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quinta-feira, 27 de dezembro de 2007

ANO QUE ENTRA


Foto: Acervo do:www.cantinhodadalinha.blogspot.com

ANO QUE ENTRA

Esse ano não me pergunte “com que roupa eu vou?”.
Não obedecerei às cores sugeridas, não farei simpatias visando um ano melhor.
Iemanjá que me perdoe, mas, flores não levarei. O banho de mar da sexta feira, sem medo esquecerei. Me entregarei ao acaso e nele apostarei.

Não quero entrar o ano, devedora de promessas que nunca cumprirei. Vou deixar a vida me guiar e nela navegarei. Quero entrar de peito aberto, pisando firme no chão, acatando o que me reserva os novos tempos que virão.

Se vier dor chorarei e com o pranto lavarei minha alma. Se vier alegrias sorrirei, gargalharei animada. Provarei com a mesma nobreza do mel e do fel, a mim destinado.
Eu quero as surpresas da vida, não castelos desenhados, que qualquer vento desfaz. Não quero a esperança que não morre, mas certamente caduca entristecendo nossas almas.

Não quero viver com o olhar perdido em sonhos que não se realizam jamais, quero viver realidades que pareçam sonhos vividos e muito mais satisfaz

Na verdade não vislumbrarei o famoso Ano Novo, viverei o Ano Que Entra continuação do passado com suas alegrias suas tristezas e intensamente vivido, jamais imaginado.

domingo, 23 de dezembro de 2007

FELIZ NATAL!!!!!!!


Foto:http://apaz.no.sapo.pt/angel-natal-1b.jpg

Era Assim

Quando vem surgindo dezembro,
Do meu passado relembro,
Num tempo que tudo era mel.
O presépio que me encantava.
Os presentes que eu ganhava,
Do velho Papai Noel.

O presépio era tão lindo!
Nas palhas Jesus menino,
José e Maria sorrindo,
Cercados por animais.
Os três reis magos contentes,
Seguravam seus presentes,
Ao lado do filho e dos pais.

As árvores de Natal,
Deslumbravam minha visão.
Eram pobres garranchos,
Recobertos com crepom.
No alto uma estrela prateada,
Sobre os galhos algodão.

Eu sonhava com Papai Noel,
Descendo pela chaminé,
Entrando de casa em casa,
Pisando na ponta do pé.
Barbas brancas, gorro vermelho,
Como ainda hoje ele é.

O sapatinho embaixo da cama,
Da rede, ou na janela,
Era a mais bela quimera,
Daqueles tempos de outrora.
Lamento a ilusão perdida
Que reina no mundo agora.

quarta-feira, 19 de dezembro de 2007

O Brinquedo Inesquecível


Foto:http://livroaberto.com.sapo.pt/Galinha.jpg

O Brinquedo Inesquecível

Fui uma daquelas crianças que acreditou cegamente em Papai-Noel. Só com o passar do tempo percebi que o bom velhinho era mais generoso com uns, do que com outros, mas nada disso chegou a afetar meu relacionamento com ele.

Lógico que ganhávamos os presentes conforme os sapatos que colocávamos debaixo da cama ou da rede. Nas camas e nos bons sapatos, os melhores presentes.Nas redes e sandálias, os arremedos de brinquedos ou simples lembrancinhas.
Nunca ganhei uma boneca loura de olhos azuis. O Papai-Noel pelas minhas bandas era mais humilde. Mas também nunca tive inveja de quem a ganhou, pois as pobrezinhas dessas bonecas viviam mais dentro das caixas do que no colo de suas respectivas donas, e, além disso, brinquedo caro, se quebra!

Posso, contudo, garantir que ninguém foi mais feliz do que eu com minha boneca inquebrável. Inquebrável sim, pois era toda de pano, com roupinha colorida, cabelo das caboclas do sertão e, fantástica ante meus olhos.

A noite de Natal era mágica, Mas o dia seguinte não ficava atrás. As calçadas ficavam repletas. Crianças madrugavam no intuito de exibir seus brinquedos. Meninos, meninas, bolas, bonecas apitos e cornetas, e uma algazarra maior quebrando a rotina infantil.

E foi exatamente num dia assim que me vi cercada de crianças curiosas querendo ver o brinquedinho exibido por mim. Imaginem, era uma galinha! Pequeniiiiiina, mas cheia de graça. Parece que estou vendo... amarela, com bico, pés e crista de cor vermelha... Mas, não era só isso, ela botava ovos. Só três, mas botava! tinha uma abertura com uma tampinha camuflada no alto entre as asas, era só apertar em cima que ela se agachava, e a cada apertada botava um ovinho que em seguida eram recolocados dentro da galinha. Esse, com certeza foi meu brinquedo inesquecível.

Fui muito feliz com meus humildes brinquedos. Hoje sinto até uma pontinha de tristeza em saber que, em alguns lugares o Papai-Noel nem chegou a passar.

domingo, 16 de dezembro de 2007

Carta ao Papai Noel


Foto:http://www.saberweb.com.br/datas_comemorativas/images/papai%20noel.jpg

Carta ao Papai Noel

Era uma vez uma menina chamada Maria, que, apesar dos tempos modernos e do turbilhão de informações, ainda acreditava em Papai Noel. E foi pensando assim que ela resolveu escrever uma carta ao tal velhinho.

Querido Papai Noel,

Eu sei que o senhor é bonzinho e vive agradando as crianças. Meu pedido é um pouco confuso, mas sei que, para um Papai Noel, nada é difícil.
Adorei um pião que meu irmão ganhou em seu aniversário. Passo horas vendo ele girar.

Quero que o senhor me traga, nesse Natal, um presente bem colorido, com muitas listas, que gire que nem o pião do meu irmão, mas tem que ser um brinquedo de menina.

Conto com o senhor meu bom velhinho.

Um abraço da Maria.

Dobrou a carta e entregou a sua mãe, pedindo-lhe que a colocasse no correio. A mãe, comovida com a ingenuidade da filha, guardou a carta com carinho, prometendo a si mesma que faria o possível para realizar o sonho de Maria.

Recorreu então à madrinha da menina, que costumava viajar ao Paraguai com a finalidade de fazer compras, para abastecer sua lojinha de brinquedos. A madrinha emocionou-se com o relato. E querendo alimentar a inocência da afilhada, prontificou-se a ser cúmplice nessa aventura.

- Não se preocupe, comadre. Eu darei um jeito. Nossa menina terá o presente desejado.

Enfim, o grande dia! Véspera de Natal... Maria ajeitou seu sapatinho embaixo da cama. Participou da ceia. Deu uma olhadinha no presépio. Admirou a árvore de Natal. E, em seguida, voltou para o quarto. Queria dormir cedo e acordar mais cedo ainda. Queria saber que surpresa Papai Noel teria preparado para ela. A ansiedade era grande, não maior do que alegria do dia seguinte.
Tava lá, ao lado do seu sapatinho, uma caixa pequena embrulhada num papel colorido e com muitas fitas. Desesperado, ela tenta abrir a caixa de qualquer de qualquer jeito. E, em segundos, consegue retirar, dentro da caixinha, uma linda bailarina.

A boneca era fosforescente, as listas coloridas da roupinha brilhavam tanto que chegavam a doer nos olhinhos da pequena. Correu para mostrar a mãe.

- Olha, mãe, olha! Papai Noel atendeu ao meu pedido. Pena que o brinquedinho não gira... Mas é tão lindo! Tão colorido!

A mãe, vendo que era uma caixinha de música, pediu para ver. Pegou o brinquedo e deu corda. A graciosa bailarina começou a dançar e rodopiar em cima do piano, para a imensa alegria de Maria, sob olhar emocionado de sua mãe.

Ainda vale a pena apostar na inocência de uma criança.

quinta-feira, 13 de dezembro de 2007

Entrevista Com Bérgson Frota


Entrevista com Bérgson Frota
Formado em Filosofia/Licenciatura pela Universidade Estadual do Ceará (UECE) e em Direito pela Universidade de Fortaleza (UNIFOR). É professor visitante da Universidade Estadual Vale do Acaraú (UVA) e professor de Grego Clássico no Seminário da Prainha - Fortaleza.

01- O que é Ipueiras culturalmente falando?

- Um berçário de poetas e escritores, percebo como Ipueiras em relação a outros municípios do Estado se destaca nesta área.

02- O que significa Ipueiras para Bérgson Frota?

- Ipueiras é a raiz, a fonte de inspiração, foi o começo de tudo. A melhor imagem que definiria esta resposta seria a de uma grande árvore que para viver e produzir frutos precisa ter suas raízes fortemente enterradas no solo que a nutriu e sustenta.

03- Ipueiras é um berço de ilustres personalidades do mundo literário. A quem você renderia suas homenagens?

- Sem dúvida a Gerardo Mello Mourão, a forma com que este grande escritor e poeta divulgou Ipueiras é um exemplo raro e digno para quem deseja fazer o mesmo.

04- Um de seus trabalhos que mais gosto é “Dona Diana de Deus”. Entre tudo que você já escreveu, o que mais lhe tocou?

- “A última lua cheia”, pois nele estão os ingredientes mais difíceis de um conto, ou seja, a narrativa de uma vida feita sem enfeites, nua e crua, com alegrias e tristezas, tendo ainda a obrigação de quem narra prender o leitor do começo ao fim.


05- Na sua versatilidade você escreve: contos, crônicas, trabalhos de pesquisa e histórias infantis. Com qual destes gêneros você se identifica mais?

- Gosto dos contos, principalmente narrando neles histórias de tipos pitorescos que fizeram o feliz passado de Ipueiras.

06- Sou uma dos personagens de seus contos. É mais fácil falar dos vivos, dos mortos ou independe?

- É muito difícil falar dos vivos. Os mortos podem ser mergulhados numa fantasia que deixa o narrador livre para criar algo mais, os vivos crucificam o escritor na realidade e o obrigam a seguir os fatos numa narrativa linear, sempre obedecendo a uma seqüência cronológica.

07- O que você guarda de Ipueiras na memória dos tempos de criança?

- O tempo do inverno, os banhos no rio, na chuva que caía até anoitecer e finalmente quando tudo passava ficando a noite fria com o barulho dos grilos e sapos.

08 – Nascer em outra cidade foi apenas um acidente de percurso?

- Sim, nasci no Ipu, mas sempre me identifiquei ipueirense, gosto do Ipu mas tenho Ipueiras no coração.

09 – Seu histórico familiar é composto de escritores como Hugo Catunda, Jeremias Catunda e Frota Neto. Você se acha geneticamente herdeiro, ou acredita numa história pessoal?

- Falar numa história pessoal neste sentido seria fazer pouco caso das grandes figuras citadas, estas e outras que tenho na medida do possível colocado nos meus trabalhos. Não me considero herdeiro no sentido fechado que esta palavra encerra, diria que venho somar junto com os citados e unir-me aos que hoje escrevem e divulgam Ipueiras.

10 – O que não tem mais em Ipueiras que deixou saudades?

- Caindo num saudosismo saudável diria que toda uma comunidade de amigos que se foram e plantaram raízes distantes e a gente boa mais velha que não está mais entre nós.

11 – Ipueiras hoje veste roupa nova. Tudo muito limpo. Entrada e saída da cidade impecável, mas em compensação vemos esgotos despejados irresponsavelmente no rio Jatobá. É o tal do veludo por cima e molambo por baixo?

- Acho que tudo vem em etapas. A cidade está sendo bem cuidada e crescendo, sobre os esgotos no rio, logo com a perenização do mesmo, a criação de uma rede de tratamento dos esgotos será prioridade, pois só assim o rio perenizado se tornará fonte de lazer e alegria como foi em tempos passados.

12 – Você concorda que resgatar o passado é eternizar nossa história, ou acha simplesmente um saudosismo piegas?

- O termo “saudosismo piegas” carece de muita determinação, muita especificação. Acredito no valor do resgate histórico e cultural como um meio não só de eternizar a nossa história como também de trazer ao município um orgulho sadio, uma auto-estima longe do estéril bairrismo que nada produz.

13 - Que sugestão você daria para o maior proveito da cultura ipueirense?

- A valorização do artista primeiro na terra com criação de prêmios e publicação de trabalhos em livros, depois uma divulgação maior em feiras culturais no que se referisse ao município.

14 – Qual é o seu olhar sobre a Ipueiras atual?

- Muito positivo. Ipueiras diferente de outros municípios vizinhos soube crescer unida, sem perder distritos, crescendo a sede com muitas melhorias e permitindo aos distritos mesmo desenvolvimento, isso resultado de uma visão mais ampla de seus últimos prefeitos.

DC- Bérgson Frota, obrigada pela participação, e fique a vontade para suas considerações finais.

- Gostaria de encerrar com uma frase que coloquei finalizando meu artigo “Um céu claro de outono”, na comemoração dos vinte anos da feitura do selo para o centenário de Ipueiras : “A história do povo cearense, com a força dos ipueirenses, lhes outorgará um lugar digno de honra e valor no panteão dos séculos vindouros.”

Obrigado pela oportunidade

terça-feira, 11 de dezembro de 2007

Homenagem a Teresa Mourão


Foto: Dalinha Catunda e Teresa Mourão
Tereza Mourão
Filha de Ipueiras, mensageira da paz, dedicada aos amigos, assim é Tereza Mourão.
Muito cedo saiu de Ipueiras, indo morar em Fortaleza.
Como ave que perde seu ninho, por ter perdido seus pais, voou para terras distante, a procura de outros horizontes, deixando seu Ceará.
Novos ninhos construiu, e formou sua família. Os casamentos se foram, porém não ficou vazia, dois filhos bem desejados, Inácio Emiliano Melo Mourão Pinto, o mais velho, e Francisco Delano Melo Mourão, o caçula, preenchem e encantam sua vida.
Distante de Ipueiras ela levanta a bandeira de sua terra natal. É uma notável divulgadora, dos valores de sua terra e sempre que possível visita seu rincão. Pois lá mora um passado feliz, onde as lembranças da infância e juventude reclamam sua visita.
Para Tereza visitar lugares e parentes, não é matar saudades, é simplesmente desenterrar alegrias e não perder o vínculo com novas gerações.
Adepta do espiritismo, dona de uma luz singular, uma paz maior nos transmite. Sempre aponta caminhos, sem pretensão de apontar verdades, deixando apenas suas
palavras fluírem sem a intenção de incuti-las a todo custo.
Hoje dia 12 de dezembro, essa querida amiga,educada, meiga, inteligente, dona de um par de olhos azuis que jamais ficaram cinzentos com as mazelas da vida, Completa mais um ano de vida para felicidade dos que convivem com ela.
A Tereza Mourão, ou Terezinha do seu Tim, meus mais sinceros parabéns. Que a paz, a saúde e a felicidade sejam presente divino a ela concedido por Deus Nosso Senhor.

quinta-feira, 6 de dezembro de 2007

A Árvore de Natal de Garrancho


Foto:http://www.eb1-fogueteiro-n3.rcts.pt/images/festa_natal/festa9.jpg

A Árvore de Natal de Garrancho

O que relato agora não foi exclusividade, apenas, de minha família. Era comum no interior do Ceará, e certamente de todo Nordeste.

Com a chegada do mês de dezembro começava o movimento para montar a Árvore de Natal. Movimento esse, que reunia toda a toda família em torno do mesmo tema.

Antigamente não tínhamos dinheiro nem produtos disponíveis para montar uma árvore, como as que víamos nas revistas. Porém, o que nos faltava em dinheiro e produtos especiais, sobrava-nos em criatividade.

E assim, começava o reboliço, era chegada a hora de montar a Árvore de Natal.
O primeiro passo era procurar nos arredores da cidade um garrancho com muitos galhos. Tarefa quase sempre atribuída aos meninos, que em bandos traziam mais de um galho,para que pudéssemos escolher o melhor.

Enquanto isso, meninas já estavam forrando com papel de presente uma lata de vinte, onde cheia de areia seria plantado o galho seco.

Outra turma, cortava papel celofane e crepom, verde, em tiras, faziam bastantes franjas, para recobrir o projeto de árvore, que aos poucos ia ganhando forma. Árvore coberta de verde, era hora de colocar sobre os galhos os brancos cordões de algodão, noutro canto meninas cobriam caixas de fósforo com papel prateado retirado das cédulas de cigarro, e com papel de presente. Caixa de vários tamanhos , além das de fósforo, também eram cobertas, fingiam ser presentes, e serviam como enfeites a serem dependurados na árvore.

Depois desse passo-a-passo a árvore estava quase no ponto, garrancho ,conseguido e recoberto de verde, enfiado na lata recoberta, já colorida pelo papel de presente, caixinhas feito enfeites penduradas, outras maiores ao pé da arvore fingindo presente.

Agora faltava colocar o menino Jesus em meio às palhinhas junto a árvore, o que era feito com carinho, e confeccionar a estrela para colocar no alto da Árvore.

Papelão na mão, tesoura, lápis, num instante, a mais habilidosa, desenhava e recortava uma linda estrela com grande cauda. Agora era só fazer um grude de goma, lambuzar a estrela, jogar areia prateada em cima e em seguida coloca-la no lugar de destaque. Assim criávamos nossa árvore.

Esse, acredito, era o verdadeiro espírito de Natal, onde famílias juntas numa perfeita confraternização se reuniam em torno do sagrado momento natalino.

terça-feira, 4 de dezembro de 2007

A BANDEIRA DE IPUEIRAS


Foto Miraugusta, Zequinha e Dalinha
A BANDEIRA DE IPUEIRAS

Em 25 de outubro de 2007, Ipueiras comemorou seus 124 anos de emancipação política.
Não foram poucos os filhos dessa terra, que moram fora, a prestigiar esse grande acontecimento.

No acervo fotográfico da prefeitura, entre muitos registros, a participação da família Catunda representada pelo Casal Zequinha Bento e Miraugusta,e eu, Dalinha Catunda, exibindo com orgulho a bandeira do município.

Os símbolos cívicos retratam a história e as características de cada município.
E nossa bandeira tem o seguinte significado:

“A cor azul simboliza a justiça, o zelo e a lealdade”.

O Brasão representa governo municipal e, o circulo amarelo onde este é aplicado simboliza a eternidade, pois se trata de uma figura geométrica que não tem principio nem fim, em representação da própria cidade sede do município.”

E assim, amigos, estou reapresentando a Bandeira antes apresentada no GCDI, quando da apresentação dos símbolos da cidade.

segunda-feira, 3 de dezembro de 2007

Coroné Ludugero e Otrópe em Ipueiras


Foto:http://www.memorialpernambuco.com.br/memorial/120comunicao/corone_ludugero.htm

Coroné Ludugero e Otrópe em Ipueiras

Foi no começo de 1970 que a cidade de Ipueiras assistiu um espetáculo nunca antes visto em seus domínios.

A cidade estava movimentada e o Ipueiras Hotel de propriedade de Seu Meton Nunes Alexandre estava lotado de hóspedes especiais. Pois foi nesse dito hotel, que a caravana do Coronel Ludugéro se hospedou.

Coronel Ludugero que já trabalhava na televisão e era nosso velho conhecido do rádio, veículo que nos colocava, e até hoje nos coloca, em contato com o mundo, estava ali, em carne e osso para a felicidade dos ipueirenses.

Os momentos que antecederam o show foram especiais para a juventude daquela cidade que buscava ver de perto os artistas, coisa rara no interior.

O GCDI, Grêmio Cultural e Diversional Ipueirense se vestiu de alegria, e foi palco do inusitado espetáculo. O clube se tornou pequeno para tantos que queriam ver de perto o velho coronel e sua trupe.

Ver de perto Filomena, Otrópe, a moça que tocava piston, que o coroné chamava de Marrom, e que, garantem os que assistiram o show, que a tal Marrom, é nada mais, nada menos do que a hoje famosa Alcione. Tudo isso era delirante para nós, pobres mortais nascidos no interior.

Quando a caravana se foi, deixou um rastro de alegria, uns riam das piadas contadas, outros relembravam admirados da morena que tocava piston, as mocinhas saudosas suspiravam pelos artistas que com elas bailaram na pista de dança, e por algum tempo não se falava em outra coisa.

E foi o mesmo rádio que tanto divulgou o saudoso coronel que no dia 14 de março de 1970, espalhou por todo Brasil a triste notícia da trágica morte do coronel e boa parte de sua caravana num acidente de avião.

O coronel viajava do Maranhão para Belém, e nesse percurso, foi vítima de um desastre aéreo na Baia de Guajará-Mirim.

Aquele acidente, fatal, acabaria de vez com a dupla Coroné Ludugero( Luiz Jacinto da Silva) e Otrópe,(Irandir Peres Costa), que até hoje são relembrados com saudades.

E foi assim que Ipueiras que antes sorria e se embalava ao som da “rede véia” e “flor do ananá” transformou seu sorriso em consternação por aqueles que estiveram há tão pouco tempo alegrando aquela cidade.

quinta-feira, 29 de novembro de 2007

FESTA DA PADROEIRA


Igreja de Nossa Senhora da Conceição
Um belo cartão postal de Ipueiras,
que merece ser visitado.

A Festa da Padroeira

Dia 29 de novembro Ipueiras se engalana para a festa da padroeira que tem seu final dia 08 de dezembro, dia consagrado a Nossa Senhora da Conceição.
Nove dias bate o sino chamando a população, tem bandinha, dobrados, marchinhas e muita animação.
O foguetório ecoa pelos quatro cantos da cidade. São os devotos pagando suas promessas. Entre rezas e ex-votos ofertados, os fiéis vão cumprindo o prometido, finalizando o ritual com o estouro repetido dos foguetes que em Ipueiras é tradição.
Após cada novena uma residência é contemplada com a visita da santa. Os mais fervorosos seguem o cortejo com seus cânticos em homenagem a Virgem Imaculada. Enquanto outros aproveitam as barraquinhas montadas para desfrutarem do que lhes oferece a animada quermesse.
Nessa época Ipueiras é visitada por parques e circos que chegam à cidade atraídos pela movimentação temporária.
É difícil participar desses eventos sem evocar o passado. Nunca vou esquecer o vendedor de pirulitos. Talvez eu me encantasse muito mais com a figura do vendedor carregando aquela tábua furada com os pirulitos encaixados do que com o próprio pirulito.
E mais, era sagrado. Toda garota tinha que exibir um vestido novo na última novena e outro no dia da festa. E se não tivesse? Era choro de moça, na certa!
O ponto alto da festa sempre foi a última novena. Uma imensa procissão tomava conta da cidade, o leilão enchia a praça com a figura marcante do leiloeiro oficial Mariano, que era mestre no ofício, e encantava a população com sua graça oferecendo as prendas.
É lógico que com o passar dos tempos as coisas mudam. Mas reconheço que Ipueiras, cidade centenária, faz jus a sua padroeira, Nossa Senhora da Conceição, fazendo sempre uma linda festa com grande participação de sua população essencialmente católica.

terça-feira, 27 de novembro de 2007

Recado Pelo Rádio


Foto Calçadão da Estação

Recado Pelo Rádio

Locutor que atua agora,
Atenda minha ligação,
Peço encarecidamente
Que me dê sua atenção,
Avise pra minha gente,
Que já já vou ta presente
Visitando meu sertão.

Estou longe muitas léguas,
mas pertinho de voltar.
Pra rever a minha gente,
E visitar o meu lugar.
To morrendo de saudades,
Pois minha felicidade,
É rever meu Ceará.

Cidadão fique sabendo,
Que isso não é brincadeira.
Dói no peito e dói na alma,
Viver longe de Ipueiras.
Com o coração partido,
A vida não tem sentido
Perco até as estribeiras.

Mande um beijo pra titia,
Outro beijo pra mainha.
No chiqueiro lá de casa,
Quero vê muita galinha.
Pra festa da padroeira,
Estarei nas Ipueiras
Para aplaudir a bandinha.

Ao meu velho pai avise
Que não demoro a voltar.
Pamonha de buriti,
Ele pode encomendar.
Mesmo que me dê fininha,
Sembereba com farinha,
Eu não deixo de tomar

Fale pra dona Maria,
Que capriche no pirão.
Guarde pra mim tapioca,
E paçoca de pilão.
Vou deitar naquela rede,
tacar o pé na parede,
E embalar meu coração.

Diga pro Ciço Pereira,
Para contratar Deó.
Já comprei chinelo novo,
Pra dançar em seu forró.
Quero tirar o atraso,
Desta vez eu me arraso,
Dos meus pés não tenho dó.

Mande um abraço pra Toinho
outro abraço pra Carlão.
Lá pras bandas do arroz,
Dê lembranças ao João.
Fale para Zé ventura,
Que gostei da aventura,
De andar em seu carrão..

A Tereza Gaspar Diga,
Que ela pode botar fé,
Que antes do final do ano,
Vou provar do seu café
O caldinho de Tereza,
Meu amigo é uma beleza,
Bota até defunto em pé.

Locutor não se esqueça,
Não deixe de avisar,
Meu amiguinho do peito,
Que se chama Edgar,
Ele vai ficar contente,
Vai arreganhar os dentes,
Ao saber que vou voltar

Avise pro Zé Luzia,
Pra cachaça esquecer.
Pois eu tenho lá em casa,
Umas coizinhas pra fazer.
O meu tempo vai ser pouco,
Mais pelo menos os reboco,
A gente pode refazer.

Locutor por caridade,
Pela luz que te alumia
Retransmita meu recado,
Pros amigos e pra família,
Sou uma pobre retirante,
Da minha terra distante,
Voltar é minha alegria.

domingo, 25 de novembro de 2007

Dalinha Entrevista Jean Kleber Mattos



Jean Kleber Mattos é agrônomo, professor universitário, nascido em Fortaleza-Ce e criado em Ipueiras-Ce dos dois aos oito anos de Idade. Filho de Sebastião Mattos Sobrinho.
Atualmente residindo em Brasília Distrito Federal.

1-Quem é Jean Kleber?

Cearense, viveu a primeira infância em Ipueiras. Foi aluno do Educandário N.S. da Conceição nos anos 50. Agrônomo, formou-se em Recife, fez doutorado em Brasília e hoje é professor da UnB.

2-O que Ipueiras representa para você?

Mesmo não sendo lá nascido, Ipueiras representa a origem, a primeira infância. O útero cultural.

3-Como foi voltar a Ipueiras depois de tanto tempo?

Estonteante. Bateu forte. Hoje a leitura que faço é mais profunda.

4-O que você só encontra em Ipueiras?

Difícil responder. O cenário dos dias felizes de minha infância. As casas que ainda restam daquele tempo.A paisagem única. Aquela serra ao longe me emociona. O Cristo do Morro me encanta. A feira... tanta coisa

5-Você viveu apenas parte da infância em Ipueiras, no entanto, relata “causos” e histórias, ricas em detalhes, passadas naquela cidade. Que mágica é essa?

Algumas me marcaram muito. Criança atenta. Outras, meu pai me contou.

6-Como sua família acolheu essa viagem a Ipueiras?

Adorou. Incorporou minha emoção. Minha família é inacreditável.

7-Foi realmente a viagem dos sonhos?

Sim. Foi a viagem dos meus sonhos.

8-O que você acha que tem cheiro de Ipueiras?

O bamburral (Hyptis suaveolens)

9-Que sabor provado naquela terra você jamais esqueceu?

O sabor da “palma” (aquela gominha no canto da boca) e o tijolo de mamão (aquela “cocadona”. Não esquecendo da batida e do alfenim e do pé-de-moleque (manzape).

10- Você abraçou a carreira Certa?

Sim . Com certeza.

11-Conviver com a natureza é ficar mais perto do céu?

Sim. Sem dúvida. Se eu fosse aviador (minha primeira vocação, creio), sentir-me-ia mais perto. No entanto, lidar com a natureza e como voltar ao útero.

12- Se você fosse uma planta, que planta seria?

Uma jaboticabeira. Produz muitos frutos negros, belos, brilhantes...

13-O que eu não lhe perguntei e você gostaria de falar?

Que ainda não decifrei o enigma que existe envolvendo-me com Ipueiras.

14-Que mensagem você gostaria de deixar para as gentes de nossa terra?

Unam-se. Cooperem uns com os outros para o sucesso dos projetos em favor de Ipueiras. Sobretudo deslumbrem-se com a comunidade.

15-Obrigada pela atenção e até uma próxima oportunidade.

Foi um prazer, querida.

quinta-feira, 22 de novembro de 2007

TEMPO DE CAJU


www.mecol.com.br/images/cachocaju.gif
Tempo de Caju

Num passeio de duas semanas, encontrei Ipueiras super colorida e com um cheirinho especial de caju invadindo toda a cidade.
Impossível não voltar aos velhos tempos e as boas recordações onde castanhas e meninos davam o tom às brincadeiras. A fartura das castanhas assada em pedaços de flandres furados, fazia a alegria da meninada que participava de todas as etapas daquele ritual. Sendo a mais importante a hora de saboreá-las.
Presente ainda em minha lembrança, os litros transparentes cheios de cachaça com um caju que boiava magicamente em meio ao liquido deixando-me fascinada, e ao mesmo tempo intrigada com o feito, por não entender, na época, exatamente, como a fruta entrara ali.
Contudo, a melhor recordação, era o jogo de castanhas que acontecia assim: uma dupla com seus saquinhos de castanhas. Um colocava um torno, (que era uma castanha grande) e o outro começava o jogo, que nada mais era, que, atirar castanhas alternadamente tentando acertar o torno. O primeiro que acertasse enchia a mão levando todas as castanhas atiradas.
Se as recordações ainda me encantam, o presente não deixou por menos. Cajueiros mais exibidos do que nunca apresentavam um espetáculo maravilhoso que só mesmo a natureza seria capaz de produzir.
Em pleno calor de outubro, o sertão com sua paisagem já amarelada passando a um marrom acinzentado, típico dos tempos secos, aparecem os verdes cajueiros a fazer contraste com a fartura de árvores ressequidas.
Aos meus olhos que sempre se encantam com as coisas do sertão, o cajueiral em sua pujança mais parecia grandes árvores de natal, fora de época, com suas bolas multicores atraindo pássaros das mais variadas espécies dando um colorido fascinante ao show patrocinado unicamente pela natureza em sua peculiaridade.
A feira também se encheu de cor, pelo chão, cajus, amarelos, vermelhos, alaranjados, pequenos, grandes compridos. O colorido, o cheiro e o preço baixo pela larga oferta eram um convite. Difícil não sair carregando sacolas e mais sacolas da fruta da época.
Era comum chegar em casa de amigos e ser agraciada com latinhas de doce e refrescar a garganta com o suco do momento e até levar uma garrafa de cachaça com caju da safra passada. O nordestino, principalmente, o do interior é dado a essas gentilezas.
Se o jogo de castanhas se perdeu no tempo..., o doce de caju, o suco, a cajuína, a castanha assada, a cachaça com caju estão aí a nos dizer que sempre haverá, tempo de caju em nosso querido Nordeste.

terça-feira, 20 de novembro de 2007

Mariano Ribeiro De Oliveira


Foto:gentilmente cedida por: Alexandre Herculano.
Mariano Ribeiro de Oliveira

Dia 20 de novembro comemora-se no Brasil, O Dia da Consciência Negra.
Dia esse dedicado à reflexão sobre a inclusão do negro na sociedade.

Preservar a memória de Mariano Ribeiro de Oliveira é uma das formas de agradecê-lo pelos mais de 40 anos de serviços prestados a população ipueirense, num tempo em que a saúde pública no interior transcendia a precariedade.

Dia 06 de abril de 1926, nascia na cidade de Ipueiras, aquele que mais tarde seria reconhecido como um dos precursores da saúde em nosso município.

Mariano prestou os mais variados serviços: obstétricos, pediátricos, ambulatoriais, serviços veterinários, era um enfermeiro prático com funções variadas.
Aplicava injeção, tirava pressão, fazia curativos, vacinava animais, furava orelhas das meninas... naquele tempo só das meninas, hoje o que diria nosso velho Mariano com tantos marmanjos fazendo furinhos. Com certeza apenas sorriria e meneava a cabeça.
Seu sorriso era sua arma, e sua arma desarmava qualquer um. De um carisma sem nome era requisitadíssimo e estava sempre no ponto para qualquer emergência.

Em tempos de parteiras ele fez a diferença, um homem a pegar crianças, o que não era tão natural, mas a competência lhe conferia esse direito
Essa competência, aliada a seu carisma o levou a política, e assim sendo, Mariano Ribeiro foi vereador várias vezes, chegando a presidente da câmara.

Em 17 de agosto de 1995, para tristeza dos ipueirenses, Mariano Ribeiro fez sua passagem deixando um vazio imenso e a certeza maior; que ele jamais será esquecido por aqueles que passaram por suas mãos.

terça-feira, 13 de novembro de 2007

ARTE NATURAL


Foto:http://www.saberweb.com.br/zoologia/images/teia_da_aranha.jpg
ARTE NATURAL

Teia de aranha orvalhada
nas cercas enfeitando estradas
traduz encanto e esplendor.

Transcende a qualquer beleza
a trama que a natureza
com esmero elaborou.

segunda-feira, 12 de novembro de 2007

FILHA DO NORDESTE


FILHA DO NORDESTE


Sou Dalinha, sou da lida.
Sou cria do meu Sertão.
Devota de São Francisco
E de Padre Cícero Romão.

Sou rês da Macambira,
Difícil de ir ao chão.
Sou o brotar das caatingas,
Quando cai chuva no chão.

Sou cacimba de água doce,
Jorrando em pleno verão.
Sou o sol quente do agreste.
Sou o luar do sertão.

Minha árvore é mandacaru.
Meu peixe, curimatã.
Macaxeira e tapioca,
É meu café da manhã.

Sou uma bichinha da peste,
Meu ídolo é Lampião.
Sou filha das Ipueiras.
Sou de forró e baião.

Sou rapadura docinha,
Mas mole eu não sou não.
Sou abelha que faz mel,
Sem esquecer o ferrão.

quinta-feira, 8 de novembro de 2007

NEM NÓS


Foto: http//venus.rdc.br
Nem Nós

Esse “causo” se passou exatamente na casa de meus pais, em Ipueiras.
Fui testemunha e personagem do episódio.
Fedendo a leite, arranjei um namorado. Não um namoradiiiinho, um jovem da capital.
Estudante, porém já trabalhava e poderia assumir um compromisso.
O namoro foi ficando sério, todos gostavam do mancebo e minha mãe, doida p’ra ver a filha casada e sossegando o facho, convidou o rapaz para almoçar lá em casa.
Uma galinha a menos no chiqueiro, mas não deixava de ser um investimento.
O almoço transcorreu as mil maravilhas. Antes de se levantar da mesa Edmar, (esse era o nome, do candidato a marido) Gentilmente falou para minha mãe: dona Neuza, há muito tempo eu não comia uma comida tão gostosa como essa.
Meu irmão, César, que Deus o tenha no Reino da glória, imediatamente, falou: nem nós!!! Volte sempre.

quarta-feira, 7 de novembro de 2007

QUESTÃO DE GOSTO


QUESTÃO DE GOSTO
Questão de Gosto

Ipueiras para mim, sempre teve um sabor especial. Revivo nas lembranças do presente o doce gosto do passado. Muitas vezes incomodo os menos saudosos com minha cantilena, porém, conto com uma boa parcela de adoradores do passado que se enlevam com meus saudosos suspiros. Minha intenção não é apenas remoer tristezas, meu prazer maior é desenterrar e espalhar alegrias.

Assim sendo, vou falar dessas coisinhas de cidade do interior que ficam grudadas na gente, e por mais tempo que se posso ter numa cidade grande, elas não arredam.

Eu sempre relaciono comer a prazer e prazer a pecado e pensando assim, muitas vezes pequei pela gula. Difícil resistir às guloseimas que infestavam Ipueiras nos bons anos de minha alegre existência

Aos sábados era sagrado comer bolo manzape na feira. Por mais que espalhassem que aquele bolo gostoso, embrulhado na palha da bananeira, era amassado com os pés, não inibiam os fiéis compradores.

Na esquina do Simão se tomava oricuri, na esquina do Guarani chupávamos o picolé de dona Joaninha. O de abacate era saborosissimo, ficou na história

A bodega do Nicacio era o “point” dos estudantes do colégio Otacílio Mota que faziam fila para merendar pão recheado com doce de leite . Era a merenda da hora.

Ah!!! E as palmas do Olegário? A criançada vivia de boca branca de tanto comer palma, mas não bastava ser palma, tinha que ser do Olegário.

No “bulim”,(biscoitos feitos com goma) as mãos mágicas eram de dona Etelvina, mãe da professora Alice Paiva. Os biscoitos feitos por ela desmanchavam-se na boca.

Tínhamos ainda, dona Neném do Genáro especialista em pirulitos, aqueles... vendidos em tábuas, aos gritos dos meninos. Recordo-me das chupetinhas feitas com o mesmo material do pirulito, porém não sei quem as fazia. Fica aí uma pergunta no ar.

O peito de moça era um pão de massa fina, melado por cima, e super saboroso. Acho que todos os padeiros da época faziam o tal pão. Engraçado que este pão era vendido, num cesto, só à tarde, de porta em porta.

Há um salgado, chamado canudinho, recheado com paçoca, que nunca comi em outro lugar. Este eu considero um sabor típico de Ipueiras. Lá ainda se faz, mas o recheio é cremoso, porém, prefiro o sabor antigo.

Um sabor que ficou impregnado em mim, foi o do buriti, sempre que chego em Ipueiras procuro a pamonha de buriti, para fazer doce ou a sembereba, que é um suco engrossado com farinha. Só que depois de tomado, bate um sono...

A bolacha fogosa, não foi um de minhas preferidas, mas sei que fez a alegria de muitos.
Farinha de pipoca! Comi muito. Mas, outro dia fui tentar e me entalei. Com certeza perdi a prática.Outra coisa que comi em criança, de me lambuzar, mas meu paladar adulto não aceita mais, é ovo batido com açúcar.

Eu não me perdoaria se terminasse esse relato sem falar de Vicente, o padeiro mudo, que falou quando a imagem de Nossa Senhora de Fátima passou por Ipueiras vinda de Portugal.
Dele era o pão mais gostoso que já provou minha cidade.

Vou sempre afirmar que, Ipueiras tem um sabor especial, mas lógico, que é questão de gosto.

domingo, 4 de novembro de 2007

A AMORTALHADA


Foto:www.fenomeno.trix.net/.../fenomeno-fantasmab.jpg
A Amortalhada

Amedrontando crianças e deixando adultos menos corajosos de cabelo em pé, por muito tempo se viu e ouviu falar da figura dos amortalhados, principalmente no interior nordestino.

Por trás de cada mortalha vestida, havia, com certeza, uma história forte de culpas e pecados a serem reparados. Assim sendo a mortalha fazia parte do ritual de expiação aplicado ao grande pecador.

Contam que certa vez, uma linda moça, porém muito Jovem, queria ir a uma festa. Mas pela pouca idade só poderia ir acompanhada dos pais. Sendo filha de uma pobre viúva, pai ela não tinha. A mãe, no momento adoentada, não poderia acompanha-la a tão desejada festa.

A jovem descontrolada num ímpeto de raiva e loucura, como se tivesse possuída pelo demônio, deu uma surra na pobre viúva que ficou prostrada durante muitos dias.

Vendo o sofrimento da mãe, não demorou muito tempo, bateu o arrependimento na filha desnaturada. Tentando acabar com o remorso que lhe doía na alma foi até a igreja e contou tudo ao padre em confissão.

O padre após ouvir atentamente o relato absurdo da jovem, aplicou-lhe a penitência merecida: Durante cinco anos a filha desalmada, teria de perambular pelas, ruas, becos e estradas vestida numa mortalha, e toda vez que passasse em cemitérios e igrejas teria de parar para rezar um rosário.

A jovem cumpriu religiosamente sua penitência fazendo assim as pazes com Deus e obtendo o perdão de sua mãe.

Agora ela poderia ir a festa tão sonhada que acontecia todos os anos. Sua mãe gozava de boa saúde, ela já tinha idade suficiente para freqüentar as festas e tinha expiado sua culpa.

Bem vestida, foi ao baile, mas não teve um cristão que a tirasse para dançar, pois ninguém queria dançar com uma moça que no passado vestia-se com mortalha.

terça-feira, 30 de outubro de 2007

IPUEIRAS NA VOZ DE SEUS FILHOS




IPUEIRAS NA VOZ DE SEUS FILHOS


Ipueiras não é só uma saudade. Aquela cidade da meninice, da adolescência e dos sonhos é hoje uma lenda. A saudade aí é a senha a nos conectar passado e presente rumo ao futuro.

Por meio da Internet, ostentamos a Ipueiras de todos nós. E foi me valendo dessa janela a nos transportar até nossa cidade que garimpei, em variadas fontes, relatos aqui apresentados, de ipueirenses a enaltecer nossa terra.

Com prazer, repasso, aos aficcionados nesse rincão, o expressivo material a cantar nosso chão, que completa 124 anos de emancipação política.

Dalinha Aragão Catunda.


Criei traços daquela imagem que do alto mirava sempre ao anoitecer. Queria detalhar o rosto, mas resisti, seria como roubar do povo uma sigilosa homenagem. Decidi que o desenho não estamparia a face para que dessa forma representasse o rosto de todos os ipueirenses.
(Bérgson Frota, no conto "Um céu claro de outono")

Ipueiras é bonita,
Uma terra altaneira.
Seus filhos são orgulhosos
Desta cidade faceira.
(Chico Frota, No Poema "Cidade de Ipueiras")

"Eu, sempre que retorno à minha terra
"E o inverno matiza de esperança
O sertão enche o açude e azula a serra,
Como que volto a me sentir criança."
(Costa Matos, no livro "Estações de sonetos")

"Uma ponte corta o rio.
Uma saudade corta o ar.
Sou uma cacimba cavada,
no leito do Jatobá.
A água que brota é o pranto,
Que choro distante de lá."
(Dalinha Aragão, no poema Ipueiras uma paixão)

"Não tive só um pedaço de infância em Ipueiras. Tive talagadas de adolescente até o final, enquanto pude descer sem enguiar na idade. Que não só em 1957 a 1963 mais depois até quando mais pude. E se pudesse ainda teria mais". (Frota Neto no livro "Quase")


"Vejo-te em meus sonhos,
Meu passado, meu futuro,
Estou ausente infelizmente,
Mas vou voltar, eu juro!"
(Francisco Braga (No poema "Tributo a Ipueiras").


Para mim a Ipueiras recriada é uma experiência profunda porque vivida com profundidade. Até assusta. Dá medo que nos escape pelas mãos.
(Jean Kleber Matos) retirado da crônica, “O Mapa do Território”


"Fui amassado no barro das Ipueiras, nos vales e sertões do pé-de-serra da Ibiapaba. Terra de barro bom pra homem" (Gerardo Mello Mourão, em discurso por ocasião de recepção de título honorífico na Universidade Federal do Ceará)



"É uma cidade bonita que desponta
Na grandeza dos seus filhos,
Do seu povo, sua gente,
Na benção do Cristo Redentor,
Que de braços estendidos
Num amplexo de cem anos
Nos diz: eu sou teu benfeitor.
(Jeremias Catunda, no livro "Versos Versus Minha Vontade")

"... E aí num misto do velho Y – Juca Pirama e menino de novo, às margens do Jatobá (então elevado a arquétipo de nos cearenses), reviverei as cenas outrora sonhadas: as cheias de volta a sepultar águas pequenas, cacimbas e cercas de nossa solidão, atraso e miséria!" (Marcondes Rosa de Sousa, no artigo "As águas do Jatobá, no Jornal "O Povo").

"Minha cidade é pequena,
Mas pra mim ela é princesa,
De verdes montes cercada,
Ela é uma beleza.
Minha cidade é bonita,
Bonita por natureza.
(Neuza Aragão, no livro "Vida em versos")


"É assim que Isa, na sua grande memória, me faz lembrar dos meus tempos de criança em Ipueiras. Quando eu vejo um caminhão carregado de gente, dobrando aqui na curva da igreja, eu só me lembro de você, Tadeu"

Nas tardes de domingo, meu pai me incumbia de comprar o jornal correio do ceará ou o unitário, que era vendido no trem vindo da capital.

A molecada, nela me incluindo, pegava o caminho de volta da estação, de carona, nos caminhões do Matim, do Chico Manteiga ou do Chiquinho Evaristo. Era aquela algazarra: xingamentos, vaias aos que voltavam a pé, assovios (coiós) para as meninas moças. Coisas mesmo de moleque.
(Tadeu Fontenele)

"Hoje cada um tem sua vida em outros lugares. O que buscamos neste "site", acredito eu, é resgatar a memória de uma infância e adolescência da cidade onde nascemos. E, embora distantes, continuamos a amá-la, pois Ipueiras faz parte dos melhores momentos de nossas vidas. (Terezinha Mourão, por e-mail)

"Num passe de mágica (ou de mouse), transporto-me até Ipueiras como se estivesse na "avenida", sentado ao chão, conversando numa roda de amigos, revirando saudades" (Walmir Rosa de Sousa, por e-mail).

quarta-feira, 10 de outubro de 2007

IPUEIRAS UMA PAIXÃO


Essa é minha homenagem a Ipueiras pelos seus 124 anos. Mais uma vez estarei em minha cidade. Um abraço a todos e até a volta. O aniversário de Ipueiras é no dia 25 de outubro.


Ipueiras, uma paixão

Sou nativa desta terra,
Dela não abro mão.
Quando enterrei meu umbigo,
Criei raiz neste chão.
Não troco por nada no mundo,
Meu pequenino rincão.

Cercada de morros e serras,
Sua paisagem é um primor.
Seria uma obra prima,
Se a retratasse um pintor,
Lá do alto onde se encontra,
Nosso Cristo Redentor.

Obra de Mestre Pedro Frutuoso,
Vê-se o arco triunfal.
Uma homenagem a virgem,
Peregrina de Portugal.
É a coroação de Fátima,
Uma festa sem igual.

Imponente lá no morro,
A imagem do Redentor.
Cristo de braços abertos,
Nosso eterno protetor.
A natureza abriga,
A arte de um escultor.

A igreja e sua torre,
Um sino a badalar.
Meninos jogando bola,
Na rua, no patamar.
São as fragrantes saudades,
Perfumando meu lembrar.

Uma ponte corta o rio,
Uma saudade corta o ar.
Sou uma cacimba cavada,
No leito do Jatobá.
A água que brota é o pranto,
Que choro distante de lá.

É assim minha Ipueiras,
Berço da felicidade.
Onde vivi minha infância,
E gozei a mocidade.
Ficar distante é portanto,
Viver remoendo saudades

" TITUNDA"


Essa crônica é uma homenagem a Tunda e as crianças que viveram esse tempo mágico em Ipueiras.

Foto:http://www.centrovegetariano.org/images/articles/borrego.jpg

POR DALINHA CATUNDA

Durante muitos e muitos anos, viveu na pequena Ipueiras um humilde carreteiro, que tinha o poder de encantar e atrair as crianças com suas fantásticas histórias.

Nesse tempo, o meio de transporte usado para conduzir as pessoas de uma cidade para outra era o trem. Tunda era um dos carreteiros, um negro forte e simpático, que em busca de uns trocados carregava a bagagem dos viajantes até o destino combinado.

Na cabeça do bom homem as malas chegavam aos seus donos, pois carro era artigo de luxo na época. Ele era pobre, mas tinha um tesouro que dividia sem egoísmo com as crianças: sua alegria.

Tinha o poder de manter a meninada da cidade numa eterna esperança de um dia ganharem um carneirinho. Sempre que passava por uma delas, repetia a mesma frase: 'Titunda' vai trazer um carneirinho pra você, viu?

- Titunda, quando você vai trazer meu carneirinho?

Era a frase que ele mais ouvia da meninada.

-- Amanhã, amanhã o 'Ti' trás.
--- Cadê meu carneirinho? - perguntava outra.

Tá lá no céu --- e apontava pra cima, rindo.

Era hoje, amanhã, depois e nunca chegava o tal dia. Assim foi com gerações e gerações, alegremente iludidas com a história do carneirinho. Certo dia, a cidade que sempre vivera debaixo de um céu azul, presenciou um fenômeno singular.

Ao badalar do sino da igreja, começou a aparecer no céu chumaços de nuvens brancas em forma de carneirinhos. Em pouco tempo, o firmamento estava completamente tomado. Quando o sino parou, todos olhavam para o céu que parecia formar uma bela gravura.

Do meio daquelas imagens feitas por nuvens, uma parecia ser a de Titunda a segurar um cajado reluzente comandando os carneirinhos que nunca chegaram às mãos das crianças, mas certamente permaneceram em seus sonhos. Quanto ao velho carreteiro, este, naquele dia, chegava ao céu, onde dizia estar seu grande rebanho.

domingo, 7 de outubro de 2007

ANSELMO VIEIRA


Foto: Leonardo Mota e Anselmo Vieira
ANSELMO VIEIRA
Um Cantador das Ipueiras

Anselmo Vieira de Souza, nascido nos idos de 1867, viveu por muito tempo, na cidade do Ipu. Mas na verdade, é um ipueirense nascido na fazendola Ilha Grande, perto de Nova-Russas, no município de Ipueiras.

Completamente analfabeto, mas apaixonado desde criança pelos desafios que escutava nas pelejas dos menestréis que circulavam pela sua região, não demorou a fazer versos e se tornar um repentista de renome, aparecendo entre os mais consagrados cantadores do Nordeste que foram biografados por Leonardo Mota, escritor que se dedicou a resgatar essa cultural oral enriquecendo o folclore nordestino.

Anselmo Vieira nunca viveu do ofício de cantador, somente nos tempos das grandes secas, ele saia pelo mundo atrás de ganhar o pão de cada dia usando seus dotes de repentista,

De seu repertório pincei esses versos que representam, muito bem, a situação do nordestino que se transforma em nômade ante a desgraça da seca:

“Patrão, eu to lhe pedindo
Sua boa proteção,
Deixei o meu natural,
A poeira do meu chão,
E vim pra este lugá
Coberto de precisão,
Me valendo dum e doutro,
Mode vê que é que me dão,
Só não quero que me digam:
“vá trabaia,seu ladrão”

O poeta e escritor Gerardo Mello Mourão, confessa que Anselmo Vieira é uma das referências em sua vida literata, pois muito se inspirou nos cantadores das feiras de Ipueiras, onde Anselmo era atração.
Em seu livro “Rastro de Apolo” enaltece o vate ipueirense louvando-o com alguns versos.

Ariano Suassuna, numa entrevista, admite que, “O Auto da Compadecida” foi baseado nos versos de três repentistas nordestinos, sendo um deles o caboclo Anselmo Vieira.

Enquanto Gerardo Mello Mourão, Ariano Suassuna e Leonardo Mota, dão crédito aos feitos desse competente cantador analfabeto que bordou com lindas palavras nossa história ipueirense, a própria Ipueiras, é analfabeta em relação a Anselmo Vieira de Sousa que não deixa de ser um patrimônio cultural dessa cidade.
Dalinha Catunda
Ipueiras-Ce

quarta-feira, 3 de outubro de 2007

Poetas Populares


Foto: Dalinha entre os poetas populares de Ipueiras.

Poetas Populares

Confesso não sou repentista,
Mas versos eu sei fazer.
Louvar os artistas da terra,
Louvo com todo prazer.
Louvo de dia e de noite,
Louvo até o sol nascer

Me chamo Dalinha Catunda
Poeta eu sou também
Falo da nossa Ipueiras,
Do povo que quero bem.
Dos cantadores e repentista,
Poetas que a terra tem.

Na beleza do improviso,
Na arte do bom repente,
Louvo Raimundo lira
Que é um vate competente.
Tomara que ele espalhe,
Entre nós sua semente.

Respeito seus cabelos brancos
Também respeito sua idade,
Porém seus versos-menino
São cheios de velocidade.
Não tropeça, nem gagueja,
É o rei da vitalidade.

Sua caneta é a enxada,
Sua tinta é o suor.
Louvo com gosto o poeta,
Que se chama Luis Ló.
Na arte de fazer versos,
Não conheço outro melhor.

É no cabo da enxada,
Que ele cultiva seu chão.
Enquanto capina faz versos,
Pra alegrar seu coração.
Tenho orgulho desse cabra,
Que nasceu em meu sertão.

Simão Brito impõe respeito,
E tem minha admiração,
Os assuntos sociais,
Para ele, sagrados são
Cada cordel que escreve
Trás no fundo uma lição

Edílson Sales é poeta,
Radialista e imitador.
Alegra a nossa gente,
Com inigualável humor.
É mais um fruto da terra,
Demonstrando seu valor

Grande safra de poetas
Tem o nosso fértil chão:
Luis Vieira, Gonçalo Figueiras
E o poeta Raimundão,
Que no dom de versejar
Preservam uma tradição.

Louvo com muito amor
E repito a louvação,
A poetisa da terra
Maria Neusa Aragão
Que tem por sua cidade,
Mais que amor, adoração.

Já falei e já louvei,
Cada um de meus irmãos,
Nascidos na mesma terra,
Criados no mesmo chão.
Se não citei todos agora,
Cito em outra ocasião.

domingo, 30 de setembro de 2007

O Drama da Égua da Secretária


O DRAMA DA ÉGUA DA SECRETÁRIA
Sou nordestina. Cearense, lá das Ipueiras. Moro no Rio de Janeiro há bastante tempo. Confesso que nunca chegou a me incomodar a diferença de cultura. Mas, de uns tempos para cá, o bicho pegou feio.
Imaginem! Tinha eu um telefone bem simples, que funcionava às mil maravilhas. Nunca me deu aporrinhações, a não ser uns poucos trotes, que respondi à altura.
Inventei de comprar um telefone moderno, com secretária, relógio, redial e tudo a que tinha direito. Tempos modernos... Render-me à tecnologia era o mínimo que eu poderia fazer.
Foi aí que começou o desatino. Empolgada, gravei logo duas mensagens, crente de que tava abafando. Quando me cansava de uma, substituía pela outra. Não sei qual das duas escutou mais desaforo.
Escute só o que minha própria família, sangue do meu sangue, teve coragem de fazer comigo.
Ligou-me mamãe... Não estando eu em casa, a secretária deu o ar da graça. O negócio foi feio. Não se entenderam mesmo, foi um tal de bater telefone, que só vendo.
Minha mãe, ofendidíssima, me liga em outro momento e, num misto de raiva e queixa, solta os bichos:
– Ooora Dalinha, eu liguei pra ti e uma cunhã sem-vergonha falou, falou, e depois bateu o telefone em minha cara. Onde já se viu?! E o pior é que eu acho que conheço aquela voz.
– Mãaaae, é a secretária!
Passou. Não demorou muito, nova encrenca, e tome desaforo. Meu irmão Tony... Achando-me depois de muitas tentativas.
– Dalinha, já liguei umas duzentas mil vezes e nunca te encontro. Eu tô pra mandar aquela tua secretária tomar no ...
– Ô Tony! Pelo amor de Deus, tenha dó!
Novas explicações! Diante de tanta incompreensão, resolvi dar férias a tal secretária, até que as coisas se acomodassem e a novidade fosse digerida.
Fim do descanso, retorno com a secretária.
Em pensamento, digo: Agora vai.
Vai sim, no mesmo rumo... Dessa vez, papai... Queixa grande... E bote carão!
– Que diacho é isso, Dalinha? Ligo, ligo, ligo, toca, toca, toca e ninguém atende. Agora liguei e uma égua véia sem-vergonha me disse que tu não tava em casa. Onde é que nós estamos? Ainda por cima me deixa falando sozinho... Isso é um desrespeito.
– Ô papai, essa “égua véia” sou eu. Sou eu, pai!...
Com Tony e papai me esmerando nas explicações, contornei a situação.
E mamãe? Mulher sentida e de brios...
A história até hoje rende.
Ela diz que tem quase certeza que de que aquela voz era a minha, que nunca vai engolir essa desfeita e jura de pé junto, em tom de queixa, para os outros irmãos que lhe bati o telefone na cara. Durma, com um barulho desses!
Eu, pobre mortal, além de aturar os insultos da família, que mora no Nordeste, tenho que aturar também a gozação de filhos e marido carioca. Pense!
Dalinha Aragão Catunda

quinta-feira, 27 de setembro de 2007

O Menino do Mirador




O Menino do Mirador

Gonçalo foi um menino que aprendeu o oficio de ferreiro muito cedo com seu pai. Com ele aprendeu também a arte de tocar violão. Pobre, porém feliz, assim vivia Gonçalo no seu velho Mirador, município de Ipueiras.

Criado no mato, apaixonado por árvores e pássaros, chorou longe de sua terra natal quando atrás de trabalho teve que se ausentar. Sentia saudades dos velhos tempos , do feijão com toucinho e rapadura, do seu cavalo de estimação e das serenatas que fazia ao luar.

Quantas noites em claro... relembrando suas caminhadas no mato e repetindo para si o nome de cada árvore, fruta e animal que fizeram parte de sua vida no interior.

E lembrava da nambu e do caburé que cantavam de noite.Lembrava das caçadas aonde o patuá vinha cheio de preá, tatu, peba e mambira, e não esquecia o canto do cupido, do sabiá, do canário, do galo campina e tantos mais.

Sentia saudades das frutas silvestres que alegraram seu paladar de menino do interior, maracujá,canapúm,,trapiá,, genipapo entre tantas outras que guardou em sua lembrança.

E como esquecer as velhas árvores que sombreavam seus caminhos, ameixa, pereiro branco, Jucá, mulungú, mororó e o angico de resina dourada.

Como as árvores, os pássaros e os bichos ele também era raiz daquele chão, fruto daquela terra que da cabeça não lhe saia.

Viu a beleza do Rio de Janeiro, ganhou dinheiro em Brasília, mas tudo que ele queria era voltar a sua terra, tocar valsas em seu violão, beber um trago com os amigos e ouvir conversa fiada nas bodegas, como fazia antigamente.

Era um vitorioso, ganhar o mundo era ganhar desenvoltura, capacidade. De um simples pedreiro, Gonçalo passou a mestre de obra. Mas ainda era pouco para aquele que fora um menino sonhador. Era hora de voltar e abraçar sua terra e ser abraçado por ela.

E voltou ao velho e tão sonhado ninho. Casou, teve filhos, e governou Ipueiras durante seis anos, onde deixou seu nome escrito nas páginas da história ipueirense: Gonçalo Erasmo de Medeiros, foi prefeito de Ipueiras.

segunda-feira, 24 de setembro de 2007

Estação do Amor


ESTAÇÃO DO AMOR


Se a primavera não trouxe
As flores que tanto querias,
Não desista dos teus sonhos,
Há primaveras sombrias.

Se plantaste tantos beijos
E só colheste saudades,
No chão cultivado
Faltou luz, fertilidade.

Por isso pega a enxada
E vai trabalhar outro chão.
Há flores esplendorosas,
Nascendo em pleno verão.

Não há tempo propício
P'ra se colher rosa, flor...
É só plantar com carinho,
Na estação do amor.

Sempre vivas as paixões,
Sempre hão de florescer.
Em terra bem adubada.
Não existe o fenecer.

quarta-feira, 19 de setembro de 2007

Aniversário da ABLC

Foto: Madrinha Mena, Dalinha Catunda e Gonçalo Ferreira da Silva

Aniversário da ABLC

Nesse 17 de setembro de 2007, a Academia Brasileira de Literatura de Cordel completou 19 anos de existência. Existência essa que se deve principalmente a grande dedicação do seu presidente Gonçalo Ferreira da Silva e da não menos dedicada, Maria do Livramento da Silva ou seja: A Madrinha Mena que junto a Gonçalo formam a base firme dessa estrutura cultural.

A reunião transcorreu num clima animado, onde diversos poetas apresentaram seus cordéis sob os aplausos dos presentes.
Eu, Dalinha Catunda fui a primeira convidada. Em homenagem aos nordestinos que ali se encontravam falei sobre migrantes e declamei um poema com esse tema.

Em seguida Sepalo Campelo fez uma merecida homenagem, ao já falecido, Francisco Silva Nobre que escreveu e publicou mais de cem livros, era um cearense de Morada Nova, grande incentivador da cultura em geral.

Marcus Lucena, cantor, cantador radialista, entre outras coisas, falou da Associação dos Amigos e Defensores da Feira Nordestina, criada recentemente com o intuito de devolver ao nordestino o espaço que hoje se encontra totalmente descaracterizado servindo a outras causas. A peleja é pela volta do espaço real dos nordestinos, onde o cordel e a cultural retomem o lugar merecido.

Não é possível falar de tudo e de todos porém ressalto a apresentação de Manoel Santa Maria que lá esteve com sua namorada Cátia. Um Mineiro de nascimento com uma alma tipicamente nordestina.

Destaco também a presença do cordelista do Rio Grande do Norte Izaías Gomes de Assis que arrancou aplausos da platéia e nos ofertou seus cordéis.

Entre os presentes a participação de Sergival oriundo de Aracaju que nos presenteou com um interessante trabalho cantado e batido na palma da mão.

Não poderia deixar de falar da figura sempre alegre do Campinense, do apoio da Maria do Rosário, sempre pedindo pela ABLC. Do bonito depoimento do Sr. Cavalcante. E das presenças indispensáveis de Dr William J. G. Pinto e Ivamberto.

Isso é mais ou menos um resumo do que fora a plenária em homenagem aos 19 anos de ABLC. Parabéns ao presidente Gonçalo e a Madrinha Mena por essa dedicação a cultura nordestina.



terça-feira, 18 de setembro de 2007

O Rádio e Tony Aragão

O Rádio e Tony Aragão

Tony Aragão já passou por quase todas as rádios que passaram por Ipueiras, e não poderia ser diferente. Seu carisma, seu talento, seu jeito singular de apresentar um programa fazem dele figura indispensável nas rádios da cidade.

Atualmente, pertence ao quadro da assessoria de imprensa da prefeitura de Ipueiras, cobrindo eventos oficiais e participando do programa canal livre, na rádio Macambira , um programa de utilidade publica.

Na rádio Macambira, além de apresentar jornal, esportes, teve uma gama de programas nos mais variados horários. Entre eles: Voz e Violão, Bom dia Amizade, Tarde Jovem, Baião-de-dois e Ipueiras e Nossa Gente.

“O Ipueiras e Nossa Gente”, foi um programa idealizado por mim e Tony Aragão. A proposta era prestigiar os valores da nossa terra. Durante um ano participei via telefone, através de gravações e muitas vezes ao vivo. Foi um programa de sucesso. Tive um grande prazer em participar dessa empreitada com esse talentoso radialista.

Artista de talento comprovado. Dono de uma voz belíssima, Tony Aragão já cantou, em aniversários, casamentos, participou de conjuntos musicais, e ainda hoje além de cantar em eventos, é um seresteiro de mão cheia e um violonista de primeira, em plena atividade.

Atualmente Tony Aragão é contratado da FOX FM, rádio moderna que veio para fazer escola em Ipueiras e agregar os ipueirenses que vivem nesse mundão de meu Deus. Totalmente digitalizada nos oferece a oportunidade de uma tão sonhada linha direta com a terrinha. Basta acessar: http://www.voxfm.com.br/portalvox/index2.php e correr para o abraço.

Rádio café é o programa matutino apresentado por esse radialista ipueirense, começa as cinco da manhã e segue até as sete. Entre musicas sertanejas, forrós, serestas e outros ritmos, a cultura é prestigiada em forma de, lendas, causos e homenagens aos mais variados expoentes de nossa musica popular.

Enfim falar de Tony Aragão é falar de minha própria história, pois alem de ser sua irmã, muitas vezes trabalhamos juntos em prol da cultura de Ipueiras.


segunda-feira, 10 de setembro de 2007

A passagem do Rei em Ipueiras

Foto:http://forrodicumforca.weblogger.terra.com.br/img/lg.gif
A Passagem do Rei em Ipueiras

Era um dia de domingo, dia de trem vindo de Fortaleza para Crateús. A estação como de costume estava repleta de ipueirenses que antigamente tinham como lazer apreciar a passagem do trem.

Nesse dia o trem atrasara, para a felicidade e sorte dos ipueirenses que testemunharam a passagem de um Rei em nossa cidade.
E foi naquele dezenove de junho de 1966, que enquanto todos esperavam o trem, apontava na estrada que vem do Ipu, causando grande admiração, uma Rural Wills, coisa rara no interior.
Para surpresa dos que ali se encontravam desce da rural o já famoso Luis Gonzaga, nosso eterno Rei do Baião e seus tocadores.
Demonstrando fome, encosta na Banca de Dona Maria Capoeira e pede para que ela lhe prepare bastante orelha de porco, apelidando assim, um saboroso bolo de milho vendido pela cafezeira.

Depois da fome saciada em meio aos curiosos que se acotovelavam para vê-lo, puxou o dinheiro para pagar a conta, mas Zequinha Bento, que o reconhecera, já havia pagado a despesa. E pediu para o rei cantasse um pouco pois era seu fã.

A resposta do velho lua, foi que só cantaria se ele vendesse dez livretos, com o título de: “O Sanfoneiro do Riacho da Brígida” escrito pelo jornalista, Sinval Sá, contando a vida do famoso ícone nordestino.
Bento conseguiu vender somente cinco, mas o rei não se fez de rogado.
Subiu com seus companheiros num banco de madeira que havia na estação, arrastou a sanfona velha e cantou para delírio daquela platéia feliz, preciosidades de seu repertório como: O Xote Das Meninas, Asa Branca, A Volta Da Asa Branca e Ô Veio Macho.

Antes de cantar o Gonzagão observou a platéia e se dirigiu a um dos componentes do conjunto em voz alta:---Toím, Tu já reparou que aqui de “nego” só eu e tu?

Infelizmente não presenciei esse importante acontecimento que ficou marcado em nossa história, apenas ouvi mais de uma vez os relatos de meu avô Gonçalo Ximenes Aragão que era chefe da estação ferroviária de Ipueiras, a famosa RVC que os gaiatos traduziam como:Rapariga Velha Cansada.

Além do meu avô, credito retalhos desse episódio a Tadeu fontenele e Zequinha Bento personagens da mesma história.







domingo, 2 de setembro de 2007

A Donzela Que Virou Índia

A Donzela que Virou Índia

Contam que certa vez
Pras bandas do Ararendá
Um índio roubou Tereza
Pra com ela se casar.
A família ficou louca,
Acho que dormiu de toca,
Pra donzela se mandar.

De família conceituada
De um clã de tradição
Era a mocinha raptada,
Da família dos Mourões,
Dizem que na verdade,
Ela se foi por vontade
Seguindo seu coração

A família desesperada
Procurava pela donzela,
Polícia e até cachorro,
Colocaram atrás dela.
Era tanta a tristeza,
E por causa da Tereza,
Acenderam até vela.

Pele branca olhos azuis
Tinha a donzela bonita
Tinha o cabelo loirinho
Usava até laço de fita
Pelo índio apaixonada
Meteu o pé na estrada
Deixando família aflita

Passou dia passou noite,
Passou mês e passou ano,
Tantas luas se passaram,
Então veio o desengano.
Ele comeu a donzela,
Cozida numa panela,
O povo estava falando.

Mas tudo isso era lenda,
Ele antropófago não era
Foi numa rede de tucum,
Que ele traçou a donzela,
E todo ano era uma cria,
Que a ex-donzela paria
Sem ligar pra esparrela.

Aquela cultura indígena,
A branca tomou para si.
Adorava o Deus Tupã
Sua lua agora era Jaci.
Com as roupas da cidade,
Foi perdendo a vaidade,
E passou a se despir.

Sobe rio, desce rio,
Assim vivia Tereza
Agarrada ao jacumã,
Curtia a natureza
Eram tantas alegrias,
Que ela contente sorria,
Diante de tanta beleza.

O Conforto que ela tinha,
Em sua cidade deixou
cama,chuveiro e penico,
não fez falta, não senhor.
As noites enluaradas,
De estrelas salpicadas,
Compensava o que ficou

Depois de muito tempo,
Um dia à tardezinha,
Vestida de índia guerreira
Apareceu Terezinha
Dizendo que tinha casado,
E tinha ali do seu lado,
Um monte de indiazinha.

Com uma flecha no ombro,
Na cabeça um cocar,
Assim desfilava a branca,
com penacho e colar,
Nem mesmo Iracema,
Usava tantas penas
para o corpo adornar.

Agora morava na mata,
Numa aldeia, numa oca,
Da jurema o segredo sabia
Entrava na mandioca.
E tudo que ela queria,
Era viver com alegria,
Em cima de uma piroga.

terça-feira, 28 de agosto de 2007

A Rosa Vermelha da América


A Rosa Vermelha da América

América é um pequeno povoado cravado no alto da serra grande, a famosa serra dos cocos.
Como todo lugarejo serrano se destaca pela sua paisagem bucólica. Um clima de fresco para frio, o céu é um típico azul anil, salpicado de alvas nuvens e um verde em todos os tons reveste feito uma esplendida pintura a natureza serrana espalhando esperança por toda serrania.

Conhecida pela Lenda de Santa Feliciana, e por sua tradicional feira, onde o forte é a compra, troca e venda de animais, foi também, palco de uma linda história de amor.

Foi num sábado ensolarado que o lugarejo amanhecera tomado por um bando de ciganos que se dirigiam até aquele local com o intuito de fazer boas trocas e grandes negócios.

Num minuto o bando montou sua tenda. Aquela espécie de circo colorido chamava a atenção de todos os habitantes da América. Depois da barraca montada e devidamente instalada, buscaram o rumo da feira.


Em pouco tempo a cidade ganhava nova paisagem. Ciganas com suas roupas multicores, davam um novo colorido aquela região, tingindo o ambiente com cores fortes e vivas. Com muita desenvoltura abordavam os serranos fazendo profecias na leitura de mãos. Belos ciganos montados em seus cavalos encantavam as mocinhas sonhadoras que se animavam com tanta movimentação.

Enquanto as ciganas circulavam lendo mãos, os velhos e espertos ciganos munidos de farta experiência faziam suas trocas na feira. O cigano Ribamar, um belo moreno de olhos verdes montado em seu enfeitado jumento parava na barraquinha de Rosa.

--- Bota uma Serrana aí !
Rosa estava de costas, quando se voltou, já trazia a dose de cachaça na mão. Seu ouvido apurado lhe confirmava que aquela voz cantada era de um estranho.
Quando os dois entreolharam-se, uma forte magia os contagiou, estavam embevecidos um com o outro. A magia por um momento os tirara do ar.
De um só gole o cigano tomou a pinga, e Rosa que rubra ficara com aquele olhar penetrante, voltava a normalidade.

Ali nascia um típico caso de paixão a primeira vista. Rosa que era desimpedida iniciava com Ribamar, a contra gosto de sua família, uma linda história de amor.

A fama dos ciganos, aquela vida nômade, e os comentários no pequeno lugar, tudo isso foi motivo para que os pais de Rosa a trancassem a sete chaves proibindo o belo romance.

Nem Rosa nem o cigano Ribamar se conformavam com aquela proibição, e assim sendo deram um jeito de trocar recados e bilhetes. Mas tudo isso por pouco tempo, pois no sábado seguinte os ciganos levantariam acampamento.

Ribamar não poderia deixar o bando, mas não queria deixar o seu amor e foi nesse emaranhado de pensamentos que ele resolveu que roubaria a Rosa da América.
Comprou, um lindo vestido vermelho, pulseiras e tiaras com medalhas dependuradas e uma rosa também vermelha para que sua amada , fantasiada de cigana fosse confundida com as outras ciganas do bando.

Rosa lamentava deixar seus pais, mas não suportaria viver sem o seu grande e único amor.
Concordou com a proposta de Ribamar, e enquanto seus pais trabalhavam na barraca, ela vestida de cigana subia da garupa do Giron , Jumento montado por Ribamar, e mais tarde foram acompanhados pelo bando que comovido com a paixão dos jovens deu-lhes total apoio.

A América inteira sofreu com a fuga de sua Rosa. Os pais saudosos choravam por sua filha, e Rosa também não esquecera os seus entes queridos.

Depois de um ano, num sábado de sol, dia de feira, ao longe se via um bando de ciganos, a exemplo de outros tempos invadindo o lugarejo.

Na frente dois jumentos: um montado por Ribamar com uma criança no colo. No outro Rosa, vestida de vermelho, com uma rosa nos cabelos, e na mão uma bandeira branca pedindo paz.

Rosa era chamada pelos ciganos, Rosa vermelha da América, todos no bando gostavam dela. Dessa união nascera uma linda menina a qual deram o nome de Verbena.

Rosa foi recebida com festa por todos, e perdoada por seus pais. O bando resolveu libertar Ribamar das leis ciganas para que ele enfim, pudesse ter uma vida mais sossegada e feliz ao lado da esposa que tanto se sacrificara por ele.

Contam que, desse tempo para cá, as mocinhas da América quando querem conquistar suas paixões, colocam uma rosa vermelha nos cabelos, vestem um vestido tão vermelho quanto a rosa aparecendo assim, na frente do seu pretendente que ao encontrá-la nunca mais largará do seu pé. Dizem até que, já criaram um grupo folclórico que leva o nome de: "Rosa Vermelha da América."







segunda-feira, 27 de agosto de 2007

LANGOR

Dalinha Catunda

LANGOR

Uma aura de melancolia,
sombreava seu semblante.
Seus olhos olhavam e não viam,
perdiam-se no horizonte.

Quanta tristeza contida,
naquele rosto moreno.
Sua face se orvalhava,
feito uma rosa ao sereno.

Que inferno lhe consome?
Que dores lhe afligem o peito?
Parece dor de amor,que fina,
e não tem mais jeito.

Talvez ela ainda não saiba,
que não se morre de amor.
Mais um pouco, cessa o choro.
E vai-se embora o langor.

domingo, 19 de agosto de 2007

A Lenda da Cobra Grande


Ilustração de: Fernando Brito
A Lenda Da Cobra Grande


Contam que há muito tempo atrás, entre Ipu e Ipueiras, vivia uma velha senhora, possuidora de muitos bens e dona de grande maldade.Todos afirmavam que ela era muito ruim com os empregados, uma verdadeira cobra.

Certo dia ela caiu doente. Idade avançada e o tempo que não perdoa, entrevara a velha numa cama. Por um bom tempo ela ficou nesse morre-não-morre.
Filhos, netos, noras todos cobriam a velha senhora de atenção, até porque, sabiam que seu fim se aproximava.

Uma noite quando todos já haviam se recolhido, ouviu-se um grito, era um dos Netos que tivera uma espécie de pesadelo. No sonho sua avó aparecia aos gritos entre chamas sendo queimada numa grande fogueira.
Na manhã seguinte o rapazinho foi até a avó e pediu que ela se arrependesse de seus pecados, ela, mesmo a beira da morte falou para o Neto: __ deixe de besteira!!!.

Em pouco tempo a velha morreu, sem ao menos receber a extrema unção.
Depois de certo tempo, esse mesmo Neto saíra para caçar. Ouviu um barulho e bem rápido apontou a espingarda para atirar. Na sua mira uma cobra, quando quis apertar o gatilho, ouviu uma voz:da minha rama murcha ninguém puxa. Reconheceu naquela voz, a voz de sua avó, e teve certeza que a voz saíra daquela cobra que de cabeça erguida o observava atentamente.

A partir deste dia, ele passou a voltar ao mesmo lugar e trazer carne para a cobra. Um dia um quilo, outro dia dois, três, e ela não mais se satisfazia com o que ele trazia para sua alimentação. Aí, ele passou a trazer cabrito, bezerro e ela comendo e crescendo. Cresceu tanto, cresceu tanto, que apavorava a todos nas redondezas.
O pior é que matar, não podia, conforme a lenda, só uma coisa acabaria com a raça daquela cobra. O lodo do mar. E como fazer para levá-la até o mar? Resolveram que fariam uma grande jaula, colocariam a serpente dentro e atrelariam a jaula ao trem que passava naquelas imediações para acabar de vez com aquele tormento.

E assim foi feito. Numa jaula enorme com porta na entrada e na saída, eles colocaram uma criança devidamente treinada para atrair a cobra. A criança entrou e a cobra faminta foi atrás. Assim que a criança atravessou a jaula e saiu, eles fecharam a porta, quando a cobra grande acabou de entrar eles fecharam a outra. Concluindo essa difícil parte da tarefa, a missão seguinte foi despachar a cobra grande rumo ao mar para que seu lodo se encarregasse de dar fim naquele ser monstruoso em forma de cobra gigante.
Dalinha Catunda
Ipueiras-Ce

terça-feira, 14 de agosto de 2007

ARRAIÁ DA JUVENTUDE

Foto na foto de Edmar Cordeiro da esquerda para direita:
Sandra Bomfim, Edilson Sales, Dalinha Catunda e Adauto Gonçalves
Arraiá da Juventude

Nesses quarenta dias que passei em Ipueiras, participei de vários eventos.
Fui praticamente intimada a comparecer como jurada numa festa de Quadrilhas organizada por Carlos Alberto Moreira de Araújo, ( O Carlão), Filho de dona Zuila e seu Juarez gente amiga do Corte Branco. O que me deixou muito feliz, pois é na simplicidade do interior que explode a criatividade.

Sem os aparatos das grandes quadrilhas, temáticas e patrocinadas, presenciei a animação, a alegria daqueles jovens que brincavam de pés no chão, vestidos de chita, lembrando as velhas quadrilhas onde brinquei no passado.

A fita, a chita, o colorido, o chapéu de palha, tomaram conta da noite animando a população da Floresta, Corte Branco, Arroz e outros lugarejos vizinhos que em grande número vieram prestigiar essa noite festiva.

O ambiente do Carlão é um lugar rústico, onde um pequeno bar se alonga num corredor coberto de palha, entre árvores espalhadas no terreiro. Foi lá que revivi o sabor das velhas fogueiras e a animação do passado. No comando das comidas típicas, Maria de Fátima, esposa de Carlão, não deixou a peteca cair.

O radialista, poeta popular e cantador, Edílson Sales comandou o cerimonial dando um toque cômico bem apropriado à ocasião. Além de realizar brincadeiras com as crianças presentes, fez um festival de dança entre os casais das quadrilhas e tocou fogo no terreiro ao anunciar os grupos de quadrilhas que eram apenas dois, mas contagiaram o ambiente.

Edmar Cordeiro dos Santos com sua maquina digital não perdeu um só lance da animada folia, enquanto Sandra Bonfim, sua esposa, ao meu lado e de Adauto Gonçalves Ribeiro formávamos o grupo de jurados.

Foi difícil avaliar qual o grupo melhor, mas o da casa acabou levando o troféu. Os dois eram denominadas “Arraia da Juventude”. O que diferenciava é que: uma era do Corte Branco, outra de Santa Rosa. Na realidade as duas estavam no mesmo nível.

Foi bonito ver aquele chão batido, meninos e meninas de pé no chão, levantando poeira, espalhando alegria, mostrando sua garra e mais uma vez nos ensinando que nem sempre a alegria brota da riqueza. Riqueza maior e ver esses jovens exercitando sua cultura e engrandecendo o sertão sem perder sua identidade. Mesmo comendo poeira, voltei de alma lavada.

quinta-feira, 9 de agosto de 2007

Meu Pai Meu Guia


Foto: Espedito Catunda de Pinho

Meu Pai, Meu Guia

De meu pai eu apanhava,
quase todo santo dia.
Era menina levada,
boas surras merecia.
Mesmo assim eu adorava,
àquele que me batia.

Se apanhei, fiz por onde.
Entendo a situação.
Por isto trago com gosto,
meu pai em meu coração.
O objetivo das surras,
era apenas a correção.

''Quem não faz filho chorar,
mais tarde chora por ele''.
Assim reza o ditado,
e os antigos criam nele.
As surras, carões e castigos,
eram apenas excesso de zelo.

Das sovas, não tenho saudades.
Mas, ainda mereço sermão,
quem dera ser sempre guiada,
por sua voz e sua mão.
Continuo sua menina.
Faz falta sua proteção

terça-feira, 7 de agosto de 2007

A Pipa do Pepeu

Foto: João Pedro, o Pepeu

A Pipa do Pepeu

João Pedro, é um garotinho muito esperto para sua idade. É um pedacinho de gente, de olhos e cabelos escuros, carinha de levado, não deve ter mais do que cinco anos, é conhecido como Pepeu.
Criado no interior com toda liberdade que um lugarejo onde todos se conhecem proporciona, ele vive feliz e solto curtindo sua infância.

Safira de Maraporã , esse lugarejo de nome belíssimo, que fica no estado do Rio de Janeiro, é o reino encantado de Pepeu. Lá ele anda a cavalo, anda de bicicleta, gosta de comer churrasquinho, adora brincar no pula-pula, corre pelas ruas e becos, e é apaixonada por Lili.Sendo que, Lili, é uma amiga de seus pais e tem idade para ser mãe de Pepeu. Muitas vezes ao ser embalado, adormece nos braços de sua paixão.

Certo dia, Pepeu cismou que queria uma pipa. Vendo a meninada maior,correndo pra lá e pra cá arrastando suas linhas e latas, passando cerol, não sossegou enquanto o pai não providenciou o objeto de seu desejo.

Pipa pronta, linha enrolada na lata de refrigerante para facilitar o desenrolar da brincadeira, lá vai Pepeu, com sua pipa colorida, alegre a correr. Sobe rua, desce rua, vento a favor e a pipa no alto fazendo sua felicidade.

Mas, a alegria de Pepeu durou pouco... de repente, um redemoinho afunilou em cima da pipa do garoto e a latinha escapuliu de suas mãos, a pipa começou a voar, voar, como se fosse um balão. Voou com lata e tudo, até perder-se no céu ante o olhar admirado e incrédulo de Pepeu, que só deixou de olhar para o infinito quando a pipa desapareceu por completo.

Para quem pensa que Pepeu, foi chorar e ficar triste com o sumiço de sua pipa. Ledo engano . Ele adora contar para todos a história de sua pipa especial que voou com lata e tudo.

E foi assim. Que Pepeu perdeu sua pipa e ganhou uma história: “A Pipa do Pepeu”

domingo, 5 de agosto de 2007

Consagração do pé-de-serra

Na foto de Kennedy Mota da esquerda para direita aparecem: "Corrinha" do Guarani, Mimozinha, Zeca Frosino, Dalinha e Cesar Lourindo.
A consagração do pé-de-serra

Ipueiras viveu no dia sete se julho de 2007 a maior festa popular organizada por Zeca Frosino em todos os tempos. A quadra do Corte Branco foi palco deste espetáculo que certamente ficará na história.
Há 52 anos realizando forró, nem mesmo Zeca, imaginou, que o Chitão de 2007 superasse todas as expectativas, deixando no chinelo, outras festas de maior porte, com bandas do momento em lugares mais chiques.
O forró do Corte Branco tem uma legião de fiéis seguidores que acompanham Zeca nessa alegre caminhada. Mas, o que se viu nessa última festa foi a invasão da sociedade Ipueirense que em grande numero prestigiou esse forró de matuto, que prima pela tradição e a simplicidade dos que habitam o interior.
Os Sanfoneiros de renome: Bento Raimundo e Edílson Vieira, oriundos de Crateús, se revezaram tocando pé-de-serra, consagrando de vez esse tipo de forró animando e arrastando o povão para o meio do salão. A festa começou as 20:00 hrs e terminou com o sol, sob protesto dos mais exaltados. E como não poderia deixar de ser com o discurso de despedida de Zeca que já anunciava para 05 de julho o chitão seguinte.
No forró, feliz e animada, Mimozinha do Simão, acompanhada por César Laurindo e “Corrinha” do Guarani, realizava o sonho de ir ao forró e dançar com Zeca Frosino. Ilca do seu Camaral, freqüentadora, se divertia junto com Madú e dr Enéas. Silvia Catunda animava a mesa onde Aparecida, Bateia e Dorisnei bebericavam.
Antônio Eliseu exímio dançador, Raimundo Nelson figura Marcante, Manoel Aprígio freqüentador das antigas, todos marcaram presença enriquecendo o evento. Também presentes: Ronaldo Costa e esposa, Chico Coité e esposa sendo esse último também organizador de forrós.
A cozinha de dona Maria com churrasco, paçoca, caldo de carne moída, creme de galinha, café, bolo, esvaziou foi cedo. O bar? Nem se fala!! Sobrou festa e faltou comida e bebida. Se tivesse mais uma quadra do mesmo tamanho da quadra existente, ela ficaria lotada do povo que ficou do lado de fora.
Eu fico feliz por ter presenciado, a consagração do forró-pé-de-serra, mais uma vez a confraternização do povo do interior com as gentes da cidade, a tradição encarando o modismo e definitivamente fincando pé em nossa terra.

quarta-feira, 13 de junho de 2007

Festas de São João

Foto: Carlos Moreira, Dalinha Catunda e Zeca Frausino
Festas de São João

Com é gostoso se ver
No sertão das Ipueiras,
O sorriso das meninas,
Remexendo as cadeiras,
O forró correndo solto,
No faiscar das fogueiras.

É milho, é pamonha,
Caldo quente e canjica,
Rapaz tomando chegada,
Atrás de moça bonita.
Muita trança, muito laço,
No colorido das fitas.

O gritador toma fôlego
P’ra gritar sua quadrilha,
Pares dançam animados,
Sob aplausos da família,
É o são João do Nordeste
Sinônimo de maravilha.

Um grita: olha a chuva!
Outro: agora é o trancelim
Um rapazinho galante,
Acena e pisca p’ra mim.
E eu fico feliz da vida,
Vendo meu sertão assim.

É fogueira, é folia,
É forró e animação
Menino soltando traque
Rapaz soltando rojão,
É a cultura nordestina
Incendiando o sertão.