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quinta-feira, 26 de dezembro de 2019



JOGUEI A TOALHA
*
Não volte a sentir saudade
Pois nocauteei a minha
Quem deixou o meu tatame
Não volta pra minha rinha
Em outro lugar se arranche
É essa minha revanche
E chega de louvaminha.
*
Versos e foto de Dalinha Catunda

quarta-feira, 11 de dezembro de 2019

CONTO COM BONECAS


 

CONTO COM BONECAS
*
As bonecas representam
As mulheres do sertão
Pois muitas vestiam chita
Para dançar o São João
Vejam só as cangaceiras
Do bando de Lampião
Espalharam rebeldia
Naqueles tempos de então
Caiu Maria Bonita
Nas garras do Capitão
Menina do Pajeú
Brilhou na propagação
Do óleo que era feito
Com caroço de algodão
Tudo isso que retrato
Não é minha invenção
Só transporto para a arte
Nessa minha descrição.
*
A mistura de meus versos e meus artesanatos.
Dalinha Catunda cad 25 da ABLC idealizadora e gestora do http://cordeldesaia.blogspot.com/ e do Cantinho da Dalinha

terça-feira, 3 de dezembro de 2019

O QUE FAZ A CARESTIA DA CARNE?


O QUE FAZ A CARESTIA DA CARNE?
*
Fui com marido ao açougue
Lá cheguei a me zangar
Pois vendo o preço da carne
Começou a resmungar
Desse preço compro não
Como é bife do “oião”
E danou-se a reclamar.
*
Ele cheio de argumento
Falava e dizia assim:
A gente come feijão,
E farofa de “toicim,”
Deixe logo de ora pois
Também tem baião de dois
E isso tá bom pra mim.
*
Eu saí batendo pé
Sem querer me conformar
Zangada que nem o cão
Esse cabra vai pagar
Eu fiz como ele queria
Contudo a minha alegria
Ele conseguiu quebrar.
*
Quanto chegou a noitinha
Que a gente foi se deitar
Virei de costas pra ele
E ele a me cutucar
Querendo carne comer
Eu disse: Tu vais morrer
Mas carne não vou te dar.
*
Durante o dia eu sonhei
Com costela e costeleta
Ele querendo poupar
Já deu uma de ranheta
Quando apertou a vontade
Deixei ele na saudade
Dispensei sua baioneta.
*
Foto e versos de Dalinha Catunda
Cad. 25 da ABLC
Idealizadora e gestora do blog Cordel de Saia

segunda-feira, 4 de novembro de 2019

A REVOADA DAS POMBAS


A REVOADA DAS POMBAS
.
Vi a pomba bater asas
Esvaziando o terreiro
Era só um passarinho
Buscando novo roteiro
Pomba-de-arribação
Bem comum lá no sertão
No ir e vir corriqueiro.
*
Quando pousou na vivenda
Já era tempo de estio
Entretanto fez seu ninho
Acabei com seu fastio
Cuidada com bom xerém
Ela sentia-se bem
Arrulhava a cada cio.
*
Vi a rola satisfeita
Sempre renovando o ninho
E dava graças a Deus
Por tê-la em meu caminho
Mas tudo acabou em nada
Pois a rola desalmada
Sumiu em um torvelinho.
*
E foi-se a pomba vadia
Foi-se a Burguesa também
Por rolas eu não lamento
Umas vão e outras vem
E foi-se a pomba terceira
Não será a derradeira
Que meu alçapão detém.
*
Outro dia eu avistei
A vadia em meu quintal.
A Burguesa toda prosa
Vi pousando em meu varal
Mas quem hoje me fascina
É uma pomba-divina
Conhecida por trocal.
*
Versos e foto de:
 Dalinha Catunda cad. 25 da ABLC
Idealizadora e gestora dos Blogs:
Cantinho da Dalinha e Cordel de Saia

domingo, 3 de novembro de 2019

AS DELFINAS
Era uma vez uma cidadezinha no interior do Ceará, chamada Ipueiras. Nos arredores dessa cidade, ficava um simpático lugarejo, o Pai Mané, onde só havia sítios. Lá Morava Dona Delfina e suas filhas.
Dona Delfina era verdureira, tinha seus canteiros com coentro e cebolinha. Dali tirava o complemento para o sustento da família.
Em Ipueiras antigamente as feiras só aconteciam aos sábados. E quem fosse ao centro da cidade, nesse dia, encontraria Dona Delfina e as filhas, com suas cuias de verduras.
As crianças da cidade, as vezes acompanhavam as mães, quando essas iam a feira, pois queriam garantir, o bolo manzape, a pitomba, o cajá e o cambucá.
Mas além das guloseimas, só Dona Delfina, encantava as crianças, pois a verdureira, tinha uma cuia especial. Uma Cuia colorida, cheia de bonequinhas de pano que atraia o olhar da meninada, e por ser um mimo barato, as meninas sempre conseguiam levar uma bonequinha para casa.
As bonecas eram conhecidas, como as bonecas das filhas de Dona Delfina. Eram vendidas nas feiras, eram arrematadas nos leilões das novenas e durante muito tempo foram presentes queridos e cobiçados pelas meninas do interior.
Brinquei muito de boneca de pano, fiz muitos vestidinhos para elas, confesso que nunca fiquei, sem uma dessas bonequinhas. Até me arriscava a fazer algumas com as sobras de tecido que minha mãe juntava. Mainha, entre outras atividades, era costureira.
Hoje envolvida com cultura popular, artesanato, poesia, estou exercitando o que herdei do meu povo e repassando as novas gerações o meu conhecimento.
Agora, voltei a brincar de fazer boneca. É uma ocupação que me dá muito prazer. E com todo carinho e respeito por Dona Delfina e suas filhas, batizei minhas bonecas com o nome da verdureira e artesã: AS DELFINAS.
*
Fotos e relato de Dalinha Catunda

dalinhaac@gmail.com
Idealizadora e gestora do Cantinho da Dalinha  e do Blog Cordel de Saia.

quinta-feira, 24 de outubro de 2019

A ARTE DE VOAR





















A ARTE DE VOAR
*
Sou pipa sou papagaio
Voo na imaginação
Os sonhos me deram asas
Tirei o meu pé do chão
O colorido da vida
Faz parte da minha lida
Trafego na imensidão.
*
Cada sonho que desenho
Tramo pra realizar
Vou fiando meu destino
Gosto de me aventurar
De viver nunca me enfado
Por isso teço meu fado
Pra depois concretizar.
*
Versos e arte de Dalinha Catunda cad. 25 da ABLC
dalinhaac@gmail.com.br


quarta-feira, 23 de outubro de 2019

VIDA E MORTE


VIDA E MORTE
*
LUIZ FERREIRA - LIMINHA
Essa aqui é a morada
De todos os ancestrais
Branco, preto, pobre ou rico
São do portão para trás
Poderoso e prepotente
Passou do portão pra frente,
Daqui não volta jamais...
*
DALINHA CATUNDA
Amigo, eu sei que um dia
Eu também vou virar pó
Porém me prendi a vida
Dei laçada e apertei nó
Não quero virar presunto
E a cidade do pé junto
Quando eu for eu não vou só.
*
LUIZ FERREIRA - LIMINHA
Minha Cara Poetisa
Eu também tô nesse pleito
Sei que vai chegar a hora
Vou partir com dor no peito
Duelarei com a morte
Somado a um pouco de sorte
Só vou se não tiver jeito...
*
DALINHA CATUNDA
Pra não ir antes da hora
Eu luto com carabina
Faço trato com a morte
Para mudar minha sina
E se nada adiantar
Pra tentar aqui ficar
Ofereço até propina.
*

segunda-feira, 14 de outubro de 2019

O ANJO BOM DA BAHIA/HOJE É SANTA NO ALTAR





O ANJO BOM DA BAHIA
HOJE É SANTA NO ALTAR
*
Foi fazendo caridade
Acolhendo cada irmão
Que seu nome correu chão
Irmã Dulce era bondade
Sua força de vontade
Era firme ao abraçar
Viveu para amenizar
Do pobre sua agonia
O ANJO BOM DA BAHIA
HOJE É SANTA NO ALTAR
*
Mote e glosa de Dalinha Catunda cad. 25 da ABLC
dalinhaac@gmail.com

quinta-feira, 10 de outubro de 2019

XODÓ NORDESTINO


XODÓ NORDESTINO
*
Você gritou: Ô de casa!
Eu saí e dei bom dia
Me pediu um copo d’água
A desculpa eu conhecia
Saí quase no pinote
Fui pegar água no pote
Lhe servi com alegria.
*
Você me olhava com gosto
E eu olhava pra você
Ali nascia um chamego
E nós dois dele a mercê
Eu no começo corava
Quando você me chamava
Minha flor de muçambê.
*
Quando o fole da sanfona
Gemia nalgum lugar
Você trocava de roupa
Corria pra me pegar
E naquela brincadeira
No forró a noite inteira
Eu via o suor pingar.
*
Teu copo grudado no meu
Meu corpo no teu grudado
O povo todo olhando
O nosso rodopiado
Não tinha naquele chão
Pras bandas do meu sertão
Um casal mais animado.
*
Eu me arrumava todinha
Com meu vestido de chita
Aquela flor encarnada
Me deixava mais bonita
Você na sua paixão
Roubou pra recordação
Meu laço feito de fita.
*
Era um xodó animado
Era um chamego ladino
Tinha cheiro no cangote
Coisa só de nordestino
Ao som de xote e baião
Embalamos a paixão
Era um chamego bem-vindo.
*
Versos e fotos de Dalinha Catunda cad. 25 da ABLC
dalinhaac@gmail.com




terça-feira, 1 de outubro de 2019

CUIDE DE SEU IDOSO


CUIDE DO SEU IDOSO
*
Quem tem o seu idoso
Consciência deve ter.
Cuidar dele com carinho,
É obrigação, é dever.
Ter zelo, ter paciência,
E também tomar ciência:
Todos vão envelhecer.
*
Não maltrate um ancião
Que já não sabe o que faz
Mas que foi seu alicerce
E já foi muito capaz
Já lhe deu casa e comida
Mas antes lhe deu a vida
E merece enfim ter paz.
*
Cada vez que a paciência,
Fugir do seu coração
Reze, reflita e pense,
Não faça judiação
Pois quem não morre envelhece
E quase sempre padece
Sofrendo de mão em mão.
*
Não se esqueça de lembrar
De quem de você lembrou.
Nos verdes anos da vida
De você sempre cuidou.
Mesmo hoje sem memória
Faz parte da sua história,
Que o tempo não apagou.
*
Versos e fotos de Dalinha Catunda


segunda-feira, 30 de setembro de 2019

O VOO DA RETIRANTE



O VOO DA RETIRANTE!
1
Eu sou mulher sertaneja!
Feminina e singular
O agreste me batizou
Mas fiz do mundo meu lar
Açoites patriarcais
Não me podaram jamais
Lutei pra me libertar.
2
Nunca fui igual a tantas
Aceitando imposição
Tinha o olhar aguçado
Tinha rumo e direção
 Do meu jeito nordestino
Sem drama sem desatino
Segui cheia de razão.
3
Não fui mulher de ficar
Debruçada na janela
Eu queria muito mais
Vi que a vida dava trela
Na janela não fiquei
A porta eu escancarei
E joguei fora a tramela.
4
Uma estrada desenhei
Do jeitinho que eu queria
Nela pisei com firmeza
Distribuindo alegria
As veredas da tristeza
Enfrentei sem ter moleza
 Recorrendo a rebeldia
5
Receio de ser feliz
Não provei no meu caminho
Fui ave de ribaçã
Trocando às vezes de ninho
longe do velho rincão
Eu desbravei novo chão
Sem sumir no torvelinho.
6
As pragas que me jogaram
Voltaram pra quem jogou
Eram tantas profecias
Nenhuma se confirmou
E hoje vou lhes dizer
Não parti pra me perder
Quem me viu depois notou.
7
Nunca fui desatinada
Era desobediente
A cruel hipocrisia
Era discurso presente
Mas fugi dessa verdade
Da podre sociedade
Jamais quis herdar corrente.
8
Eu nunca tive medo
De casar ou não casar
Sempre tive minha luz
Que acendi pra me guiar
Munida de inteligência
Não quis viver de aparência
Tive peito pra encarar.
9
A luxúria dos senhores
Fez filho no cabaré
O santo padre endeusado
Profanou a sua fé
Mas tudo era encoberto
O pecador era o certo

quinta-feira, 19 de setembro de 2019

HÁ JUDAS


HÁ JUDAS
*
Quem quer ser bem recebido
Aprende a receber bem
Jamais inventa porém
E não se mete a sabido
Quem só quer ser merecido
Não tem vaga do meu lado
Termina sendo enxotado
Eu não ofereço ajudas
Pois quem enche cu de judas
É molambo bem socado.
*
Versos e foto de Dalinha Catunda
dalinhaac@gmail.com

terça-feira, 10 de setembro de 2019

PRA SUA FACA AFIADA TEM COURO MINHA BAINHA


PRA SUA FACA AFIADA
TEM COURO MINHA BAINHA.
*
Você se diz cabra macho
Valentão e coisa e tal
Que me leva no bornal
Só para apagar meu facho
Eu querendo lhe despacho
Porém não fujo da rinha
Se souber levar Dalinha
O duelo acaba em nada
PRA SUA FACA AFIADA
TEM COURO MINHA BAINHA.
*
Versos e foto de Dalinha Catunda cad. 25 da ABLC
dalinhaac@gmail.com

domingo, 11 de agosto de 2019

Pai, Quem tem, cuide...


PAI, QUEM TEM CUIDE...
*
Quem tem o seu pai na terra
Preste bastante atenção
Cuide bem não abandone
Tenha consideração
Palavras não valem nada
Presente vira piada
Se falta do filho ação.
*
Um pai quando fica velho
Necessita de cuidado
De cuidado e de carinho
E jamais ser renegado
Pense que futuramente
Será velho igualmente
Sem querer ser desprezado.
*
Versos de Dalinha Catunda

quinta-feira, 8 de agosto de 2019

A MOÇA TRISTE


A MOÇA TRISTE
.
Alta, branca tão bonita
Mas quanta dor nela existe
No dourado dos cabelos
Sua nobreza persiste
Caminha com elegância
Deixando sua fragrância
No caminho a moça triste.
*
Nos lábios um ar de riso
No olhar tanta tristeza
Compondo sempre o semblante
Sem ofuscar a beleza
Da rapariga tristonha
Que não vive, apenas sonha,
No seu mundo de incerteza.
*
Pobre princesa sofrida
Que conseguiu ser rainha
Porém vive acorrentada
Mesmo se solta caminha
Em cada canto do rosto
É visível seu desgosto
Ao transportá-lo definha.
*
E na sua ingenuidade.
Príncipe era encantado!
Palácio sem atração,
Castelo desmoronado,
É a causa do desgosto
Tracejado no seu rosto
No fracassado reinado.
*
Versos de Dalinha Catunda cad. 25 da ABLC
 [[Imagem:Eugene de Blaas On the Beach.jpg|thumb|180px|Legenda]]