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segunda-feira, 12 de novembro de 2007

FILHA DO NORDESTE


FILHA DO NORDESTE


Sou Dalinha, sou da lida.
Sou cria do meu Sertão.
Devota de São Francisco
E de Padre Cícero Romão.

Sou rês da Macambira,
Difícil de ir ao chão.
Sou o brotar das caatingas,
Quando cai chuva no chão.

Sou cacimba de água doce,
Jorrando em pleno verão.
Sou o sol quente do agreste.
Sou o luar do sertão.

Minha árvore é mandacaru.
Meu peixe, curimatã.
Macaxeira e tapioca,
É meu café da manhã.

Sou uma bichinha da peste,
Meu ídolo é Lampião.
Sou filha das Ipueiras.
Sou de forró e baião.

Sou rapadura docinha,
Mas mole eu não sou não.
Sou abelha que faz mel,
Sem esquecer o ferrão.

2 comentários:

Jean Kleber Mattos disse...

Este é um de seus melhores poemas. Forte, com um ritmo bem cadenciado, envolvente, com metáforas atrativas. Palavra de fã.

Anônimo disse...

Que coisa mais linda é esta menina! Num ritmo bem verdadeiro do jeitinho que vc é. Vamos lá amiga - tú é valente e sabida também! Abraços de sua fã!
Clarisa