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quarta-feira, 31 de dezembro de 2008

ANO QUE ENTRA



ANO QUE ENTRA

Esse ano não me pergunte “com que roupa eu vou?”.
Não obedecerei as cores sugeridas, não farei simpatias visando um ano melhor.
Iemanjá que me perdoe, mas, flores não levarei. O banho de mar da sexta feira, sem medo esquecerei. Me entregarei ao acaso e nele apostarei.

Não quero entrar o ano, devedora de promessas que nunca cumprirei. Vou deixar a vida me guiar e nela navegarei. Quero entrar de peito aberto, pisando firme no chão, acatando o que me reserva os novos tempos que virão.

Se vier dor chorarei e com o pranto lavarei minha alma. Se vier alegrias sorrirei, gargalharei animada. Provarei com a mesma nobreza do mel e do fel, a mim destinado.

Eu quero as surpresas da vida, não castelos desenhados, que qualquer vento desfaz. Não quero a esperança que não morre, mas certamente caduca entristecendo nossas almas.

Não quero viver com o olhar perdido em sonhos que não se realizam jamais, quero viver realidades que pareçam sonhos vividos e muito mais satisfaz

Na verdade não vislumbrarei o famoso Ano Novo, viverei o Ano Que Entra continuação do passado com suas alegrias suas tristezas e intensamente vivido, jamais imaginado.

MEUS AMIGOS,
UM FELIZ ANO NOVO, COM MUITA SAÚDE, MUITA PAZ E MUITA LUZ.
ESTOU REPETINDO O MEU TEXTO DO ANO PASSADO POIS CONTINUO ACREDITANDO NESTA MENSAGEM.

domingo, 28 de dezembro de 2008

O CANTO DA GUERREIRA


O CANTO DA GUERREIRA

Ipueiras dos cantos e recantos,
que canto em tom de saudade.
Do frouxo riso da infância.
Dos gozos da mocidade.
Da semente outrora plantada,
Fartura na maturidade.

Ipueiras da menina feliz,
que gostava de cirandar,
No gira-gira da vida.
Faceira a namorar,
no seu mundo de alegria,
gostava de se encantar.

Ipueiras das serenatas,
que corriam becos e ruas.
Dos jovens apaixonados,
cantando ao clarão da lua.
Da miragem feito mulher,
na janela seminua.

Cenário da inocência.
Caminhos da perdição.
Roteiro de uma vida,
transbordante de emoção,
uma guerreira, uma lenda,
teve Ipueiras em seu chão.

Na flor da maturidade,
carrega seu esplendor.
Menosprezando a hipocrisia,
ergue o estandarte do amor.
E beija em sinal de respeito,
a bandeira que hasteou.

Texto publicado originalmente no jornal O Povo, de Fortaleza.
Foto:cifrantiga.wordpress.com

quarta-feira, 24 de dezembro de 2008

FELIZ NATAL!!!!!!!!


Foto: acervo do blog
FELIZ NATAL!

Meus amigos do Brasil,
E também de Portugal,
Espero que todos vocês
Tenham um ótimo Natal.
Desejo saúde e felicidade,
Alegria e tranqüilidade,
Neste momento divinal.

Que nascimento de Jesus,
Seja a grande celebração.
Que abraço seja sincero
Em cada confraternização.
Que um futuro sem cruz,
Repleto de paz e de luz,
Embale os dias que virão.

segunda-feira, 22 de dezembro de 2008

NATAL COM JESUS



NATAL COM JESUS

A cidade está bonita,
Com rica decoração.
Nos shoppings lotados,
Trafega a população.
Tudo parece encantado,
Cenários bem montados
Causam admiração.

Árvores super coloridas,
Piscando alternadamente.
A procura de loja em loja,
Pelo acertado presente,
E a febre típica natalina,
Contagiando as gentes.

Um Papai Noel contratado,
Representa bem seu papel.
Com crianças tira fotos,
Ao som do jingle Bells
E eu aqui fico procurando,
Insistente acabo achando,
Meu pai maior lá do céu.

No meio de um rico presépio,
Encontro o menino Jesus.
O mesmo que pelo seu povo,
Certo dia morreu na cruz.
Humilde, entre seus pais,
Em volta, Magos e animais,
Vejo o criador com sua luz.

Sai dali bem satisfeita,
E de verdade contente,
Por ver que ali estava
Nosso divino presente.
Com seus olhos sereno
Avistei Jesus Nazareno
Nosso Deus onipotente.

Não esqueçamos jamais,
Que grande comemoração,
O Nascimento de Cristo,
É a verdadeira celebração.
Que tenha presentes, bebidas,
Músicas e fartas comidas,
Mas que, Jesus, não falte, não.

Foto:518 x 389 - 145k - www.wdtprs.com/.../JTZ/st_agnes_presepio_sm.JPG

terça-feira, 9 de dezembro de 2008

PARABÉNS PARA TEREZA MOURÃO!


Foto do acervo de Tereza Mourão
ANIVERSARIANTE DO DIA

Dia 12 de dezembro,
É dia de parabéns.
Faz anos nesse dia
Uma pessoa do bem.

É ótima companheira,
E boa amiga também.
Quem tem sua amizade
Sorte boa sabe que tem.

Loura de alhos azuis
Bem real é sua beleza,
Numa alma iluminada
Traz sua maior riqueza.

Saúde, paz e felicidade,
Desejo a Tereza Mourão.
A aniversariante do dia
Minha amiga do coração.

segunda-feira, 8 de dezembro de 2008

UMA ÁRVORE DE NATAL PARA MARIA


images.paraorkut.com/img/pics/glitters/a/arvo...
Conto de Natal publicado no jornal O Povo de Fortaleza

UMA ÁRVORE DE NATAL PARA MARIA

Maria era uma pobre menina que vivia no interior.
Seu cenário era completamente diferente do ambiente das meninas de sua idade que moravam na cidade.

Até bem pouco tempo, as pessoas que moravam no interior, iam à cidade por dois motivos apenas: A feira aos sábados e a missa aos domingos.

E foi num domingo desses que Maria já crescidinha acompanhou, pela primeira vez, sua mãe, para assistir a missa dominical.

O dia de Natal se aproximava e as casas da pequena cidade escancaravam portas e janelas no intuito de exibirem suas árvores de Natal.

A pequena Maria que volteava pela cidade agarrada a mão de sua mãe, ficou maravilhada com as coloridas árvores que via a cada porta e janela que seu olhar espichado alcançava.

Em casa, o resto do dia a menina não falava em outra coisa. E queria que a necessitada mãe a qualquer custo montasse uma árvore de natal para ela. A mãe por mais que desejasse, não tinha condições financeiras para satisfazer as vontades da filha.

O Natal se aproximava, e Maria cada dia ficava mais triste, não queria comer, dormia mal e não tirava a árvore da cabeça. A mãe preocupada já estava pensando em levar sua filha ao médico.

Faltavam dois dias para o Natal, e para surpresa de todos Maria acordou feliz, tomou café e falou cheia de felicidade que iria ganhar uma árvore na noite de natal.

A mãe preocupada colocou a mão na testa da menina achando que ela poderia estar com febre e por esse motivo delirava.

Maria com palavras firmes falou para a família:- Ontem eu sonhei com um anjo que saia do meio das nuvens e me dizia:
-Dorme pequena Maria,
Que a mãe do menino Jesus
Vai te ofertar uma árvore
Repleta de cores e de luz.

Véspera de natal Maria entrava e saia e se impacientava por não ter a árvore prometida. A família aflita tentava consolar a criança. De repente diante dos olhos maravilhados da pequena Maria a promessa do anjo começava a ganhar forma.

Ouviu-se o canto do Galo repetidas vezes. Uma estrela brilhou forte no céu e feito uma estrela cadente se postou no mais alto galho de um pé de mandacaru que tinha na porta de entrada da casa de Maria. O pé de mandacaru que andava ressequido, como se por milagre ou encanto, apareceu cheio de frutos vermelhos como se fossem bolas de natal. Em suas flores desabrochadas beija-flores pairavam num movimento gracioso. Pequenas corujas se instalaram estrategicamente iluminando a árvore que começava a tomar jeito de árvore de Natal. Uma variedade infinita de pássaros saltava de galho em galho. E para completar o espetáculo. Correntes e mais correntes de vaga-lumes, num pisca-pisca natural, envolviam a mais bela, a mais deslumbrante Árvore Natural de Natal que já se viu na face da terra.

A estrela que brilhou no céu e se postou no alto da árvore, foi responsável pelo enxame de pessoas que, seguindo aquele clarão, presenciaram o mais belo espetáculo de suas vidas. A Árvore de Natal de Maria.

quarta-feira, 3 de dezembro de 2008

A LAPINHA


Imagem:ww1.rtp.pt/.../articles/315885/presepio.jpg

A Lapinha

No canto da matriz,
De minha terra tinha,
Um singelo cenário,
Era a famosa lapinha.

Entre José e Maria
Nos antigos rituais
O menino Jesus eu vi
Cercado por animais

Ali os três reis magos
Em pose de adoração
Prestigiavam Jesus
Ajoelhados no chão.

O meu olhar de criança
Viveu encanto sem igual,
Adorando o Deus menino
Em minha terra Natal.

segunda-feira, 1 de dezembro de 2008

CALAMIDADE


Foto:aaapip.wordpress.com

Foto:brasilescola.com
Cordel publicado no jornal O povo de Fortaleza

CALAMIDADE

O Brasil anda agoniado
Sofre sua população
No sul as águas fartas
Causam a inundação
O povo sofrido chora
Com tanta destruição.

Famílias desesperadas,
Perdem casa e plantação
Até gente levam as águas
Muito triste é a situação
E o desespero comove
Quem vê na televisão.

Pior é quem sente na pele
A revolta da natureza,
O lamaçal toma conta
Arrastando toda beleza
Desse sul tão majestoso
Que se acaba em tristeza.

É gado na água morrendo
Famílias inteiras soterradas.
Crianças tão indefesas
E mães desesperadas
E a própria Defesa Civil
Não pode fazer quase nada.

Quanta água destruindo
A vida de uma população,
Porém seriam bem-vindas
Se caíssem lá no sertão
Do Nordeste brasileiro,
Onde mora a sequidão.

Os açudes estão secando,
O povo já começa a rezar
O fogo consome os pastos,
E a água não cai por lá.
É o gado e pasto secando,
Da vontade de chorar.

O sol não faz feriado,
O mato inteiro secou,
A caatinga ficou branca,
Outra parte amarelou
O povo pede clemência,
E reza pra Nosso Senhor.

Eu não consigo entender,
Me dói essa contradição.
O sul morrendo afogado,
De sede morre o sertão,
E diante dos meus olhos,
Não vejo uma solução.

E se a natureza cobra,
Com juros a destruição.
Vamos ser conscientes
Tratar melhor nosso chão.
Porque a lei do retorno,
Não tem piedade não.

quarta-feira, 26 de novembro de 2008

FESTA DE NOSSA SENHORA DA CONCEIÇÃO EM IPUEIRAS



FESTA DE NOSSA SENHORA DA CONCEIÇÃO EM IPUEIRAS

A festa da padroeira se aproxima e em Ipueiras, já é grande o movimento em torno dos festejos que desde sempre envolveu com paixão o povo ipueirense, que em sua grande maioria é católico.

As barracas das quermesses já começaram a ser montadas, as rádios locais já divulgam em seus jornais a programação da festa que trás como tema: “QUEREMOS COM MARIA DEFENDER A VIDA, A PARTIR DOS EXCLUÍDOS, EM NOSSO SEMI-ÁRIDO”

A festa terá seu início no dia 28 de novembro com uma carreata levando a imagem de Nossa Senhora, saindo do Bairro das Carnaúbas. Os festejos se estenderão até o dia 08 de dezembro dia dedicado a nossa Senhora da Conceição, padroeira de Ipueiras. Uma grande procissão luminosa marcará o encerramento da festa.

Senti o cheiro da festa, porém não pude ficar. Mas estou feliz em saber que as pessoas ainda oferecem suas prendas, os velhos leilões resistem bravamente às mudanças dos novos tempos. Bom verificar também que enquanto a política divide famílias e amigos, a igreja os abriga num mesmo teto.

Pesquisando no: http://www.uniafro.com.br/ns_conceicao.htm
sobre a história de Nossa Senhora da Conceição, que retirada das águas, transforma-se em Nossa Senhora Aparecida achei curioso e bem interessante este trecho histórico que repasso fechando minha crônica.

“A primeira imagem de Nossa Senhora da Conceição chegou ao Brasil em uma das naus de Pedro Álvares Cabral. José de Anchieta foi o apóstolo da doutrina da Imaculada Conceição no Brasil, que desde o início de sua colonização dedicou a este mistério inúmeras igrejas, inclusive 35 catedrais. Ela foi a protetora de nosso país no período colonial e foi proclamada Padroeira do Império Brasileiro por Dom Pedro I. Já no despontar do século XX, com o advento da República, o título cedeu lugar a Nossa Senhora Aparecida, que é uma antiga imagem da Imaculada Conceição encontrada nas águas do rio Paraíba do Sul.”

segunda-feira, 10 de novembro de 2008

SEU SOL E DONA LUA


SEU SOL E DONA LUA

Seu sol e dona lua,
Começaram a namorar
Depois de pouco tempo
Resolveram se casar.

Mas ficava bem difícil
Para os dois a situação.
Quando o sol se recolhia
Vinha a lua e seu clarão.

Ele lhe dava: boa noite!
E logo no céu sumia
No outro dia bem cedo
Ela lhe dava: bom-dia!

Assim por muito tempo,
Viveram nessa agonia
Enquanto um chegava,
O outro triste sumia.

Seu sol mui enamorado,
Por dona lua se derretia.
E ela tristonha chorava
Quando seu astro partia.

Dona lua foi minguando
Diante de tanta tristeza.
O toque de raios solares
Devolvia-lhe a beleza.

Júpiter sensibilizado
Com tal amor proibido
Criou um grande eclipse
E tudo ficou resolvido.

Toda vez que o céu escurece
Dá-se a verdade mais crua.
Seu sol cheio de amor
Vem cruzar com dona lua.

Depois de certo tempo,
Bela e cheia ela aparece.
E Seu Sol agradecido
Entre raios resplandece.
Imagem:4.bp.blogspot.com/.../s400/sol-e-lua.jpg

quinta-feira, 6 de novembro de 2008

QUATRO ANOS NO AR



Banner e fotografia, criação de Carlos Roberto Lemberg
http://www.crlemberg.com.br/

QUATRO ANOS NO AR

Dalinha Catunda

Recebi hoje um convite,
E nem penso em recusar.
Com Carlos Roberto Lemberg
Quero mesmo é comemorar,
Os quatro anos de site,
Que esse amigo tem no ar.

Confesso, sinto-me uma estrela,
Nesse universo a brilhar,
Num site que soube tão bem
Nosso Carlos Roberto criar.
E é ele o astro maior,
Que todo esse brilho nos dá.

Bom poeta e webmaster,
E avô coruja também
É um menino nas idéias
Sempre a nos fazer bem.
No www.crclemberg.com.br
Ele dá vez a quem valor tem.

Dia oito de novembro,
Marcado em meu coração
Gravarei esse aniversário
Com grande satisfação.
E espero por muitos anos,
Fazer parte desta constelação.

terça-feira, 4 de novembro de 2008

MAREIRO



Mareiro

Um cheiro de Mar me atiça
Entrando pela janela
A lua no céu desponta,
Dourada, tão cheia, tão bela.

A saudade se assanha,
Ao cheiro desse mareiro.
O pranto que não se acanha,
Encharca meu travesseiro.


Mareiro por que me atiças?
Por que me vens instigar?
Se sabes que longe dele,
Sou apenas sereia sem mar.

Imagem: ceara.com/postais/praiadofuturo.jpg

domingo, 2 de novembro de 2008

LEVANDO FUMO



LEVANDO FUMO
ELA DEU O TABACO E ELE LEVOU FUMO


Essa vida de bodegueiro,
Não é brincadeira não.
Na venda de fumo de rolo,
Foi a maior confusão.
E quem quase levou fumo,
Foi a mulher do patrão.

Um sujeito todo xistoso
Queria tabaco comprar.
A mulher do bodegueiro,
Que não sabia despachar.
Arrumou uma encrenca
Que depois vou lhes contar.

Primeiro eu vou contar,
A aventura de seu Zé.
Que queria comprar fumo,
Mas sabe como é que é,
Com bodegueiro invocado,
Quase levou ponta pé

Seu Zé chegou à bodega,
Querendo fumo comprar.
Espiou bem os bons rolos.
Chegando a se arrepiar
Diante de tanta fartura.
Bom fumo ele iria levar.

Perguntou ao bodegueiro,
Que atendia no balcão.
Quais os tipos de fumo
Qual a melhor sugestão
O bodegueiro prestimoso
Deu-lhe toda a atenção.

Esse aqui é um fumo bom
Acredite meu senhor.
O freguês cheirou o fumo
E em seguida espirrou.
Pediu outro mais forte.
Aquele não lhe agradou.

O atendente atencioso
Não tardou a lhe ofertar,
Um novo rolo de fumo
Para ele então apreciar,
Dessa vez além do espirro,
Ouviu-se um peido no ar.

Pensando que o espirro,
Conseguira o peido abafar
Pediu ao comerciante,
Um mais forte pra cheirar.
E o bodegueiro alterado
Rasgou o verbo a falar.

Meu amigo francamente,
É bem difícil lhe agradar,
No primeiro você espirrou,
No segundo chegou a peidar.
Se usar um fumo mais forte,
No recinto você vai cagar.

Por isso o senhor se retire,
Antes que eu faça besteira.
Estou aqui trabalhando,
E não sou de brincadeira.
Se quer mesmo levar fumo,
Conheço outras maneiras.

O comprador aperreado,
Foi tratando de se afastar
O bom fumo que ele queria,
Mas não consegui comprar,
De outro fumo diferente,
Não estava ali pra provar.


A mulher viu que marido,
Estava cheio de aflição.
De pressa tomou a frente,
Foi atender ao balcão
Mas novamente pintou
Sintomas de confusão.

Ela pouco experiente,
Ignorando mercadorias.
Escutou de um sujeito,
E achou que era putaria,
Uma pergunta inofensiva
Que o pobre diabo fazia

A senhora tem tabaco?
Perguntou o tal cidadão.
Tenho sim desaforado,
Mas não é pro teu bico não.
Tenha comigo respeito,
Ou então lhe enfio a mão.

Que cara mais safado,
Que sujeitinho atrevido,
Merece boas pauladas,
E tapas no pé do ouvido,
Ou mesmo virar defunto,
Por obra de meu marido.

O cabra arregalou os olhos,
Não entendendo a questão.
Quanto mais ele falava,
Mais vinha complicação.
Queria provar com o dedo,
E era ali mesmo no balcão!

Senhora não estou pedindo,
Eu quero mesmo é comprar.
Se for bem cheirosinho,
Pode até o dobro cobrar.
Que sou viciado em tabaco
E pago o que for pra cheirar

A mulher ficou vermelha,
Estava prestes a explodir.
Indignada com a proposta,
Que acabara de ouvir
A cara do sujeitinho,
Até pensou em partir.

O homem ficou passado,
Sem saber bem o que dizer.
A mulher bufava de raiva,
E ele sem nada entender.
Só por causa de um tabaco
Ela estava a se ofender.

A polícia foi chamada.
Veja só que confusão.
O marido e os filhos,
Bateram no cidadão.
Que queria a todo custo,
O tabaco em sua mão.

Quando a polícia chegou,
Botou ordem na bodega.
E o sujeito com razão,
A sua inocência alega.
E os insultos alegados
Com veemência ele nega.

O freguês ficou parado,
E a mulher falou: Qual é?
Minha senhora só queria,
Umas graminhas de rapé
Um pouquinho de torrado,
E depois eu dava no pé.

Foi então que a polícia,
Marido e filho deram fé,
Chegaram a conclusão,
Que o tabaco era rapé,
Torrado pra se cheirar,
E não bicho de mulher

Por isso meu amigo
Preste muita atenção
Na hora de comprar fumo
E querer tabaco na mão.
Pois acaba levando fumo.
Quem deles faz confusão.

Quando tudo se ajeitou,
E acabou a confusão.
Seu Zé saiu satisfeito
Levando o fumo na mão
E até saiu sorrindo
Com aquela arrumação.

A mulher do bodegueiro,
Depois de se acalmar.
Foi logo dando o tabaco.
Que o moço queria usar.
Daquela hora em diante,
Reinou a paz no lugar.

Se você quer levar fumo,
Ou um tabaco de primeira,
Meça bem suas palavras.
E não vá fazer besteira,
Pois fica sempre na mão,
Aquele que faz asneira.


Imagem retirada do blog:
culturanordestina

sexta-feira, 31 de outubro de 2008

A TELEVIZINHA, SEU MUNDICO E A LAGARTIXA



“A TELEVIZINHA,” SEU MUNDICO E A LAGARTIXA

Ipueiras além de abrigar seus filhos, sempre foi uma cidade bem hospitaleira recebendo com cordialidade os filhos de outras terras que por lá fixavam residência por algum motivo.

Durante certo tempo morou na pequena Ipueiras, seu Mundico, um senhor simpático, casado com dona Abigail, uma senhora gorda de sorriso largo.

Não sei de onde veio o simpático cidadão, mas sei que ele veio para ocupar uma vaga nos correios. O que fez por um bom tempo.

Ipueiras era um típico interior sem grandes distrações que se pudesse desfrutar no dia-a-dia. As conversas nas calçadas ainda predominavam. E era até muito bonito ver as calçadas cheias. Enquanto os adultos conversavam, a criançada corria alegre pelas calçadas. Eram as ditas “tardes fagueiras que tanto me encantavam no interior.

Quando seu Mundico chegou a Ipueiras lá pelo final dos anos sessenta, suponho eu, uma novidade tomava conta da cidade. A televisão! Não se falava em outra coisa.

Contava-se nos dedos a casa dos poucos privilegiados que possuía esse luxo, a novidade do momento! Com isso surgiu outra novidade: “A TELEVIZINHA.” Ou seja, ver televisão na casa da vizinha.

Como poucos tinham acesso à televisão, criou-se o hábito de assistir televisão na casa dos vizinhos mais abastados, que compreensivamente viam suas salas lotarem como se fossem salas de cinema, com pessoas que queriam usufruir do inusitado

A reunião era sempre no final da tarde. Adultos sentados em cadeiras e crianças sentadas no chão. E todos de olhos arregalados e ouvidos bem abertos. Muitas vezes, só víamos vultos e um chuvisco brilhoso, e todos ficavam felizes quando feito relâmpagos aparecia alguma imagem.

Pois bem, foi numa tarde dessas que seu Mundico e dona Abigail chegaram para a sessão da tarde na casa da Tia Odete. Todos estavam sentados, compenetrados, assistindo a programação vespertina.

De repente seu Mundico tira a alpargata de couro, põe o dedo fura bolo na boca, e baixinho diz:__não se mexam!!! E caminhando cuidadosamente, entre os espectadores vai até a parede e sapeca a alpargata em cima de uma lagartixa que se esfarela toda diante do riso da criançada, do olhar desolado da Tia Odete e da descoberta tardia do pobre Mundico que só veio saber, que o pequeno animal que ocupava inofensivamente a parede, nada mais era que um simples bibelô, uma peça de decoração que não resistindo às chineladas transformou-se em pequenos cacos esfarelando-se totalmente no chão.

Às vezes um espetáculo ao vivo e a cores tem muito mais graça do que o apresentado via televisão. Este eu gravei na memória.

Imagem:overmundo.com.br/.../1192563645_arteviva.jpg

quarta-feira, 29 de outubro de 2008

DIA NACIONAL DO LIVRO, 29 DE OUTUBRO


Foto: Acervo do blog

DIA NACIONAL DO LIVRO


Vinte e nove de outubro é o dia Nacional do Livro e sinto-me impelida a prestigiar os que se aventuram nesta estrada difícil de publicar livros e tentar mantê-los longe das prateleiras e bem mais perto do leitor.

Do meu amigo Bérgson Frota, recebi um dos livros de Marcos Frota, que já estou lendo, um livro bem interessante, tem uma linguagem fluente e um conteúdo a ser decifrado no desenrolar da leitura.
Marcos publicou dois livros: “O SENHOR DO TEMPO” o romance que já estou lendo.
“O BAR DO ULISSES” uma confraria de pescadores, um livro de contos, que está a caminho. Segundo o próprio Marcos, deverá publicar mais dois livros no ano vindouro.

Ainda de Bérgson Frota, recebi Três livretos escritos em rimas e quadras, de autoria de: Carlos Alberto da Silva, que pelo mundo de informações será uma ótima fonte de pesquisa.
O Diário do Taxista, Fortaleza Antigamente, volumes, um e dois.
Os livretos são todos rimados e repletos de gravuras ilustrativas que muito enriquecem os escritos.

De João Pessoa na Paraíba, recebi de Marcos França, escritor amante da cultura nordestina o livro: “PARA RIR DE CHORAR COM A CULTURA POPULAR.”
São mais de 300 páginas com o melhor do lado humorístico dos diversos ramos de nossa cultura popular. Acessando o blog: www.culturanordestina.blogspot.com você poderá a adquirir por um preço razoável um livro que prende do começo ao fim.

Eu quero agradecer ao meu amigo Bérgson Frota, e também ao Marcos França pelos livros enviados. Através da internet, poderemos ler o que imaginarmos, porém, nada se compara ao prazer de ter um livro nas mãos.

terça-feira, 28 de outubro de 2008

ANIVERSÁRIO DE TADEU E DALINHA



Hoje comemora-se o dia do funcionário publico. O dia de São Judas Tadeu e o aniversário de Tadeu e Dalinha. Amigos que conseguem manter desde de sempre essa bonita amizade. Tadeu, parabéns para nós nesse dia, pelo aniversário e por essa bonita amizade que soubemos cultivar ao longo da vida.

Tadeu e Dalinha

Esta história minha gente,
Em Ipueiras se deu.
É a história da Dalinha,
E seu amigo Tadeu.
Era final de outubro,
Quando tudo aconteceu,

Foi o ano cinqüenta e dois,
Um ano par com certeza.
Foi festa pra dona Ineizita,
Foi festa pra dona Neuza.
Duas crianças nasciam,
Catunda por natureza.

Em 28 de outubro,
Deu-se a confirmação.
Do nascimento de Tadeu,
E de Dalinha Aragão,
Com detalhes conto agora
Esse caso do meu sertão

Dona Neuza Chupou manga,
E logo e seguida pariu.
Dona Ineizita aconselhada,
Os mesmos passos seguiu.
No mesmo dia à noite,
Seu rebento então surgiu.

O sangue dos dois percorreu,
Desde o inicio a mesma estrada.
A tesoura de dona Ineizita,
A Neuza fora emprestada
E o umbigo das duas crianças
A mesma tesoura cortava.

Nascia um menino louro,
Nascia uma morena arretada.
Era um cravo e uma rosa,
De uma primavera esperada.
Na casa das duas vizinhas,
Era uma alegria danada.

O cheiro de alfazema,
Se espalhava pelo ar.
O licor era servido,
A quem vinha visitar,
O casal de criancinha,
Que acabara de chegar.

Seu Zeca se apressou,
Em registrar seu varão.
Mas não teve humildade,
Na hora da tal opção,
Escolheu dois nomes de santo,
Mostrando sua devoção.

Dona Neuza quando soube,
Tomou logo uma decisão,
Pediu que seu Espedito,
Resolvesse a situação,
Registrando do mesmo modo,
Seu ente ainda pagão.

__ Espedito, por favor,
registre esta inocente.
Dê a ela dois nomes santos,
Para eu ficar contente,
Se lá registraram assim,
Aqui não será diferente.

E foi assim nestes termos,
Que o registro se deu:
Ela, Maria de Lourdes.
Ele, Francisco Tadeu.
E uma amizade crescente,
Entre os dois floresceu.

Um romance entre os dois,
Teve um desfecho fatal.
Tadeu flagrou Dalinha,
Fazendo cocô no quintal,
Debaixo de um canteiro,
Deu-se o trágico final.

Nascidos no mesmo dia.
Nascidos na mesma rua.
Ela nasceu com o sol,
Ele nasceu com a lua.
E dizem que são até hoje,
Farinha da mesma cuia.

O que sei é que a amizade,
Dos dois é uma realidade.
São verdadeiros amigos,
E se curtem de verdade.
E sempre que se encontram,
É p’ra matar as saudades.

Imagem:bp0.blogger.com/.../de%2Bmaos%2Bdadas%5B1%5D.JPG

quinta-feira, 23 de outubro de 2008

IPUEIRAS, UMA PAIXÃO



IPUEIRAS tem como distritos:São José, Eng. João Tomé,Livramento, Gaséa, São José de Lontras, Balseiros, Nova Fátima, América, Matriz de São Gonçalo e Alazans.

Ipueiras, uma paixão

Sou nativa desta terra,
Dela não abro mão.
Quando enterrei meu umbigo,
Criei raiz neste chão.
Não troco por nada no mundo,
Meu pequenino rincão.

Cercada de morros e serras,
Sua paisagem é um primor.
Seria uma obra prima,
Se a retratasse um pintor,
Lá do alto onde se encontra,
Nosso Cristo Redentor.

Obra de Mestre Pedro Frutuoso,
Vê-se o arco triunfal.
Uma homenagem a virgem,
Peregrina de Portugal.
É a coroação de Fátima,
Uma festa sem igual.

Imponente lá no morro,
A imagem do Redentor.
Cristo de braços abertos,
Nosso eterno protetor.
A natureza abriga,
A arte de um escultor.

A igreja e sua torre,
Um sino a badalar.
Meninos jogando bola,
Na rua, no patamar.
São as fragrantes saudades,
Perfumando meu lembrar.

Uma ponte corta o rio,
Uma saudade corta o ar.
Sou uma cacimba cavada,
No leito do Jatobá.
A água que brota é o pranto,
Que choro distante de lá.

É assim minha Ipueiras,
Berço da felicidade.
Onde vivi minha infância,
E gozei a mocidade.
Ficar distante é portanto,
Viver remoendo saudades.

Fotos e dados foram retirados do Site oficial de Ipueiras

quarta-feira, 22 de outubro de 2008

IPUEIRAS 125 ANOS DE EMANCIPAÇÃO POLÍTICA




Dados de Ipueiras

O Município de Ipueiras ocupa uma área territorial de 1.474.11 Km² distribuída entre planalto e encosta da Ibiapaba e o sertão sopezano.

A distância do município à Fortaleza é de 298 Km, através da rodovia, e de 305 Km por ferrovia.

O acesso ao mesmo é feito pelas rodovias: BR 020, CE 187 e CE 403.


NOVA IPUEIRAS

Quem te viu minha Ipueiras
Bem menina e ainda tímida,
Não sonharia jamais em te ver,
Moderna, crescendo e tão linda!

O teu passado mais rústico,
Repleto de belezas naturais,
Transformara-se em lembranças.
Andas moderna demais...

Cresces verticalmente,
Esnobas em calçadões,
Cavalo e as velhas carroças,
Deram lugar a motos e carrões.

Mas gosto de te ver assim,
Marchando para o futuro,
Só lamento tantas grades
E casas cercadas de muros.

Meu coração Ipueirense,
Por ti eternamente baterá.
Serás sempre meu xodó
Minha Princesa do Ceará.

terça-feira, 21 de outubro de 2008

SEMANA DEDICADA A IPUEIRAS PELOS SEUS 125 ANOS



O MUNICÍPIO DE IPUEIRAS FOI CRIADO PELA LEI NUMERO 2.036, DE 25 DE OUTUBRO DE 1883.

AÇUDE DA CADEIA

Veja que céu tão bonito.
Veja só que azul intenso,
Bordado de alvas nuvens
Sobre este açude imenso.

Repare nos verdes morros,
Veja que linda paisagem!
Até penso que do paraíso
Roubaram essa bela imagem.

Esse postal que apresento,
Que de tão belo encandeia,
Não é pintura ou miragem,
É o grande açude da cadeia.

Açude que dá muito peixe.
Açude que engole gente.
O mais novo cartão postal,
Desta Ipueiras emergente.

segunda-feira, 20 de outubro de 2008

MIRE-SE NAS ROSAS


Foto retirada do site:abbra.eng.br/borboleta6.jpg

MIRE-SE NAS ROSAS

Veja esta rosa nascendo,
Repare seu esplendor.
O que ontem era botão
Em rosa se transformou.

Ela sabe que seu viço,
É efêmero... É fugaz...
Por isso, se dá sem reserva,
A quem de fato lhe apraz

De dia com as borboletas,
Troca juras sem pudor.
A noite se entrega ao orvalho,
Em borrifadas de amor.

Não deixe o ciclo da vida,
Nascer e morrer em vão.
Aproveite, bem, cada cio.
Renasça a cada estação.

quinta-feira, 16 de outubro de 2008

O POETA ME CONTOU


Xilogravura do Mestre J. Borges

O POETA ME CONTOU

Nas noites enluaradas
Carro de bois nas estradas
Gemiam pelo sertão.
Naquela melancolia
O caboclo valente seguia
Atrás de ganhar seu pão.

Na certa, mal dividido
Cabendo como é sabido
A maior parte ao patrão.
Enquanto o carro corria,
Me contava Jeremias
Um poeta do sertão,

Que os carreiros aos gritos,
Tocavam a condução.
Às vezes embalavam os bois,
Naqueles tempos de então
Entoando cantigas nativas,
E velhas loas como:

“vai, vai mandingueiro!
Vai, vai azulão!
Vaaai meu carro ligeiro!
Vai rei do sertão!”
Esta eu guardei na memória,
E não esqueço mais não.

Cada pau-d’arco abatido,
Cada Angico caído,
Doía no coração.
Talvez por isso o motivo,
Do carro entristecido
Chorando pelo sertão.

segunda-feira, 13 de outubro de 2008

Professorinha do Interior


Esta é minha homenagem a minha tia Isa Catunda professora que lecionou durante muitos anos na cidade de Ipueiras. Ela teve em vida, o carinho e o reconhecimento de muitos que passaram por sua sala de aula.Hoje ela já não vive fisicamente entre nós, mas continua a ser um espírito de luz a nos iluminar.

Professorinha do Interior

Renegou a palmatória.
Sabia contar história.
Tinha a meiguice da flor.
Tinha o dom de encantar,
Gostava muito de ensinar
A professorinha do interior.

Não teve filhos nessa vida,
Mas era uma tia querida,
Que a criançada adotou.
Ela irradiava tanta magia,
E sendo devota de Maria,
O catecismo me ensinou.

Ela era fina e elegante,
Jóia rara um diamante
Com todo seu esplendor.
Espírito de luz e beleza
Pro céu levou sua pureza,
Atendendo nosso Senhor.

Esse anjo de quem falo,
Rasgo meu peito e não calo,
Habita o meu coração.
É minha tia Isa querida,
Que já deixou essa vida,
Foi morar noutra dimensão.

Isa Catunda de Pinho,
Teve um bonito caminho,
Enquanto pode lecionou.
E a essa doce criatura
Que viveu em prol da cultura
Ofereço meus versos de amor.

quinta-feira, 9 de outubro de 2008

PRECE A NOSSA SENHORA DE APARECIDA


Foto:portalcot.com/.../2008/05/ns_aparecida1.png

Prece a Nossa Senhora de Aparecida

Senhora de Aparecida,
Santa das águas surgida
Pelas mãos de um pescador.
Interceda junto ao pai maior
Por uma vida digna e melhor
Para esse nosso povo sofredor.

Não deixe que a violência,
Acabe com nossa crença
Eu lhe suplico, por favor!
Proteja-nos com seu manto
Nos livre de todos os prantos
Que vertem em nome da dor.

Ó minha senhora das águas,
Nos livre de ódios e mágoas.
Ensine-nos o caminho do amor.
Com vós em nossos caminhos
Bem menos serão os espinhos,
Santa mãe de Nosso Senhor.

terça-feira, 7 de outubro de 2008

NOS ACORDES DA VIOLA


Imagem retirada do blog: Cultura Nordestina
Dia 8 de outubro é o dia do Nordestino.
Aqui, minha homenagem.

Nos Acordes da Viola

Sou caboclo nordestino,
Sou moleque, sou menino,
Sou poeta e cantador.
Quando pego na viola,
Meu peito tristonho chora,
E ela geme de dor.

Às vezes eu me arrebento,
Quando vem no pensamento,
O tempo bom que passou.
É quando castigo a viola,
Aí a danada chora
Cantando cantigas que outrora,
O meu passado embalou.

Sou caboclo nordestino,
De forró sou dançarino.
De faca Sou corredor.
Com morena faceira e cheirosa,
Bastam dois dedos de prosa,
Pra lhe provar meu amor.

Andei de cavalo de pau,
No talo da carnaúba.
Cheirei a flor mais cheirosa,
Cheirei a flor da munguba.

Com o papagaio no alto,
Lata e linha na mão,
Corri por toda cidade,
Brincando de pé no chão.

Brinquei de bola de gude,
Brinquei de bola de meia.
Fui um moleque feliz
Vivendo em minha aldeia

Hoje quando a saudade,
Aperta no meu coração,
Nos acordes da viola,
Vou dedilhando a canção.

O canto brota da alma,
Deste cabra sonhador.
Coração tristonho chora,
E a viola geme de dor.

quinta-feira, 2 de outubro de 2008

A ESTAÇÃO DE IPUEIRAS



A ESTAÇÃO DE IPUEIRAS


( O CONDADO DO MEU AVÔ)

Nasci numa cidade do interior onde o trem dava o tom aos acontecimentos do pequeno lugar.

Sou neta de um Agente Ferroviário ou chefe de estação, como era chamado àquele que tinha a responsabilidade maior de uma estação ferroviária em suas mãos.

Meu avô era Gonçalo Ximenes Aragão que acabou colocando todos os filhos homens trabalhando na rede Ferroviária. Dois como agentes e um como telegrafista.

Minha mãe sempre falava da vida cigana que a família levava. Quando estavam começando a gostar de um lugar, vinha a ordem de transferência. E eles batiam em retirada.
Do que me lembro, do contado por minha mãe, a família morou em Pires Ferreira, Reriutaba, Charito, até finalmente meu avô aposentar-se e ficar definitivamente em Ipueiras.

Em Ipueiras, a estação transcende as atividades ferroviárias. Não é apenas uma construção a serviço da rede ferroviária. É tanto, que hoje, mesmo desativada o nome estação perambula na boca das gentes da minha terra diariamente.

A estação foi construída numa área afastada do centro da cidade, área esta cortada pelo Rio Jatobá. A ponte Idálio Frota liga a estação a Ipueiras. Estação passa a ser, portanto designativo de bairro. O Bairro da Estação.

O Joatobá não é um rio perene. Mas já teve seus momentos de grandes cheias levando sem piedade o aterro da velha ponte, deixando algumas vezes o bairro isolado temporariamente da cidade.

Foi nesse bairro quando existiam apenas poucas casas, e nem calçamento havia, que meu avô se instalou. Ali criou seus filhos, e alguns deles permaneceram por muito tempo habitando o velho bairro da estação, hoje irreconhecível com sua cara nova e seu magnífico calçadão.

Para se chegar à estação propriamente dita, antes tínhamos que subir o que se chamava: O Alto da Estação. Ali a esquerda de quem sobe tinha uma casa grande do meu avô e lá quem morava era minha tia Idel e o Zé Bitião.

Na casa do alto um bom e aconchegante alpendre era o point de primos, primas e amigos, que muitas vezes reuniam-se para dançar ao som de uma vitrola enquanto esperavam o trem. Faltando dez, cinco minutos para a chegada do tão esperado trem todos corriam para um quiosque, que até hoje ainda existe por lá. Atualmente é um barzinho.

A família Aragão foi pioneira naquele bairro, lá meu avô deixou marcado no barro suas pisadas. O bairro cresceu, as casas se multiplicaram, ganhou um comércio próprio e escolas. Uma dessas escolas leva o nome de Gonçalo Ximenes Aragão numa justa homenagem ao homem que dignamente soube pisar e reinar naquele chão.

quarta-feira, 1 de outubro de 2008

FILHA DO NORDESTE


Imagem:bp3.blogger.com/.../s400/Sertao_paraibano.jpg


FILHA DO NORDESTE

Sou Dalinha, sou da lida.
Sou cria do meu Sertão.
Devota de São Francisco,
E de Padre Cícero Romão.
Sou rês da Macambira,
Difícil de ir ao chão.

Sou o brotar das caatingas,
Quando cai chuva no chão.
Sou cacimba de água doce,
Jorrando em pleno verão.
Sou o sol do agreste.
Sou o luar do sertão.

Minha árvore é mandacaru.
Meu peixe curimatã.
Macaxeira e tapioca,
É meu café da manhã.
Sou uma bichinha da peste,
Meu ídolo é lampião.

Sou filha das Ipueiras.
Sou de forró e baião.
Sou rapadura docinha,
Mas mole eu não sou não.
Sou abelha que faz mel.
Sem esquecer o ferrão
.

domingo, 28 de setembro de 2008

MANDACARU, SIM SENHOR!


Imagem retirada do site:canudossemiarido.blogger.com.br

MANDACARU, SIM SENHOR!

Não dou sombra nem encosto,
Mas não vejo defeito em mim.
Tenho um verde exuberante.
Meu fruto é da cor de carmim.
Minha flor esbranquiçada
Dignifica qualquer jardim.

Dono de uma beleza agreste.
No sertão enfeito caminhos.
Tenho um caule suculento,
Todo bordado de espinhos,
Entre pedras broto e cresço
Nem com a seca eu definho.

Sou um fiel representante
Do forte povo nordestino.
O verde traduz esperança,
Vermelho a grande paixão,
De uma gente que tanto adora:
Sua terra, seu mundo, seu chão.

Os espinhos são as agruras,
Do sertanejo tão sofredor.
A paz vinda com as chuvas,
Represento em minha flor.
Ninguém melhor do que eu,
O nordestino representou.

quarta-feira, 24 de setembro de 2008

PELEJA VIRTUAL DE RICARDO E DALINHA


Arte da capa Chico Parnaibano

União de Versos
Farinha do Mesmo Saco
DC
Você eleitor que repete,
Que todo político é ladrão.
Mas vende ou troca o voto,
A cada nova eleição.
Você é igualzinho a eles,
Não vale nem um tostão.
RA
Apreciei por demais
Estes versos da Dalinha,
Que para mim é capaz
De escrever mais de cem linhas
Falando do velho ou rapaz,
Que vendendo o voto se alinha
A quem a proposta lhe faz.
DC
Filho nobre do Ipu,
Que tem o verso perfeito
Cem linhas ainda é pouco,
Mas nós temos o direito
De alertar a consciência
E apostar na decência
No que vota e no eleito.
RA
Não custa nada lembrar,
Que atitude tão feia,
De vender ou de comprar
A consciência alheia,
Fere as leis do lugar
E leva para a cadeia
Quem assim se comportar.
DC
Não é besteira é um fato,
Mas preste bem atenção
Tanto o eleitor safado,
Como o político ladrão
Mesmo sabendo que é feio
Quer pôr a mão no alheio
Ser gigolô da nação.
RA
Não sei quem é mais safado
Nessa tal corrupção,
Se o eleitor iludido
Ou o político ladrão,
Que vende e compra voto
Nos tempos de eleição.
DC
Sei que não se discute,
Política, futebol e religião.
Mas vale a pena lembrar
E mostrar a população,
Que sua arma é o voto.
Seja vivo e não devoto,
Não aceite enganação.
RA
Mas será que o eleitor
É mesmo tão iludido?
Se vende a consciência
Ao candidato bandido;
Que paga pelo seu voto
Achando que é bonito?
DC
Votar com consciência
É pensar em sua cidade.
Aposte então na decência
E também na qualidade
Assim ficará satisfeito
Ao eleger um prefeito
Que tenha capacidade.
RA
Só trás atraso ao povo
E ao seu querido torrão,
Quem faz o que é errado
Em tempos de eleição:
Vender seu voto sagrado
Por merreca ou por milhão
DC
Nem todo político é safado.
Nem todo eleitor é vendido.
Por isto faz bem estudar,
A história do escolhido.
Se for honesto, trabalhador,
Um bom cidadão de valor,
Merece ser bem sucedido.
RA
Esse sim merece ter
Qualquer sorte infeliz,
Já que não tem o direito
De lutar pelo que quis,
Pois vendeu o bem maior
Seu direito a ser feliz.
DC
Direito qualquer um tem,
Só não luta quem não quer.
Repito isso pra homem,
E também para mulher.
Veja bem se o candidato
É homem de cumprir trato,
E encarar o que der e vier.
RA
A felicidade suprema
Só chega a quem acredita.
Mas um conselho eu dou:
Dê sempre boa guarida
E guarde na consciência
Os votos que deu na vida.
DC
Os votos que na vida dei,
Foram de bom coração.
Se um dia elegi rola-bosta
Não foi esta minha intenção.
Besteira só uma vez se faz
Pois para lábia de incapaz,
Eu mesma não caio não.
RA
Desta vida só se leva
A verdade verdadeira.
Vender ou compra o voto
Achando que é besteira,
Em vez de subir na vida
Se desce grande ladeira.
DC
Vender e comprar voto,
É atitude de um incapaz.
Não é bem dessa maneira
Que a boa política se faz.
Seja um honesto cidadão
Que zela bem o seu chão,
Esqueça a ambição voraz.
RA
Ah! Que sorte tem um povo
Que escolheu um cidadão.
Que por não comprar voto
Nos tempos de eleição.
Vira um político correto,
Que merece aclamação.
DC
Se o povo tem muita sorte
Muito mais tem o cidadão.
Que Por ser bem criado,
Pode mostrar a população.
Que com sua honestidade,
Pode dirigir uma cidade,
Um estado e até a nação.
RA
Quem procede desta forma,
Com decência e com cuidado,
Não corrompendo ninguém,
Não deixa o povo enganado,
Merece ser bem querido,
Sendo pra sempre lembrado.
DC
O passado de um político,
A vida que ele antes levou,
É o melhor cabo eleitoral
Para esclarecer um eleitor.
Por isso quem for decente,
Honesto e bem competente,
Posso dizer: Já ganhou!
RA
E o povo que tiver
Um político desse porte,
Deve sempre agradecer
E se achar um povo forte,
Por ser bem representado
E ter quem lhe dê suporte.
DC
Se você quer bom político,
Também seja bom eleitor.
Vote, mas com consciência.
Não se esqueça do seu valor.
Não se troque por telha e tijolo.
Não seja apenas um rebolo.
Esmola enfraquece o pudor.
RA
Já aquele que não cuida
Em praticar coerência,
Deve ficar no relento
E não ter benevolência
Daquele que foi eleito
Sem usar de boa decência.
DC
Só serei benevolente
Em matéria de eleição.
Com o cidadão honesto,
Que não suporte armação.
Que faça o sinal da cruz,
E faça oração pra Jesus
Pra se livrar de ladrão.
RA
Já não tem mais o direito
De reclamar um pedido,
Para quem o voto vendeu
Tal direito é perdido,
Devendo se contentar
Em ser eleitor vendido.
DC
O eleitor que se vende
É só um pobre coitado.
Que na escola da vida,
Estudou sem resultado.
Aprendeu a ser pidão,
Apóia político ladrão,
E é o puxa-saco falado.
RA
Por tudo isso eu suplico
Ao eleitor da nação,
Que na hora de votar,
Nos tempos da eleição,
Escolha bem direitinho,
Prestando muita atenção.
DC
Escolha eleitor amigo
Não tenha medo de errar.
Escolha usando a razão,
Não sem antes analisar,
A verdadeira condição
Desse candidato à eleição,
Que seu voto vai levar.
RA
Pois o voto é um momento
Dos que temos mais sagrado.
Só demora um tiquinho,
Porém se votar errado
Vais esperar muito tempo
Para ser recuperado.
DC
Esse sagrado momento,
Jamais deve ser perdido.
Seu voto é uma relíquia.
Por isso faço um pedido:
Preste bastante atenção,
Ao chegar a eleição,
Não dê seu voto a bandido.
RA
Tanto tempo não se tem,
Pois o tempo não retorna.
O que se perde é perdido,
Já ficou fora de hora.
Como aquele voto vendido
Naquela maldita hora.
DC
De quatro em quatro ano,
Acontece a renovação.
Não vá apertar uma tecla,
Clicando em um ladrão.
Pois fará a infelicidade,
Do povo de uma cidade
Que irá penar sem opção.
RA
Por isso caro eleitor,
Pare, pense e repense
Muito antes de votar.
Pois no final só quem vence
É quem escolher direito
A quem o voto pertence.
DC
Se você escolher certo,
Respeitável cidadão.
Vai trazer muita alegria
Ao seu querido torrão.
Vai viver sem embaraço,
Também não será palhaço
Servindo de mangação.
RA
Sendo assim ganha o povo,
Uma grandiosa sorte.
De ser bem representado
Por um político forte,
Eleito pelo seu voto
Sem ter lhe dado calote.
DC
Me Chamo Dalinha Catunda,
Também me assino Aragão.
Sou natural de Ipueiras,
E é com grande satisfação,
Que apareço com Ricardo
Escrevendo esse bocado
De versos sobre eleição.
RA
Eu sou filho do Ipu.
Sou Ricardo Aragão.
Conhecer Dalinha Catunda
Me trouxe grande emoção!
Poetiza e Escritora,
No cordel é uma doutora,
Nunca escreve verso em vão!
DC
Ricardo muito obrigada,
Pelo carinho e atenção.
Estamos nós dois unidos
Pois somos os dois Aragão.
A você um grande abraço.
No cordel atamos laços
Que jamais se soltarão.
RA
Minha querida Dalinha,
A quem deixo meu apreço,
Até parece que em dias
Da vida toda a conheço.
Fique certa, minha amiga,
Que as coisas boas da vida,
Todas elas te ofereço!

terça-feira, 23 de setembro de 2008

É PRIMAVERA


Foto: acervo do blog

É Primavera

A passarada cantou cedo.
O sol brilhou no infinito.
A brisa se fez presente,
A manhã se fez bonita.

Sumiram-se as nuvens.
De azul se vestiu o céu.
As borboletas em festa,
Faceiras voavam ao léu.

As flores desabrocharam,
Colorindo matas e jardins.
Os sonhos se renovaram
Fagueiros dentro de mim.

É a beleza da primavera,
Que volta a cada estação
Impulsionando os sonhos,
E incentivando o coração.

segunda-feira, 22 de setembro de 2008

CIRCE, EU E A FESTA


Foto enviada por Circe

Amigos,

Circe foi uma das boas surpresas que tive em minha festa.
Alegre, simpática, cheia de apetite e inteirona.
Fiquei muito feliz com a participação desta amiga, que só conhecia pela internet.
Como havia lhe falado, Circe, seria, como foi, uma festa popular.
Meu contentamento foi imenso em poder juntar família, amigos e companheiros da ABLC.
Como nordestina, assumida, optei por oferecer comidas típicas da terrinha.
“O Biscoito branco delicioso que desmanchavam na boca, é conhecido em minha cidade com ‘BULIM” e feito com goma.
Não deixei que faltassem os tradicionais salgadinhos, mas o pessoal babou mesmo foi com as comidas típicas.
Meu muito obrigada a Circe e aos que lá estiveram.

Dalinha Catunda


Pessoal:

A posse de Dalinha foi muito linda, interessante e emocionante.
Eu estava lá.
Teve discurso lido, falação improvisada, leitura de cordel, música tocada e de cantoria, com todos acompanhando. Pessoas inteligentes, de linguagem fluente e rica, principalmente ao se falar do Brasil e do Nordeste. Pessoalmente, adorei! Nos finalmente, teve uns comes e bebes pra ninguém botar defeito : salgadinhos variados e um maravilhoso pastel de carne, bem doméstico, como a gente gosta, arrematado com um
"baião de dois " e tudo feito pelas mãos de nossa querida Dalinha. ( esse último)eu não consegui comer, de tão satisfeita que já estava;) Sem esquecer o bolo de macaxeira e uns deliciosos biscoitinhos brancos que desmanchavam na boca .

Tem retrato meu com ela, mas ainda não está no computador. Cá entre nós, não entendo essas "modernices"; celular pra mim é para ligar ou receber telefonema ; foi a cunhada quem tirou , agora tenho que esperar, mas depois mando pro site da ABLC .

Fiquei cativa, fan de carteirinha e irei lá sempre que puder.

Abraços

circe

20 Anos de ABLC e Posse de Dalinha Catunda


Mena entrega o diploma à Dalinha e o presidente Gonçalo, o medalhão, tudo ao som do cavaquinho de Fábio Sombra.



O presidente Gonçalo mostra a homenagem do colegiado aos seus 20 anos de dedicação à ABLC. Tudo ao som do violão da Madrinha Mena.



O colegiado presente, em sentido horário: Paula Schuabb, Balbino Neto, madrinha Mena, presidente Gonçalo, Dalinha, Ubiratan, Campinense, Ivamberto, Aragão, Chico Sales, J. Victtor, Fábio Sombra, Maria Luiza e Fernando Assumpção.



:: 20 anos da ABLC e posse de Dalinha Catunda.

Sábado, dia 20 de setembro foi realizada a posse da mais nova acadêmica Dalinha Catunda. Na mesma festividade tivemos também a comemoração dos 20 anos da ABLC, na verdade feitos no dia 7 de setembro. A plenária foi realizada em tom de festa, e que festa. Desde a posse do acadêmico Antonio Francisco não se via tanta confraternização, com a presença do colegiado e muitos convidados.
Fonte: site da ABLC

Um Agradecimento Especial


http://i18.photobucket.com/albums/b147/lualmo/obrigada.gif



Um Agradecimento Especial

Ninguém brilha sozinho, e neste momento sinto-me a própria lua dependente do sol.
Uma festa por menor que seja, depende de uma produção e nessa produção, eu contei com uma enorme ajuda. Ajuda essa que veio do meu companheiro de anos, tantos anos que já não se conta nas mãos. Falo companheiro, porque mais do que companheiro ele tem se tornado cúmplice de meus sonhos.

Se na vida ele sempre foi um ótimo marido, e um pai maravilhoso, hoje se revela um cúmplice indispensável nessa minha caminhada literária.

Foi ele que se esmerou para que minha roupa ficasse pronta. A fartura que se viu na mesa da posse foi idéia dele. Ainda brincava: “tenho que caprichar que a mulher agora é imortal”. As pessoas que me ajudaram foram contratadas por ele. Enfim, tudo teve o dedo dele. Essa festa que pude oferecer aos amigos foi um presente que ele e deu.

Muitas vezes temos gratidão e não temos a palavra certa para agradecer os que nos contemplam com a felicidade. Ou muitas vezes sentimos certo acanhamento em demonstrar nossos sentimentos. Mas hoje eu não poderia publicar nada sobre essa festa, sem antes agradecer de coração a pessoa que me deu uma linda família e que hoje junto comigo viaja nos meus sonhos.

Luis, Obrigada por fazer parte da nossa família, de ser nosso anjo da guarda zelando pelo nosso bem-estar e obrigada a Deus por você existir.

Os louros foram meus, mas não tenho dúvidas da sua grande participação nesses acontecimentos. Obrigada mil vezes.

domingo, 21 de setembro de 2008

Homenagem ao Dia da Árvore


Imagem retirada do site de Unai-MG.

Árvore Ferida

Quando precisou de sombra,
Minha copa lhe abrigou.
Agarrado ao meu tronco,
Da tempestade escapou.

Comeu da minha fruta.
Cheirou a minha flor,
Mas de posse de um machado
Sem piedade me acertou.

Aos golpes de tal machado,
Indefesa fui ao chão,
Porém ficaram as raízes,
Que por certo brotarão.

Um dia quando seu corpo
Inerte também tombar,
Minha madeira cortada
Seu invólucro então será.

quarta-feira, 17 de setembro de 2008

POSSE DA DALINHA NA ABLC


Foto: acervo da ABLC
AMIGOS,
Sempre tive muito orgulho de ser NORDESTINA e sempre gostei de louvar minha terra e minha gente. Entrar para a ABLC é continuar falar a língua do meu povo e espalhar por esse Brasil a fora minha nordestinidade.
Sinto-me feliz e gostaria de dividir com todos vocês esse momento de alegria.
NOTÍCIA
20 anos de ABLC e posse da nova acadêmica Dalinha Catunda.

Dia 20 de setembro de 2008 é o dia da comemoração dos 20 anos da ABLC e da posse da mais nova acadêmica, Maria de Lourdes Aragão Catunda. A data de fundação da instituição é 7 de setembro, porém o calendário foi ajustado para ir de encontro à posse da nova acadêmica.

Nascida na cidade de Ipueiras, interior do Ceará, Dalinha Catunda, como é conhecida e assim assina suas produções, é mais uma mulher a se tornar imortal ocupando a cadeira de numero 25 que tem como patrono Juvenal Galeno, poeta e folclorista cearense.

Dalinha Catunda publica há mais de sete anos, como colaboradora, no Jornal O Povo e no Diário do Nordeste, jornais de grande circulação da capital cearense. Atualmente publica em vários blogs e sites entre eles o Nordeste Rural.

Entre seus títulos publicados de cunho engraçado e picante constam: O Forró de Zeca, O jumento do Maurício, A Panela Remendada, A Rosa Apavorada e A Donzela Que Virou Índia.

Fonte: ablc.com.br

MEU BAIO


Foto e Cavalo de Luiz Garcia. Amazona, Dalinha.

Meu Baio

Ele olhou nos meus olhos,
Nos olhos dele olhei.
Que era xucro, eu sabia,
Não tive medo, montei.
Dos seus movimentos bruscos,
O ritmo acompanhei.
Encantava-me a impetuosidade.
Não caí, nem escorreguei..
Bem mais do que oito segundos,
Em cima do bruto fiquei.
Hoje não pode me ver,
Que já relincha pra mim,
Pois sabe que no meu pasto,
E dele o melhor capim

terça-feira, 16 de setembro de 2008

Bento Raimundo e Edilson Vieira Mestres na Sanfona


Edilson Vieira Sanfoneiro e cantor


Bento Raimundo Sanfoneiro Repentista e cantor.

Fotos: Acervo do blog

Bento Raimundo e Edilson Vieira
Mestres na Sanfona

Fui um forró pé-de-serra
Lá pras banda de Ipueiras.
Foi um forró bem animado
Muito boa a brincadeira,
Tocava Bento Raimundo,
E também Edilson Vieira.

Nunca vi forró melhor,
Foi de levantar poeira,
Uma hora tocava Bento,
Outra era Edilson Vieira.
Era um rebolar de quartos,
Que dava nó nas cadeiras.

Um sujeitinho reclamou
Que Bento tocava sentado,
Bento arrochou a sanfona
Deixando o forró animado,
Num instante calou a boca
De quem conversava fiado

Edilson entrou cantando,
Seu bom forró de Jericó.
Bento com o Mela-Mela,
Nem sei qual cantou melhor.
Só sei que as duas sanfonas
Incendiaram o tal forró.

A sanfona velha gemia
O povão todo dançava.
Ao sair Edilson Vieira
Bento Raimundo pegava.
Com essa dupla tocando
Ninguém de lá arredava.

Teve uma hora que os dois,
Resolveram tocar juntos.
Naquela hora eu lhe juro
Lá só não dançou defunto!
Bento com Edilson Vieira,
Tocaram e tocaram muito!

Bento e Edilson Vieira,
São relíquias do sertão
Sanfoneiros de Crateús
Prestigiados pelo povão
Cantam e tocam o novo,
Sem esquecer a tradição.

quinta-feira, 11 de setembro de 2008

NOTÍCIAS DO MUNDO DO CORDEL


Acima, a equipe do projeto: Alexandre Mofati, da Ofício Produções; J. Victtor, coordenador executivo; Mariana Taboada, arte-finalista; Gonçalo Ferreira, curador; Madrinha Mena e Paula Schuabb, colaboradora.


As acadêmicas Rosário Pinto, Dalinha Catunda e madrinha Mena. Na direita, Miguel Bezerra e o presidente Gonçalo.

Evento do lançamento do livro 100 Cordéis Históricos Segundo a ABLC.


Terça-feira, 9 de setembro, foi realizado o evento comemorativo do lançamento do livro 100 Cordéis Históricos Segundo a Academia Brasileira de Literatura de Cordel, na livraria Odeon, Cinelândia, Rio de Janeiro. O projeto teve o patrocínio da Petrobras, realização da Ofício Produções e apoio do Centro Nacional de Folclore e Cultura Popular, sendo a ABLC a instituição beneficiada.

Coube ao presidente da ABLC, Gonçalo Ferreira da Silva, autografar os exemplares vendidos na festa, que contou com a presença do colegiado da ABLC e diversos convidados, tudo animado pela viola do repentista Miguel Bezerra. Os pedidos são feitos pelo e-mail: contato@ablc.com.br.

Fonte: www.ablc.com.br

EXCELÊNCIA



EXCÊLENCIA

Nem todo político é safado.
Nem todo político é ladrão.
Mas se fosse outro o país,
Muitos estariam sem mão.

Se muitos aceitam insultos,
Meu amigo preste atenção.
É porque não há inocentes
Mas sugadores desta nação.

Confesso que já nem sei,
A verdadeira tradução,
Da palavra excelência,
Que escuto em televisão.

Os vejo de terno e gravata,
Falando em nome da nação.
Em pouco tempo os vejo,
Engaiolados como ladrão.

Peço encarecidamente
A quem sabe, pois não sei,
A tradução de excelência.
Tão usada em certas greis.

Não sei se sou insolente
Em minhas indagações,
Contudo seria excelente,
Se me dessem explicações.

segunda-feira, 8 de setembro de 2008

CANTORIA EM IPUEIRAS




Fotos de Carlos Moreira

Ipueiras anda abrindo espaço para as velhas cantorias e tem agradado em cheio a um publico que continua fiel as velhas tradições.

Cantoria em Ipueiras

Foi lá nas Ipueiras
No interior do Ceará.
No bairro da estação
Bairro bom do lugar.
Onde dois cantadores
Armaram-se pra brigar.

A arena fora montada
Numa calçada descente
O velho Messias Sales
Foi quem recebeu a gente
A calçada estava cheia,
E ele sorria contente.

Ele, o pai de Edilson
Bom poeta e locutor,
Que com sabedoria
A peleja organizou.
Mostrando a Ipueiras
Da cantoria o valor.

O cenário bem sertanejo
Mexeu com meu coração,
Tinha pote enfeitando,
Também panela e pilão.
E um quadro bem bonito
Lembrando nosso sertão.

Os cantadores chegaram
Com as violas nas mãos.
Nos bancos se ajeitaram,
Começaram a afinação.
E o povo compenetrado,
Neles prestavam atenção.

Então veio Edilson Sales,
Fazendo a apresentação:
Esse aqui é João Batista,
Do Lima Junior irmão.
Este outro é Dal Costa
Bom cantador do sertão.

Lima Junior é um locutor
Que faz “O Velho de Setenta”.
Um personagem engraçado,
Que no rádio ele apresenta,
Não tem papas na língua
Faz o que lhe da nas ventas.

Não se deu exatamente,
Uma peleja uma briga.
Era uma moda de viola,
Repleta de belas cantigas.
Cada uma mais bonita,
Algumas eram antigas

Quando a viola tocava
Acompanhando a canção
O povo botava dinheiro
Na boca do velho pilão
A fartura era tamanha,
Vi até dinheiro no chão.

Um envelope recheado
Mandou Chico Coité.
Estava lá Chaga Jovino
Com sua bela mulher.
Zeca Frosino cubava,
O movimento em pé.

Pertinho dos cantadores
Eu vou contar pra vocês,
Sentou-se o seu De Assis,
Vindo lá do Vamos-Ver
Toinha e Maria Leitão
Também pude perceber.

Eu vi Quindô Miranda,
Batendo palma feliz.
Carlos Moreira batia,
Foto com direito a bis,
Ed Foto Filmou tudo,
Até dedo no nariz.

Eu vi bem seu Araujo
Em seu táxi recostado.
O cantor Tony Aragão,
Passou por lá apressado.
Vi o Itamar de seu Zeca
Zanzando pra todo lado.

Num canto avistei Nilza,
E Enoque perto da porta.
Também apareceu por lá,
O Luis de Nonato Doca,
Cristina de João Cazuza
Também tava na fofoca.

Ilze com sua Corrinha,
Sentaram-se ao meu lado.
Ele tomou um cafezinho,
Ela um guaraná gelado.
Meu morador, Zé António,
Zanzava já bem calibrado.

Muita modinha bonita
Na boca do cantador,
Com a “Casa Amarela”,
Muita gente se emocionou.
Com “Jesus e Tiradentes”
A platéia se arrepiou.

A moda “Toalha de banho”
O povo todo aplaudiu,
Mas todos se Calaram
Quando o Chaga pediu.
“Despedida de Vaqueiro”
Que emocionou quem ouviu.

Edilson bom anfitrião
Serviu ao povo presente.
Um cafezinho gostoso,
Cheiroso forte e quente,
Pipoca e refrigerante,
Batida e até água ardente.

Meus parabéns Edilson,
Pela noitada de alegria.
Distante de minha terra
Há muito tempo não via
Nas noites enluaradas,
Os repentes e cantorias.

Preservar nossas raízes,
Lutar pela nossa cultura,
É não perder a identidade.
Não ser uma caricatura.
É mostra a nossa cara,
Com direito a assinatura.

Sou Dalinha Catunda,
E também sou Aragão.
Adoro tudo que existe
No meu pequeno sertão.
Estarei sempre brigando,
Sempre engajada e lutando
Pelos costumes deste chão.

sexta-feira, 5 de setembro de 2008

OUTRA PÁTRIA


Imagem pinçada do: maresertao.blogspot.com

OUTRA PÁTRIA

Dalinha Catunda

Amar com fé e orgulho,
A terra em que nasci.
Aprendi ainda na infância,
Nos hinos e poemas que li.

Ó minha pátria sagrada,
Cadê teus encantos mil?
Poluído e acinzentado,
Hoje vejo teu céu de anil.

Teus rios, mares e florestas,
Carecem de preservação.
Na natureza não há festa
Predomina a devastação.

Se a boa terra jamais negou,
A quem trabalha seu pão.
Por que fazer do nosso pobre,
Um reles parasita da nação.

Sonegando-lhe trabalho,
E humilhando o cidadão.
Que recebe bolsas e vales
Enterrando o orgulho no chão.

Quem não vive do trabalho,
Do seu suor e da sua mão,
Não pode ter amor próprio,
Nem orgulho da sua nação.

Como imitar a grandeza,
Dessa terra em que nasci.
Se o exemplo lá de cima
Na verdade ainda não vi.

Por isso eu digo e repito,
Aos dirigentes da nação.
Primeiro dêem exemplo
Depois cobrem ao cidadão.

O que li de Bilac é passado,
Sentido não vejo agora.
Minha pátria hoje é outra.
Tenho saudades d’outrora.

quinta-feira, 4 de setembro de 2008

WALDICK SORIANO


Foto retirada do:todoprosa.blogspot.com

WALDICK SORIANO

Num passado não muito distante, nós, mocinhas do interior,
Éramos surpreendidas no meio da madrugada pelo canto dos apaixonados,
Que nos prestigiavam com belas serestas.

Quem um dia no interior do Nordeste, em certa época, não ouviu de um caboclo apaixonado as canções que diziam:

“Eu não sou cachorro não, pra viver tão humilhado...”
“Fica comigo esta noite, que não te arrependeras...”
“Amigo, por favor, leve esta carta e entregue aquela ingrata e diga como estou...”

Todas essas músicas são do repertório de Waldick Soriano, representante nordestino, pioneiro no romantismo popular, rotulado de Brega.

Waldick Soriano, hoje sobe mais um degrau, foi para o andar de cima, deixando uma legião de fãs desolados com sua partida e uma infinidade de musicas que continuarão sendo cantada por seus seguidores.

terça-feira, 2 de setembro de 2008

Cachoeiras de Macacu em Tempos de Cultura






Foto 4: Dalinha na sala de cine-Teatro Paschoal Guida, iniciando a Palestra sobre cultura popular.
Foto 3: Dalinha ao lado de Michele Nougueira coordenadora cultural e artistas locais.
Foto 2:Dalinha e um Artesão que trabalha com sementes.
Foto 1:Dalinha entre alunos e artistas locais.

Cachoeiras de Braços Abertos

Cachoeiras de Macacu uma cidade privilegiada pela natureza além dos encantos de suas doze serras e seus mais de vinte seis rios, vem se destacando como forte incentivadora de cultura. Não satisfeita com a cultura local tem se dedicado ao intercâmbio entre diferentes culturas.

Dia 22 de agosto dia do folclore, participei de uma palestra sobre cultura popular. Falei sobre cordel. Mostrei em vídeo o lugar onde nasci. Minha querida Ipueiras. Falei desse mundo mágico onde tudo começou e da magia do cordel.

A partir dessa apresentação os convites para saraus e palestras tem se multiplicado, o que me deixa feliz e agradecida à população cachoeirense.

Dia sete de setembro acontecerá o Primeiro Festival Intermunicipal de Poesias, em Cachoeiras de Macacu “CANTOS DE POETAS.” Estarei participando com alguns poemas.

O Evento acontecerá no Centro Intereducacional de cultura e Artes, na sala de Cine-Teatro Paschoal Guida, a partir das 19 h.


Encantada com a acolhida, não poderia deixar de homenagear a Bela Cachoeiras de Macacu. E com um poema bem singular, pois normalmente, só canto a minha terra.

Cachoeiras de Macacu

Trago no olhar agreste
O verde do mandacaru,
O vento das palmeiras,
O sol quente, o céu azul.
Eu que só canto Ipueiras
Quero louvar Cachoeiras,
E as águas do Macacu.

Mesmo cria do Nordeste,
Não deixo de me encantar,
Com tudo que a natureza,
Deu de presente ao lugar.
Pois o verde dessas matas,
Com belas serras e cascatas,
Fez meu queixo despencar

Cachoeiras de Macacu
Berço de tanta beleza,
Tuas serras e teus rios
São dádivas da natureza.
E o teu velho Jequitibá
Tão imponente e singular
É tua imensa riqueza.

Quantos pontos turísticos
A encantar as nossas vistas.
A cachoeira da amorosa.
E a Pedra da Mariquita.
Tem a Pedra do Faraó,
A do Oratório, e não é só,
Tem mais paisagem bonita.

Berço farto da natureza
Repleta de esplendor.
Estava Deus inspirado
Quando esta terra criou.
Não duvido, tenho certeza,
Por isso canto a beleza
Desse recanto de amor.

Cortada pelo Rio Macacu,
Tem um clima sedutor
Obra prima da Natureza
Invenção de Nosso Senhor.
São teus estes versos que faço.
Aqui deixo o meu abraço,
Nessa declaração de amor.