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segunda-feira, 9 de abril de 2018

SÓ LIMEIRIANDO


SÓ LIMEIRIANDO...
*
O mundo está se acabando
E eu lambendo rapadura
Fazendo versos rimados
E sem perder a estrutura           
Ficar calada é um tédio
Pra garganta um bom remédio
É bunda de tanajura.
*
Eu ando de bicicleta
Porém já montei jumento
Jesus Cristo está no céu
O cão vive seu tormento
A roupa tá no varal
Da chuva não vi sinal
Mas lá vem um pé de vento.
*
Fiz um prato de pirão
Para comer com pimenta
Já queimei a minha língua
Mas o cheiro tá na venta
Nas contas do meu rosário
Rezei sem ser missionário
A ladainha que invento.
*
Trepei no mandacaru
Pras bandas do Ceará
Tirei um fruto bonito
Tinha mais de mil por lá.
Mamãe se casou com Chico
Nunca vi tanto fuxico
Pensei do lado de cá.
*
Eu conheço chumbo grosso
Também munição trocada
Pra não entrar em peleja
Eu dei uma de abestada
Salve quem morreu na cruz
E atendia por Jesus
Salve, salve a pátria amada!
*
Versos de Dalinha Catunda


sexta-feira, 30 de março de 2018

TODA MULHER É


TODA MULHER É
*
Toda fêmea é sagaz
Toda dama é elegante
Toda consorte é amante
Toda donzela é fugaz
Toda cunhã é audaz
Toda mocinha é princesa
Toda coroa é acesa
Toda viúva é fogosa
Toda garota é mimosa
Toda mulher é surpresa!
*
Versos e foto de Dalinha Catunda

quinta-feira, 29 de março de 2018

A VOLTA DA ROLA SOLTA



A VOLTA DA ROLA SOLTA
*
DALINHA CATUNDA
Rola que vai e que volta
É ave de ribaçã
Desse tipo de rolinha
Não vou dizer que sou fã
Gosto da rola que fica
Que meu xerém ela bica
Pois rola assim tem elã.
*
LINDICÁSSIA NASCIMENTO
É a lei da natureza
É um vai e vem danado
O certo é que ela gosta
De um canto bem cuidado
O carinho recebido
Por certo não esquecido
Volta para mais agrado!

*
DALINHA CATUNDA
Tem pomba que é bandoleira
Tem pomba que é retirante
E dessas conheço um bando
As que chamam de avoante
Delas tive em cativeiro
E muitas em meu terreiro
E um periquito falante.
*
LINDICÁSSIA NASCIMENTO
Rola, pomba, periquito
Qual desses você domou?
É um negócio esquisito
Vejo que algum voou
Cadê teu afinamento?
Não precisa fingimento
Diga que a rola voltou.

*
DALINHA CATUNDA
Das rolas que eu já prendi
Sempre tratei muito bem
E aquelas que eu já soltei
Para me ver inda vem
E vou aqui lhe avisar
A que se foi sem voltar
Não provou do meu xerém.
*
LINDICÁSSIA NASCIMENTO
Eu aposto que esse ai
Mesmo sem xerém provar
Deve ter se arrependido
Da bicada que quis dar
Não deve ter esquecido
Que pássaro desfalecido
Jamais poderá voltar.
*
DALINHA CATUNDA
Tem passarinho bonito
Voando em todo lugar
Tem deles que nessa vida
Só aprendeu a cantar
Se for roedor de pequi
Das bandas do Cariri
Puxo o pescoço pra assar.
*




quarta-feira, 28 de março de 2018

ME DIGA QUEM VOCÊ É













ME DIGA QUEM VOCÊ É
SE QUER SABER QUEM EU SOU!
*
DALINHA CATUNDA
Eu sou a folha de urtiga
Sou a flor de cansanção
Sou cabocla do sertão
Que malagueta mastiga
Sou quem não foge da briga
Quem nunca se acovardou
Sou mulher que sempre ousou
Sou de paz e de banzé:
ME DIGA QUEM VOCÊ É
SE QUER SABER QUEM EU SOU
*
BASTINHA JOB
Fui mestra,fui cordelista
Hoje tô aposentada
Por Isso não valho nada
No passado fiz conquista
Sou gaiata e anarquista
Sou rola-fogo-pagou
A Dercy me desbancou
E viva o meu Assaré:
ME DIGA QUEM VOCÊ É
SE QUER SABER QUEM EU SOU!
*
DÃO DE JAIME
Se você quiser saber
Quem sou eu lhe digo agora
Sou sarampo, catapora,
Sou o barro massapê
Sou o Sacy Pererê
O pão que o diabo amassou
Sou o vento que passou
Piolho de cabaré
ME DIGA QUEM VOCÊ É
SE QUER SABER QUEM EU SOU
*
Mote de Dão de Jaime

sábado, 24 de março de 2018

Mote: Se tem mulher no cordel, você tem que respeitar. Com glosas de Francildo Silva.

SE TEM MULHER NO CORDEL
VOCÊ TEM QUE RESPEITAR
*

Sempre admiro a bravura
Em se tratando da arte
Em que a mulher faz parte
Fica a marca da ternura
Se é na literatura
A tendência é encantar
Sua estrela a brilhar
No verso escrito em papel
SE TEM MULHER NO CORDEL
VOCÊ TEM QUE RESPEITAR
*
Pois pra tudo tem um jeito
Muda a vida e o labor
Desafia a própria dor
Sei tino sempre perfeito
Trás gravado no seu peito
Que ninguém sabe explicar
Difícil de desvendar
Mas encanto um Menestrel
SE TEM MULHER NO CORDEL
VOCÊ TEM QUE RESPEITAR
*
É firme e inteligente
Tão profunda no agir
Capacidade em porvir
Borbulhas na sua mente
Uma expressão do que sente
Quando algo a machucar
Sutil no ato de amar
Que Cabral chora a granel
SE TEM MULHER NO CORDEL
É PRECISO RESPEITAR.
*
Ganha quem reconhecer
Perde aquele que zombar
Ninguém queira duvidar
Pra chibata não comer
E nego logo gemer
Perdido no gaguejar
E tão logo se ferrar
Rodando num carrossel
SE TEM MULHER NO CORDEL
VOCÊ TEM QUE RESPEITAR
*
Morais Moreira falou
Eu não quero me esconder
Para depois bom sofrer 
Pagando a quem bobeou
Duma surra que levou
Pra nunca subestimar
É sempre valorizar
Tão doce favo de mel
SE TEM MULHER NO CORDEL
VOCÊ TEM QUE RESPEITAR
*
Mote: Dalinha Catunda 
Glosa: Francildo Silva.




quinta-feira, 22 de março de 2018

CORDEL DE SAIA NOVA MARCA II


*
CORDEL DE SAIA NOVA MARCA
*

DALINHA CATUNDA
O blog Cordel de Saia
Achei por bem renovar
Ganhou uma nova marca
Fui artesã a bordar
Convido aqui os leitores
E também pesquisadores
Para o blog visitar.

*
LINDICÁSSIA NASCIMENTO
A nova marca do blog
Tem a cara da cultura
Pelas mãos habilidosas
O bordado é uma feitura
Dialoga com o nome
Cordel de saia é renome
Que aviva a literatura!

*
BASTINHA JOB
 Além de fazer Cordel,
De ser notável Artista
Dalinha também denota
Ser competente estilista:
A SAIA tá mais charmosa
Merecedora da glosa
Do mote do Repentista

*

sábado, 17 de março de 2018

REDE E SERTÃO


REDE E SERTÃO

*
No final do dia
O sol esmorece
A lua aparece
Trazendo magia.
*
Na rede deitada
Me ponho a sonhar
Me banha o luar
Na noite encantada.
*
Suspiro dengosa
E ganho um chamego
Da brisa manhosa.
*
A noite insinua
No meu aconchego
De sertão e lua.
*
Sonetilho de Dalinha Catunda
Fotos de Dalinha Catunda

quinta-feira, 15 de março de 2018

DONA MARIA


DONA MARIA
Uma amiga, uma saudade, uma dor.
*
Quando o cansaço da vida
Chegou pra essa guerreira
Quando a falta de saúde
Encurtou sua carreira
Deus pai em sua bondade
Levou para eternidade
Quem lutou a vida inteira.
*
Eu provei do seu carinho
Eu tive sua amizade
O sorriso mais bonito
Ela me deu de verdade
Hoje mora com o pai
Mas do coração não sai
E viva em minha saudade.
*
As conversas no alpendre
O café que ela fazia
A gargalhada sonora
Quando besteira eu dizia
Tudo isso é só lembrança
A dor no peito balança
Lembrando dona Maria.
*
Amigas, companheiras
Ninguém pode duvidar
Uma rede separada
Tinha para eu me deitar
Ou ela vinha ou eu ia
Era Dalinha e Maria
Uma a outra visitar.
*
Nem esperou o inverno
Nem esperou eu chegar
Foi embora desse jeito
Sem sequer me abraçar
Como vai minha menina
Não ouvirei na rotina
Mas sempre irei recordar.
*
Eu vou sentir sua falta
A falta do seu amor
Voltar sem poder lhe ver
É voltar e sentir dor
Mas só vou lembrar Maria
Com sorriso de alegria
Que me dava a linda flor.
*
Versos e fotos de Dalinha Catunda

quarta-feira, 14 de março de 2018

ANALFABETISMO FUNCIONAL



ANALFABETISMO FUNCIONAL
*
Nesse Brasil de meu Deus
Nessa gigante nação
Ausência de investimento
Na chamada educação
Só humilha a criatura
Que desenha assinatura
E não lê com precisão.
*
Decifra letra por letra
Até aprendeu juntar
Porém na hora de ler
Nunca faz sem gaguejar
E padece feito o cão
Pra formar uma oração
Quando consegue formar.
*
Mas aprende a duras penas
As letras e soletrar
Já não é analfabeto
Sabe palavras formar
Contudo passa vexame
Pois não passa no exame
Na hora de interpretar.
*
Falta de conhecimento
Atrapalha o cidadão
Que até quer participar
Mas lhe falta condição
É o analfabeto tal
Chamado de funcional
Que lota nossa nação.
*
Versos e foto de Dalinha Catunda


terça-feira, 13 de março de 2018

LADAINHA DO ALMOÇO


LADAINHA DO ALMOÇO
*
Perdão eu não peço ao galo
Por seu pescoço puxar
Por lhe enfiar na água quente
Por cada pena tirar
Por cortar seu esporão
Tirar fígado e coração
Pra com gosto degustar.
*
Perdão eu não peço ao galo
Por lhe botar na panela
Por gostar imensamente
De comer sua moela
De seu sangue retirar
Para depois temperar
Pra fazer à cabidela.
*
Perdão eu não peço ao galo
Por lhe comer com cuscuz
Por lhe comer com quiabo
Do jeito que me seduz
Por lhe comer com pimenta
Pois minha língua aguenta
Nem faço o sinal da cruz.
*
Perdão não peço a ninguém
Porque não vejo razão
Porque tudo isso aprendi
No meu rústico sertão
Um galo bem temperado
Seja cozido ou assado
No agreste é tradição.
*
Versos e foto de Dalinha Catunda