O TETÉU ME AVISOU
Ouvi a zuada do Tetéu
Eu olhei para porteira.
Vi meu amor chegando
Meti os pés na carreira.
Me joguei em seus braços,
E foi tanto beijo e abraço,
Que me deu até tonteira.
Entre nós dois se jogou
O cachorro de estimação.
Um velho vira-lata,
Que atende por barão
Latindo e abanando o rabo
Demonstrando satisfação.
Hoje a galinha caipira,
Vai cheirar lá na panela
Vou fazer como ele gosta,
Com pirão e à cabidela
E vou separar só pra ele
Coração fígado e moela.
Uma cachacinha já tem,
Vou ao pé buscar cajá.
Um suco bem refrescante,
Ligeirinho vou preparar,
Vou caprichar no almoço,
Sem me esquecer do jantar.
No terreiro à noitinha
Vai ter dança e cantoria
Para celebrar a volta,
De quem é minha alegria
E que longe de casa, feliz,
Por certo jamais viveria.
Mas a festa só se acaba,
Ao matar a minha sede.
Suando junto com ele
No balançado da rede.
O armador que agüente!
Pra não cair da parede.
Texto de Dalinha Catunda.
Foto retirada do: flordomandacaru.blogspot.com
6 comentários:
Achei tão belo este poema!!!
Cheguei a sentir o cherinho da galinha cabidela no fogo rrsrrss...
Beijo.
Márcia.
Olá Dalunha
Um poema popular muito lindo amiga
e com cheirinho a cabidela...que
maravilha.
Um beijo
Alvaro
Cara Dalinha, sua cantoria é rica em figuras do nordeste: deixou-me com saudades: cajá, cabidela, o terreiro, a chegada, a cachacinha.
Quanto aos que só ficam na defensiva, sim, são sós, mas, não esqueça que no Rio Grande do Sul, mais do que defender, costuma-se dizer que o goleiro ataca a bola endereçada ao seu arco.
Abraços,
Pedro
Olá Dalinha, adorei este poema.
Ele trata os temas da nossa terra e os nossos costumes.
Obrigado por sua generosidade que faz muito feliz.
Volto sempre!
Olá Dalinha,
É muito bonito ver o nosso nordeste cantado em versos, e quando esses versos vem da amiga melhora ainda mais. Beleza de poema amiga.
Grande abraço.
Oi Dalinha! Que canto bom e inspirado este seu... Gostei muito! E que poema mais gostoso é este? Morri de inveja! Sabe, até sei rabiscar em prosa, mas em poemas sou uma lástima.
1 bjão paulistano!
Cesar
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