeiro de 2023

ESTOU FALANDO A VERDADE SE NÃO FOR QUERO É CEGAR


 

ESTOU FALANDO A VERDADE

SE NÃO FOR QUERO É CEGAR

Mote de Dalinha Catunda

*

Em duas quengas batendo

Lá de casa ele saiu.

Fez até que nem me viu,

Mas tudo eu estava vendo.

Me arrumei saí correndo

Pra coco também dançar.

Hoje as quengas vou quebrar,

E bati sem piedade:

ESTOU FALANDO A VERDADE

SE NÃO FOR QUERO É CEGAR.

*

Um padeiro distraído

Me deixou comendo mosca

Acabou queimando a rosca

Fiz o maior alarido

Não quero para marido

Quem vive a rosca a queimar

Ele até quis se explicar

Mas fiz uma tempestade.

ESTOU FALANDO A VERDADE

SE NÃO FOR QUERO É CEGAR.

Dalinha Catunda

Cordelista- Cirandeira e artesã

dalinhaac@gmail.com

sábado, 17 de dezembro de 2022

AS BENEDITAS









AS BENEDITAS

*

Agora moro na roça

Gosto de viver assim

Recordo meu Ceará

Que está distante de mim

Para lembrar meu sertão

Flores do antigo rincão

Eu planto no meu jardim.

*

Eu planto no meu jardim

As singelas beneditas

São flores bem resistentes

Coloridas e bonitas

Rosa, branca e amarela

Cada qual é a mais bela

As cores são infinitas.

*

As cores são infinitas

Transmutam naturalmente

Cultivar é muito fácil

É só plantar a semente

Que se tira do botão

Depois de enterrar no chão

Elas Nascem facilmente.

*

Elas Nascem facilmente.

Estou sempre a constatar

Atraem as borboletas

Que fazem festa ao pousar

E nesta constante ação

Dar-se a polinização

Com função de matizar.

*

Versos e fotos Dalinha Catunda 

Cordelista, Cirandeira e artesã

quarta-feira, 14 de dezembro de 2022

COM RG


 

COM RG

Gosto muito de criar

Pra isso tenho argumento

É fértil meu pensamento

Na arte de imaginar

Não sou dada a copiar

Porque na realidade

Minha personalidade

Eu imprimo em cada linha

Embaixo assino Dalinha

Com originalidade.

*

Dalinha Catunda

Cordelista, Cirandeira e artesã

dalinhaac@gmail.com

quarta-feira, 7 de dezembro de 2022

MEU CORDEL CIRANDEIRO EM PARATY

MEU CORDEL CIRANDEIRO EM PARATY

Preparei algumas atividades para a Festa de Paraty,

 para serem apresentadas na Casa do Cordel.

Entre elas destaco a Ciranda do Coletivo IPHAN, Rio de Janeiro.

Hoje aproveito para agradecer cada participante, que esteve nessa Ciranda Cultural, cantando o refrão com alegria e lendo seus versos com entusiasmo, ao som do violão da poetisa Paola Torres, que fez parte do nosso grupo.

 

Ciranda do Coletivo IPHAN, Rio de Janeiro.

*

REFRÃO

Cirandeiro, Cirandeiro Ó

Eu vim declamar meu verso

Bonito como ele só.

Cirandeiro, Cirandeiro Ó

Eu vim declamar meu verso

Bonito como ele só.

*

DALINHA CATUNDA

O cordel tem seu registro

Tem nome tem tradição

É bem imaterial

E cultural da Nação

E eu sou Dalinha Catunda

Na salvaguarda em ação.

*

NALDA

Sou Redondilha, sou Nalda,

Sou cabocla potiguar

Artesã e folheteira

Sou cultura popular

E também sou cirandeira

Pois gosto de cirandar.

*

PAOLA TORRES

Meu nome é Paola Torres

Doutora por profissão.

Levo a vida na rabeca,

Nos versos no violão,

Com meu verso cirandeiro

Canto da praia ao sertão.

*

FERNANDO ASSUMPÇÃO

Sou produtor cultural

Eu sou Fernando Assumpção

Quando escuto uma ciranda

Logo penso em tradição

Na poesia cantada

Na dança de mão em mão

*

SEVERINO HONORATO

Sou poeta aboiador

Sou também oficineiro

Na roda duma ciranda

Troco de passo ligeiro

Sou Severino Honorato

Sou de salão e terreiro.

*

ZÉ SALVADOR

Sou poeta de cordel

Me chamam Zé Salvador

Quando entro na Ciranda

Penso logo em meu amor

Com sua saia rodada

Toda enfeitada de flor.

*

LETÍCIA RIBEIRO

Eu sou Letícia Ribeiro

Também estou na ciranda

Procurando orientar

Cirandeiras e demanda

O IPHAN tem tradição

E sabe como comanda.

*

EDMILSON SANTINI

Sou Edmilson Santini

Sou de cordel e teatro

Vou espalhando cultura

A rima eu mostro no ato

Essa é a minha figura

Só com arte eu tenho trato.

*

RAFAEL

Nessa ação de salvaguarda

Também tenho meu papel

Vou apoiando os poetas

Na ciranda do cordel

Tenho o aval do IPHAN

E o meu nome é Rafael.

*

Versos de Dalinha Catunda

FLIP- Festa Literária Internacional de Paraty

Aconteceu de 23 a 27 -11 -2022

dalinhaac@gmail.com

 

domingo, 4 de dezembro de 2022

ÁRVORE SERTANEJA


ÁRVORE SERTANEJA

*

Essa árvore de Natal

Fiz lembrando meu sertão

Foi montada num garrancho

Como nos tempos de então

O que em cordel contei

Na árvore pendurei

Fazendo a decoração.

*

DALINHA CATUNDA