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quinta-feira, 23 de novembro de 2017

Dalinha Catunda e Fred Monteiro





















EU E FRED MONTEIRO
*
FRED MONTEIRO
Dalinha, cara poeta,
Atendendo ao seu chamado,
Relembro um tempo passado
Em que rimar era a meta..
e vou atirando a seta
Para não passar vexame
Pois não quero que me tome
Por cordelista esquecido
Tou mei’ desaparecido
Mas, qualquer coisa, me chame !
*
DALINHA CATUNDA
Meu caro Fred Monteiro
Eu permaneço na rinha
Pelejo na mesma linha
E lhe espero em meu terreiro
Sei que você é guerreiro
Em contenda nunca falha
Da língua faço navalha
Se você me desafia
Com gosto encaro a porfia
E me apronto pra batalha.

*

quarta-feira, 22 de novembro de 2017

ALMA MUSICAL

ALMA MUSICAL
*
Eu levo a vida na flauta
Não sou de me abespinhar
O canto de cada verso
É música a me embalar
Os acordes da poesia
Emprenham-me de alegria
Fazem minh’ alma gozar.
*
Versos de Dalinha Catunda

Foto de Evandro Peixoto.

terça-feira, 21 de novembro de 2017

CORDEL É DEDICAÇÃO

CORDEL É DEDICAÇÃO
*
Quem faz os seus versos livres
Que continue a fazer
Mas não diga que é cordel
Que alguém pode desdizer
Cordel além de rimado
Tem que ser metrificado
Nessa tecla vou bater.
*
Eu já fui de quebrar pé
Fazendo minha oração
Puxaram a minha orelha
Fui refazer a lição
Mesmo assim eu não me iludo
Pois nunca vou saber tudo
Cordel é dedicação.
*
E mesmo me dedicando
Confesso chego a errar
Humildemente consulto
Quem sabe e quer ensinar
Faço isso por respeito
Quem tem o cordel no peito
Por ele deve zelar.
*
Versos e fotos de Dalinha Catunda


segunda-feira, 20 de novembro de 2017

CORDELISTAS DE PLANTÃO


CORDELISTAS DE PLANTÃO
*
Cordelistas de plantão
De toda e qualquer paragem
Presto aqui minha homenagem
Nas linhas dessa oração
Rogo ao pai inspiração
Tento versejar com fé
Para não quebrar o pé
Ao tentar metrificar
E minha rima aprumar
Sem remar contramaré.
*
Louvo aqui cada poeta
Que sabe o que é cordel
Que cumpre bem seu papel
Prestando atenção na meta
E que de forma correta
Na hora de versejar
Tenta não desrespeitar
A nossa antiga cultura
O cordel literatura
Nossa arte popular.
*
Versos e foto de Dalinha Catunda

quarta-feira, 1 de novembro de 2017

UM DEDO ATRÁS PROTEGE A FRENTE


UM DEDO ATRÁS PROTEGE A FRENTE
*
Nesse presente momento,
Quero chamar atenção
Da raça de cabra macho
Também dos que frouxos são
No Brasil de Norte a Sul
Chegou o novembro azul
É tempo de prevenção.
*
Quem já passou dos cinquenta
Viveu muito inda quer mais
Faça o exame de próstata
Pois o corpo dá sinais
Se não existe vacina
Adote o que medicina
Escreveu em seus anais.
*
Reza a lenda que o exame
É sim, inconveniente,
Mas é só ficar de quatro
E do ato ser ciente
Que o dedo que vai atrás
Nada tem do satanás
Protege você na frente.  
*
Sei que você vai dizer:
No dos outros é refresco
Eu já vou me adiantando:
Homem deixe de ser fresco!
É só não se acostumar
Se por ventura gostar
Do que julga ser grotesco.
*
Eu já dei o meu recado
Tentando espantar o medo
Nessa minha apelação
Tentei caprichar no enredo
Faça o seu toque retal
Porque pode ser fatal
Morrer por causa d’um dedo?
*
Foto e versos de Dalinha Catunda

terça-feira, 31 de outubro de 2017

AMIGA BRUXA



AMIGA BRUXA
*
Amiga, muito obrigada
Por essa sua atenção
Trepar no pau da vassoura
Era a sua diversão
Aquele negro vestido
Já era bem conhecido
Voando pelo sertão.
*
Entre o cabo e a vassoura
De um tudo acontecia
Era tempo de fartura
Você nem se maldizia
E cansou de me dizer
Que alcançava seu prazer
No ato de bruxaria.
*
Quando findava outubro
Com cruel satisfação
Da dispensa retirava
O seu velho caldeirão
E em meio a gargalhada
No meio da madrugada
Caprichava na porção.
*
Você bem sabe que é bruxa
Vem e diz que sou também
Eu não vou dizer que não
Pois não sei se me convém
Um cabinho de vassoura
É coisa que não desdoura
Quem esfregou o sedém.
*
Dalinha Catunda
Em homenagem a Dolores Maria.

terça-feira, 24 de outubro de 2017

SAUDADE NÃO É PEIXEIRA

SAUDADE NÃO É PEIXEIRA
MAS CORTA A ALMA DA GENTE.
*

DALINHA CATUNDA
Quando a saudade bateu
Chorei não posso negar
Vi minha face molhar
Quando a lágrima escorreu
O quanto esta dor doeu
Só sabe mesmo é quem sente
Fere que nem ferro quente
E não é dor passageira
SAUDADE NÃO É PEIXEIRA
MAS CORTA A ALMA DA GENTE.

*
VÂNIA FREITAS
E quando o corte é profundo
E o coração aparece
Essa ninguém esquece
Leva-se para o outro mundo
Se não morro num segundo
Eu fico triste e dormente
E pode ficar ciente
Que isso não é brincadeira
SAUDADE NÃO É PEIXEIRA
MAS CORTA A ALMA DA GENTE.
*

CREUSA MEIRA
 Era um dia tão bonito
Na primavera da vida
Uma súbita despedida
Tirou-me do peito um grito
Olhando para o infinito
Via-o sumir de repente
Deixando o lugar ausente
Nessa hora derradeira
"Saudade não é peixeira
Mas corta a alma da gente"

*
BASTINHA JOB
O Cancão de Mirandiba
Fez um mote tão cortante,
Doído, angustiante,
Dalinha glosou "em riba";
E daqui da Paraíba
Do meu Cratinho ausente
Da forma mais contundente
Me deu uma roedeira:
Saudade não é peixeira
Mas corta a alma da gente!

*
RITINHA OLIVEIRA
A lâmina afiada 
Da ausência deu um corte 
Quase me leva a morte 
Inda estou esfatiada 
Fiquei dias internada 
Totalmente inconsciente
A mente e o corpo doente
Estou numa choradeira 
Saudade não é peixeira 
Mas corta a alma da gente.

LINDICÁSSIA NASCIMENTO
A saudade é tormento
Que fere sem compaixão
Quando vem d'uma paixão
Daquelas que tem perigo
Onde sofrendo o castigo
O seu instinto não mente
Vagueando tristemente
Sem achar "eira nem beira"
Saudade não é peixeira
Mas corta a alma da gente.

*

Mote: Cancão de Mirandiba.

quarta-feira, 11 de outubro de 2017

UM CANTO MENOR

UM CANTO MENOR
*
Partiu a paixão
Levando a magia
Minha poesia
Soluça em vão.
*
Um choro agorento
Pranteia meu peito
Carpindo sem jeito
A dor do momento.
*
Que triste destino,
Que sorte, que fado,
Que me tira o tino
*
Livrai-me Jesus
Do amor malfadado
Do peso da cruz.
*

Foto e versos de Dalinha Catunda

ARREMEDO DE ABOIO


ARREMEDO DE ABOIO
*
A mestre Dina, licença,
Eu peço para aboiar
Fui criada no sertão
Vendo a boiada passar
Eu ficava no terreiro 
A espera do vaqueiro
Querendo lhe arremedar.
*
O meu gado não é muito
Mas da pra enfeitar o pasto
Gosto de ver a boiada
Passando e deixando o rasto
Se o vaqueiro for bonito
Esqueço o que está escrito
No laço da corda arrasto.
*
Quem me deu o boi bordado
Foi Luiz Sebastião
O bordado ganhou fama
Pras bandas do meu sertão
Cada vaca que cobria
Tirava uma boa cria
Melhorei a produção.
*
Quem quiser me comprar gado
Fiado não vendo não
Meu gado só sai do pasto
Com dinheiro em minha mão
Pois aqui na minha lista
Tem um monte de artista
Cadastrei cada enrolão.
*
Resolvi laçar um boi
Achando que era manso
Só que o boi me deu trabalho
Mas eu não lhe dei descanso
Encrenca pequena e tico
Com laço na mão não fico
Não me enfezo, nem me canso.
*
Se a vaca prender meu boi
Eu tiro ele da cadeia
Depois de afrouxar o laço
Na vaca eu meto a peia
Não sou de usar chicote
Mas fique esperta e anote
Nunca mexa em coisa alheia.
*
Se seu touro pular cerca
Eu dou capim do meu lado
Se ele gostar do meu pasto
Vou viciar o danado
E só para me exibir
Eu vou montar sem cair
Nesse seu touro abusado.
*
Versos e fotos de Dalinha Catunda

terça-feira, 10 de outubro de 2017

A ÁGUA É FONTE DE VIDA...


*
A ÁGUA É FONTE DE VIDA
NÃO DEIXE A ÁGUA MORRER!
*
BASTINHA JOB
Também nosso São Francisco
É um rio em agonia
Correndo o sério risco
De se extinguir qualquer dia,
Mataram muitas nascentes
Outros tantos afluentes
O homem fez perecer
Urge uma outra medida:
A ÁGUA É FONTE DE VIDA
NÃO DEIXE A ÁGUA MORRER!
*
DALINHA CATUNDA
Agoniza o São Francisco
Em sua degradação
O homem não tem um trisco
De conscientização
E cava a própria desgraça
Com o projeto que traça
Faz o rio fenecer
Disso nem Deus duvida:
A ÁGUA É FONTE DE VIDA
NÃO DEIXE A ÁGUA MORRER!
Mote de Bastinha Job

Foto de Dalinha Catunda