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quinta-feira, 13 de dezembro de 2007

Entrevista Com Bérgson Frota


Entrevista com Bérgson Frota
Formado em Filosofia/Licenciatura pela Universidade Estadual do Ceará (UECE) e em Direito pela Universidade de Fortaleza (UNIFOR). É professor visitante da Universidade Estadual Vale do Acaraú (UVA) e professor de Grego Clássico no Seminário da Prainha - Fortaleza.

01- O que é Ipueiras culturalmente falando?

- Um berçário de poetas e escritores, percebo como Ipueiras em relação a outros municípios do Estado se destaca nesta área.

02- O que significa Ipueiras para Bérgson Frota?

- Ipueiras é a raiz, a fonte de inspiração, foi o começo de tudo. A melhor imagem que definiria esta resposta seria a de uma grande árvore que para viver e produzir frutos precisa ter suas raízes fortemente enterradas no solo que a nutriu e sustenta.

03- Ipueiras é um berço de ilustres personalidades do mundo literário. A quem você renderia suas homenagens?

- Sem dúvida a Gerardo Mello Mourão, a forma com que este grande escritor e poeta divulgou Ipueiras é um exemplo raro e digno para quem deseja fazer o mesmo.

04- Um de seus trabalhos que mais gosto é “Dona Diana de Deus”. Entre tudo que você já escreveu, o que mais lhe tocou?

- “A última lua cheia”, pois nele estão os ingredientes mais difíceis de um conto, ou seja, a narrativa de uma vida feita sem enfeites, nua e crua, com alegrias e tristezas, tendo ainda a obrigação de quem narra prender o leitor do começo ao fim.


05- Na sua versatilidade você escreve: contos, crônicas, trabalhos de pesquisa e histórias infantis. Com qual destes gêneros você se identifica mais?

- Gosto dos contos, principalmente narrando neles histórias de tipos pitorescos que fizeram o feliz passado de Ipueiras.

06- Sou uma dos personagens de seus contos. É mais fácil falar dos vivos, dos mortos ou independe?

- É muito difícil falar dos vivos. Os mortos podem ser mergulhados numa fantasia que deixa o narrador livre para criar algo mais, os vivos crucificam o escritor na realidade e o obrigam a seguir os fatos numa narrativa linear, sempre obedecendo a uma seqüência cronológica.

07- O que você guarda de Ipueiras na memória dos tempos de criança?

- O tempo do inverno, os banhos no rio, na chuva que caía até anoitecer e finalmente quando tudo passava ficando a noite fria com o barulho dos grilos e sapos.

08 – Nascer em outra cidade foi apenas um acidente de percurso?

- Sim, nasci no Ipu, mas sempre me identifiquei ipueirense, gosto do Ipu mas tenho Ipueiras no coração.

09 – Seu histórico familiar é composto de escritores como Hugo Catunda, Jeremias Catunda e Frota Neto. Você se acha geneticamente herdeiro, ou acredita numa história pessoal?

- Falar numa história pessoal neste sentido seria fazer pouco caso das grandes figuras citadas, estas e outras que tenho na medida do possível colocado nos meus trabalhos. Não me considero herdeiro no sentido fechado que esta palavra encerra, diria que venho somar junto com os citados e unir-me aos que hoje escrevem e divulgam Ipueiras.

10 – O que não tem mais em Ipueiras que deixou saudades?

- Caindo num saudosismo saudável diria que toda uma comunidade de amigos que se foram e plantaram raízes distantes e a gente boa mais velha que não está mais entre nós.

11 – Ipueiras hoje veste roupa nova. Tudo muito limpo. Entrada e saída da cidade impecável, mas em compensação vemos esgotos despejados irresponsavelmente no rio Jatobá. É o tal do veludo por cima e molambo por baixo?

- Acho que tudo vem em etapas. A cidade está sendo bem cuidada e crescendo, sobre os esgotos no rio, logo com a perenização do mesmo, a criação de uma rede de tratamento dos esgotos será prioridade, pois só assim o rio perenizado se tornará fonte de lazer e alegria como foi em tempos passados.

12 – Você concorda que resgatar o passado é eternizar nossa história, ou acha simplesmente um saudosismo piegas?

- O termo “saudosismo piegas” carece de muita determinação, muita especificação. Acredito no valor do resgate histórico e cultural como um meio não só de eternizar a nossa história como também de trazer ao município um orgulho sadio, uma auto-estima longe do estéril bairrismo que nada produz.

13 - Que sugestão você daria para o maior proveito da cultura ipueirense?

- A valorização do artista primeiro na terra com criação de prêmios e publicação de trabalhos em livros, depois uma divulgação maior em feiras culturais no que se referisse ao município.

14 – Qual é o seu olhar sobre a Ipueiras atual?

- Muito positivo. Ipueiras diferente de outros municípios vizinhos soube crescer unida, sem perder distritos, crescendo a sede com muitas melhorias e permitindo aos distritos mesmo desenvolvimento, isso resultado de uma visão mais ampla de seus últimos prefeitos.

DC- Bérgson Frota, obrigada pela participação, e fique a vontade para suas considerações finais.

- Gostaria de encerrar com uma frase que coloquei finalizando meu artigo “Um céu claro de outono”, na comemoração dos vinte anos da feitura do selo para o centenário de Ipueiras : “A história do povo cearense, com a força dos ipueirenses, lhes outorgará um lugar digno de honra e valor no panteão dos séculos vindouros.”

Obrigado pela oportunidade

10 comentários:

Ana Lúcia Lopes disse...

Não conheço os trabalhos citados, gostaria de saber se saíram em livros ou em algum blog ou jornal, acompanho sempre os trabalho de Bérgson Frota, fiquei meio invejosa ao ver a entrevista muito bem feita, queria eu tê-la feita. Parabéns aos dois, o resultado foi saber um pouco mais do entrevistado.

Tereza Mourão disse...

Dalinha, bela entrevista com este talentoso jovem que conheci através de seus trabalhos publicados, tanto no Primeira Coluna quanto nos blogs seu e do Kleber. A Crônica sobre Dona Diana de Deus, eu tinha visto no antigo site do ipueiras.com e realmente descreve muito bem quem foi D. Diana. Gostaria de ver esta crônica publicada em seu blog ou do Kleber para que os que estão recentemente visitando a nossa pracinha virtual e os blogs tome conhecimento. Pois é Bergson, Gerardo Mello Mourão pode não ter uma homenegem digna e a sua altura em sua cidade que ele tanto cantou em versos e prosas em vários lugares deste mundo por onde passou, pois ele levou em seu coração a chave de sua querida Ipueiras, mas sei que no coração de muitos ipueirenses ele sempre será lembrado. Abrços, feliz Natal e até breve. Teresinha Mourão (a do seu Tim)

Ana Alice disse...

Parabéns pela entrevista, gosto dos trabalhos de Bérgson Frota e de todos que divulgam Ipueiras nos sites e blogs, que outras entrevistas criativas venham,apesar das críticas que leio sobre sites e blogs, para mim são espaços onde a cultura tem espaço e pode bem ser divulgada.

lucianna menezes lins disse...

Parabéns Dalinha por colocar no blog esta linda matéria, faço meus os elogios dos que já comentaram o trabalho,já li duas vezes e terminei imprimindo,pediria ao entrevistado que divulgasse o conto Dona Diana de Deus, não é só eu que peço, rsrsrsr.

Jean Kleber Mattos disse...

Bérgson tem o perfil do intelectual produtivo. Suas frases são elegantes. Ele não descuida do estilo.Realmente um prazer ler a entrevista. Dalinha, você é vanguardeira nos blogs de ipueiras com esta idéia. Parabéns aos dois.

Pedro Ailton disse...

Pesquiso no google seu nome, aí vejo Entrevista Com Bérgson Frota, que é isso, pensei, cliquei e encontrei este blog que desconhecia. Amigo parabéns pelas respostas, faz o favor de não desaparecer dos sites. Abraços do amigo.

lurdinha disse...

Oi Bérgson, parabéns pela entrevista, Dalinha sabe caprichar no que "bola" para seu excelente blog, não conheço muito seus trabalhos poderia colocar nos sites primeira coluna e suaveolesn,fica mais fácil agente encontar, ah sim lí um conto seu que saiu domingo passado, O Tesouro de Pedro, muito bonito, ia esquecendo Tempo de Criança eu li também e gostei muito, desculpe não fazer um comentário tão completo e bonito como a minha amiga Teresinha, mas fica uma mensagem de parabéns da lurdinha.

Bérgson Frota disse...

Gostaria de agradecer a todos pelas palavras elogiosas e estimuladoras, foi no entanto a iniciativa pioneira de Dalinha Catunda,alguém que sempre consegue me surpreender,a responsabilidade desta reportagem. A primeira, que indicaria a ser lida com o Sr. Jean Kléber, é um trabalho muito rico e bem elaborado. Fico enaltecido em ser o segundo desta lista que espero, pela resposta que está tendo, que Dalinha continue e nos traga outros e outras personagens não menos merecedores que eu para sua sabatina.

Obrigado de coração AMIGOS.

Dalinha Catunda disse...

Meu muito obrigada a Bérgson Frota, que tem se revelado como um escritor versátil, atuando bem, em tudo que se propõe a escrever. Obrigada por ter escrito para mim, o conto: "A ultima Lua Cheia" que, procurado, será encontrado nos arquivos do www.suaveolens.blogspot.com
Agradeço a participação dos que comentam no blog, pois é de grande importância os comentários aqui postados.
Dalinha Catunda

solange almeida coelho nunes disse...

maravilhosa cidade... tenho saudades, faz parte da minha infância, lembro dos banhos de rio, da pesca de piaba... conhecí um menino chamado bérgson... saudades.... sou solange coelho, filha da branca. bjs.