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segunda-feira, 28 de março de 2022

RENDEIRA DA VILA


 

RENDEIRA DA VILA

*

Rendeira da vila

Que viva a rendar

Faz bico faz renda

Sem se atrapalhar

Com bilros nas mãos

É gostoso olhar

A trama surgindo

A nos encantar

Com sua almofada

Chega a conversar

Parceira de sempre

A lhe acompanhar

Mulher que faz renda

Eu quero louvar

Do seu nobre ofício

Pode se orgulhar.

*

Versos de Dalinha Catunda

Fotografia: Rendeiras da Vila

dalinhaac@gmail.com

quinta-feira, 24 de março de 2022

PADIM CIÇO


 “Padim Ciço”

*

Meu Padim Cíço está Vivo

No coração do romeiro,

Que parte de todo canto

Pra louvar no Juazeiro

Com amor, com prece e canto

O padre que virou santo

Santo Padre Milagreiro.

*

Dalinha Catunda

dalinhaac@gmail.com


sábado, 12 de março de 2022

É Canto de Mulher


 

É CANTO DE MULHER

*

Sou filha do Ceará

Nascida lá no sertão

Minha terra é Ipueiras

É mimoso o meu rincão

A cidade é bem festeira

Nossa santa padroeira

É a Virgem da Conceição.

*

Comigo não tem talvez

Bato no peito ao falar

Sou canto desaforado

Sou mulher a versejar

Sou a letra da canção

A transmitir emoção

Quando canto meu lugar.

*

Do meu modo nordestino

Cabra fraco eu não aceito

Tem que ter fogo nas ventas

Pra se deitar no meu leito

Cabra que só tem zoada

Eu enfio a bordoada

Pois sendo fraco rejeito.

*

Foto e versos de Dalinha Catunda

dalinhaac@gmail.com

sábado, 5 de março de 2022

QUE SAUDADE DA SAUDADE QUE EU SENTIA ANTIGAMENTE

QUE SAUDADE DA SAUDADE

QUE EU SENTIA ANTIGAMENTE

*

Hoje eu queria provar

Do sentimento d’outrora,

O que já não sinto agora,

Ao ver você se ausentar.

Através do celular,

O vejo diariamente…

Não sinto falta da gente!

Digo com sinceridade:

QUE SAUDADE DA SAUDADE

QUE EU SENTIA ANTIGAMENTE

Mote e glosa de Dalinha Catunda

 

quarta-feira, 16 de fevereiro de 2022

BALANCEAMENTO


 

BALANCEAMENTO

*

Deus me deu a poesia

pra temperar minha vida

Muitas vezes descabida

Por ausência de alegria

Porém recorro a magia

Da criação salutar

Sinto a mente se ocupar

Em cada verso que faço

Meu humor logo refaço

Sou mestra em me equilibrar.

*

Versos de Dalinha Catunda

segunda-feira, 24 de janeiro de 2022

METAMORFOSE


 

METAMORFOSE

*

Às vezes eu me resguardo

Para a lucidez repor.

Tentando me recompor,

No meu casulo me guardo,

 E resiliente aguardo,

A tempestade passar.

Consigo me transformar,

Discernir a claridade,

Desfruto da alacridade,

Com asas para voar.

*

Versos e foto de Dalinha Catunda

dalinhaac@gmail.com

domingo, 2 de janeiro de 2022

CIRANDEIRAS AO LONGO DA PANDEMIA


 

CIRANDEIRAS AO LONGO DA PANDEMIA

*

Nesses meus versos rimados

Quero lhes apresentar

Um grupo de Cordelistas

Que soube se reinventar

Pois mesmo com pandemia

Não perdeu sua alegria

E resolveu cirandar.

*

Mulheres empoderadas

Não perdem sua razão

Aprendem logo a voar

Quando lhes roubam o chão

Quem tem asas pra voar

E sempre soube sonhar

Faz remota atuação.

*

Todas elas se arrumaram

Vestiram saias de chita

Umas com flor nos cabelos

Outras com laço de fita

Se animaram pra cantar

Pra dançar e declamar

E ficaram bem na fita.

*

Versos de Dalinha

quarta-feira, 29 de dezembro de 2021

ACERCA DE REPENTE

ACERCA DE REPENTE

*

Cheguei sorrateiramente

Depois de pular a cerca

Não há no mundo quem perca

Um corpo lindo e fremente

Parti com unhas e dente

Não pude me controlar

Algo a me perturbar

E ela a me inquirir

"Era o dever de partir

E a vontade de ficar"!

Ésio Rafael

*

Feito jumento fujão

A cerca não respeitou

Por baixo dela rolou

Daí não tive perdão

Com ele rolei no chão

Pois não deu para escapar

Botei pra discatitar!

Porém não pude assumir:

"Era o dever de partir

E a vontade de ficar"!

Dalinha Catunda

*

Mote de Joames Mendes

Xilo de Erivaldo Ferreira

 

terça-feira, 28 de dezembro de 2021

Anos e luas


 ANOS E LUAS

*
Mais um ano que se vai
Mas a vida continua,
Vou seguindo meu caminho
Como segue o seu, a lua
Horas bem cheia de graça
Botando o bloco na praça
Como quem se insinua.
*
Carregada de otimismo
Acho a vida envolvente,
Nada ofusca meu caminho,
Sou tal qual lua crescente
Que em cada novo dia
Ganha mais luz e magia,
E risonha segue em frente.
*
Se às vezes a melancolia,
Vem nublar o meu semblante
Não fico desatinada,
Procuro seguir adiante
Pois me sinto iluminada
Feito lua minha estrada
Tem seus dias de minguante.
*
Eu já vivi muitas luas
Sei que a vida se renova,
Um ano sai o outro entra
Eu vou passando na prova
E que venha o Ano Novo
Pois com ele me comovo
E renasço lua nova!
*
Versos e foto de Dalinha Catunda 
dalinhaac@gmail.com

segunda-feira, 20 de dezembro de 2021

A ÁRVORE QUE ME REPRESENTA



 

A ÁRVORE QUE ME REPRESENTA

*

Eu hoje vivo na roça

Recordando meu sertão,

Pois é lá daquelas brenhas,

Que retiro inspiração.

Minha Árvore de Natal,

Tentei fazer uma igual,

Com alguma inovação.

*

Peguei garrancho no mato,

Tirei as folhas, limpei,

E numa lata de vinte

Areia lá coloquei.

E depois chegou a vez

Do paninho de xadrez,

Pra envolver a lata usei.

*

E como eu sou cordelista,

Para a árvore enfeitar,

Dependurei meus cordéis,

Que tem tanto pra contar…

Das histórias do sertão,

Que trago no coração,

E gosto de relembrar!

*

Minhas bonecas de pano?

No Natal muitas ganhei!

Como artesã de bonecas,

Algumas eu pendurei,

Frutos da recordação,

Que marcam a tradição,

Coisas que vivenciei.

*

Quando saí do Nordeste

Mãe solteira, e minha cruz,

Me apeguei no meu caminho,

A santa Mãe de Jesus.

Minha base a cada dia,

Era Jesus e Maria.

Meu caminho foi de luz.

*

Versos e arte de Dalinha Catunda

dalinhaac@gmail.com