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segunda-feira, 4 de junho de 2007

A Panela Remendada

Foto: O casal, Lúcia e Antônio Félix
A PANELA REMENDADA

Lá pras bandas do Corte Branco,
Pertinho da linha do trem,
Moram Lúcia e Toínho,
Um casal que quero bem.
O causo que conto agora,
É deles e de mais ninguém.

Antonio Felix aperreado,
Andava com pouco dinheiro.
Vendeu uma cabra parida,
As galinhas do terreiro
Vendeu até os ovos!!!
Pinto e pai-de-chiqueiro.

Queria vender o relógio,
E Lucia deu permissão
pensou em vender o anel,
mas Lúcia não deixou não.
Se tu fizer essa loucura
Eu vou te largar de mão.


Toím tomou consciência,
da besteira que ia fazendo.
Mulher tu tem mesmo razão,
O meu anel eu não vendo,
Eu sei que a coisa ta feia,
Mas ainda não ta fedendo

Por favor não levem a mal,
A história desse anel,
Foi presente do seu pai
Que hoje está lá no céu.
Tem uma pedra preciosa,
Dourada da cor de mel.

Lúcia Mulher católica,
Pediu a Deus proteção.
Toinho desesperado,
Não via uma solução
Era uma peleja danada
Pobreza e precisão.



A vida foi passando,
Do jeito que Deus queria,
Eram muitas as dificuldades,
Poucas eram as alegrias
Mas, se estava escrito assim,
Assim mesmo é que seria.

Neto, tinha um em casa,
Outro no bucho da fia
Se Lúcia não fecha as pernas,
Ele aumentava a família.
Lascado, lascado e mei,
Era assim, que Toím dizia.

Até que enfim o casal,
Teve um dia de alegria,
Vilmar filho de Zeca,
Chegou vindo de Brasília,
Na intenção de ver o pai,
rever amigos e família.

A viagem era rápida,
Mas tempo ainda deu,
Para aceitar o almoço,
Que Lúcia lhe ofereceu
Pois Vilmar como se sabe
É primo legitimo seu.

Almoço em casa de pobre,
É galinha ou baião.
O casal fez logo os dois,
Pois pedia a ocasião.
Vilmar era considerado,
Mais que primo, um irmão.

O que estava na panela,
Era o galo de estimação.
Quando botaram na mesa,
Vi crista, pé e esporão,
E dois caroços miudinhos,
Salvo engano era os culhões.

Um cogumelo solitário,
Boiava no meio do caldo,
Era o feofó do galo,
Que Lúcia não havia tirado.
Foi pro prato de Toím
E logo foi mastigado.

Do galo ela aproveitou tudo,
E a comida tava uma beleza.
Quente cheirosa e gostosa,
Fartura tinha na mesa.
Toím contava contente,
Piadas e safadezas.

O visitante satisfeito,
Acabando de almoçar.
Olhou a panela vazia
Chegou a se espantar.
Uma panela remendada???
Não podia acreditar.

Me diga meu caro Toím
Quem remendou essa panela?
Fui eu mesmo mais a Lúcia.
Com a ajuda duma suvela.
Depois de fazer os buraco,
Enfiemo arame nela

De tudo já vi nesta vida,
Meu amigo pode apostar.
Meia, calça e cueca,
eu mesmo sei consertar
Mas, panela remendada
Só mesmo no Ceará.

Além de causar pena,
espanto e admiração.
a panela remendada
mexeu com seu coração,
Vilmar sem pensar muito
Fez logo uma doação

Deu de presente ao casal
Uma panela de pressão.
Uma panela pro o arroz ,
E outrazinha pro feijão.
Resolvendo uma de vez
A triste situação.

Toím muito sabido,
Aprendeu bem a lição.
chegando alguém de fora
Faz a mesma arrumação.
Bota a panela velha
Pra ganhar uma coleção.

O negócio foi dando certo,
Pra sua felicidade,
Atualmente é o paneleiro,
Mais famoso da cidade,
Consertar e vender panelas,
É sua especialidade

Na casa de Lúcia e toím,
Não existe mais mazela.
A salvação da lavoura,
Foi a surrada panela.
Depois do primo Vilmar,
Todos caem na esparrela.

Só que Vilmar agora ,
Quer uma participação.
Vendo Toím lascado,
Foi ele quem deu a mão.
Nada mais justo que ele,
Pague agora uma comissão.

Toím hoje é empresário,
Vive em boa situação.
Vende panela a vista,
E também a prestação.
Ainda sobra panela
Pra rifa, bingo e leilão.

Ele abriu seu próprio negócio
Na intenção de faturar.
vendo a coisa crescendo
não tem medo de melar.
assim faz qualquer negócio,
Vende, troca, empresta e dá

Já vendeu panela pro Claudio
Pra Sandra e pro Edmar.
Ofereceu ao Gilson Oliveira
Mas ele não quis comprar.
Carlão comprou um monte,
Mas se esqueceu de pagar.

Dona Maria comprou duas,
Elenita comprou três.
Dona Zuila ganhou uma,
presente de seu Juarez.
O cabra é bom de negócio
E tá cheiiinho de freguês.

Depois da vida boa,
Toím deu pra versejar.
Falando de sua panela,
E da mulher que tem no lar.
Quem passa naquelas bandas
Sempre escuta ele cantar:

Duas coisas neste mundo,
Eu não vou perder à-toa,
É minha panela velha,
E também minha coroa,
Pois juntinho delas duas
Minha vida é muito boa.

Agradeço a deus no céu,
E meu amigo Vilmar,
Que veio lá de Brasília
E acabou por me ajudar,
Como vendedor de panela
A égua eu vou lavar

Sou Dalinha Aragão,
Gosto de escrever cordel,
O causo de Antonio Felix,
Eu já passei pro papel.
Quem gostar do meu relato,
Por favor, tire o chapéu.


.
Este terceiro cordel é uma homenagem ao casal Antônio Felix e Lucia, e ao pessoal do Corte Branco, gente boa, simples e amiga da minha querida Ipueiras

6 comentários:

Anônimo disse...

Panela pra trazer sorte essa,parece até "causo" criado. Mas se a poetisa narra como verdadeiro, não tenho porque duvidar. Excelente estória narrada em forma de cordel.

Bérgson Frota

Anônimo disse...

Gostei da poesia, é um belo cordel da poeta de Ipueiras, de raça e fibra, terra boa que só dá artistas.

Carlos disse...

Vc. é 10!
Parabéns pelo Blog.
Poesia magnífica.

Anônimo disse...

Êta panela pra dar lucro. Gostei do trabalho, muito fácil enriquecer desta forma.Rs,rs,rs.

Jean Kleber Mattos disse...

Dalinha, uma história se torna ainda mais saborosa quando a gente conhece os protagonistas. Conheço boa parte do "elenco" e me divertí muito. Foi ótimo.

藍正龍Blue disse...

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