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domingo, 2 de setembro de 2007

A Donzela Que Virou Índia

A Donzela que Virou Índia

Contam que certa vez
Pras bandas do Ararendá
Um índio roubou Tereza
Pra com ela se casar.
A família ficou louca,
Acho que dormiu de toca,
Pra donzela se mandar.

De família conceituada
De um clã de tradição
Era a mocinha raptada,
Da família dos Mourões,
Dizem que na verdade,
Ela se foi por vontade
Seguindo seu coração

A família desesperada
Procurava pela donzela,
Polícia e até cachorro,
Colocaram atrás dela.
Era tanta a tristeza,
E por causa da Tereza,
Acenderam até vela.

Pele branca olhos azuis
Tinha a donzela bonita
Tinha o cabelo loirinho
Usava até laço de fita
Pelo índio apaixonada
Meteu o pé na estrada
Deixando família aflita

Passou dia passou noite,
Passou mês e passou ano,
Tantas luas se passaram,
Então veio o desengano.
Ele comeu a donzela,
Cozida numa panela,
O povo estava falando.

Mas tudo isso era lenda,
Ele antropófago não era
Foi numa rede de tucum,
Que ele traçou a donzela,
E todo ano era uma cria,
Que a ex-donzela paria
Sem ligar pra esparrela.

Aquela cultura indígena,
A branca tomou para si.
Adorava o Deus Tupã
Sua lua agora era Jaci.
Com as roupas da cidade,
Foi perdendo a vaidade,
E passou a se despir.

Sobe rio, desce rio,
Assim vivia Tereza
Agarrada ao jacumã,
Curtia a natureza
Eram tantas alegrias,
Que ela contente sorria,
Diante de tanta beleza.

O Conforto que ela tinha,
Em sua cidade deixou
cama,chuveiro e penico,
não fez falta, não senhor.
As noites enluaradas,
De estrelas salpicadas,
Compensava o que ficou

Depois de muito tempo,
Um dia à tardezinha,
Vestida de índia guerreira
Apareceu Terezinha
Dizendo que tinha casado,
E tinha ali do seu lado,
Um monte de indiazinha.

Com uma flecha no ombro,
Na cabeça um cocar,
Assim desfilava a branca,
com penacho e colar,
Nem mesmo Iracema,
Usava tantas penas
para o corpo adornar.

Agora morava na mata,
Numa aldeia, numa oca,
Da jurema o segredo sabia
Entrava na mandioca.
E tudo que ela queria,
Era viver com alegria,
Em cima de uma piroga.

13 comentários:

Anônimo disse...

Amigos,
Teresa Mourão adora uma foto e teve a gaiatice de me mandar essa foto onde seu rosto é real, num cenário montado.
Tive a idéia,(não sei se de jerico)de criar uma historinha em versos para fazer jus a foto. Lógico que, com a permissão da india fotografada.
Dalinha Catunda

Tereza Mourão disse...

Dalinha, nunca ri tanto em toda minha vida, somos duas malucas mesmo,uma por tirar esta foto em uma galeria no Centro Cultural Dragão do Mar e a outra por bolar esta estória engraçada. Em todo caso está aprovada, adorei os versinhos e quem sabe neste dia a índia que tinha dentro de mim surgiu. hehehe

Raimundo disse...

Nenhuma expressão cultural deve ser taxada de maluca...Em ambos os casos - Dalinha e Tereza formaram um dueto prestigiando o folclore brasileiro.
Sem nenhuma rasgação de ceda, tanto a foto quanto cordel ficaram de primeira....

Jean Kleber Mattos disse...

Dalinha, essa arrebentou a boca do balão. Uma granfina Mourão que virou índia. Genial!
Parabéns (a você e à índia...rsrs)

Vanessa da Silva Mattos disse...

Oi Dalinha! Primeira vez visita ao seu cantinho e realmente achei muito divertido, adoro suas poesias e cordéis! Muito criativa e engraçada a história da índia Tereza = )
Minha passagem por aqui será rotineira a partir de então. Um grande abraço!

Anônimo disse...

A Donzela que virou índia é um conto poema fantástico,entrando no campo da psicologia comparativa, quis Dalinha narrar uma inversão da bela fábula de Alencar, Iracema. Se nesta a donzela é índia e o mocinho o "donzelo", na sua a inversão é clara. Seus trabalhos retratam resgates longíquos, valiosos e acima de tudo trabalhados com cautela e talento. Parabéns novamente à sensível poetisa.

Bérgson Frota

Carina disse...

Parabéns à Dalinha e também à minha amiga Tereza, agora Índia, que nos proporcionaram, com esse dueto de início improvisado - mas que ficou uma maravilha - uma verdadeira viagem da imaginação através desses versos alegres e bem humorados, que demonstram, com uma sensibilidade ímpar, o talento dessa poetisa e cordelista do nosso Brasil!!
Um abração!!

Anônimo disse...

Dalinha, mesmo de tão longe estou visitando seu blog. Mas transformar uma Tereza Mourão em uma historinha de índio. Foi nota 10. Parabéns Dalinha! Seus versinhos estão arrazando. Abraços e até à volta.

Anônimo disse...

De india todos temos um pouco, mas a Tereza ...ahhhh a verdadeira india BRANCA! Adorei os versos! A sintonia e afinidade de voces com certeza vai muito além dessa vida! bj no coração,

Raquel Paiva

Camila disse...

Bom dia,aliás bom domingo.
Parabéns Dalinha,pela homenagem à nossa amiga Teresa.Linda! belos versos e montagem fantástica.
Beijinhos
Socorro da d.Brígida.

Anônimo disse...

muito legal esses versos da India Tereza e gostei da sua foto também...beijos, Regina

Zilma disse...

Parabéns a Dalinha e a Tereza... Que de outras fotos possam surgir mais poesias como esta muito linda. abraço Tereza.
Zilma...

antonio carlos disse...

e o FARIAS BRITO ,grande homem ,influente até hoje,olha dalinha nao tira meu comentario,nao entendo sua atitude.vç ja leu as obras dele? um abraço!
ARARENDA,02 DE FEV. DE 2009