Cantinho da Dalinha do Cordel
O Cantinho da Dalinha é também o canto do cordel. O picadeiro onde costumo entoar o meu canto em versos propagando a poesia popular. É o Canto de uma cearense que adora suas raízes, canto da mulher destemida que saiu das entranhas nordestinas e abriu uma janela para cantar sua aldeia para o mundo, Interagir com outros poetas cordelistas desfrutando deste mundo virtual. Sou Maria de Lourdes Aragão Catunda, a poeta de Ipueiras e do cordel, sou a Dalinha Catunda. dalinhaac@gmail.com
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terça-feira, 18 de março de 2025
BONECA DE PANO (Cirandeiras)
quarta-feira, 15 de janeiro de 2025
SE FOI NOSSA TRADIÇÃO AO CHEGAR O CELULAR
Olá, amigos,
Obrigada
pela interação. Gostei muito das glosas de todos vocês. Foi ótimo a abordagem
do tema. Meu abraço a todos.
SE FOI NOSSA
TRADIÇÃO
AO CHEGAR O
CELULAR
Mote de
Dalinha Catunda
.*
Nos tempos
de antigamente
O povo se reunia.
Contava
histórias, sorria,
Porém, hoje
é diferente.
Nas calçadas
nossa gente,
Não senta
pra conversar,
Não brinca
de adivinhar,
Nos
alpendres do sertão:
SE FOI NOSSA
TRADIÇÃO
AO CHEGAR O
CELULAR.
Dalinha Catunda
*
É visível a
existência
Do antes
para o agora
logo no
romper da aurora
De rádio não
há frequência
Acabou a
audiência
Ví o seu
botão travar
E o nosso
dialogar
Virou essa
intervenção
SE FOI NOSSA
TRADIÇÃO
AO CHEGAR O
CELULAR.
Glosa:Gevanildo
Almeida
*
Mas cadê
meus envelopes ?
Já se foram
meus bilhetes !
Meus florais
em ramalhetes,
Sumiram como
galopes.
Inté mesmo
aqueles dropes,
De menta pra
refrescar,
É difícil de
encontrar,
Sem ter
bodega e balcão ;
SE FOI NOSSA
TRADIÇÃO,
AO CHEGAR O
CELULAR.
Wellington
Santiago
*
Toda noite
no terreiro:
Eu pulava,
eu corria;
Eu cantava,
eu sorria
Ou abria um
berreiro,
Era assim o
ano inteiro;
Na mangueira
se atrepar,
Pegar frutas
e chupar,
Se banhar no
cacimbão;
SE FOI NOSSA
TRADIÇÃO
AO CHEGAR O
CELULAR.
Arimatéa Sales.
*
Brincadeira
de criança
Era boneca
de pano.
Entrada de
cada ano
Mais crescia
a esperança.
O inverno
era a bonança
Na hora de
se plantar.
Às noites,
em nosso lar
De
histórias, contação.
SE FOI NOSSA
TRADIÇÃO
AO CHEGAR O
CELULAR.
Chica Emídio.
*
Recordo saudosamente,
Do período
de outrora,
Emoção me
invade agora,
Me deixando
tristemente,
Às coisas de
antigamente,
Me comove,
ao recordar,
Para se
comunicar,
Por carta,
era solução,
SE FOI NOSSA
TRADIÇÃO,
AO CHEGAR O
CELULAR.
Joabnascimento
*
Tenho cartas
e postais
Correspondências
antigas
De paqueras
e de amigas
E o tempo
não volta mais
Classificado
em jornais
De livros
para comprar
Anúncios pra
namorar
Era grande a
diversão
"SE FOI
NOSSA TRADIÇÃO
AO CHEGAR O
CELULAR"
Creusa Meira
*
Brincadeiras
de crianças,
As conversas
nas calçadas
Em rodas bem
animadas
Atiçam
muitas lembranças
Progresso
trouxe mudanças
A gente tem
que pagar
E na saudade
evocar
Os tempos
belos de então:
SE FOI NOSSA
TRADIÇÃO
AO CHEGAR O
CELULAR.
Bastinha Job
*
Com a
tecnologia
Distanciaram
a gente
As conversas
num batente
Ninguém ver
mais hoje em dia
Pois esse
bicho vicia
Mesmo
distante o lugar
Substitui
num piscar
Ninguém tá
ligando não
SE FOI NOSSA
TRADIÇÃO
AO CHEGAR O
CELULAR.
Dulce Esteves
*
Do rádio
vinha o repente,
A viola a
embalar,
Nas rodas
pra se dançar
Cantoria era
frequente.
Agora o povo
ausente,
De cabeça a
digitar,
Perde o
tempo de sonhar
E cultuar a
emoção.
SE FOI NOSSA
TRADIÇÃO
AO CHEGAR O
CELULAR.
Chico Fabio
*
Chegou a
tecnologia
Com força e
gosto de gás
Do baralho é
a carta ás
Para alguns
trouxe alegria
Pra outros a
nostalgia.
Muitos não
conseguem usar
Para se
comunicar
Através
desta invenção
SE FOI NOSSA
TRADIÇÃO
AO CHEGAR O
CELULAR.
Vânia Freitas
*
Fofoqueiro a
moda antiga
Já perdeu a
validade
Devido a
velocidade
Da fofoca e
da intriga
Não adianta
fazer figa
Nem cruz
credo murmurar
Pra notícia
não chegar
Ôh
tecnologia do cão!
SE FOI NOSSA
TRADIÇAO
AO CHEGAR O
CELULAR
Kleber
Torres
*
O conto da
carochinha
As histórias
de vovó
O saci com a
perna só
Pega pega
amarelinha
A ciranda
cirandinha
Vamos todos
cirandar
Sereiazinha
do mar
A mãe preta
e o pai João
SE FOI NOSSA
TRADIÇÃO
AO CHEGAR O
CELULAR
Araquém
Vasconcelos
*
Era no rádio
de pilha
Que música
boa se ouvia
Com a
notícia e a cantoria
Era nós
sintonizados
O povo era
informado
Com o rádio
sempre no ar
Para se
comunicar
Era a melhor
opção
SE FOI NOSSA
TRADIÇÃO
AO CHEGAR O
CELULAR
Maria de
Lourdes da Silva
*
Do rincão
que fui criada
Eu tenho
rica lembrança,
Domingo era
uma festança
Alegrando a criançada;
Passa-anel,
roda ou queimada
Fazia o
tempo passar,
Mas hoje se
analisar
Chega aperta
o coração:
SE FOI NOSSA
TRADICIONAL
AO CHEGAR O
CELULAR
Nilza Dias.
*
No tempo de
antigamente
A calçada
reunia
Toda noite,
todo dia
Os amigos e
parentes
Pra trocar
notícias quentes
Fazer verso,
conversar...
Mas agora,
fofocar
Virou uma
obsessão
SE FOI NOSSA
TRADIÇÃO
AO CHEGAR O
CELULAR
Giovanni
Arruda
*
Os bilhetes
perfumados
Dois nomes
em união
Escrito no
coração
Pra jamais
ser separados
Colegas
davam recados
Marcando pra
se encontrar
No banco do
patamar
Da igreja de
são João
SE FOI NOSSA
TRADIÇÃO
AO CHEGAR O
CELULAR
Jairo
Vasconcelos
*
Carrinhos
feitos de lata
Contar
estrelas no céu
A corrida do
tetéu
Meu cachorro
vira-lata
Preá
entrando na mata
Pra fera não
lhe pegar
E uma noite
de luar
Servia de
inspiração
"SE FOI
NOSSA TRADIÇÃO
AO CHEGAR O
CELULAR".
Jerismar
Batista
*
Cartas com
endereço certo
Pra não
voltar e dá problema
A resposta
era um dilema
Tanto pra
longe ou pra perto
Na mercearia
do Alberto
Tinha ficha
para comprar
Cartão pra
telefonar
Até fila no
orelhão
SE FOI NOSSA
TRADIÇÃO
AO CHEGAR O
CELULAR.
Fco. de Assis Sousa
*
Temos o
mundo nas mãos
Quando
usamos o celular
Dá para tudo
pesquisar
Mas também
tem traição
Os dados
roubam em vão
Casamentos a
se cessar
Os filhos a
se viciar
Há herói e
há vilão
SE FOI NOSSA
TRADIÇÃO
AO CHEGAR O
CELULAR.
João Roberto
Coelho
*
Nos tempos
de antigamente.
Era tanta
brincadeira.
Coisa de
criança arteira.
A vida era
mais contente.
Tudo ficou
diferente.
Não sabemos
brincar,
Nem há tempo
para amar.
Vivemos na
solidão.
SE FOI NOSSA
TRADIÇÃO,
AO CHEGAR O
CELULAR!
Rosário
Pinto
*
Já não temos
mais a vida
que se havia
antigamente.
Hoje a vida
é diferente,
até parece
invertida,
degredada,
descabida,
sem mais jeito
de acertar
muito menos
demudar,
isso é minha
opinião…
FOI-SE NOSSA
TRADIÇÃO
AO CHEGAR O
CELULAR.
David
Ferreira
*
Pirueta na
amplidão
Sonho de
qualquer menino
Mas por
força do destino
SE FOI NOSSA
TRADIÇÃO
A rodada do
pinhão
Faz esse
mundo girar
Mas se
queres navegar
Dentro desse
mundo cão
Entrega te à
solidão
AO CHEGAR O
CELULAR.
Ésio Rafael
*
Hoje vejo
muita gente
Na cultura
dar reboque
Vem um tal
de tik tok
Tem um x sem
ser oxente
YouTube bem
frequente
E tem mais
pra atrapalhar
Não dá nem
para citar
Internet é a
opção
FOI- SE
NOSSA TRADIÇÃO
AO CHEGAR O
CELULAR
*
“GLOSANDO NA
REDE” é uma ciranda de versos que tem como proponente, a poeta Dalinha Catunda.
dalinhaac@gmail.com
terça-feira, 31 de dezembro de 2024
E QUE A LUZ DO SALVADOR SEJA A NOSSA DIREÇÃO.
E QUE A LUZ
DO SALVADOR
SEJA A NOSSA
DIREÇÃO.
*
Saúde e
prosperidade
Eu desejo a cada
amigo
Que interagiu
comigo
Nesse ano
com lealdade
Manter a
nossa amizade
É preito de
gratidão
Desejo de
coração
Um ano com
muito amor
E QUE A LUZ
DO SALVADOR
SEJA A NOSSA
DIREÇÃO.
*
Mote e Glosa
de Dalinha Catunda
dalinha@gmail.com
terça-feira, 3 de dezembro de 2024
A MULHER E AS PERIPÉCIAS DA IDADE
1
Recebi duma comadre
O nome não vou dizer
Uma carta reclamando
Da vida ao envelhecer
Chorosa se maldizia
Até falava heresia
Porém fiz questão de ler:
2
Saudações minha comadre
Espero que esteja bem
Pois aqui vou como posso
Pouca coisa me entretém
Não sei que será de mim
Chegou a velhice, enfim
Trazendo o que não convém.
3
Se me levantar depressa
Me levanto com tonteira
Se não correr pro banheiro
A xana vira torneira
Se eu começar a tossir
Comadre, não é pra rir!
Já começa a peidadeira.
4
Arrumei uma bengala
É nela que me seguro
Até que é jeitosinha
E me protege no escuro
Só assim eu passo a mão
Com certa satisfação
Num cajado de pau duro.
5
Minha vista estava curta
Porém mandei operar
O resultado foi bom
Eu nem posso reclamar
Eu que enxergava ruim
Vejo até um micuim
Bem antes dele coçar.
6
Os gemidos lá de casa
Não são gemidos de amor
Qualquer esforço que faço
Começo a gemer de dor
Não há tarefa sem ai
Quando um palavrão não sai
Grito por Nosso Senhor.
7
Agachar-me, faço bem
O problema é levantar
Não tenho força nas pernas
Que possam me impulsionar
Sofro, porém, dou meu jeito
Nada no mundo é perfeito
Eu tenho que aguentar.
8
Quando me vejo no espelho
Meu Deus, que situação
Tem prega pra todo lado
Deus não teve compaixão
Botox não vou botar
Também não quero operar
Plástica não faço não.
9
A bunda já ficou murcha
Caída se quer saber
A calcinha virou calçola
Para a desgraça esconder
Tudo enquanto vai caindo
Da desgraça vou sorrindo
Pra minorar o sofrer.
10
Aqueles seios bonitos
Que eu tinha na juventude
Que amamentaram meus filhos
Lhes repassando saúde
Já não são mais exibidos
Atualmente estão caídos
Perderam a plenitude.
11
A carne só como mole
Vou chupando se for dura
Meus dentes se desgastaram
Venho usando dentadura
Isso eu chamo de maldade
Porque morro de vontade
De mastigar rapadura.
12
No boxe do meu banheiro
Eu costumo sempre usar
Um tapete de borracha
Que é mais firme pra pisar
Velha não pode cair
Tenho que me prevenir
Não deixo de me cuidar
13
Aquele creme cheiroso
Que sempre gostei de usar
andei trocando por outro
O fiz com grande pesar
Vem escrito na embalagem
É creme para massagem
Próprio pra lubrificar.
14
Para melhorar as juntas
Uso sebo de carneiro
Para aliviar as cãibras
Passo arnica bem ligeiro
E tenho minhas reservas
Que é do gel Sete Ervas
Esse, sim, é milagreiro.
15
Eu não tenho uma suíte
Porém sou remediada
Para não passar aperto
E nem aprontar cagada
Um penico já comprei
E no meu quarto instalei
Pra ficar despreocupada.
16
Caminhar, até caminho
Contudo já estou manca
O meu boi da cara preta
Virou boi da cara branca
Para falar a verdade
Eu já perdi a vontade
De pegar numa chibanca.
17
Marquei ginecologista
Porém fiquei acanhada
E no boi da cara branca
Eu quis dar uma arrumada
Sem querer sair da linha
Só não me lasquei todinha
Porque já nasci lascada.
18
Dias antes da consulta
Resolvi me barbear
Quase que eu me cortava
Mas achei melhor parar
Pra não ficar esquisito
Eu levei o meu “priquito”
No salão pra depilar.
19
Paguei todos meus pecados
Nessa tal depilação
Com cera quente no bicho
A moça deu um puxão
Gritei puta que pariu
Sapecaram meu chimbiu
Sentindo o cheiro do cão.
20
Revoltada fui pra casa
Andando de perna aberta
Botei um ventilador
E me deitei descoberta
Pra refrescar o pelado
Que continuava inchado
Vibrando com pisca alerta.
21
Uma coisa lhe garanto
Minha comadre querida
Nunca mais vou depilar
Os pelos da perseguida
Inda estou me maldizendo
Pois ela escapou fedendo
Mas me deixou combalida.
22
Desculpe minha comadre
Foi grande meu alarido
Apesar de tudo isso
Na vida vejo sentido
Pra suportar a jornada
Estou bem acompanhada
Tenho filhos e marido.
23
Da carta espero resposta
Responda por caridade
Me diga como se sente.
Na tal da melhor idade
Estou brigando com ela
Entretanto a vida é bela
Mesmo com dificuldade.
24
Comadre chego ao final
Dessa minha narrativa
Resolvi desabafar
Nas linhas dessa missiva
Receba meu forte abraço
Para apertar nosso laço
De maneira afirmativa.
*
Cordel de Dalinha Catunda
*
Nota da autora
A idade chega, é inevitável! Não adianta chorar, lamentar, porque pior do que envelhecer é partir, antes da hora, para o reino eterno.
Em conversa com amigas, sempre vem à tona os contratempos da velhice. As queixas são muitas e foi assim que nasceu em mim a vontade de escrever um cordel expondo essas lamúrias, mas de modo especial.
Como gosto de um gracejo, e acho que não devemos levar a vida tão a sério, meu relato é feito em forma de carta, num tom jocoso, propositalmente, para arrancar sorrisos e zombar da tão propagada melhor idade que inevitavelmente nos acomete.
Acredite: Nada como o bom humor para minorar as desventuras.
sexta-feira, 15 de novembro de 2024
ERA ASSIM: 1- O NAMORO
ERA ASSIM:
1 - O NAMORO
*
Houve um
tempo que era assim:
E tudo tinha
mais graça
Os flertes
aconteciam,
A conquista
era na praça,
E como não
recordar,
O tempo de namorar
Que o
pensamento hoje traça.
*
Na pracinha
do colégio,
Na avenida do
pecado,
A colega alcoviteira
No leva e traz
de recado.
No seu papel
de cupido
Sem fazer
muito alarido
Torcia por resultado.
*
Namorados de
mãos dadas
Davam voltas
na pracinha,
Esperando por
um banco,
Que para todos
não tinha.
A rádio local
tocava,
Da pracinha
se escultava,
A romântica
modinha.
*
Quando a luz
dava sinal
Não se podia
teimar
Era hora de
ir embora
Nem pensar
em atrasar
Era surra, era
carão,
E pisa de
cinturão,
E nada de reclamar!
*
Dalinha
Catunda
dalinhaac@gmail.com