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quinta-feira, 6 de dezembro de 2007

A Árvore de Natal de Garrancho


Foto:http://www.eb1-fogueteiro-n3.rcts.pt/images/festa_natal/festa9.jpg

A Árvore de Natal de Garrancho

O que relato agora não foi exclusividade, apenas, de minha família. Era comum no interior do Ceará, e certamente de todo Nordeste.

Com a chegada do mês de dezembro começava o movimento para montar a Árvore de Natal. Movimento esse, que reunia toda a toda família em torno do mesmo tema.

Antigamente não tínhamos dinheiro nem produtos disponíveis para montar uma árvore, como as que víamos nas revistas. Porém, o que nos faltava em dinheiro e produtos especiais, sobrava-nos em criatividade.

E assim, começava o reboliço, era chegada a hora de montar a Árvore de Natal.
O primeiro passo era procurar nos arredores da cidade um garrancho com muitos galhos. Tarefa quase sempre atribuída aos meninos, que em bandos traziam mais de um galho,para que pudéssemos escolher o melhor.

Enquanto isso, meninas já estavam forrando com papel de presente uma lata de vinte, onde cheia de areia seria plantado o galho seco.

Outra turma, cortava papel celofane e crepom, verde, em tiras, faziam bastantes franjas, para recobrir o projeto de árvore, que aos poucos ia ganhando forma. Árvore coberta de verde, era hora de colocar sobre os galhos os brancos cordões de algodão, noutro canto meninas cobriam caixas de fósforo com papel prateado retirado das cédulas de cigarro, e com papel de presente. Caixa de vários tamanhos , além das de fósforo, também eram cobertas, fingiam ser presentes, e serviam como enfeites a serem dependurados na árvore.

Depois desse passo-a-passo a árvore estava quase no ponto, garrancho ,conseguido e recoberto de verde, enfiado na lata recoberta, já colorida pelo papel de presente, caixinhas feito enfeites penduradas, outras maiores ao pé da arvore fingindo presente.

Agora faltava colocar o menino Jesus em meio às palhinhas junto a árvore, o que era feito com carinho, e confeccionar a estrela para colocar no alto da Árvore.

Papelão na mão, tesoura, lápis, num instante, a mais habilidosa, desenhava e recortava uma linda estrela com grande cauda. Agora era só fazer um grude de goma, lambuzar a estrela, jogar areia prateada em cima e em seguida coloca-la no lugar de destaque. Assim criávamos nossa árvore.

Esse, acredito, era o verdadeiro espírito de Natal, onde famílias juntas numa perfeita confraternização se reuniam em torno do sagrado momento natalino.

13 comentários:

Anônimo disse...

Oportuna lembrança também eu quando criança montei em vários natais com meus irmãos árvores de natal de garrancho, as árvores embora não tão parecidas com os clássicos e setentrionais pinheiros eram para nós a figura mais bela da casa neste período, até mesmo quando arrumávamos lâmpadas pisca-piscas.

Bérgson Frota

Dalinha Catunda disse...

Bérgson,
Quero agradecê-lo pela presença, constante, nos comentários de meu blog.
A exemplo do seu depoimento, gostaria que outros amigos se pronunciassem sobre o assunto. Saber a versão de cada um, não deixa de ser um resgate interessante.
Feliz Natal!!!!
Dalinha Catunda

Lurdinha disse...

Não só a árvore a gente fazia como também uma lapinha com santinhos de barro,hoje a gente vê pouco isso Dalinha, parece que o natal daquela época fazia as crianças mais felizes além dos presentes que recebiam.

dalinhaac disse...

Lurdinha,
A minha tia Odete Aragão, fazia a lapinha toda de retalhos, os animais, Maria, Josè e ficava uma beleza.
O Presente melhor que ganhei, foi uma galinha amarela que botava 3ou 4 ovinhos. Não sei medir o tamanho de minha felicidade, que também não era menor quando eu ganhava minhas bonecas de pano. Fico feliz com sua presença no meu blog.
Um abraço,
Dalinha

carlos medeiros disse...

Também fizemos muitas, Dalinha.
Abs!

Márcia Helena disse...

Dalinha todos temos boas lembranças dos nossos natais em Ipueiras, lembro bem destas árvores que a gente de forma criativa enfeitava, nem fazia a gente ter inveja dos pinheiros nos cartões de natal.

Carlos Almeida disse...

Dalinha queria um dia ver em Ipueiras num natal uma grande carnaúba iluminada no centro da cidade, fica a idéia já que a cidade tem a carnaúba como símbolo, fico triste ao lembrar que quando era pequeno a cidade tinha muitas carnaúbas e muitas vezes eu derrubei e comi a frutinha rocha delas. Abraços.

Carlos Almeida

Jean Kleber Mattos disse...

Dalinha, nós temos, no Brasil, nossos "Contos de Natal", como este que V. escreveu aqui. Singelos, bonitos, contagiantes. Com o talento que Deus lhe deu, rico de detalhes. Enternecedor sem ser piegas. Coisa de gênio. Parabéns.

Dalinha Catunda disse...

Carlinhos medeiros, como você vê, interior é tudo a mesma coisa, só muda de nome e endereço.
Com certeza, Márcia Helena. Infelizmente não tenho uma foto das antigas árvores que fazíamos com tanto entusiasmo.
Carlos Almeida, em frente a prefeitura ainda resistem heroicamente duas antigas carnaubeiras. A boa idéia não está tão dificil de ser realizada.
Jean Kleber, obrigada pelo carinho das palavras e do constante apoio.
Dalinha Catunda

Heloisa Helena disse...

Dalinha, voltei à minha infância quando, assim como você, ajudava a construir uma Árvore de Natal com galhos secos, algodão, papel de presente e papel prateado retirado das embalagens de cigarros. Além de admirarmos a arte, curtíamos a união e a criatividade. Obrigada pelo momento de recordação e alegria. Beijo.

Kátia Câmara disse...

Menina fiz tanto essas árvores com meus irmãos, afinal quem é do nordeste e ñ tem muita grana pra investir e guardar, faz iso mesmo, eu acho lindo.
No ano passado gastei um bom dinheiro e fiz com aqueles galhos que usamos em arranjos, una que vem envernizado, comprei um monte, coloquei num vaso de lousa grande e branco e deitei na decoração prata, ficou um encanto. Bj e muita inspiração.

iva guimaraes disse...

gostei do seu blog adoro cordel gosto também de fazer artes de sucata
beijos e obrigada!

iva guimaraes disse...

gostei do seu blog adoro cordel gosto também de fazer artes de sucata
beijos e obrigada!