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segunda-feira, 8 de setembro de 2008

CANTORIA EM IPUEIRAS




Fotos de Carlos Moreira

Ipueiras anda abrindo espaço para as velhas cantorias e tem agradado em cheio a um publico que continua fiel as velhas tradições.

Cantoria em Ipueiras

Foi lá nas Ipueiras
No interior do Ceará.
No bairro da estação
Bairro bom do lugar.
Onde dois cantadores
Armaram-se pra brigar.

A arena fora montada
Numa calçada descente
O velho Messias Sales
Foi quem recebeu a gente
A calçada estava cheia,
E ele sorria contente.

Ele, o pai de Edilson
Bom poeta e locutor,
Que com sabedoria
A peleja organizou.
Mostrando a Ipueiras
Da cantoria o valor.

O cenário bem sertanejo
Mexeu com meu coração,
Tinha pote enfeitando,
Também panela e pilão.
E um quadro bem bonito
Lembrando nosso sertão.

Os cantadores chegaram
Com as violas nas mãos.
Nos bancos se ajeitaram,
Começaram a afinação.
E o povo compenetrado,
Neles prestavam atenção.

Então veio Edilson Sales,
Fazendo a apresentação:
Esse aqui é João Batista,
Do Lima Junior irmão.
Este outro é Dal Costa
Bom cantador do sertão.

Lima Junior é um locutor
Que faz “O Velho de Setenta”.
Um personagem engraçado,
Que no rádio ele apresenta,
Não tem papas na língua
Faz o que lhe da nas ventas.

Não se deu exatamente,
Uma peleja uma briga.
Era uma moda de viola,
Repleta de belas cantigas.
Cada uma mais bonita,
Algumas eram antigas

Quando a viola tocava
Acompanhando a canção
O povo botava dinheiro
Na boca do velho pilão
A fartura era tamanha,
Vi até dinheiro no chão.

Um envelope recheado
Mandou Chico Coité.
Estava lá Chaga Jovino
Com sua bela mulher.
Zeca Frosino cubava,
O movimento em pé.

Pertinho dos cantadores
Eu vou contar pra vocês,
Sentou-se o seu De Assis,
Vindo lá do Vamos-Ver
Toinha e Maria Leitão
Também pude perceber.

Eu vi Quindô Miranda,
Batendo palma feliz.
Carlos Moreira batia,
Foto com direito a bis,
Ed Foto Filmou tudo,
Até dedo no nariz.

Eu vi bem seu Araujo
Em seu táxi recostado.
O cantor Tony Aragão,
Passou por lá apressado.
Vi o Itamar de seu Zeca
Zanzando pra todo lado.

Num canto avistei Nilza,
E Enoque perto da porta.
Também apareceu por lá,
O Luis de Nonato Doca,
Cristina de João Cazuza
Também tava na fofoca.

Ilze com sua Corrinha,
Sentaram-se ao meu lado.
Ele tomou um cafezinho,
Ela um guaraná gelado.
Meu morador, Zé António,
Zanzava já bem calibrado.

Muita modinha bonita
Na boca do cantador,
Com a “Casa Amarela”,
Muita gente se emocionou.
Com “Jesus e Tiradentes”
A platéia se arrepiou.

A moda “Toalha de banho”
O povo todo aplaudiu,
Mas todos se Calaram
Quando o Chaga pediu.
“Despedida de Vaqueiro”
Que emocionou quem ouviu.

Edilson bom anfitrião
Serviu ao povo presente.
Um cafezinho gostoso,
Cheiroso forte e quente,
Pipoca e refrigerante,
Batida e até água ardente.

Meus parabéns Edilson,
Pela noitada de alegria.
Distante de minha terra
Há muito tempo não via
Nas noites enluaradas,
Os repentes e cantorias.

Preservar nossas raízes,
Lutar pela nossa cultura,
É não perder a identidade.
Não ser uma caricatura.
É mostra a nossa cara,
Com direito a assinatura.

Sou Dalinha Catunda,
E também sou Aragão.
Adoro tudo que existe
No meu pequeno sertão.
Estarei sempre brigando,
Sempre engajada e lutando
Pelos costumes deste chão.

5 comentários:

Marcos disse...

Minha nobre Dalinha Catunda, é uma honra poder contar sempre com suas visitas. Já conheço um pouco de seu trabalho e a parabenizo deste já pela posse na ABLC. Você tem espaço cativo aqui. Faço questão de tê-la em nossa seção de parceria e será sempre um prazer poder divulgar sua arte. Fique a vontade de me enviar qualquer material que deseje divulgar. Grande abraço!

António Inglês disse...

Dalinha

Muito tempo de silêncio, com férias pelo meio, não significaram menos consideração e amizade.
Venho deixar-lhe um abraço cá deste lado do Atlântico, pedindo-lhe que me perdoe estar tanto tempo sem dar sinal.
Vendo as fotos desses eventos que trazem à memória os hábitos e costumes do povo, fico cheio de inveja por não poder estar por aí assistindo.
Espero que se encontre bem, e a avaliar pela primeira foto, recomenda-se.
Muito bem minha amiga, continue sendo como é.
Abraço
António

Bérgson Frota disse...

Parabéns pelo trabalho, pela bela rima e pela sua personalidade forte e corajosa de sempre se afirmar mesmo morando distante como mulher talentosa e nordestina.

Jean Kleber Mattos disse...

Importante reportagem em versos. Brilhante. Quem não gosta de uma boa cantoria? Parabéns Dalinha pelo testemunho. Beijo.

Anônimo disse...

Dalinha, parabéns!! Adorei ler "Cantoria em Ipueiras", muito lindo o seu trabalho. Como moradora do interior de Ipueiras, pude muitas vezes apreciar uma boa Cantoria, ao luar. Que saudades!!!! Bjs. Lucilene