Seguidores

quinta-feira, 17 de abril de 2014

Fartura no Ceará



 
FARTURA NO CEARÁ
*

Fartura terá
A Semana Santa
Tudo isso me encanta
No meu Ceará
A chuva por lá
Caiu com vontade
Pra felicidade
De quem fez roçado
No chão cultivado
Há prosperidade.
*
No sertão florido
De chuva encharcado
Comi milho assado
E milho cozido
Jerimum colhido
Nas ramas do chão
Maxixe e feijão
Na roça apanhei
Quando visitei
Meu velho sertão.
*
Versos e fotos de Dalinha Catunda

quinta-feira, 27 de março de 2014

DO CRISTO SÓ A SAUDADE

DO CRISTO SÓ A SAUDADE
*
Repleta de saudosismo
Eu tentei falar de amor
Falar da minha cidade
E a até de Nosso senhor!
Do nosso cartão postal
Hoje prenuncio do mal
Nosso Cristo Redentor.
*
O Cristo que um dia foi
O roteiro de devotos
Pagadores de promessas
Que lá deixavam ex-votos
Orgulho de nossa cidade
Hoje é somente saudade
Revelada em velhas fotos.
*
Já não se escuta o papoco
Do foguete a explodir.
Não tem cotoco de vela
E nem fumaça a subir.
O namoro do passado
Que lá era celebrado
Nunca mais vai existir.
*
Saudade bate no peito
A dor fere o coração
Fica difícil lembrar
Sem mexer com a emoção,
Dói saber que a violência
É a única referência
Do nosso altar de oração.
*
Se você mudou Ipueiras
Eu também devo mudar,
Meu discurso apaixonado
Preciso reformular,
Ou acabo me perdendo
Brigando, não defendendo
Quem jamais deixei de amar.
*
Versos de Dalinha Catunda

segunda-feira, 24 de março de 2014


O JUMENTO FOI MAIS QUE IRMÃO
*
Lá no meu sertão antigo
Já se comia jumento
O bicho era apreciado,
E mesmo sem condimento.
Era no meio da brenha
Que o jegue entrava na lenha
Sem relincho e sem lamento.
*
Um querido amigo meu
Certo dia foi cobrado
Pelo dono da jumenta:
- Se tu tá amancebado
Com a jumenta roxinha
Leve um milho pra bichinha
Ou tem namoro acabado.
*
Dando voz aos seus instintos
Gaiatos tiravam onda,
Certo dia um foi flagrado
Pelo sujeito da ronda
Q’ ouviu na hora do ato:
- Só não lhe dou um sapato
Porque tem pata redonda.
*
Quem comeu jumento vivo
Não come jumento morto
Seu projeto não procede
Pois ele já nasceu torto
Quem levou Nosso Senhor
Ouça bem seu promotor:
Merece melhor conforto!
*
Meu prezado promotor
Reveja sua opinião
Este bicho com certeza
Foi e é a salvação
De quem come, mas não mata.
E nem de longe maltrata
“O jumento nosso irmão.”
*
O jumento tem história
Profana também sagrada
Nas páginas da memória
Costuma ser degustada
Arranje novo destino
Para o jegue nordestino
E não a morte matada.
*
Foto e versos de Dalinha Catunda